quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

BIBLIOLOGIA



1.    Introdução
Bibliologia é a parte da teologia que estuda os assuntos introdutórios das Escrituras. Também pode ser chamado de Isagoge que significa “conduzir para dentro”. Isso se dá com a ajuda do Espírito Santo!

2.    A importância das Escrituras
Deus tem se revelado através dos tempos por meio de Suas obras, isto é, a Criação (Rm 1.20; Sl 19.1-6). Na Palavra de Deus temos uma revelação especial, sendo a Bíblia como Palavra escrita e Cristo como Palavra Viva. Essa revelação tornou-se necessária devido à queda do homem.
A necessidade do estudo das Escrituras está explícita nos textos de I Pe 3.15, II Tm 2.15, Is 34.16 e Sl 119.130 e é indispensável entender que estudar é mais do que ler ou decorar: é aplicar a mente a um assunto, de modo sistemático, constante e compenetrado, por meio do raciocínio, da percepção e da memória.

3.    Porque estudar a Bíblia?
1.      É o único manual de vida: O crente é salvo para servir ao Senhor e a Bíblia é indispensável para o desempenho eficiente de sua função.
2.      Alimenta nossa alma: Bom apetite pela Bíblia é sinal de saúde espiritual, conforme I Pe 2.2.
3.      É o instrumento que o Espirito Santo usa (Ef 6.17): O Espírito Santo nos faz lembrar daquilo que estudamos.
4.      Enriquece espiritualmente nossa vida: Essa riqueza provém da revelação do Espírito. Quem desejar entender a Bíblia somente da capacidade intelectual, muito cedo desistirá.

O homem deve ler a Bíblia para ser sábio, crer na Bíblia para ser salvo e praticar a Bíblia para ser santo.

4. Como estudar a Bíblia
Ø  Conhecendo Seu Autor: Ela é o único livro cujo Autor está presente quando se lê. Amando o Autor, a compreensão é mais fácil!
Ø  Ler a Bíblia diariamente: Não basta ir aos cultos, ouvir sermões e testemunhos, acompanhar estudos bíblicos e ler boas obras literárias. É preciso a leitura bíblica individual e diária.
Ø  Ler a Bíblia com a melhor atitude mental e espiritual: Coração aberto e mente espiritual são requisitos primordiais.
Ø  Em oração, devagar e meditando: A meditação aprofunda o sentido. O foco não é recorde de leitura e sim aplicação pessoal e coletiva.
Ø  Ler a Bíblia toda: É a única forma de conhecermos a verdade completa dos assuntos da Bíblia. É uma riqueza insondável!

5.    Os livros antigos
Como todo livro antigo, a Bíblia, em sua composição original, também tinha a forma de rolo feito de papiro e de pergaminho (Jr 36.2). Aqui vemos o zelo de Deus com este Livro, pois mesmo diante de perseguições e atentados, ele chegou até nós.
A Bíblia foi originalmente escrita em forma de rolo, sendo cada livro um rolo. Assim, vemos que, a princípio, os livros sagrados não estavam reunidos uns aos outros como o temos agora em um volume único. O que tornou isso possível foi a invenção do papel no século II pelos chineses, bem como do prelo de tipos móveis em 1450 d. C., por Gutenberg, tipógrafo alemão.
A palavra Bíblia (do grego biblos ou biblíon) significa coleção de livros. Devido as Escrituras constituírem uma unidade perfeita, ela passou a significar O Livro, no singular, pois ela é, num todo, “A Revelação de Deus à Humanidade”.
Entre outros nomes, citamos a seguir os mais comuns que a Bíblia emprega a si mesma: Escrituras (Mt 21.42), Sagradas Escrituras (Rm 1.2), Livro do Senhor (Is 34.16), A Palavra de Deus (Hb 4.12) e Os Oráculos de Deus (Rm 3.2).

6.    A Estrutura da Bíblia
A Bíblia divide-se em 2 partes principais: o Antigo Testamento com 39 livros e o Novo Testamento com 27 livros, totalizando 66 livros que foram escritos num período aproximadamente de 16 séculos, por cerca de 40 autores.
Aqui está um dos milagres da Bíblia. Esses escritores pertenciam às mais variadas profissões e atividades, viveram e escreveram em países, regiões e continentes diferentes, em épocas e condições diversas. Entretanto, seus escritos formam uma harmonia perfeita. Isto prova que Um só os dirigia no registro da revelação divina.
A palavra testamento provém do grego diatheke e significa “aliança ou concerto”. Também representa a última vontade de alguém quanto à distribuição de seus bens após a morte.
O Antigo Testamento também é chamado de Antigo Concerto e o Novo Testamento de Nova Aliança. As línguas da escrita original da Bíblia foram o hebraico, grego e aramaico.

A divisão bíblica se dá da seguinte forma:

Antigo Testamento
Novo Testamento
Lei – Gênesis a Deuteronômio
Evangelhos – Mateus a João
História – Josué a Ester
História – Atos dos Apóstolos
Poesia e Sabedoria – Jó a Cantares
Epíst. Paulinas – Romanos a Filemon
Profetas Maiores – Isaias a Daniel
Epístolas Gerais – Hebreus a Judas
Prof. Menores – Oseias a Malaquias
Profecia - Apocalipse

É importante ressaltar que a nossa Bíblia não está organizada por datas e sim por assunto, facilitando a compreensão da Revelação de Deus ao homem. Esta organização é chamada de Septuaginta. Por exemplo: O primeiro livro do Antigo Testamento é Jó, mas como não falar primeiro da criação do mundo? Já no Novo Testamento, o primeiro livro a ser escrito foi I Tessalonicenses, mas tornava-se necessário apresentar Jesus nos Evangelhos em primeiro lugar. O remanejamento dos livros não alterou sua divindade, apenas facilitou nossa compreensão.

7.    O Tema Central da Bíblia
Jesus é o tema central da Bíblia. Ele mesmo o declara em Lucas 24.44 e João 4.39. Leia também Atos 3.18; 10.43 e Apocalipse 22.16.
Se olharmos com cuidado, veremos que em tipos, figuras, símbolos e profecias, Jesus ocupa o lugar central das Escrituras; isto além da Sua manifestação como está registrada em todo o Novo Testamento.
Destacamos abaixo o tratamento dado a Jesus Cristo por cada um dos livros bíblicos, segundo seus contextos, autores e propósitos divinos:

Em Gênesis Ele é a Semente da Mulher,
Em Êxodo Ele é o nosso Cordeiro pascoal,
Em Levítico é o nosso Sumo Sacerdote
Em Números é a Coluna de Nuvem de Dia e Coluna de Fogo a Noite,
Em Deuteronômio é o verdadeiro profeta,
Em Josué é o Capitão do Exército do Senhor,
Em Juízes é o nosso Juiz Libertador,
Em Rute é o nosso Parente Remidor,
Em 1 Samuel é o nosso Profeta,
Em 2 Samuel é o nosso Sacerdote,
Em 1 Reis é o Rei Sábio,
Em 2 Reis é o Rei Fiel,
Em 1 Crônicas é o Grande Monarca,
Em 2 Crônicas é o Monarca que Permanece,
Em Esdras é o Grande Escriba,
Em Neemias é o nosso Restaurador,
Em Ester é o nosso Escape da Morte,
Em Jó É o nosso Redentor que vive,
Em Salmos é o nosso Pastor,
Em Provérbios é a Sabedoria de Deus,
Em Eclesiastes é a nossa Vida Completa,
Em Cantares de Salomão é o Amado da nossa Alma,
Em Isaías é o Messias Prometido,
Em Jeremias é o Renovo da Justiça,
Em Lamentações é Aquele que Chora por Nós,
Em Ezequiel é o Renovo Principal,
Em Daniel É a Pedra que esmiúça,
Em Oséias é o Marido Fiel,
Em Joel é o nosso Batizador,
Em Amós é o Divino Lavrador,
Em Obadias é o nosso Salvador,
Em Jonas é o Grande Missionário,
Em Miquéias é o Libertador Divino,
Em Naum é o Juiz das Nações,
Em Habacuque é o Deus da nossa Salvação,
Em Sofonias é o Senhor Zeloso,
Em Ageu é o Desejado das Nações,
Em Zacarias é o Renovo da justiça,
Em Malaquias é o Sol da justiça,
Em Mateus é o Rei dos Judeus,
Em Marcos é o Servo de Deus,
Em Lucas é o Filho do Homem,
Em João é o Filho de Deus,
Em Atos é o Senhor Ressurreto,
Em Romanos é Aquele que nos Faz Mais do que Vencedores,
Em 1 Coríntios é o Senhor nosso,
Em 2 Coríntios é o nosso Conforto,
Em Gálatas É o nosso Libertador do julgo da Lei,
Em Efésios é Aquele que Cumpre Tudo em Todos,
Em Filipenses é o Modelo de Humildade,
Em Colossenses é a Plenitude de Deus,
Em 1 Tessalonicenses é Aquele que há de vir Arrebatar a Igreja,
Em 2 Tessalonicenses é Aquele que Virá para Julgar os Ímpios,
Em 1 Timóteo é o Único Mediador entre Deus e os Homens,
Em 2 Timóteo É o Nosso Modelo,
Em Tito é o nosso Exemplo,
Em Filemom é o nosso Senhor e Mestre,
Em Hebreus é o Sacerdote Eterno,
Em Tiago é o Modelo Singular,
Em 1 Pedro é a Pedra Angular da nossa Fé,
Em 2 Pedro é a nossa Força,
Em 1 João é o nosso Advogado Junto ao Pai,
Em 2 João é a nossa Verdade,
Em 3 João é o nosso Caminho,
Em Judas é o nosso Protetor,
Em Apocalipse é o Rei dos reis e Senhor dos senhores. Aleluia!

Considerando o Senhor Jesus Cristo como centro da Bíblia, o Dr. Scofield resume os 66 livros em 4 palavras, da seguinte forma:

1. Preparação: Todo o Antigo Testamento, ao tratar da preparação para o advento de Jesus Cristo.
2. Manifestação: Os Evangelhos, ao tratar da encarnação, manifestação e vida de Jesus Cristo.
3. Explanação: São as Epístolas que fornecem o esclarecimento sobre a doutrina de Cristo.
4. Consumação: O livro de Apocalipse, ao tratar da consumação de todas as coisas preditas, através de Cristo.

Por fim, o Antigo Testamento tem 929 capítulos e 23.214 versículos, enquanto que o Novo Testamento tem 260 capítulos e 7.959 versículos. Assim, a Bíblia toda possui 1.189 capítulos e 31.173 versículos. Estes totais variam um pouco, dependendo da versão do texto original do Antigo e do Novo Testamento.

8.    Observações Úteis e Práticas
Ø  Apontamentos Individuais: Habitue-se a tomar notas de suas meditações na Palavra de Deus. A memória falha!
Ø  Referencias Bíblicas: O sistema mais simples e rápido para escrever referências bíblicas é o adotado pela Sociedade Bíblica do Brasil: duas letras, sem ponto, para cada livro. Entre o capítulo e versículo põe-se apenas um ponto. Ex: Jo 3.7, Hb 13.9.
Ø  Referências concordando com o Português: Na Bíblia temos livros, evangelhos e cartas. Ao tratar de livro, usamos a pronunciação no masculino. Por exemplo: I Cr (Primeiro Crônicas), II Re (Segundo Reis), I Sm (Primeiro Samuel), II Pe (Segunda Pedro), I Tm (Primeira Timóteo). Igualmente, se quer focar a primeira parte do versículo, a chamamos de “parte a”, bem como a segunda parte representa “parte b”.
Ø  Texto: Conjunto de palavras contidas numa passagem.
Ø  Contexto: É a parte anterior e a posterior do texto em relevo.
Ø  Siglas das diferentes versões em vernáculo: ARC (Almeida Revista e Corrigida), ARA (Almeida Revista e Atualizada).
Ø  O tempo antes e depois de Cristo: Antes de Cristo é antes da encarnação/nascimento de Cristo e é representado por a.C. Já o tempo Depois de Cristo é representado por d.C.
Ø  Manuseio do volume sagrado: Obtenha completo domínio do manuseio da Bíblia, a fim de encontrar com rapidez qualquer referencia bíblica.

9.    A Inspiração Divina da Bíblia
O que diferencia a Bíblia dos demais livros do mundo é a sua inspiração divina. Por isso ela é chamada “A Palavra de Deus”.
A própria Bíblia reivindica a si mesmo como inspiração de Deus, pois a expressão “Assim diz o Senhor”, qual carimbo de autenticidade divina, ocorre mais de 2.600 vezes nos seus 66 livros, além de outras expressões equivalentes. Foi o Espírito de Deus quem falou através dos escritores da Bíblia.
Há varias teorias falsas quanto à inspiração da Bíblia, as quais não devemos ignorar, destacando a Teoria da Inspiração Natural Humana que ensina que a Bíblia foi escrita por homens intelectuais apenas; a Teoria da Inspiração Divina Comum que ensina que a inspiração dos escritores da Bíblia é a mesma que hoje sobrevém quando oramos, pregamos, cantamos, ensinamos e andamos em comunhão com Deus; a Teoria da Inspiração Parcial que prega que apenas algumas partes da Bíblia foram inspiradas e outras não; a Teoria do Ditado Verbal que ensina que houve inspiração para as palavras, não dando lugar para o estilo do escritor e a Teoria da Inspiração das Ideias, ensinando que Deus inspirou as ideias da Bíblia, mas não as suas palavras.
Mas, então, qual é a teoria correta sobre a inspiração da Bíblia?
A teoria correta sobre a inspiração da Bíblia é chamada de Teoria da Inspiração Plenária ou Verbal, que ensina que todas as partes da Bíblia foram igualmente inspiradas, que os escritores não funcionaram como máquinas inconscientes; que houve cooperação vital e contínua entre eles e o Espírito de Deus, que os capacitava. Essa teoria afirma que homens santos escreveram a Bíblia com palavras de seu vocábulo, mas sob uma influência tão poderosa do Espírito Santo que o que escreveram foi a Palavra de Deus.
Ressalta-se que há uma diferença entre Revelação e Inspiração Divina. Revelação é a ação de Deus pela qual Ele dá a conhecer ao escritor coisas desconhecidas e que o homem por si só não podia jamais saber. A Inspiração nem sempre implica em revelação. Toda a Bíblia foi inspirada por Deus, mas nem toda ela foi dada por revelação. Lucas e Moises, por exemplo, foram inspirados a examinar trabalhos prontos e o que presenciaram para escrever seus trabalhos. Já o texto de Daniel 12.8 e I Pedro 1.10-12, trata-se de uma revelação.
Há também diferença entre “declaração da Bíblia” e “registro de declaração”, pois a Bíblia não mente, mas registra mentiras que outros proferiram. Nesse caso, não é a mentira do registro bíblico que foi inspirada, e sim o registro da mentira. Durante a leitura bíblica é preciso verificar quem, pra quem, para que tempo e em que sentido está falando.
10. Alguns Pormenores da Bíblia
Ø  Os escritores: Foram homens de todas as atividades da vida humana. Moisés foi legislador, Josué foi um grande comandante. Davi e Salomão foram reis e poetas, Daniel foi ministro do estado. Pedro, João e Tiago foram pescadores, Amós era boiadeiro e assim por diante...
Ø  As condições: Moisés escreveu o Pentateuco nas solitárias paragens do deserto, Jeremias nas trevas de uma masmorra. Davi nas verdes colinas do campo, João no exílio na ilha de Patmos. Paulo escreveu parte de suas epístolas na prisão.
Ø  Circunstâncias: Estas também foram as mais diversas. Davi, por exemplo, escreveu no calor das batalhas; Salomão na calma da paz.

Há alguns que escreveram em grande tristeza, outros em muita alegria. Todas as circunstâncias, aos olhos humanos, trariam um grande desastre a Escritura, mas como UM SÓ era o mentor, as condições e circunstâncias não impediram que o Livro Sagrado tivesse uma só revelação e um só propósito.
Se alguma falha for encontrada na Bíblia, será sempre do lado humano, como: tradução mal feita, grafia inexata, interpretação forçada, má compreensão de quem estuda, falsa aplicação do sentido do texto, etc.

11. A Aprovação da Bíblia por Jesus
Inúmeras pessoas sabem quem é Jesus; creem que Ele fez milagres; creem em Sua ressurreição e ascensão, mas não creem na Bíblia. Tais pessoas precisam saber a posição de Jesus quanto à Bíblia. Devem saber que Ele:

a)    Leu-a (Lc 4.16-20);
b)    Ensinou-a (Lc 24.27);
c)    Chamou-a “a palavra de Deus” (Mc 7.13);
d)    Cumpriu-a (Lc 24.44).

Quem de fato aceita Jesus, aceita também a Bíblia como a Palavra de Deus, pois assim como o Espírito Santo testifica no crente que este é filho de Deus, testifica também que a Bíblia é a mensagem de Deus para este mesmo filho.

12. A Bíblia é sempre nova e inesgotável
O tempo não afeta a Bíblia. É o livro mais antigo do mundo e, ao mesmo tempo o mais atual. Ela é tão atual como o jornal de amanhã. Todas as vezes que lemos textos conhecidos como João 3.16 e Salmo 23, descobrimos coisas que nunca tínhamos visto antes. Isso prova que ela procede de Deus – O Pai de todos!
Além disso, a Bíblia é imparcial. Se fosse um livro originado pelo homem, ela não poria a descoberto as faltas e falhas dele. O homem jamais teria produzido um livro como a Bíblia, que dá toda a glória a Deus enquanto mostra a fraqueza do homem (Jó 17.1-14; Sl 50.21,22; I Co 1.19-25).

13. Os Livros Apócrifos
Na Bíblia de edição católico-romana, o total de livros é 73 porque, desde o Concílio de Trento em 1546, a Igreja Romana inclui no cânon do Antigo Testamento 7 livros apócrifos, além de 4 acréscimos ou apêndices a livros canônicos, perfazendo assim um total de 11 escritos apócrifos.
A palavra apócrifo significa, literalmente, escondido, oculto, em referência a livros de então que tratavam de coisas secretas, misteriosas, ocultas. No sentido religioso, o termo significa Não Genuíno, desde sua aplicação por Jerônimo. Os livros apócrifos nunca foram reconhecidos pelos judeus como parte do cânon hebraico. Jamais foram citados por Jesus, nem foram reconhecidos pela Igreja Primitiva. Esses livros são:


a)    Tobias
b)    Judite
c)    Sabedoria de Salomão
d)    Eclesiástico
e)    Baruque
f)       1 Macabeus
g)    2 Macabeus



Os 4 acréscimos ou apêndices aos livros canônicos são:
a)    Ester (a Ester 10.4-16,24);
b)    Cântico dos três santos filhos (a Daniel 3.24-90)
c)    História de Suzana (a Daniel 13)
d)    Bel e o dragão (a Daniel 14)

A Igreja Romana aprovou os apócrifos em 18 de abril de 1546 como meio de combater a Reforma Protestante, então recente. Houve prós e contras dentro da própria igreja, como houve também depois.
No inicio, os reformadores protestantes publicaram a Bíblia com os apócrifos, colocando-os entre o Antigo e o Novo Testamento; não como livros inspirados, mas bons para leitura e de valor literário e histórico. Porém, em 1629, foram omitidos de vez na Bíblia Evangélica, para evitar confusão entre o povo simples, que nem sabe discernir entre um livro canônico e um apócrifo.

14. As línguas Originais da Bíblia
As línguas originais da Bíblia são o HEBRAICO e ARAMAICO para o Antigo Testamento e o GREGO para o Novo Testamento.
Todo o Antigo Testamento foi escrito em hebraico, o idioma oficial da nação judaica, exceto algumas passagens de Esdras, Jeremias e Daniel, escritas em aramaico. Como a maior parte das línguas do ramo semítico, o hebraico, lê-se da direita para a esquerda. A pronuncia tradicional do hebraico foi fixada pelos massoretas, no século VI.


O aramaico é um idioma semítico falado já há 2.000 anos antes de Cristo, em Arã ou Síria, que é a mesma região. A influência dessa língua foi profunda sobre o hebraico, começando no cativeiro do reino de Israel em 722 a.C., na Assíria e continuando através do cativeiro Babilônico do reino de Judá em 587 a.C. No tempo de Cristo, o aramaico já era muito popular e foi a língua usada pelo Senhor, seus discípulos e a Igreja Primitiva em Jerusalém


O Novo Testamento foi originalmente escrito em grego. A única dúvida paira sobre o Evangelho de Mateus que muitos eruditos afirmam ter sido escrito em aramaico.
O grego do Novo Testamento não é o clássico dos filósofos, mas o dialeto popular do homem comum, denominado “koiné”. Nos primórdios do Cristianismo, o Evangelho pregado ou escrito em grego podia ser compreendido pelo mundo todo.


15. Os Manuscritos da Bíblia
Manuscritos são rolos ou livros da antiga literatura, escritos à mão. Quanto ao formato, podem ser códices ou rolos. Códice é um manuscrito em formato de livro, feito de pergaminho. Já o rolo podia ser tanto de papiro como de pergaminho e sua caligrafia podia ser Uncial ou Cursivo.
Não há nenhum manuscrito original saído das mãos dos escritores bíblicos, que seja conhecido. É provável que, se houvesse algum, os homens o adorassem mais do que ao divino Autor.

16. A Sequência da História Bíblica
Ø  Época Pré-Abraâmica: Esta época abrange dois períodos da história, sendo o Período Antediluviano que compreende de Adão ao Dilúvio, de 4004-2348 a.C., isto é, 1656 anos; e o Período do Dilúvio a Abraão, que compreende de 2348 a 1921 a. C., perfazendo 427 anos.
Ø  Período Patriarcal: Este período estende-se de Abraão a José. De Canaã ao Egito, entre 1921 a 1635 a. C., ano da morte de José. É com Abraão que começa a história de Israel como povo eleito.
Ø  Israel no Egito: Compreende o período entre a morte de José ao advento do Êxodo, de 1635 a 1491 a. C. Abrange o tempo da escravidão do povo hebreu no Egito.
Ø  Israel no Deserto: Este período estende-se do Êxodo ao último acampamento de Israel em Sitim, nas planícies de Moabe. Tempo: 1491-1451 a. C. Nesse período foi fundada a Lei e o Tabernáculo.
Ø  A Conquista de Canaã: Tempo: 1451-1444 a. C., isto é, 7 anos descrito no Livro de Josué. Este foi o primeiro período de Israel em sua própria terra.
Ø  Os Juízes (Teocracia): Período que abrange da morte de Josué ao fim do governo de Samuel, de 1425 a 1095 a. C., mais de 300 anos.
Ø  Monarquia (Reino Unido): De 1095 a 975 a. C., totalizando 120 anos. Este período abrange os reinados de Saul, Davi e Salomão.
Ø  Reino Dividido: Este período compreende de 975 a 606 a. C., um período de tempo de mais de 300 anos, abrangendo da divisão do reino entre Israel e Judá aos cativeiros dos reinos do Norte e do Sul.
Ø  Profetas do Reino Dividido: O ministério dos profetas, no seu geral, durou cerca de 400 anos: de 800-400 a. C. Envolve profetas literários e não-literários.
Ø  O Cativeiro do Reino de Judá: O Reino de Judá foi levado em cativeiro para a Babilônia em três principais levas sucessivas de cativos, da seguinte forma:
o   606 a.C.: Nabucodonosor subjulgou e prendeu Jeoaquim, rei de Judá e levou cativos os membros da família real, inclusive Daniel.
o   597 a.C.: Nabucodonosor voltou e saqueou o templo, levando mais 10.000 judeus entre príncipes, oficiais e líderes.
o   587 a.C.: As tropas destruíram a cidade, colocaram fogo em tudo e deixaram apenas os pobres e deficientes.
Ø  Restauração pós-cativeiro: O cativeiro durou 70 anos, de 606-536 a. C., e curou Israel da idolatria de vez por todas, até os dias de hoje.
Ø  O Período Interbíblico: Contempla de Malaquias até o advento de Cristo, que compreende mais de 400 anos. O período inicia com Israel sob domínio persa. Interbíblico quer dizer “entre a Bíblia”; isto porque diz respeito a um período em branco, em que não houve revelação divina escrita. Durante o período interbíblico, encontramos a Palestina sob o domínio de 3 impérios mundiais - Persa, Grego e Romano. Além de um período de 104 anos independente sob os Macabeus.
Ø  O Nascimento de Jesus Cristo: Foi durante o Império Romano, no Reinado de Herodes, o Grande, que nasceu Jesus Cristo, no ano 5 a.C. Como o rei estava atormentado pelo fantasma da conspiração contra seu governo, sofreu grande pertubação quando os magos vindos do Oriente lhe perguntaram: “Onde está o recém-nascido Rei dos Judeus?”. Herodes mandou matar todos os inocentes em Belém, mas Deus conduziu José, Maria e Jesus ao Egito. No ano seguinte (4 a.C.), Herodes morreu de hidropisia e câncer nos intestinos.
Ø  Até os nossos dias: Após a morte de Herodes, Jesus e seus pais passam a morar em Nazaré. Jesus cresce, cumpre Seu Ministério, morre e ressuscita, ascende aos céus em glória e hoje está à direita de Deus, intercedendo por nós como nosso Advogado.

A época do Cristianismo nos dias do Novo Testamento tem três períodos:
            1. O período da Vida de Cristo, apresentado nos Evangelhos;
            2. O período da Igreja em Jerusalém, visto em Atos até o capítulo 12;
            3. O período da Igreja Missionária, em Atos 13 em diante, e nas Epístolas.

17. Cronologia Bíblica
A cronologia bíblica é quase toda incerta, alias, toda cronologia antiga o é. As datas eram contadas tomando-se por base os eventos importantes dentro de cada povo. Quanto a Bíblia, seus escritores não tinham preocupação com datas; apenas registravam os fatos. As descobertas arqueológicas e o estudo incansável de dedicados eruditos no assunto vêm melhorando e esclarecendo a cronologia em geral, inclusive a bíblica.

Antes de Cristo e Depois de Cristo

18. O tempo e suas divisões
Ø  O Dia Natural: Período em que há luz – 12 horas (Jo 11.9);
o   A Hora Primeira: 06:00 horas da manha;
o   A Terceira Hora: 09:00 horas de hoje;
o   A Sexta Hora: 12:00 horas de hoje;
o   Nona Hora: 15:00 horas de hoje;

No tempo do Antigo Testamento, o dia era simplesmente dividido em 3 períodos:
o   Manha: das 06:00 as 10:00 horas;
o   Calor do Dia: 10:00 as 14:00 horas;
o   Frescor do Dia: 14:00 as 18:00 horas;
O dia civil era contado de um por do sol a outro (Lv 23.32).

A noite, no AT, estava dividida em 3 vigílias, de 4 horas cada:
o   Primeira: das 18:00 as 22:00 horas;
o   Segunda: das 22:00 as 02:00 horas;
o   Terceira: das 02:00 as 06:00 horas;
Já no NT, a noite tinha 4 vigílias de 3 horas cada, segundo o sistema dos romanos:
o   Primeira: “Tarde”, das 18:00 as 21:00 horas;
o   Segunda: “Meia-noite”, das 21:00 as 24:00 horas;
o   Terceira: “Cantar do Galo”, das 00:00 as 03:00 horas;
o   Quarta: “Manha”, das 03:00 as 06:00 horas

O nosso sistema é sexagesimal, dividido em 60 minutos.

19. Geografia Bíblica
Jerusalém – um nome sempre bendito: Em hebraico, este nome significa habitação de paz. É mencionado pela primeira vez em Gênesis 14.18, com o nome de Salem. Jerusalém é citada em Josué 10.1.
Geografia de Jerusalém: Jerusalém constitui-se na mais célebre cidade do mundo. É venerada por 3 religiões monoteístas: Judaísmo, Cristianismo e Islamismo. Sua localização é privilegiada, todavia, com o passar do tempo, seus aspectos primitivos sofreram profundas e diversificadas alterações. Contudo, ninguém poderá diminuir a glória de ser a Cidade do Grande Rei.
Mar Mediterrâneo
Com extensão de 4.500 km, é o maior dos mares interno e aparece nas Escrituras como o Mar Grande, Mar Ocidental, Mar dos Filisteus, Mar de Jafa. Biblicamente é tratado simplesmente de MAR.
Afirma Paul Valery: O Mediterrâneo tem sido uma verdadeira maquina de fabricar civilização.

Mar Morto
Chamado de Mar Salgado pelos escritores bíblicos em virtude da alta densidade de sal em suas águas. Provavelmente, na região ocupada pelo Mar Morto, situavam as impenitentes Sodoma e Gomorra.
Do Mar Morto, Israel extrai formidáveis divisas em sal e minérios. Riquezas do mar Morto, em toneladas: 22 trilhões de cloreto de magnésio, 11 trilhões de cloreto de sódio, 7 trilhões de cloreto de cálcio, 2 trilhões de cloreto de potássio e 1 trilhão de brometo de magnésio.
Mar da Galileia
Este não é propriamente um mar. Trata-se de um lago de água doce alimentado pelo Rio Jordão. No NT recebe os nomes de Mar de Quinerete, Tiberíades e Lago de Genezaré
Encontra-se a 45 km a leste do Mediterrâneo e a 100 km ao nordeste de Jerusalém. Tem 24 km de comprimento, 14 de largura e 50 metros de profundidade.

Rio Jordão
Este rio tem 3 fontes: Banias, Dan, Hasbani, que não nascem em território israelense, mas começam a correr a partir do monte Hermom, localizado na Síria. Em hebraico, Jordão significa declive ou o que desce, por causa de seu vertiginoso curso: do cume do Hermom para a mais profunda depressão do planeta: o Mar Morto.
Possui 252 km de extensão, com muitos meandros, com clima quente e sufocante, sempre esteve ligado a Historia Sagrada. Foi em seu leito que Naamã foi curado da lepra e em suas margens, João batista batizou Jesus.

Rio Querite
Perseguido pela indecente e diabólica Jezabel, o profeta Elias recebeu a ordem do Senhor de esconder-se junto ao ribeiro de Querite (I Rs 17.3-5).
O Querite também não é propriamente um rio. Trata-se de mais um dos wadis existentes na Terra Santa. Para alguns autores, este riacho não passa de um filete de agua que, na maior parte do ano, jaz completamente seco. Este rio fica na Transjordania.

Rio Cedrom e Iamurque
O Monte das Oliveira é separado do Moriá pelo rio Cedrom, cuja designação significa escuro em hebraico. Pelo Cedom passou o rei Davi quando fugia de seu ambicioso filho (2 Sm 15.23) e, séculos mais tarde, Jesus passou por esta região (Jo 18.1).
O Rio Iarmuque constitui-se no maior afluente oriental do Jordão, formado por 3 braços. Não mencionado nas Sagradas Escrituras, os gregos conheciam este rio como Ieromax e, atualmente, é chamado de Sheriat-el-Man-jur.

Rio Jaboque
Nasce ao Sul da Montanha de Gileade e corre em 3 direções: leste, norte e noroeste. O Jaboque é perene e seu curso se estende por, aproximadamente, 130 km.
Em suas imediações, o patriarca Jacó lutou com o Anjo do Senhor em um combate acirrado. No final, o piedoso hebreu recebeu inefável benção. Jaboque significa o que derrama.

Rio Quisom
É o maior rio da bacia do Mediterrâneo e o segundo mais importante de Israel. Em suas imediações, ficava a cidade de Tminate, onde morava Dalila, a meretriz filisteia que induziu Sansão a desgraça. Ao contrario do Quisom, suas águas não secam nem mesmo no verão.

Mar Vermelho
Embora não pertença a Terra Santa, encontre-se estreitamente ligado a historia do povo israelita. O Mar Vermelho separa os territórios egípcio e saudita. Na parte setentrional, divide-se em 2 braços pela Península do Sinai: Ocidental (Golfo de Suez) e Oriental (Golfo de Akaba).
Possuindo 2.000 km de comprimento e 300 km de largura, banha o Sudão, Egito, Eritreia, Arábia Saudita e o Iêmen.

Mar Adriártico
Em Atos 27, encontramos o apostolo Paulo, já prisioneiro em Roma, sendo transferida a capital do império. Foi uma viagem turbulenta. No versículo 27, vemos que o mar encontrava-se revolto. Este mar era o Adriático. Localizado entre a península italiana e balcânica, o mar Adriático é um dos pequenos mares que formam o Mediterrâneo. Abrange uma área de +/- 130.000 km², 800 km de extensão e 180 km de largura. É conhecido pelo baixo nível de salinidade.

Clima da Terra Santa
Localiza-se na faixa subtropical, o que explica a variedade de seu clima. Contudo, apenas duas estações sobressaem na Terra Santa: a chuvosa e a seca. Ambas são acompanhadas, respectivamente, de muito frio e calor.
É um país montanhoso. Hebrom é o ponto mais elevado do território israelita e, nas montanhas, o clima é fresco e bastante ventilado. Isso porque elas ficam mais elevadas que o Mediterrâneo. No deserto, as temperaturas oscilam, no verão, entre 43°, 47° e 50°.

20. Vida e Costumes dos Povos Bíblicos
Ø  Juramento com a mão sob a coxa: Significa submissão, obediência irrestrita. Por isso Deus tocou a coxa de Jacó (Gn 32.24-32).
Ø  Rasgar as vestes: Demonstração de luto, lamento e tristeza, porem os sacerdotes não podiam fazer isso (Lv 10.6).
Ø  Cavalgar sobre jumentas brancas: Costume dos reis, juízes e fidalgos (Jz 5.10).
Ø  Semeadura de sal: Significa desolação perpétua sobre o local. Castigo perene (Jz 9.45).
Ø  Por a aba da capa sobre alguém: Significa proteção.
Ø  Um odre na fumaça: Odres são vasilhas feitas de pele animal para o transporte de liquido. Eram postos na fumaça para ficarem endurecidos pelo calor (Sl 119.83).
Ø  Maria desposada com Jose: No AT, o termo significa noivos. Entre os hebreus, o noivado era um compromisso serio e somente a morte poderia dissolvê-lo. O relacionamento sexual, porem, iniciava-se após as núpcias.
Ø  Vinagre oferecido a Jesus na cruz: Prática para anestesiar as vítimas do sofrimento da crucificação. Jesus recusou.
Ø  O lugar da mulher na sociedade hebraica: Os israelitas honravam suas mães, irmãs, esposas e filhas. Cediam-lhes direitos que os outros povos jamais conferiram as suas mulheres. Se prejudicadas, podiam elas recorrer aos juízes.
Ø  Saudações: Inclinando o corpo um pouco para frente, com a mão direita sobre o lado esquerdo do peito. Assim era a saudação dos hebreus dos tempos bíblicos. As expressões mais usadas eram: “Paz!”, “Paz seja convosco” e “Paz seja sobre esta casa!”.

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