1.
Introdução
A lista dos doze Livros
Históricos que compõem o cânon bíblico inicia com o Livro de Josué e encerra
com o Livro de Ester. Estes livros, divinamente inspirados, registram os 1.000
anos da história de Israel no período que compreende da entrada na Terra
Prometida ao retorno do cativeiro.
Para evitar possíveis
embaraços no estudo, tratamos aqui os eventos da história de Israel, não pela
ordem dos livros conforme agrupados na Bíblia, mas por sua ordem cronológica em
que os fatos foram acontecendo, abordando sistematicamente a conquista de Canaã,
O tempo dos juízes, O Reino Unido, O Reino Dividido, O
Reino Solitário, O Cativeiro e O Retorno.
2.
O Livro de
Josué: A conquista de Canaã
O Livro de Josué inicia com a
promessa feita por Deus a Josué e à nova geração de israelitas. Deus prometeu: “...como fui com Moisés, assim serei
contigo” (Js 1.5). Assim vemos que cada geração precisa, por si mesma,
cultivar a comunhão com Deus, bem como travar suas próprias batalhas
espirituais e conquistar pela fé suas próprias vitórias.
A história afirma que Josué foi o
maior estrategista e guerreiro dos tempos antigos. Todavia, não haveria Josué
sem Moisés.
Por causa da sua fé, os israelitas
receberam como galardão a Terra de Canaã. Muitas pessoas imaginam Canaã como um
tipo do céu, galardão do crente. Tal comparação não é correta, pois Canaã foi
um campo de batalha e seus habitantes foram expulsos da terra. Em termos mais
exatos, a experiência da conquista de Canaã pode ser comparada à vida diária do
crente, que enfrenta as mais diversas lutas espirituais, enquanto cresce na fé
e na graça.
Deus ditou a Josué e aos israelitas
da segunda geração quatro requisitos para a prosperidade e sucesso na Terra da
Promissão que estão enumerados nos versos 6 ao 9:
1. Sê forte e corajoso (v.6);
2. Sê muito corajoso para teres o cuidado
de fazer segundo toda a Lei (v.7);
3. Medita no livro da Lei dia e
noite (v.8);
4. Não temas, nem te espantes (v.9).
O capítulo 2 do Livro de Josué
trata, de início, do envio de dois espias israelitas a Jericó. Este envio não
demonstrou falta de fé da parte de Josué, pois Deus já havia preparado uma
mulher (Raabe), bem no meio da cidade inimiga, para recebê-los e dar-lhes a
necessária acolhida. Essa mesma mulher vai dizer: “Bem sei que o Senhor vos deu esta terra, e que o pavor que infundis
caiu sobre nós, e que todos os moradores da terra estão desmaiados” (Js
2.9). Este testemunho convenceu até os mais covardes em Israel de que Deus
tinha preparado o caminho para vitória dos que nEle criam.
Raabe atou um cordão escarlate à
janela da sua casa, à vista dos israelitas, para mostrar-lhes que naquela
cidade pelo menos uma pessoa tinha fé na vitória deles. Toda a família de Raabe
passou a confiar no Deus vivo (Js 6.25), de sorte que ela foi honrada de
maneira muito especial, tornando-se a trisavó de Davi e, portanto, uma das
raízes da família humana de Jesus Cristo (Mt 1.5).
A primeira grande prova de fé dos
israelitas foi a passagem do rio Jordão na época de sua maior cheia. Deus
mandou que a Arca da Aliança fosse conduzida adiante do povo, rio adentro. No
momento em que os pés daqueles que carregavam a arca roçaram a borda do rio, as
águas recuaram.
Ao passarem pelo leito seco do rio,
representantes das doze tribos iam recolhendo pedras para a construção de dois
memoriais, um no meio do próprio rio Jordão e o outro em Gilgal, o primeiro
acampamento dos israelitas em Canaã. A lição para os israelitas em ter um altar
dentro do rio se deu quando, pouco depois, as águas do rio voltaram ao devido
lugar, cobriram totalmente aquele memorial. Eles sabiam que, se não fosse o
poder e a graça do Deus Vivo, lá eles estariam, totalmente submersos, ao invés
das pedras.
No capítulo 5, já em Gilgal, os
israelitas fazem seu primeiro acampamento e consagram e se dedicam a Deus. Foi
em Gilgal que Deus fez cessar o fornecimento miraculoso do maná do céu, pois o
povo de Israel não estava mais no deserto e agora tinham condições de se
sustentarem por meio da agricultura.
O nome “Josué” significa “Jeová é
Salvação”. A forma grega do mesmo nome é “Jesus”. Josué serve de modelo, ou
tipo de Cristo, no Antigo Testamento.
Em Josué 5.13 até 6.5, vemos que o
“Anjo do Senhor” apareceu a ele. Não era um anjo qualquer, pois Josué
prestou-Lhe adoração e a Bíblia o chama “Senhor”. Josué recebe ordens sobre a
conquista de Jericó. Tais ordens divinas visavam convencer os filhos de Israel
de que a sua vitória viria de Deus e não da própria força. A ordem de rodearem
a cidade de Jericó sete vezes, sem usarem espada até o final da sétima volta,
no sétimo dia, era clara. Assim, Deus faria cair as muralhas da cidade.
No capítulo 7 e 8 vemos uma nota
destoante na maravilhosa história da conquista de Canaã que é a desobediência
de Acã e a triste experiência sofrida por Israel em Ai por conta deste pecado.
Há nos nossos dias congregações fracas e sem vigor porque alguns de seus
membros escondem pecados sem se arrependerem disso.
Descoberto o pecado escondido, a
confissão de Acã apresenta um padrão bem típico: Vi... Cobicei... Tomei...
Escondi (7.21). Castigado o pecado de Acã, Israel ganhou facilmente a batalha
contra Ai. Após esta grande vitória, os israelitas pararam no meio da sua
conquista para a construção de altares de renovação espiritual e um estudo
bíblico bem original (Js 8.33-35).
Quando o Diabo fracassa nas
tentativas de trazer a derrota espiritual mediante um ataque frontal, recorre a
diversas ciladas para combater os crentes (Ef 6.11). No caso dos gibeonitas
que, mesmo morando a poucos quilômetros do acampamento israelita, usaram de
engano para com Josué, com aparência de que vinham de uma terra longínqua,
buscando aliança. Dessa forma Satanás seduziu Israel, resultando em ato de
desobediência ao mandado divino, que proibia alianças com as nações cananeias
(Js 9).
Por causa da palavra dada, os judeus
foram obrigados a manter sua aliança com Gibeom. Quando os gibeonitas foram
atacados por um grupo de cinco reis do centro de Canaã, Israel foi convocado
para defender o seu “aliado”. A batalha, na sua fase inicial, parecia favorecer
os reis cananeus, mas Deus lutava por Israel, mandando uma chuva de pedras que
matou a muitos dos inimigos. “Mais foram
os que morreram pela chuva de pedra do que os mortos à espada pelos filhos de
Israel” (Js 10.11).
Atemorizados pelas vitórias de
Israel no sul e no centro de Canaã, 31 reis da região do norte formaram uma
aliança para defesa mútua. Embora parecesse ameaça para Israel, foi a maneira
que Deus usou para reunir todos os inimigos do Seu povo em um só lugar para a
sua inevitável destruição. A batalha se realizou num pantanal chamado “Águas de
Merom”, onde as rodas dos carros de guerra atolaram na lama e os carros ficaram
inutilizados. A Bíblia não nos dá maiores detalhes sobre este assunto, mas
declara que Deus deu a vitória a Israel (Js 11.6).
Apesar do sucesso das grandes
batalhas iniciais vencidas por Israel, houve ainda uma série de escaramuças
posteriores. A terra de Canaã foi, finalmente, demarcada e dividida, conforme
as diretrizes dadas por Deus, mas cada tribo foi obrigada a lutar pela posse do
seu território (Js 13.1-6).
Os últimos 12 capítulos do Livro de
Josué tratam da distribuição das terras conquistadas pelas 12 tribos de Israel.
Com exceção dos levitas, todos os israelitas receberam como herança um quinhão
de terra.
No capítulo 14 vemos um dos mais
inspiradores exemplos de fé, demonstrado por Calebe, um dos velhos espias que
trouxeram relatório positivo sobre a futura conquista de Canaã (v.8) tantos
anos antes. Por causa da sua fé, Calebe recebeu uma linda promessa feita
através da boca de Moisés. Este servo acreditou tão plenamente nesta promessa
que reivindicou para si e para a sua família um monte inteiro: “Agora, pois, dá-me este monte...”
(14.12). Ele sabia que teria que vencer um inimigo muito forte antes de tomar
posse da sua herança, mas pela fé ele afirmou: “O Senhor, porventura, será comigo, para desapossá-los, como prometeu”
(Js 14.12).
No capítulo 18 vemos uma crescente
tendência da parte dos israelitas de aceitarem apenas uma pequena parcela de
terra em vez de lutarem para ganhar plena herança garantida por Deus a eles.
Josué os advertiu a este respeito, encorajando-os, pela fé, a reivindicar mais
da sua herança: “Até quando sereis
remissos em passardes para possuir a terra que o Senhor, Deus de vossos pais,
vos deu?” (v.3). Hoje, muitas vezes também falhamos, por não nos atrevermos
a reivindicar pela fé toda a nossa herança espiritual.
Os dois capítulos finais do Livro de
Josué constituem o grande sermão de despedida, proferido por Josué aos
israelitas. Josué desafiou a todos, incentivando-os a viver daí em diante pela
fé, independente da liderança humana, confiando somente em Deus.
Muitos estudantes da Bíblia, ao
completarem a leitura e análise do Livro de Josué, sentem-se perturbados por
uma questão opressiva: como pode ter Deus exigido o extermínio total dos
cananeus, inclusive crianças? (Josué 9.24 e 11.1). Para ajudar no entendimento,
devemos atentar para o fato de que Deus vê o futuro com mais clareza do que o
homem vê o passado. Por meio da Sua capacidade previsiva, Deus sabia que as
nações cananeias poderiam chegar a ser um tipo de moléstia moral incurável, que
destruiria a raça humana, se não fossem extirpadas a tempo.
Não devemos pensar, nesta campanha,
como que se efetuando entre duas nações, mas antes, como um embate entre Deus e
Satanás. Aquilo que parece ser crueldade divina na destruição dos cananeus é,
de fato, um ato de misericórdia, uma vez contemplado à luz da eternidade.
3.
O Livro de
Juízes e o de Rute: período dos Juízes
O Livro de Juízes é talvez o mais
triste dos livros da Bíblia. Constitui a história de uma nação envolvida em
pecado. Foi um período de, aproximadamente, 325 anos onde cada um fazia o que achava mais reto (Jz 17.6; 21.25).
Outra atitude errada desta época era
a fraqueza da fé. O israelita comum se tornara ‘religioso por obrigação’: temia
a opinião pública e a pressão social dos seus semelhantes, mas não tinha uma
comunhão pessoal sadia com o seu Deus.
Toda a sorte de imoralidade se
justificava em nome da religião, resultando na desintegração da família e na
existência de uma sociedade sem o amor verdadeiro. Crianças eram rejeitadas,
mortas e enterradas no piso das casas ou eram oferecidas como sacrifício nos
altares dos deuses pagãos. A vingança, ódio e o assassinato eram comuns naquela
sociedade, sem dúvida inspirados na mitologia em que ela se baseava. Até mesmo
a antropofagia (ato de comer carne humana) era praticada pela religião
cananeia.
O capítulo 2 de Juízes termina com
um comentário acerca do período em que os juízes dirigiam Israel e resolviam
disputas legais. Os textos revelam que Israel ia passando por diferentes ciclos
de pecado, opressão e libertação, ficando em cada ciclo mais corrupto e
devasso. Repete-se seis vezes a sequencia de REPOUSO, RECAÍDA, RUÍNA,
ARREPENDIMENTO, RESTAURAÇÃO E REPOUSO.
Outro fato a ser notado é o da
degeneração dos chefes israelitas e, consequentemente, de todo o povo. Parece
que os judeus comuns eram incapazes de ter uma fé mais forte que a dos seus
líderes. A história denota os juízes, observando o progressivo enfraquecimento
da sua fé:
|
JUÍZES
|
SITUAÇÃO
COMO LÍDER ESPIRITUAL
|
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Otniel, Eúde e Sangar
|
Fortes na fé
|
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Baraque e Gideão
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Vacilantes na fé
|
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Abimeleque e Sansão
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Fracos na fé
|
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Os dois levitas
|
Fracassados na fé
|
A principal causa de recaída
de Israel no pecado foi o casamento com pessoas pagãs. Deus, na sua graça
providencial, deixou que um rei da Mesopotâmia, Cusã-Risataim, invadisse Israel
e que os derrotassem (3.8).
Ao ver o arrependimento de Israel,
Deus mandou um juiz-libertador, Otniel, sobrinho de Calebe (3.10-11) que não
falhou na sua responsabilidade perante o Senhor, pois o “Espírito do Senhor”
estava sobre ele continuamente, até que a vitória fosse ganha. O nome Otniel
significa “Espírito de Leão”.
Após 40 anos de repouso, o povo tinha
recaído no pecado. Em consequência, Deus permitiu que o rei Eglom, de Moabe,
derrotasse Israel, trazendo os judeus novamente ao arrependimento e à
restauração. Mais uma vez, Deus atendeu o clamor do Seu povo, mandando-lhe um
libertador chamado Eúde (3.12-30).
O próximo juiz, chamado Sangar,
mereceu apenas uma simples referência no texto das maravilhas, sendo versículo
31. Mas, como já notamos, isto é um bom sinal, pois indica um juiz bom e
piedoso que entrou de boa vontade na guerra para a libertação de Israel. Como
Sansão, ele foi um grande herói que matou centenas de soldados inimigos,
utilizando uma aguilhada de bois.
O ciclo de declínio de Israel
começou após a morte de Eúde. Com o aumento do pecado nacional, Deus permitiu
que o rei Jabim derrotasse Israel. A nação padeceu 20 anos de opressão antes
que Deus levantasse um novo libertador, chamado Baraque (4.6).
Notamos os líderes vacilantes na fé
a partir daqui, pois Baraque recusou entrar nas batalhas, a menos que ele fosse
acompanhado pela juíza Débora. Por isso ele não merece louvor pela vitória de
Israel e sim a juíza Débora (Jz 5).
Após a vitória por Débora, Israel
desfrutou de um período de 40 anos de repouso, mas conforme o ciclo vicioso
típico da sua conduta, o povo caiu de novo no pecado. Desta vez, Deus permitiu
que os midianitas nômades afligissem os israelitas. O juiz escolhido por Deus
para libertar Israel foi Gideão.
Os que citam a peleja de Gideão como
exemplo de fé, ignoram o fato dele ser a real expressão de profundas dúvidas e
medo, mesmo depois que Deus lhe apareceu, pessoalmente, para lhe garantir a
vitória. Todavia, Deus quis destacar o potencial daquele homem valoroso e
ajudá-lo (6.12).
A situação de Israel estava mesmo
decepcionante. Se nos lembrarmos que só 300 israelitas foram escolhidos por
Deus como fiéis verdadeiros para emprego na batalha, veremos como era baixo o
nível de fé de Israel naquele tempo.
São bem conhecidos os detalhes da
vitória obtida por Gideão. Basta dizer que Deus demonstrou Seu poder mais uma
vez. Infelizmente, o que foi escrito após a inesquecível vitória é uma triste
manifestação da fraqueza de Gideão na qualidade de líder espiritual. Ele tomou
os brincos de ouro dos midianitas derrotados e os utilizou para adornar uma veste
sacerdotal. A consequência do ato de Gideão foi os israelitas abandonarem o
tabernáculo de Deus e passarem a adorar a própria estola sacerdotal desse juiz,
em Ofra (8.27).
Do capítulo 9 a 16 de Juízes, vemos
a narrativa sobre os líderes fracos na fé, a começar por Abimileque. Mal Gideão
morrera, o povo de Israel recaiu em pecado. Desta vez, Deus aplicou o castigo
divino usando elementos da própria nação. Abimeleque, um dos filhos de Gideão,
tornou-se um juiz hostil ao povo de Deus. Ele é lembrado como o primeiro líder
que não estava disposto a lutar pela liberdade do seu povo e que realmente
oprimiu Israel. Daí em diante, os israelitas não se submeteriam totalmente a
nenhum juiz até os dias de Samuel.
Mais uma vez lemos no Livro de
Juízes: “Tornaram os filhos de Israel a
fazer o que era mau perante o Senhor... deixaram o Senhor e não O serviram”
(10.6). Mais uma vez Deus permitiu perseguição contra Israel. Durante 18 anos,
os filisteus e amonitas oprimiram a nação. Novamente eles se arrependeram,
destruíram os deuses falsos e renovaram a aliança com Deus.
Jefté, filho de uma meretriz, foi
obrigado a sair de casa, e se tornou chefe de um bando de mercenários. Sob a
pressão da crescente perseguição sofrida pelo povo, os anciãos israelitas
escolheram Jefté para chefiar Israel. Por causa da péssima condição espiritual
do povo, mesmo um mercenário mau e vingativo parecia um chefe capaz e digno dos
eleitos de Deus. Todavia, Jefté se converteu em um homem piedoso e sobre ele
veio o Espírito de Deus (11.29). Ele costumava orar antes de entrar nas
batalhas e se dedicou totalmente a Deus.
Ao período de calma após o juizado
de Jefté segui-se uma época de instabilidade nacional em Israel. Entre Jefté e
Sansão, houve três juízes de menor expressão que conduziram o povo por um breve
período de tempo.
As heroicas proezas de Sansão são
bem conhecidas, todavia ele foi um homem muito falho e menosprezou seu
nazireado.
Os últimos 5 capítulos de Juízes
retratam os pecados nacionais mais ultrajantes da época. Vemos agora que os líderes
israelitas eram levitas, membros da tribo sacerdotal de Levi. Os relatos do
governo dos dois levitas descrevem pecados extremos: furto (17.2), idolatria
(17.5), imoralidade (19) e homossexualismo (19.22).
Deus, mesmo durante a triste época
dos juízes, estava operando constante e fielmente para cumprir a promessa da
vinda de um Messias Redentor. No livro de Rute, vemos como Deus usou um grupo
remanescente de fieis para realizar seus planos, mesmo quando toda a nação de
Israel tinha abandonado o seu Senhor.
Noemi e sua família simbolizam a
condição espiritual extremamente enfraquecida de Israel naquele tempo.
Elimeleque (Deus é rei) e Noemi (ditosa ou agradável) saíram de Belém, rumo a
um remoto país gentio. Abandonar a terra de Israel significava abandonar o
próprio Deus e suas promessas.
Em Moabe, Elimeleque e seus dois
filhos, Malom (doente) e Quiliom (destruição), vieram a falecer. Após a morte
deles, Noemi fez os preparativos para sua volta a Israel. Uma das noras, chama
Orfa, resolveu ficar em Moabe. A outra, chamada Rute (amiga), optou em
acompanhar Noemi e confessou sua fé no único Deus verdadeiro. Rute é um exemplo
da graça de Deus outorgada a um gentio que demonstra fé nEle.
Noemi e Rute se viam em uma situação
realmente precária. Sendo viúvas, careciam de apoio financeiro e material. Por
isso, Rute contribuía como podia, colhendo em fazenda vizinha, as espigas
deixadas pelos segadores.
Uma solução ao dilema destas duas
mulheres seria encontrar algum parente rico, disposto a resgatar ou redimir a herança
perdida e casar-se com Rute mantendo assim a linhagem familiar. Este parente
era Boaz.
Boaz achava impressionante a fé de
Rute (Rt 2.11-12) e amava a jovem viúva. Após pagar o preço do resgate, Boaz
casou com Rute. Seu filho Obede veio ser avô de Davi e elemento importante na
linhagem de Jesus Cristo.
Vemos em Noemi um símbolo ou tipo de
Israel que quase perdeu sua herança, mas depois a recuperou, voltando assim a
gozar de uma profunda vida espiritual (Rt 4.15). Vemos em Rute um símbolo da
Igreja, composta de gentios que participam pela fé da herança de Israel (1Pe
1.3-4). Boaz representa Jesus Cristo, que se tornou parente próximo (mediante
Sua encarnação) de todos nós e que pôde pagar o resgate (Seu perfeito
sacrifício) em remissão dos nossos pecados, oferecendo de boa vontade esse
preço tão alto por causa do Seu amor por Israel e pela Sua Igreja (1Pe
1.18-19).
4.
O Primeiro
Livro de Samuel
A primeira parte do Livro de 1
Samuel inicia tratando de eventos ligados aos juízes que vieram após a morte de
Sansão. Naquele tempo a terra jazia em escravidão sob os filisteus e o povo
israelita se tornara escravo do pecado.
Durante essa época, o sacerdócio se
encontrava em decadência e corrupção. Os filhos de Eli roubavam carne dos
altares durante os sacrifícios e cometiam atos imorais com as mulheres que
serviam no tabernáculo (1Sm 2.15). Deus ficou tão irado com tais desmandos e
pecados que retirou Seu Espírito Santo da tenda da congregação armada por
Josué, em Siló, anos antes (Js 18.1).
Mesmo naquele tempo tão ruim,
permaneceu em Israel um remanescente fiel, por meio do qual Deus pôde realizar
a Sua obra. Elcana, por exemplo, foi um homem piedoso que adorava
constantemente no tabernáculo em Siló e sacrificava ao “Senhor dos Exércitos”
(1Sm 1.3). Ana também era uma crente de grande devoção e piedade, pelo que Deus
honrou o seu pedido, concedendo-lhe um filho ao qual deu o nome de Samuel
(Pedido a Deus).
Este Samuel que “crescia diante do Senhor” (2.21) foi o autor deste livro até o
período da sua morte e, após, os eventos foram registrados por Natã e Gade.
No decorrer desta história, o pecado
dos demais sacerdotes é posto em contraste com o gradativo progresso espiritual
de Samuel. Assim como Moisés, Samuel desfrutava de tão grande intimidade com
Deus que conseguia desviar a ira do Senhor, proporcionando a Israel nova
oportunidade de arrependimento.
Três palavras caracterizam 1 Samuel
4-7: “icabode” (foi-se a glória),
“Dagom” (deus dos filisteus e “Ebenézer”
(Pedra de Auxílio).
Após várias derrotas pelos
filisteus, os israelitas resolveram mudar a tática, usando um método já
utilizado com vantagem nos dias de Josué: mandaram a Arca da Aliança para a
batalha. Esqueceram, porém, que a arca era apenas um símbolo, sem poder em si.
A arca propriamente nunca fora fonte de sucesso para Israel. A força residia no
poder do Deus vivo. Por isso, ao se retirar o poder de Deus da arca, Israel foi
novamente derrotado e a arca foi tomada pelos inimigos.
Quando o sumo sacerdote Eli ouviu a
notícia da tomada da arca e da morte de seus filhos, caiu e morreu. A sua nora,
gestante naqueles dias, por conta dessas mortes, expressou a tragédia nacional
por meio do nome dado ao filho recém-nascido: Icabode, que significa: “Foi-se a glória de Israel” (ISm 4.22).
A tomada da arca resultou em
demonstração do poder de Deus entre os filisteus. Havendo recebido-a como presa
de guerra, os filisteus depositaram-na diante do seu ídolo Dagom, como tributo
de agradecimento pela vitória. A imagem de Dagon compunha-se de metade homem e
metade peixe.
No dia seguinte, ao voltarem os
sacerdotes filisteus ao templo de Dagom, descobriram que seu ídolo estava caído
de bruços no chão. Os sacerdotes o recolocaram no lugar, mas, no dia seguinte,
foi encontrado de novo caído diante da arca com as mãos e cabeças cortadas (ISm
5.4).
Os filisteus ficaram atemorizados e
transferiram a arca para outra cidade e o resultado foi que abateu uma dolorosa
praga sobre a população daquele lugar. Após várias tentativas mal sucedidas,
colocaram-na num carro de bois, puxado por duas vacas sem suas crias,
acreditando que se elas levassem a arca de volta a Israel, seria um ato
sobrenatural da parte de Deus.
Ao passar a arca pela cidade de
Bete-Semes, alguns habitantes daquele local olharam irreverentemente para
dentro dela e, como consequência, morreram muitas pessoas desse lugar (ISm
6.19). A Arca foi, finalmente deixada pelos filisteus na casa de Abinadabe, em
Quiriate-Jearim (ISm 7.1).
A arca não ficou em seu devido lugar
durante 68 anos, 20 dos quais permaneceu em Quiriate-Jearim. Um dia, porém,
Israel conseguiu uma grande vitória, conforme as instruções de Samuel, no mesmo
lugar em que haviam sofrido duas derrotas: Ebenézer (4.1-5). Num gesto de
agradecimento, os israelitas construíram um altar, pondo-lhe o nome de
“Ebenézer” (Pedra de Auxílio).
Muitos anos depois da vitória em
Ebenézer, o povo de Israel se apresentou diante do velho Samuel, queixando-se
do fato de que seus filhos não teriam condições de, futuramente, conduzir
Israel. No lugar destes, os israelitas exigiam um rei “como o têm todas as nações” (8.5). Essa desculpa foi usada, mas na
verdade, os israelitas queriam ser iguais às demais nações. Com efeito, estavam
rejeitando sua missão como povo eleito e separado para o ministério de Deus.
Deus indicou um rei para governar
Israel, provisoriamente, até a escolha daquele que Ele mesmo haveria de eleger.
Notamos que Saul foi um rei pedido pelos israelitas. Foi um homem notável e “desde os ombros para cima, sobressaía a
todo o povo” (9.2).
Infelizmente, Saul levava uma vida
inconsistente perante o Senhor, sendo um protótipo do povo a quem governava.
Como no caso do próprio Israel, Saul passou a rejeitar a Deus.
Não muito depois da sua coroação,
Saul foi provado por Deus. Como no caso de tantos líderes anteriores, esta
experiência se destinava a provar se sua confiança estava em Deus ou nos
recursos humanos.
Os filisteus se reuniram para um
ataque contra Israel, vingando-se do ataque lançado contra eles por Jônatas,
filho de Saul (13.4-5). Samuel advertiu a Saul que o esperasse antes de fazer
quaisquer preparativos para a peleja. Todavia, até o sétimo dia depois deste
recado, Samuel não havia chegado e Saul ficou em pânico, pensando que o seu
exercito o abandonaria. Ignorando o aviso dado por Samuel, o rei ofereceu um
sacrifício a Deus como preparo para a batalha.
Este ato de desobediência afetou
toda a vida de Saul, custando-lhe o trono. Deus prometeu retirar o governo de
Saul, entregando-o a um homem segundo Seu coração (ISm 13.14).
Deus está procurando,
constantemente, homens e mulheres a quem Ele possa confiar importantes
responsabilidades na Sua obra (16.1) e havia encontrado um homem segundo o Seu
coração. O Senhor explica a Samuel que o novo rei estaria entre os filhos de
Jessé. Samuel ungiu Davi a rei, secretamente, pois fazê-lo abertamente, durante
o reinado de Saul seria considerado um ato de traição.
Embora já ungido rei, Davi não
hesitou em executar o papel de servo, enquanto esperava o momento de tomar
posse do trono. Por causa desta sua atitude de submissão, Deus colocou Davi
numa posição estratégica na corte de Saul. Foi ali que o Senhor prosseguiu com
o Seu plano divino, no qual incluía Davi e a nação de Israel.
A narrativa do papel de Davi na
guerra contra os filisteus e seu duelo com o gigante Golias, no capítulo 17, é
bem conhecida de todos nós. Mas poucas vezes esta história é vista à luz do seu
contexto integral. Encarando em relação aos eventos contemporâneos, o combate apresenta
duas finalidades:
a. Constituir a
apresentação pública do futuro rei de Israel, já escolhido por Deus, pois até
então, Davi era relativamente desconhecido.
b. Salientar o
contraste entre o eleito de Deus e o rei escolhido conforme os critérios
humanos.
A vitória ganha por Davi fê-lo uma
figura muito popular, gerando uma insegurança e ciúmes em Saul (18.7). Além
disso, a comparação entre esses dois homens, traçada pela opinião púbica,
enfureceu Saul e fez com que ele, na cegueira do seu ciúme, tentasse matar Davi
em duas ocasiões.
O ciúme de Saul aumentava na medida
exata do crescente sucesso militar do capitão Davi. Após outra tentativa da
parte de Sal de matá-lo com sua lança, Davi fugiu da corte e passou a viver no
deserto.
A fuga de Davi para o deserto foi um
período muito difícil da sua vida. Como se pode observar nos salmos por ele
compostos naquela fase da vida, Davi enfrentava crises de dúvida e depressão,
como se vê na sua queixa: “apenas há um
passo entre mim e a morte” (20.3). Apesar disso, costumava encerrar os
salmos com uma declaração de fé e confiança em Deus.
Fugindo de Gate, Davi chegou à
caverna de Adulão, onde se agregaram a ele os membros da sua família e mais de
400 mercenários, dispostos a lutar por ele. Todavia, Davi sabia que se Saul
atacasse, os seus companheiros iriam fugir, pois não demonstravam nenhuma
lealdade. Daí vem a pergunta, seguida de uma sábia resposta: “Elevo os olhos para os montes: de onde me
virá o socorro? O meu socorro vem do Senhor, que fez o céu e a terra” (Sl
121.1-2).
Após derrotar os filisteus, Saul e
3.000 dos seus mais valentes soldados saíram novamente em busca de Davi. No fim
de um dia de busca exaustiva e frustrada, o rei entrou numa caverna e lá se
acomodou. Milagrosamente, Deus fez com esta caverna fosse a mesma em que Davi
jazia escondido.
Davi não quis matar o rei, mas
cortou uma parte da roupa de Saul como evidência do seu ato de misericórdia com
relação a esse mau rei. Ao levantar e ver um pedaço do seu manto nas mãos de
Davi, Saul se envergonhou profundamente do seu ato e voltou para casa.
A Bíblia nos diz que o coração de
Davi era “perfeito”, ma não implica
que sua vida fosse perfeita. Sua diferença com Saul é que Davi reconhecia ser
pecador e nunca tentou se justificar nem se desculpar. Sempre se arrependia
sinceramente e confessava o seu pecado.
No capítulo 27, vemos como Davi
desobedeceu a Deus, abandonando Judá para viver entre os filisteus, por medo de
Saul. A fraqueza da sua fé se revela nas suas próprias palavras: “Pode ser que algum dia venha eu a perecer
nas mãos de Saul” (ISm 27.1). Durante dezesseis meses, Davi dependeu
somente da sua perícia e habilidade de mentir e enganar, convencendo o rei
filisteu de que estava combatendo ao lado dele. Nesse período não lemos que
Davi alguma vez orou, pedindo o conselho de Deus.
Enquanto Davi se encontrava em
Ziclague, estourou uma nova guerra entre Israel e os filisteus. Como Samuel
havia falecido, Saul ficou apavorado e sentia grande necessidade de conselhos
sábios. Tentou falar com Deus, “porém o
Senhor não lhe respondeu” (28.6). Tomado de pânico, Saul consultou uma
médium espírita e, como resultado, um espírito demoníaco apareceu a ele,
personificado na pessoa de Samuel.
Nos capítulos 29 e 30, vemos a graça
de Deus abundante na vida de Davi, principalmente no que o conduziu a corrigir
seu relacionamento com o Senhor. Ao regressarem a Ziclague, Davi e seu exército
encontraram a cidade saqueada e queimada, e suas famílias sequestradas pelos
amalequitas. Davi chorou copiosamente! Seus soldados ficaram tão irados que
estavam decididos a matá-lo. Naquele momento, Davi orou e “se reanimou no Senhor seu Deus” (30.6). Buscou a orientação divina
e Deus ordenou que perseguisse os invasores. De forma miraculosa, os cativos
foram libertos por Davi e reunidos às suas famílias.
Enquanto Davi resgatava os seus
familiares, Saul lutava contra os filisteus no monte Gilboa, onde foi ferido
gravemente. Com medo de ser torturado pelo inimigo, suicidou-se (ISm 31). Este
é o primeiro suicídio relatado na Bíblia e serve para indicar a condição do
crente desviado que se recusa a voltar para Deus.
5.
O Segundo
Livro de Samuel e o Primeiro Livro de Crônicas
O segundo livro de Samuel foca o
desenvolvimento da vida de Davi, principalmente como rei, mencionado 58 vezes
no Novo Testamento, muitas vezes salientando o fato de ter sido ele um exemplo
de homem devoto e digno de incentivar os crentes.
O primeiro ato de desobediência e
submissão praticado por Davi, depois da morte de Saul, foi simplesmente esperar
em Deus com paciência.
Em 2 Samuel 1, um amalequita vindo
da guerra e querendo ser agradável a Davi, por ser Saul seu inimigo, trouxe-lhe
a coroa do rei morto. Ao ser interrogado por Davi, ele mentiu e confessou que
matara Saul, a pedido deste. Davi acreditou nas palavras do amalequita, mas, em
vez de premiá-lo, o sentenciou à morte por haver assassinado o ungido de Deus.
Davi pediu orientação a Deus e
recebeu ordem para ir para Judá, onde reinou durante sete anos e seis meses.
Is-Bosete, filho de Saul e Abner, o comandante do exército de Saul, tentaram se
apossar do trono de maneira violenta. O resultado foi uma guerra civil repleta
de engano, traição e assassinatos. Apesar dessa situação tão dramática, o rei
Davi permaneceu calmo e confiante no poder, sabedoria e soberania de Deus.
Aos poucos, Deus ia exaltando Davi,
preparando-o para reinar sobre todo Israel. “Ia
Davi crescendo em poder cada vez mais, porque o Senhor dos Exércitos era com
ele” (ICr 11.9).
Embora Davi tivesse a coroa real
sobre sua cabeça, não foi ele o verdadeiro rei de Israel. Deus mesmo pretendia
governar Israel por meio de Davi, o homem que faria tudo que Ele desejasse (At
13.22).
Durante os primeiros anos do reinado
de Davi, a nação unificada de Israel cresceu política e espiritualmente. A Arca
da Aliança, que permanecera ignorada até 20 anos em Quiriate-Jearim (ISm 7.2),
agora estava restaurada a uma posição proeminente em Israel. Durante três
meses, ela permaneceu na casa de Obede-Edom e, após, levada para Israel.
No caminho de retorno, após poucos
passos da marcha, o povo interrompeu a caminhada para exaltar e adorar ao
Senhor (2Sm 6.13). Davi ficou tão cheio de alegria que dançou diante da arca.
Sua esposa, Mical, não gostando de tal entusiasmo e alegria, o criticou. Em
razão dessa atitude, Mical ficou estéril pelo resto da vida. Hoje em dia,
muitas mulheres cristãs são espiritualmente estéreis (não dão frutos para Deus)
porque são indiferentes ao fervor e dedicação de seus maridos ao Senhor,
chegando mesmo a ser indiferentes a isso, hostilizando.
Uma das mais importantes promessas
da Bíblia se encontra em 2 Samuel 7 e 1 Crônicas 17, vaticinando que um dos
descendentes de Davi reinará para sempre sobre Israel. Deus prometeu que o
filho de Davi seria como um “filho de Deus” (7.14), dando a entender que tal
descendente seria não somente rei mas também representante divino, agindo como
intermediário entre Deus e os homens. A promessa firmava também que o trono de
Davi permaneceria para sempre, isto é, em Cristo (Lc 1.32-33).
Do capítulo 8 a 10, Israel derrotou
todos os inimigos ainda remanescentes em seu território. Tais vitórias tão
dramáticas podem nos parecer espontâneas. Davi sabia, porém, que durante anos
Deus vinha preparando-o para esse momento de influência e grandeza.
Como no caso da maioria dos crentes,
Davi enfrentava mais problemas espirituais nas épocas em que mais prosperava
materialmente. Apesar das grandes vitórias outorgadas por Deus, Davi passou a
negligenciar sua vida espiritual e foi vitimado pelas tentações de Satanás.
A narrativa da tentação e queda de
Davi se inicia por estas bastante significativas palavras: “no tempo em que os reis costumavam sair para a guerra, Davi enviou a
Joabe” (2Sm 11.1). Davi não só optou por ficar em um ambiente condizente
com o pecado, como também cedeu à tentação que logo surgiu. A tentação em si
não constitui pecado, mas o ceder a ela, sim.
É fato comprovado que pecado gera
pecado. Após seu ato de adultério com Bate-Seba, Davi enfrentou a difícil
situação do inesperado nascimento de um filho. Para livrar a si mesmo, Davi foi
obrigado a escolher entre a morte humilhante de Bate-Seba e a morte heroica do
marido dela, o soldado Urias.
Davi se casou com Bate-Seba, com
quem teve um filho. Em vez de confessar logo o seu pecado, Davi resistiu à voz
do Espírito Santo na sua consciência, até que Deus lhe mandou uma mensagem
direta ela boca do profeta Natã. Este lhe contou o caso de um rico que tomou a
única cordeirinha de um pobre. Davi, sem perceber que se condenava com suas
próprias palavras, declarou esse rico como digno de morte e exigiu que o tal
devolvesse quadruplicado aquilo que tinha tomado do pobre. Respondeu-lhe Natã: “Tu és o homem” (2Sm 12.7) e,
imediatamente, Davi se deu conta do seu pecado.
Deus perdoou o pecado de Davi e lhe
restaurou a alegria da salvação. Porém, conforme suas próprias palavras, sofreu
quatro tragédias inevitáveis, como sentença divina contra o seu pecado: morreu
o menino do adultério, Amnon, Absalão e Adonias, além do estupro de Tamar.
Após a morte do filho do adultério,
Davi consolou Bate-Seba e com ela teve um filho chamado Salomão. Este o Senhor
AMOU.
O pecado custa caro e exige
pagamento pontual. Davi entendeu isso e muito sofreu com problemas familiares
(2Sm 13-15) e nacionais (2Sm 15-20; 1Cr 20). A queda de Davi criou no seu
próprio lar um ambiente instável e propício para o pecado dos seus filhos.
Esses problemas refletiram na nação quando Absalão, filho de Davi, tentou
usurpar o trono, com apoio de grande parte do povo. Houve uma guerra e o
exercito de Absalão foi derrotado e ele mesmo foi morto ao ficar preso pela
cabeça numa árvore (18.9). Davi conseguiu defender seu trono, mas confessou que
preferia ser morto ao ver o assassinato do seu filho (18.33).
Lemos em 2 Samuel 22 um magnífico
cântico de louvor e adoração a Deus, composto pelo rei Davi. Este cântico
descreve como Deus ouve a súplica dos Seus fiéis e vem, pessoalmente, salvá-los
da aflição.
2 Samuel 23 e 1 Crônicas 18 a 20
ensina duas verdades muito significativas. A primeira se encontra na conversa
entre Davi e a Rocha de Israel, quando Deus Se salienta como o Líder
Digno e Justo. Após, Davi apresenta um elenco de valentes guerreiros e fieis
que serviram a Deus e foram poderosamente usados por Ele.
É interessante notar que aqueles
mesmos homens que antes formavam um bando de rebeldes (1Sm 22.2), passaram a
ter fé em Deus por causa do testemunho e exemplo do seu chefe Davi. Foram estes
os “valentes de Davi”.
Já no final da sua vida, Davi mandou
levanta o censo dos homens de guerra em Israel (2Sm 24; 1Cr 21-29). O desejo do
coração do rei neste ato era exaltar seu próprio poder, comparando-se
orgulhosamente a outros reis. Deus reagiu contra este ato de presunção da parte
de Davi, mandando contra Jerusalém uma peste que matou 70.000 pessoas. Somente
a oração fervorosa do próprio rei poupou a vida de muitos outros inocentes (2Sm
24.17).
Parece que o castigo e a sua
cessação conduziram Israel ao arrependimento e avivamento. O povo renovou os
votos de fidelidade a Deus e o desejo de construir o seu templo: “O povo se alegrou com tudo o que se fez
voluntariamente; porque de coração íntegro deram eles liberalmente ao Senhor;
também o rei Davi se alegrou com grande júbilo” (1Cr 29.9).
6.
O Primeiro e
o Segundo Livro de Reis e o Segundo Livro de Crônicas
Quando Davi já estava velho e
fisicamente enfraquecido, o seu filho Adonias tentou usurpar o trono, mas Deus
já tinha escolhido Salomão como sucessor de Davi, tanto que o último ato do reinado
de Davi foi o de confirmar Salomão como seu sucesso ao trono, dando-lhe uma
série de instruções (1Rs 2.3; 1Cr 28.9).
Obedecendo às instruções dadas por
seu pai, Salomão iniciou o reinado com muita devoção e obediência a Deus (1Rs
3.3). Por esta razão, Deus esteve ao seu lado e o engrandeceu (2Cr 1.1).
Em determinado momento, Deus
apareceu em sonhos a Salomão, cedendo-lhe um privilégio todo especial: “Pede-me o que queres que eu te dê” (2Cr
1.7). Salomão pediu sabedoria para bem conduzir o povo de Israel. Tal pedido
agradou a Deus, por se tratar de promover os interesses divinos e não pessoais.
Por ser Davi um homem de guerra,
Deus não permitiu que ele edificasse o templo. Seu filho Salomão, porém, era um
rei pacífico e dedicou os primeiros três anos do seu reinado à aquisição e
transporte de materiais de construção para o templo, dando início à grandiosa
construção no quarto ano de reinado (966 a.C).
Na construção, muitos artesãos
habilidosos chegaram de todas as regiões do mundo então conhecido para
prestarem sua colaboração ao grande empreendimento de Salomão (1Rs 5-7; 2Cr
2-4). O templo reproduzia em termos gerais o papel do tabernáculo original, mas
possuía dimensões muito mais amplas e uma mobília bem mais completa, pois até
os pregos eram cobertos de ouro. Esta construção demorou 7 anos, com mais de
183.000 trabalhadores envolvidos.
Uma vez edificado o templo, a Arca
da Aliança foi nele colocada. Os sacerdotes levaram-na para o lugar santíssimo
e saíram de costas. No mesmo instante, a Glória do Senhor desceu ali, sob a
forma de nuvem e fogo, enchendo o templo (2Cr 5.13; 7.1).
Após 14 dias de adoração e louvor, o
povo voltou para sua casa, cheio de alegria e fervor (2Cr 7.8-10). Foi então que
Salomão, sozinho no templo, teve uma visão na qual Deus lhe advertiu,
solenemente, que se o povo israelita O rejeitasse e fosse após ídolos, Ele
removeria os israelitas da sua terra (2Cr 7.19-22).
Lemos em 1 Reis 11.9 que Deus se
indignou com Salomão. Apesar de haver o Senhor abençoado grandemente este rei,
até aparecendo-lhe em visões, Salomão começou a se afastar de Deus,
multiplicando para si cavalos, esposas e riquezas, além da negligência para com
a Lei do Senhor (Dt 17.16-19).
O desejo de Salomão de se enriquecer
e se tornar popular estavam sobressaindo à sua comunhão com Deus. Na sua ânsia,
acumulou para si 12.000 cavalos e muitos carros, aumentando o contato entre
Israel e Egito, trazendo para dentro da nação eleita cada vez mais influência
pagã e imoral de filosofias.
Nos dias de Salomão, era costume um
rei casar sua filha com outro rei com que quisesse fazer aliança. Foi assim que
Salomão ganhou tantas esposas de nacionalidades diversas. Todas estas mulheres,
naturalmente, introduziram suas próprias filosofias e práticas pagãs na corte
do rei. No fim da sua vida, Salomão chegou a ter 700 esposas e 300 concubinas
(1Rs 11.3).
Deus não advertiu contra as riquezas
como se constituísse em si um pecado, mas sim porque a cobiça de riquezas pode
chegar a dominar a nossa vida, substituindo o desejo das bênçãos espirituais.
Infelizmente, a obsessão do ouro levou Salomão a comprometer seus princípios
morais, fazendo alianças suspeitas com nações ricas e sendo desonesto com os
indivíduos com os quais se relacionava comercialmente.
O pecado fundamental de Salomão foi
o de não conservar a comunhão íntima com Deus. Além de abandonar a leitura das
Escrituras, ele cometeu três erros ao negligenciar sua própria vida espiritual:
1. Ele cultivava um “pecado
habitual”, obedecendo a Deus em tudo, exceto aos sacrifícios nos santuários
pagãos.
2. Salomão adora a Deus
externamente, mas o coração estava longe do Pai.
3. Salomão não permaneceu totalmente
entregue nas mãos de Deus.
Após a morte de Salomão, Roboão, seu
filho e sucessor, assumiu o trono, mas foi um jovem imaturo e inexperiente que
não quis aceitar os conselhos sábios proferidos pelos mais velhos. As tribos do
Norte, indignadas com as ameaças de Roboão, romperam com Judá e estabeleceram
seu próprio reino, tendo como rei Jeroboão. Israel, assim, passou a ser um
reino divino.
Temendo que o povo pudesse ser
atraído para Jerusalém (em Judá) para fins religiosos, Jeroboão criou em Israel
uma religião totalmente nova. Para alimentar o entusiasmo e lealdade do seu
povo, ele fez construir “santuários” com bezerros de ouro, em Dã e Betel e “consagrava a quem queria para sacerdote”
(1Rs 13.33). Como resultado, oitenta anos depois, só se encontravam 7.000
crentes em Deus numa população total de 3 milhões (1Rs 19.18).
O Reino do Norte (Israel) viria a
ter 19 reis, todos maus e sua trajetória espiritual seria de constante declínio
até o seu povo ser levado para o cativeiro. O Reino do Sul (Judá) viria a ter
19 reis e uma rainha. Destes, oito foram bons e durante o reinado deles a nação
desfrutou algumas vezes de um avivamento espiritual. Por causa destes momentos
de renovação, Judá permaneceu em Canaã mais 120 anos depois do cativeiro de
Israel.
Durante os primeiros 60 anos do
reino dividido da nação de Israel, houve muito antagonismo entre o reino de
Israel e o de Judá (2Cr 13.2; 1Rs 15.16). Como resultado das guerras, Judá foi
despertado a crescer na fé, enquanto Israel continuou mais e mais na idolatria.
Abias (rei de Judá) pregava
excelentes sermões, mas encontrava dificuldades em manter íntima comunhão com
Deus (1Rs 15.3). Pelo poder de Deus, Abias ganhou vitórias para Judá, porém,
sua vida espiritual deixava a desejar. Ele não estava totalmente entregue a
Deus e, como seu pai Roboão, acabou abandonando a Lei divina.
Asa (rei de Judá), em linhas gerais,
foi um rei bom. Reinou durante 41 anos. Destruiu os ídolos e santuários
idólatras por todo o país e depôs sua própria avó quando esta insistiu na
prática da idolatria (1Rs 15.13). A Bíblia nos diz que seu coração foi perfeito
(totalmente entregue) perante o Senhor (1Rs 15.14).
Após Jeroboão, Israel foi governado
por uma série de maus reis, mas o pior foi Onri (1Rs 16.25), que comprou uma
colina e nela edificou a cidade de Samaria, além de deixar um péssimo exemplo
para seu filho Acabe, que iria imitá-lo ao extremo. É bem provável que Onri
arranjou o casamento de Acabe com Jezabel.
7.
O Período
das Alianças (1Rs 17 – 2Rs 8; 2Cr 17-21)
A Bíblia diz que Acabe foi tão ruim
que seus pecados superaram os de todos os reis anteriores a ele (1Rs 16.30-31).
Sua vida de idolatria teve início quando ele se casou com Jezabel, filha de um
sacerdote de Baal. Essa rainha fenícia levou seu esposo israelita a se
converter à Baal e implantar essa heresia em Israel.
O termo Baal significa dono e se tornou
o nome de muitos deuses pagãos daquela região do mundo antigo. O “baal” de
Israel se chamava Moloque e era um demônio destruidor de crianças. O culto a
Baal passou a superar a adoração a Jeová e, como consequência, muitos fieis ao
verdadeiro Deus abandonaram o país e se refugiaram em Judá (2Cr 15.9).
Durante duas gerações, desde a
divisão do reino, Israel permaneceu sem templo, sem sacerdotes verdadeiros e
sem a Palavra de Deus. O paganismo estava infiltrado na adoração a Jeová e
Israel não tinha condições de organizar uma forte resistência contra a campanha
de Acabe e Jezabel no sentido de oficializarem o culto a Baal como religião
nacional do país. Mas o próprio Deus respondeu ao desafio, através do grande
profeta Elias.
No capítulo 17, cheio do Espírito
Santo, Elias profere a sentença divina: “Tão
certo como vive o Senhor, Deus de Israel, perante cuja face estou, nem orvalho
nem chuva haverá nestes anos, segundo a minha palavra” (1Rs 17.1).
Durante os três anos da seca, Elias
se refugiou numa região à leste do rio Jordão, bebendo água do rio Querite e
sendo alimentado por corvos mandados por Deus (1Rs 17.4).
Vendo a necessidade de uma viúva na
remota Fenícia, Deus mandou Elias à sua casa para lhe proporcionar a
oportunidade de compartilhar a fé no Senhor. Quando o filho da viúva morreu,
Deus lhe restaurou a vida. Algumas autoridades antigas dos judeus eram da
opinião de que Jonas era o filho desta viúva.
Após três anos de seca, Deus mandou
o profeta Elias ao rei Acabe com uma mensagem de desafio. Os profetas de Baal
foram convocados para um encontro no Monte Carmelo para uma prova decisiva
sobre quem era maior: Deus ou Baal.
O cenário foi composto por 850
profetas (450 de Baal e 400 de Aserá) contra Elias, o profeta de Jeová. Todo o
povo assistia a batalha, onde o propósito era saber qual o verdadeiro Deus,
através do fogo que consumiria o altar construído. Os profetas de Baal
iniciaram e, ao cair da tarde, se mostraram vencidos. Elias iniciou sua
demonstração de fé construindo um altar de 12 pedras, representando as tribos
de Israel (1Rs 18.31). Então despejou água três vezes em cima do altar e elevou
a Deus uma oração calma e breve, na qual pediu que o Senhor se manifestasse ao
Seu povo. Deus respondeu logo, mandando fogo do céu, o qual consumiu o
holocausto, as pedras do altar e até a copiosa água derramada ao seu redor!
(1Rs 18.38).
Esse evento motivou um despertamento
espiritual entre os israelitas, os quais, decididamente, mataram todos os
profetas de Baal. Após, Elias orou novamente, pedindo a Deus que mandasse chuva
para molhar a terra seca.
Infelizmente, o desfecho do Monte
Carmelo trouxe um despertamento momentâneo. O zelo espiritual cessou e Elias
foi obrigado a fugir para salvar a sua própria vida. Entrou numa fase de
profundo desânimo e depressão. Mas, em meio ao seu desespero, Deus veio a ele e
perguntou: “O que faz aqui Elias?”
(19.9).
O profeta se queixava do fracasso e
desapontamento, disposto a abandonar o ministério. Em resposta às lamúrias,
Deus ordenou que Elias subisse ao alto do Monte Horebe e mandou um vento,
terremoto e fogo, mas falou profundamente a Elias por meio de uma voz mansa e
delicada, mostrando que havia sete mil profetas fieis a Ele e um deles era
Eliseu.
Enquanto Israel se enfraquecia
espiritualmente durante o reinado de Acabe, dedicando-se cada vez mais à
idolatria, Judá experimentava um grande avivamento sob a liderança de Josafá,
homem devoto que animava seu povo com o estudo da Palavra de Deus. A chave do
sucesso desse rei foi a íntima comunhão com Deus e a obediência aos mandamentos
divinos (1Rs 17.3-4).
Dentre os discípulos de Elias,
Eliseu se destacou como o mais íntimo do profeta. A perseverança de Eliseu foi
recompensada quando Elias lhe perguntou o que desejava dele antes da sua
partida e Eliseu lhe pediu uma “Porção Dobrada” do seu espírito, lembrando o
direito do filho primogênito a uma herança duas vezes maior que a dos seus
irmãos (Dt 21.17). Quando Elias foi arrebatado (2Rs 2.10-11), Eliseu apanhou manto
que ficara e, naquele instante, foi dotado da porção dobrada do espírito de
Elias.
Em 2 Reis 2.19-25 encontramos os
primeiros milagres de Eliseu, mas do capítulo 3 a 6, vemos a maneira como
Eliseu comunicou a mensagem do poder de Deus a três grupos de pessoas:
israelitas pecaminosos, crentes e forasteiros incrédulos.
No capítulo 3, após o exercito de
Josafá ficar sem água no deserto, Eliseu mandou abrir uma série de covas,
seguro de que Deus as encheria com água. O rei Josafá executou, pela fé, esta ordem
e as covas foram abertas em meio ao deserto. Deus contemplou este gesto pela fé
e o honrou, enchendo as covas de forma miraculosa (2Rs 3.16-17).
O capítulo 4 registra cinco milagres
que foram operados em benefício de crentes necessitados, sendo:
1. O azeite da viúva é multiplicado
(2Rs 4.1-7);
2. Deus abençoa a sunamita,
dando-lhe um filho (2Rs 4.8-17);
3. A ressurreição do filho da
sunamita (2Rs 4.18-37);
4. A morte que da panela é tirada
(2Rs 4.38-41);
5. A multiplicação dos pães (2Rs
4.42-44).
Já o capítulo 5 é conhecido pelo
milagre na vida do forasteiro Naamã, comandante do exército sírio. Este milagre
foi duplo, pois houve a cura da lepra e também o perdão pelos pecados.
Não há, em toda a história, um
acontecimento igual ao registrado em 2 Reis 6.8-23. Pela intervenção do Deus
onipotente, um único homem conseguiu capturar um exercito inteiro.
Tudo iniciou quando o rei da Síria
soube que suas palavras, pronunciadas no mais interior dos seus aposentos,
estavam sendo declaradas por Eliseu ao rei de Israel (2Rs 6.12). Tal fato
indignou tanto o rei da Síria que ele mandou todo o seu exército contra Israel
para prender o “informante”.
Quando o exército sírio começou a
avançar sobre Eliseu e seu servo Geazi, o profeta orou para que os soldados
ficassem cegos. Deus respondeu a oração, deixando o exército inimigo à mercê do
profeta que, a seguir, guiou os soldados cegos até Samaria. Isto só foi
possível porque “os que estavam com
Eliseu eram maiores dos que os que estavam com o inimigo” (2Rs 6.16-17).
Muitos anos depois da volta do
exército sírio, o rei da Síria tentou conquistar Israel mais uma vez, atacando
Samaria. Os sírios foram bem sucedidos e puseram um cerco tão fechado e
prolongado na cidade que os samaritanos foram reduzidos ao canibalismo para poderem
sobreviver (2Rs 7).
Eliseu profetizou que num só dia a
crise seria resolvida e, naquela mesma noite, Deus fez com que os soldados
inimigos ouvissem o barulho de cavalos e carros de guerra. Fugiram todos,
tomados de pânico e toda cidade foi salva.
Apesar dos milagres, Israel não
voltou a Deus e Ele resolveu disciplinar a nação para conservar para Si um povo
santo. Uma das “varas de disciplina” utilizada por Jeová foi Hazael, general
sírio. Como vaticinado por Eliseu, este oficial foi coroado rei da Síria e
passou a perseguir Israel. Outro agente de disciplina divina foi Jeú, general
Israelita. Quando ungido rei de Israel, Jeú passou a destruir todos os
remanescentes da infame família de Acabe e dos sacerdotes de Baal (2Rs 8-9).
8.
Avivamento e
Degeneração (2Rs 8.16 a 18.16; 2Cr 21 a 31)
A vida de Jeú apresenta um estranho
paradoxo. Escolhido por Deus para julgar a família de Acabe e se tornar rei de
Israel, ele mostrou-se obediente e muito zeloso para com a vontade do Senhor.
Mas há uma nota triste em torno de sua vida: sua religião não chegou a afetar o
profundo do seu ser (2Rs 10.23). Jeú destruiu uma religião falsa, o culto a
Baal, mas quase inconscientemente introduziu outra: o ritualismo.
Por causa da forte prática da
idolatria, Deus adotou uma solução extrema para salvar Seu povo, escolhendo Jeú
para ocupar o trono de Israel e destruir a família de Acabe (2Rs 9.6). Neste
golpe, só se salvou Atalia, rainha de Judá.
Contudo, a vida de Jeú estava manchada
por pecados não confessados e a sua adoração ao Senhor, na prática, não passava
de ritualismo. Ele se deu à adoração de imagens e à prática dos pecados postos
em Israel por Jeroboão.
Jeoacaz, filho de Jeú, evidenciou
uma afeição sentimental com relação ao profeta Eliseu e conhecia bastante da
religião de Jeová. Mas, como seu pai, não se entregou totalmente ao Senhor,
preferindo apenas o conhecimento teórico a Seu respeito (2Rs 13.14-19).
O jovem Jeoás, neto de Jeú, teve
grande oportunidade de mostrar genuína fé em Deus e ser poderosamente usado por
Ele. O profeta Eliseu mandou que Jeoás atirasse flechas em direção aos inimigos
de Israel, mas ele atirou só três, talvez por falta de fé no valor do seu ato,
no que Eliseu o repreendeu e profetizou apenas três vitórias para Israel (2Rs
13.14-25).
Durante a época de perseguição à
idolatria israelita empreendida por Jeú, Acazias (rei de Judá) foi morto num
massacre. Atalia, a cruel filha de Jezabel, aproveitou-se da falta de liderança
em Judá para se apossar do trono e liquidar todos os legítimos herdeiros.
Todos os herdeiros foram morto, com
exceção de uma criança do sexo masculino. Uma mulher devota escondeu a criança,
cujo nome era Joás, num quarto do palácio e depois o levou ao templo, onde ela
e seu marido, o sacerdote Joiada, criaram-no até a idade de seis anos (2Rs
11.3).
O menino Joás foi coroado com sete
anos de idade, recebendo do sacerdote o livro sagrado da Lei. Então a multidão
começou a dar vivas ao jovem rei. Ao ouvir tais vozes, a rainha Atalia veio
correndo para ver o que estava acontecendo no templo. A multidão se virou
contra ela e a matou fora do muro do santuário. Joiada convocou o povo a fazer
uma aliança com Deus e destruir os ídolos de Baal ainda existentes.
Há um triste paradoxo no fato de que
a vitalidade espiritual de Joás dependesse tanto do velho sacerdote Joiada. A
Bíblia nos diz que “continuamente
ofereceram holocaustos na casa do Senhor, todos os dias de Joiada” (2Cr
24.14). Ao morrer este devoto sacerdote, Joás se tornou vítima da péssima
influência dos seus conselheiros. Não tardou muito para que o rei e todo Israel
mais uma vez abandonassem os profetas de Deus (2Cr 24.19).
Após a morte de Joás, Judá foi
governada por três reis medíocres: Amazias, Uzias (ou Azarias) e Jotão. A
Bíblia diz que cada um destes reis “fizeram
o que era reto perante o Senhor” (2Cr 25.2; 26.4; 27.2), mas acrescenta que
continuavam comprometidos com o que era mau ou medíocre (2Rs 14.4; 15.4;
15.35).
Acaz foi um dos piores reis de
Israel. Pecava abertamente, construindo altares a Baal por todos os recantos de
Jerusalém (2Cr 28.24). Vê-se a extensão da sua imoralidade no ato dele
sacrificar alguns dos próprios filhos ao deus Moloque.
Por causa da maldade de Acaz, Deus
entregou seu reino nas mãos da Síria e de Israel para que fosse devidamente
castigado (2Cr 28.5) e os estragos foram consideráveis: 120.000 mortos e
feridos e 200.000 prisioneiros.
Em vez de confiar em Deus, Acaz
buscou proteção na Assíria, oferecendo dinheiro ao rei assírio se este atacasse
Israel e Síria. Tal vingança não foi uma solução, pois o rei Tiglate-Pileser da
Assíria se virou logo contra o próprio Judá.
Quando as tribos do Norte ou Israel
recaíram na idolatria, Deus o desterrou do seu país. Os dois pecados principais
de Israel foram a adoração a ídolos e a rejeição dos profetas de Deus.
A Bíblia nos diz que todas as
tribos, com exceção de Judá (com Benjamim), foram levadas para o cativeiro (2Rs
17.18). Só ficaram no país umas poucas pessoas consideradas inferiores e sem
importância (os escravos).
9.
Declínio e
queda de Judá (2Rs 18-25; 2Cr 29.36)
Após o cativeiro das dez tribos do
Norte (722 a.C.) pela Assíria, Judá permaneceu como reino único por mais de 100
anos. Havendo se arrependido dos seus pecados durante o avivamento do rei
Ezequias, Judá escapou do juízo divino já executado sobre Israel anos antes.
Os dois grandes impérios que mais
influíram na vida política de Judá foram o da Assíria e o da Babilônia. A
Assíria conquistou Israel, mas fugiu de diante de Judá, quando o anjo do Senhor
eliminou 185.000 dos seus soldados numa só noite. Um século depois, Babilônia
derrotou a Assíria e se apoderou de Judá.
O avivamento que se deu em Judá
antes do cativeiro babilônico, aconteceu quatro anos antes do cerco assírio a
Samaria, passo inicial do cativeiro de Israel. O rei Ezequias sentia tanto
desejo de apagar a culpa dos pecados introduzidos na nação por seu pai Acaz,
que iniciou um avivamento espiritual em toda a nação no primeiro mês do seu
reinado.
Ezequias foi um servo consagrado ao
Senhor, mas mesmo assim enfrentou as crises de um cerco militar, bem como uma
doença fatal. Sofrendo grande enfermidade, Ezequias orou a Deus, pedindo cura.
Em resposta, o Senhor lhe concedeu mais 15 anos de vida e saúde. Como sinal da
graça divina manifesta na cura do rei, “o
profeta Isaias clamou ao Senhor; e fez retroceder dez graus a sombra lançada
pelo sol declinante no relógio de Acaz” (2Rs 20.11). Este sinal físico
demonstrou que Deus literalmente fizera retroceder as horas (e anos) da vida de
Ezequias que estavam chegando ao fim.
Após a morte de Ezequias, seu filho
Manassés reina e foi chamado “o pior dos idólatras dos hebreus”. Apesar de ter
sido criado num lar devotado a Deus, ele rejeitou a fé de seu pai e influenciou
Judá no sentido de apostatar da sua fé em Deus (2Cr 33.9). Porém o detalhe mais
importante da vida de Manassés é que, após uma vida na prática dos mais vis
pecados, ele mesmo, estando no cativeiro, arrependeu-se e recebeu o perdão do
Senhor.
Mesmo arrependido e perdoado, o mau
exemplo de Manassés ficou para os filhos e, após sua morte, seu filho Amom
reinou por dois anos antes de ser assassinado e, durante este tempo, tentou
cometer todos os pecados do pai.
Já Josias foi um dos reis mais
justos e devotados a Deus, registrados no Antigo Testamento. Sem dúvida, o
assassinato de seu pai Amom e o arrependimento do seu avô Manassés influíram no
seu pensamento, pois Josias amava a Deus e odiava o pecado. Ele foi coroado rei
aos oito anos de idade e, desde o início do seu reinado, buscou a face do
Senhor. Aos 20 anos de idade, liderou uma reforma religiosa nacional e, aos 26,
iniciou a reforma do templo.
Josias iniciou sua reforma religiosa
destruindo os mais notórios focos de idolatria em Judá, reconstruindo o templo
de Deus. Durante as obras de restauração no santuário, foi achado o “Livro da
Lei” (2Cr 34.15), que era, sem dúvida, um exemplar do Pentateuco de Moisés.
Ao ouvir as palavras deste livro,
Josias se deu conta do padrão de santidade divina e de como Judá tinha
fracassado neste particular. Josias chorou seus pecados e os da nação inteira e
se humilhou perante Deus. Como resultado deste ato, houve uma reforma geral em
Judá e aquele reino obteve uma moratória do castigo divino durante mais de uma
geração (2Rs 22.19-20).
Após a morte de Josias, seus três
filhos e um neto governaram o país, sendo eles os últimos reis de Judá. Cada um
destes reis contribuiu para que a situação espiritual nacional se degradasse e
todos foram levados cativos pelo rei estrangeiro. O cativeiro babilônico se deu
em três levas:
1. Em 606 a.C.
foram levados os nobres e, entre eles, estavam Daniel, Misael, Ananias e
Azarias.
2. Em 597 a.C.
todos os homens foram levados, inclusive o profeta Ezequiel.
3. Em 586 a.C.
todos os judeus (exceto pobres e deficientes) foram levados e o templo foi
destruído e a cidade queimada.
10. O
regresso do cativeiro (Livros de Esdras e Ester)
O período do cativeiro foi uma época
necessária para a purificação espiritual do povo judeu. Hananias, um falso
profeta, disse para o povo ficar despreocupado, pois Deus os tiraria dali em
alguns dias, mas Jeremias mandou uma carta ao povo Judeu, cativo na Babilônia,
aconselhando-os a pensar em residência permanente, construir casas, criar suas
famílias e plantar hortas e roças, pois iriam permanecer no exílio durante 70
anos (Jr 29.1-23).
Deus fez Seu povo prosperar, ainda
que estando no exílio. Os judeus chegaram ao cativeiro na qualidade de
escravos, mas aos poucos foram se tornando importantes e prósperos
comerciantes. A História nos diz que os cativos passaram a desenvolver também
as profissões de ourives e perfumistas (Ne 3.8). Alguns dos judeus vieram a
ocupar altas posições governamentais: Daniel e Mordecai (ou Mardoqueu) foram
nomeados primeiros-ministros. Ester chegou a ser rainha. Neemias tornou-se
ministro particular do rei.
O cativeiro deu início também a
várias inovações de ordem religiosa. Nesse período nasceu a sinagoga, como
substituta do templo destruído. As Sagradas Escrituras ganharam relevo na vida
dos cativos e surgiu a profissão de “escriba”, homens cuja responsabilidade era
a de copiarem e interpretarem a Palavra de Deus. E a idolatria foi,
definitivamente, abolida entre os judeus, até os dias atuais.
É difícil compreender a história
bíblica daquela época sem um conhecimento fundamental da política internacional
daquele período. As três grandes potências mundiais que influíram na história
do povo de Deus antes, durante e depois do cativeiro foram: Assíria, Babilônia
e Média-Pérsia.
Os medos e os persas conquistaram
Babilônia e o rei Dario compartilhava seu poder com outro rei ainda mais
poderoso, de nome Ciro: Juntos, governavam o Império Medo-Persa.
A história secular dos judeus afirma
que, ao ler as profecias de Isaías, escritas 150 anos antes do seu reinado,
Ciro ficou tão perplexo ao ver seu próprio nome ali escrito, que quis cumprir
aquela profecia, mandando de volta à Palestina um grupo remanescentes de
exilados, mas apenas 50.000 judeus responderam afirmativamente ao decreto de
Ciro, pois muitos não queriam deixar o conforto adquirido na Babilônia (Ed 1).
O capítulo 2 do Livro de Esdras
contém uma interessante lista dos que regressaram a Jerusalém. Notamos, nos
últimos 6 versículos deste capítulo, que os que voltaram, apesar de bastante
pobres, mostravam-se generosos com relação à obra do Senhor.
O capítulo 3 mostra o início da
construção do templo e, antes de qualquer outra coisa, os judeus regressos
quiseram construir um altar para Deus.
No capítulo 4, observamos que a
construção do templo foi interrompida. Durante os 70 anos do cativeiro, os
samaritanos e outros grupos vizinhos tinham ocupado a terra de Israel.
Evidentemente, eles não ficaram satisfeitos com o retorno dos judeus para suas
terras.
Desde o início, estes inimigos
tentaram sabotar o projeto de construção, fingindo-se fiéis à mesma causa.
Depois, escreveram uma carta mentirosa ao rei persa, acusando os judeus de
estarem construindo uma fortaleza em vez de um templo. Por causa desta carta
mentirosa, a reconstrução do templo foi interrompida durante 16 anos. Mas,
apesar dessa demora, Deus continuou demonstrando que controlava a situação. Por
fim, o templo foi concluído.
No livro de Esdras há um intervalo
histórico de 60 anos entre os capítulos 6 e 7. Esdras, que chegou a Judá no ano
de 457 a.C., foi contemporâneo de Neemias, o qual retornou 12 anos depois dele.
Muitos judeus elevam Esdras à altura
de Moisés, que deu ao povo a Lei de Deus, enquanto Esdras restabeleceu entre os
judeus a primazia dessa Lei divina. Esdras dedicou sua vida ao estudo das
Sagradas Escrituras, sendo descrito como o “escriba versado” (Ed 7.6).
O capítulo 8 do Livro de Esdras
enumera o nome de 1.754 homens que voltaram do cativeiro com o escriba. É
provável que estes homens viessem acompanhados de 4.000 mulheres e crianças.
Durante a travessia do deserto, de volta do cativeiro, Esdras e os judeus
corriam o perigo de enfrentar ataques de inimigos. Esdras, porém, confessou que
tinha vergonha de pedir proteção militar, preferindo confiar plenamente em
Deus, seu divino protetor (Ed 8.22-23). Esta confiança da parte de Esdras foi
justificada, pois a mão de Deus conduziu o grupo de exilados em paz até a terra
de Judá (Ed 8.23).
Dentro da reforma religiosa do
capítulo 10 do Livro de Esdras, há uma sequencia de procedimentos feitos pelos
homens no reconhecimento e arrependimento do seu pecado que continua válida
para todos nós:
a. ... Nós
temos transgredido contra o nosso Deus... (Ed 10.2)
b. ... Mas... Ainda
há esperança... (Ed 10.2)
c. Agora, pois,
façamos aliança com o nosso Deus... (10.3)
d. Levanta-te,
pois esta coisa é de tua incumbência... Sê forte e age (10.4)
Os acontecimentos descritos no livro de Ester aconteceram quando o
povo de Israel era cativo na Babilônia. O local da história é Susã, a cidade
onde o Rei da Pérsia e Média, o Rei Assuero, vivia. Este Rei após mandar embora
sua primeira esposa, a rainha Vasti, estava buscando uma nova esposa para se
tornar rainha.
Nesse intuito organizaram uma competição onde mulheres de todo o
reino foram convidadas a vir até Susã com o propósito de que uma delas
preenchesse o lugar vazio da rainha. (Et 2.1-4). No meio dessas mulheres estava
também Ester, uma jovem hebreia que foi criada por Mardoqueu, um dos cativos
que foram trazidos de Jerusalém por Nabucodonosor (Et 2.5-7).
Após obter a graça de “Hegai, guarda das mulheres" (Ester
2:9), "de todos que a viram" (Et 2.15) e do próprio rei (Et 2.17),
Ester se tornou a nova rainha. Contudo, conforme a ordem dada por Mardoqueu,
sua nacionalidade não foi revelada.
O capítulo 3.5-6 do Livro de Ester mostra-nos um problema: Hamã, o
homem a quem o rei tinha exaltado “sobre todos os príncipes que estavam com
ele” estava cheio de fúria por Mardoqueu, porque ele se recusou a curvar-se
perante ele. Por esta razão ele queria destruir toda a nação de Mardoqueu, ou seja,
os judeus.
Mardoqueu não se curvava diante de Hamã por duas razões. A
primeira é que ele reconhecia que toda a devoção e adoração deveriam ser
entregue a Deus e, segundo, porque Hamã era do reino de Agag e um amalequita. Os amalequitas lutaram contra Israel
quando estes estavam a caminho da terra prometida (Êx 17) e foram chamados de
INIMIGOS DE DEUS.
Após Hamã decidir destruir todos os judeus, ele precisava
estabelecer uma data para isto para obter a permissão do rei. Ester 3 nos fala
que ele fixou uma data no décimo terceiro dia do décimo segundo mês e que, após
afirmar que os judeus não cumpriam as leis do rei por já terem a Lei de Deus e subornar
Assuero, Hamã obteve a aprovação de seus planos (Et 3.8-10).
A ordem em relação à destruição dos judeus foi escrita sob
a custódia do próprio Hamã e enviada a todas as províncias, causando grande
lamentação entre todos os judeus (Et 3.12-15, 4.3). O próprio Mardoqueu estava
tão triste que "rasgou as suas
vestes, e vestiu-se de saco e de cinza, e saiu pelo meio da cidade com grande e
amargo clamor" (Et 4.1).
Ester, que ainda não sabia sobre o decreto, ficou muito
triste quando soube que Mardoqueu, seu pai adotivo, estava muito amargurado e
enviou um dos seus servos até ele para descobrir qual o motivo (Et 4.4-6). Por
meio deste servo, Mardoqueu a fez saber tudo o que tinha acontecido,
pedindo-lhe também para ir ao rei e rogar por seu povo (Et 4.7-9).
"Então disse
Ester que tornassem a dizer a Mardoqueu: Vai, ajunta a todos os judeus que se
acharem em Susã, e jejuai por mim, e não comais nem bebais por três dias, nem
de dia nem de noite, e eu e as minhas servas também assim jejuaremos. E assim irei ter com o rei,
ainda que não seja segundo a lei; e se perecer, pereci. Então
Mardoqueu foi, e fez conforme a tudo quanto Ester lhe ordenou.” (Et 4.15-17).
No terceiro dia Ester finalmente foi ter com o rei. Conforme Ester 4.11,
ela poderia ter sido morta ao ir lá sem ser convidada, exceto se o rei
estendesse seu cetro de ouro para ela.
"E
sucedeu que, vendo o rei a rainha Ester, que estava no pátio, alcançou graça aos seus
olhos; e o rei estendeu para Ester o cetro de ouro, que tinha na
sua mão, e Ester chegou, e tocou a ponta do cetro." (Et 5.2).
Nesta visita ao rei, Ester convidou-lhe e a Hamã para um banquete que
ela havia preparado para eles aquela tarde. Quando eles foram, outro banquete
foi arranjado para a próxima tarde (Et 5.3-8). O convite da rainha para outro
banquete no dia seguinte causou muito alegria em Hamã (Et 5.9) uma vez que foi
uma grande honra festejar com a realeza. Contudo, sua alegria tornar-se-ia em
ira ao ver Mardoqueu à entrada do palácio, “e
que ele não se levantara nem se movera diante dele" (Et 5.9).
Quando ele retornou para casa, apesar da alegria por ter
sido convidado pela rainha, ele confessou à sua esposa e seus amigos sua ira
por Mardoqueu. Sua esposa o aconselhou a fazer uma forca e nela eliminar seu
inimigo, o que pareceu bem à Hamã.
Enquanto a forca esta sendo feita, o rei, no palácio,
padecia de insônia. Para aliviar as horas da noite passada em claro, ele se deu
ao labor de ler as crônicas do seu reinado. Enquanto fazia isso, deparou com o
relato da atitude de Mardoqueu ao descobrir a conspiração contra a vida do rei.
Dando-se conta de que o gesto generoso nunca lhe fora galardoado, o rei pediu
que algum conselheiro lhe falasse a esse respeito. Nesse exato momento, Hamã
entrou no palácio (para outros fins) e foi chamado à presença do rei.
Assuero perguntou o que se deveria fazer para honrar certa
pessoa e Hamã, naturalmente, pensou que fosse ele mesmo. Por isso, recomendou
que tal pessoa fosse levada para passear a cavalo pela cidade de Susã,
conduzida por algum oficial da corte que apregoasse os seus feitos para todo o
público ouvir. Ignorava-o que acabava de recomendar a elevação do seu inimigo
Mardoqueu (6.11).
Após conduzir Mardoqueu pelas ruas de Susã durante um dia
inteiro, ao chegar em casa, Hamã recebeu os mensageiros do rei para levá-lo ao
palácio para o segundo banquete de Ester (Et 7), onde o rei rogou a rainha que
lhe revelasse o conteúdo do pedido, que a levara a fazer os banquetes.
Ouvindo a acusação de que Hamã mataria Ester e todos os
judeus, o rei ficou furioso e saiu ao jardim para passear e pensar por um
instante. Ao voltar a sala do banquete, viu Hamã caído sobre o divã da rainha
e, diante da cena incriminante, mandou matar o seu primeiro ministro (7.8). Um
dos servos lembrou ao rei a existência de uma nova forca e ali Hamã foi
enforcado no dia seguinte.
A lei medo-persa não permitia a anulação de decretos reais
já baixados. Por isso o ataque decretado aconteceria, todavia, o rei emitiu um
segundo decreto, afirmando que os judeus podiam se reunir e portar armas em
defesa própria. A radical mudança operada nos eventos sucessivos teve um
importante impacto evangelístico, convertendo-se muitos pagãos medos-persas à
fé judaica (8.17).
No dia do ataque tão temido, Deus trouxe uma grande
vitória para os judeus. Emitiu-se outro decreto dando aos judeus o direito de
festejarem anualmente, desde aquela data, a vitória ganha; o festival iria se
chamar “Purim”, em comemoração aos dados usados por Hamã, fixando a data do
suposto massacre e até hoje esta festa é comemorada pelos judeus do mundo
inteiro.
11. O período da restauração (Neemias)
O livro de Neemias é uma das mais
impressionantes histórias bíblicas da determinação de um homem em cumprir uma
tarefa importante. É o último livro histórico do Antigo Testamento e descreve o
trabalho de Neemias em motivar o povo em Jerusalém a reconstruir as muralhas
que protegiam a cidade contra invasões de inimigos.
O livro mostra, também, a
preocupação de Neemias em proteger o povo contra outra ameaça ainda maior, pois
agiu para eliminar do meio dos judeus as más influências que os corrompiam.
Para entender o trabalho de Neemias,
é preciso se lembrar do contexto histórico do seu trabalho. Mais de 90 anos
antes do início desta história, o rei da Pérsia autorizou que Zorobabel levasse
quase 50.000 judeus de volta para Jerusalém. Zorobabel e os profetas Ageu e
Zacarias motivaram o povo a edificar o templo em Jerusalém. 80 anos depois da
volta de Zorobabel, Esdras conduziu um grupo bem menor que retornou a Jerusalém
com dois objetivos principais: ajudar no acabamento do templo e ensinar o povo
e ser fiel ao Senhor.
Menos de 15 anos depois da volta de
Esdras, Neemias estava trabalhando como copeiro do rei persa Artaxerxes I,
quando recebeu a visita do seu irmão e mais alguns judeus. Eles falaram da
situação precária da cidade de Jerusalém e da falta de segurança devido às condições
péssimas das muralhas da cidade, destruídas 140 anos antes pelas forças
babilônicas.
Neemias ficou angustiado com o
relatório sobre Jerusalém e passou dias em jejum e oração antes de pedir ao rei
a permissão para voltar e reedificar a cidade. Com a autorização de Artaxerxes,
Neemias voltou e organizou o trabalho dos judeus para construir os muros.
Com a determinação de Neemias
incentivando e supervisionando o trabalho, o que não haviam feito em mais de 90
anos foi feito em menos de dois meses.
Os capítulos 1 e 2 falam da decisão
de Neemias e sua volta para Jerusalém, onde avaliou a situação antes de falar
com o povo sobre os planos para reedificar as muralhas.
O capítulo 3 descreve a cooperação
dos cidadãos no trabalho, mostrando a organização dos trabalhadores por
Neemias.
Os capítulos 4 a 6 mostram como
Neemias, com fé em Deus, superou uma série de desafios para completar a obra.
Ele enfrentou ameaças de inimigos externos e conflitos entre os próprios judeus
para completar a obra em 52 dias.
O capítulo 7 registra os nomes das
famílias que voltaram 90 anos antes de Neemias. Enquanto que os capítulos 8 a
10 relatam o trabalho de restauração espiritual, sob a liderança de Esdras, o
escriba e o próprio Neemias. A ênfase está no compromisso dos judeus em ser um
povo santificado e separado das práticas e influências de povos que não serviam
ao Senhor.
Os capítulos 11 e 12 falam sobre a
população de Jerusalém e outras cidades de Judá e sobre a dedicação dos muros
da cidade.
Por fim, o capítulo 13 ilustra as dificuldades
práticas de se tornar um povo santo, falando das atitudes necessárias para
corrigir abusos. Neemias tomou medidas para eliminar o comércio no sábado (o
dia de descanso semanal na Lei de Moisés) e para purificar o povo da influência
de casamentos condenados pela mesma Lei.
Neemias oferece um excelente exemplo
de como confiar em Deus e, ao mesmo tempo, cumprir a responsabilidade dada ao
homem.
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