quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

A HISTÓRIA DE ISRAEL - JOSUÉ A ESTER



1.    Introdução
A lista dos doze Livros Históricos que compõem o cânon bíblico inicia com o Livro de Josué e encerra com o Livro de Ester. Estes livros, divinamente inspirados, registram os 1.000 anos da história de Israel no período que compreende da entrada na Terra Prometida ao retorno do cativeiro.
Para evitar possíveis embaraços no estudo, tratamos aqui os eventos da história de Israel, não pela ordem dos livros conforme agrupados na Bíblia, mas por sua ordem cronológica em que os fatos foram acontecendo, abordando sistematicamente a conquista de Canaã, O tempo dos juízes, O Reino Unido, O Reino Dividido, O Reino Solitário, O Cativeiro e O Retorno.

2.    O Livro de Josué: A conquista de Canaã
O Livro de Josué inicia com a promessa feita por Deus a Josué e à nova geração de israelitas. Deus prometeu: “...como fui com Moisés, assim serei contigo” (Js 1.5). Assim vemos que cada geração precisa, por si mesma, cultivar a comunhão com Deus, bem como travar suas próprias batalhas espirituais e conquistar pela fé suas próprias vitórias.
A história afirma que Josué foi o maior estrategista e guerreiro dos tempos antigos. Todavia, não haveria Josué sem Moisés.
Por causa da sua fé, os israelitas receberam como galardão a Terra de Canaã. Muitas pessoas imaginam Canaã como um tipo do céu, galardão do crente. Tal comparação não é correta, pois Canaã foi um campo de batalha e seus habitantes foram expulsos da terra. Em termos mais exatos, a experiência da conquista de Canaã pode ser comparada à vida diária do crente, que enfrenta as mais diversas lutas espirituais, enquanto cresce na fé e na graça.
Deus ditou a Josué e aos israelitas da segunda geração quatro requisitos para a prosperidade e sucesso na Terra da Promissão que estão enumerados nos versos 6 ao 9:
1. Sê forte e corajoso (v.6);
2. Sê muito corajoso para teres o cuidado de fazer segundo toda a Lei (v.7);
3. Medita no livro da Lei dia e noite (v.8);
4. Não temas, nem te espantes (v.9).

O capítulo 2 do Livro de Josué trata, de início, do envio de dois espias israelitas a Jericó. Este envio não demonstrou falta de fé da parte de Josué, pois Deus já havia preparado uma mulher (Raabe), bem no meio da cidade inimiga, para recebê-los e dar-lhes a necessária acolhida. Essa mesma mulher vai dizer: “Bem sei que o Senhor vos deu esta terra, e que o pavor que infundis caiu sobre nós, e que todos os moradores da terra estão desmaiados” (Js 2.9). Este testemunho convenceu até os mais covardes em Israel de que Deus tinha preparado o caminho para vitória dos que nEle criam.
Raabe atou um cordão escarlate à janela da sua casa, à vista dos israelitas, para mostrar-lhes que naquela cidade pelo menos uma pessoa tinha fé na vitória deles. Toda a família de Raabe passou a confiar no Deus vivo (Js 6.25), de sorte que ela foi honrada de maneira muito especial, tornando-se a trisavó de Davi e, portanto, uma das raízes da família humana de Jesus Cristo (Mt 1.5).
A primeira grande prova de fé dos israelitas foi a passagem do rio Jordão na época de sua maior cheia. Deus mandou que a Arca da Aliança fosse conduzida adiante do povo, rio adentro. No momento em que os pés daqueles que carregavam a arca roçaram a borda do rio, as águas recuaram.
Ao passarem pelo leito seco do rio, representantes das doze tribos iam recolhendo pedras para a construção de dois memoriais, um no meio do próprio rio Jordão e o outro em Gilgal, o primeiro acampamento dos israelitas em Canaã. A lição para os israelitas em ter um altar dentro do rio se deu quando, pouco depois, as águas do rio voltaram ao devido lugar, cobriram totalmente aquele memorial. Eles sabiam que, se não fosse o poder e a graça do Deus Vivo, lá eles estariam, totalmente submersos, ao invés das pedras.
No capítulo 5, já em Gilgal, os israelitas fazem seu primeiro acampamento e consagram e se dedicam a Deus. Foi em Gilgal que Deus fez cessar o fornecimento miraculoso do maná do céu, pois o povo de Israel não estava mais no deserto e agora tinham condições de se sustentarem por meio da agricultura.
O nome “Josué” significa “Jeová é Salvação”. A forma grega do mesmo nome é “Jesus”. Josué serve de modelo, ou tipo de Cristo, no Antigo Testamento.
Em Josué 5.13 até 6.5, vemos que o “Anjo do Senhor” apareceu a ele. Não era um anjo qualquer, pois Josué prestou-Lhe adoração e a Bíblia o chama “Senhor”. Josué recebe ordens sobre a conquista de Jericó. Tais ordens divinas visavam convencer os filhos de Israel de que a sua vitória viria de Deus e não da própria força. A ordem de rodearem a cidade de Jericó sete vezes, sem usarem espada até o final da sétima volta, no sétimo dia, era clara. Assim, Deus faria cair as muralhas da cidade.
No capítulo 7 e 8 vemos uma nota destoante na maravilhosa história da conquista de Canaã que é a desobediência de Acã e a triste experiência sofrida por Israel em Ai por conta deste pecado. Há nos nossos dias congregações fracas e sem vigor porque alguns de seus membros escondem pecados sem se arrependerem disso.
Descoberto o pecado escondido, a confissão de Acã apresenta um padrão bem típico: Vi... Cobicei... Tomei... Escondi (7.21). Castigado o pecado de Acã, Israel ganhou facilmente a batalha contra Ai. Após esta grande vitória, os israelitas pararam no meio da sua conquista para a construção de altares de renovação espiritual e um estudo bíblico bem original (Js 8.33-35).
Quando o Diabo fracassa nas tentativas de trazer a derrota espiritual mediante um ataque frontal, recorre a diversas ciladas para combater os crentes (Ef 6.11). No caso dos gibeonitas que, mesmo morando a poucos quilômetros do acampamento israelita, usaram de engano para com Josué, com aparência de que vinham de uma terra longínqua, buscando aliança. Dessa forma Satanás seduziu Israel, resultando em ato de desobediência ao mandado divino, que proibia alianças com as nações cananeias (Js 9).
Por causa da palavra dada, os judeus foram obrigados a manter sua aliança com Gibeom. Quando os gibeonitas foram atacados por um grupo de cinco reis do centro de Canaã, Israel foi convocado para defender o seu “aliado”. A batalha, na sua fase inicial, parecia favorecer os reis cananeus, mas Deus lutava por Israel, mandando uma chuva de pedras que matou a muitos dos inimigos. “Mais foram os que morreram pela chuva de pedra do que os mortos à espada pelos filhos de Israel” (Js 10.11).
Atemorizados pelas vitórias de Israel no sul e no centro de Canaã, 31 reis da região do norte formaram uma aliança para defesa mútua. Embora parecesse ameaça para Israel, foi a maneira que Deus usou para reunir todos os inimigos do Seu povo em um só lugar para a sua inevitável destruição. A batalha se realizou num pantanal chamado “Águas de Merom”, onde as rodas dos carros de guerra atolaram na lama e os carros ficaram inutilizados. A Bíblia não nos dá maiores detalhes sobre este assunto, mas declara que Deus deu a vitória a Israel (Js 11.6).
Apesar do sucesso das grandes batalhas iniciais vencidas por Israel, houve ainda uma série de escaramuças posteriores. A terra de Canaã foi, finalmente, demarcada e dividida, conforme as diretrizes dadas por Deus, mas cada tribo foi obrigada a lutar pela posse do seu território (Js 13.1-6).
Os últimos 12 capítulos do Livro de Josué tratam da distribuição das terras conquistadas pelas 12 tribos de Israel. Com exceção dos levitas, todos os israelitas receberam como herança um quinhão de terra.
No capítulo 14 vemos um dos mais inspiradores exemplos de fé, demonstrado por Calebe, um dos velhos espias que trouxeram relatório positivo sobre a futura conquista de Canaã (v.8) tantos anos antes. Por causa da sua fé, Calebe recebeu uma linda promessa feita através da boca de Moisés. Este servo acreditou tão plenamente nesta promessa que reivindicou para si e para a sua família um monte inteiro: “Agora, pois, dá-me este monte...” (14.12). Ele sabia que teria que vencer um inimigo muito forte antes de tomar posse da sua herança, mas pela fé ele afirmou: “O Senhor, porventura, será comigo, para desapossá-los, como prometeu” (Js 14.12).
No capítulo 18 vemos uma crescente tendência da parte dos israelitas de aceitarem apenas uma pequena parcela de terra em vez de lutarem para ganhar plena herança garantida por Deus a eles. Josué os advertiu a este respeito, encorajando-os, pela fé, a reivindicar mais da sua herança: “Até quando sereis remissos em passardes para possuir a terra que o Senhor, Deus de vossos pais, vos deu?” (v.3). Hoje, muitas vezes também falhamos, por não nos atrevermos a reivindicar pela fé toda a nossa herança espiritual.
Os dois capítulos finais do Livro de Josué constituem o grande sermão de despedida, proferido por Josué aos israelitas. Josué desafiou a todos, incentivando-os a viver daí em diante pela fé, independente da liderança humana, confiando somente em Deus.
Muitos estudantes da Bíblia, ao completarem a leitura e análise do Livro de Josué, sentem-se perturbados por uma questão opressiva: como pode ter Deus exigido o extermínio total dos cananeus, inclusive crianças? (Josué 9.24 e 11.1). Para ajudar no entendimento, devemos atentar para o fato de que Deus vê o futuro com mais clareza do que o homem vê o passado. Por meio da Sua capacidade previsiva, Deus sabia que as nações cananeias poderiam chegar a ser um tipo de moléstia moral incurável, que destruiria a raça humana, se não fossem extirpadas a tempo.
Não devemos pensar, nesta campanha, como que se efetuando entre duas nações, mas antes, como um embate entre Deus e Satanás. Aquilo que parece ser crueldade divina na destruição dos cananeus é, de fato, um ato de misericórdia, uma vez contemplado à luz da eternidade.

3.    O Livro de Juízes e o de Rute: período dos Juízes
O Livro de Juízes é talvez o mais triste dos livros da Bíblia. Constitui a história de uma nação envolvida em pecado. Foi um período de, aproximadamente, 325 anos onde cada um fazia o que achava mais reto (Jz 17.6; 21.25).
Outra atitude errada desta época era a fraqueza da fé. O israelita comum se tornara ‘religioso por obrigação’: temia a opinião pública e a pressão social dos seus semelhantes, mas não tinha uma comunhão pessoal sadia com o seu Deus.
Toda a sorte de imoralidade se justificava em nome da religião, resultando na desintegração da família e na existência de uma sociedade sem o amor verdadeiro. Crianças eram rejeitadas, mortas e enterradas no piso das casas ou eram oferecidas como sacrifício nos altares dos deuses pagãos. A vingança, ódio e o assassinato eram comuns naquela sociedade, sem dúvida inspirados na mitologia em que ela se baseava. Até mesmo a antropofagia (ato de comer carne humana) era praticada pela religião cananeia.
O capítulo 2 de Juízes termina com um comentário acerca do período em que os juízes dirigiam Israel e resolviam disputas legais. Os textos revelam que Israel ia passando por diferentes ciclos de pecado, opressão e libertação, ficando em cada ciclo mais corrupto e devasso. Repete-se seis vezes a sequencia de REPOUSO, RECAÍDA, RUÍNA, ARREPENDIMENTO, RESTAURAÇÃO E REPOUSO.
Outro fato a ser notado é o da degeneração dos chefes israelitas e, consequentemente, de todo o povo. Parece que os judeus comuns eram incapazes de ter uma fé mais forte que a dos seus líderes. A história denota os juízes, observando o progressivo enfraquecimento da sua fé:

JUÍZES
SITUAÇÃO COMO LÍDER ESPIRITUAL
Otniel, Eúde e Sangar
Fortes na fé
Baraque e Gideão
Vacilantes na fé
Abimeleque e Sansão
Fracos na fé
Os dois levitas
Fracassados na fé

A principal causa de recaída de Israel no pecado foi o casamento com pessoas pagãs. Deus, na sua graça providencial, deixou que um rei da Mesopotâmia, Cusã-Risataim, invadisse Israel e que os derrotassem (3.8).
Ao ver o arrependimento de Israel, Deus mandou um juiz-libertador, Otniel, sobrinho de Calebe (3.10-11) que não falhou na sua responsabilidade perante o Senhor, pois o “Espírito do Senhor” estava sobre ele continuamente, até que a vitória fosse ganha. O nome Otniel significa “Espírito de Leão”.
Após 40 anos de repouso, o povo tinha recaído no pecado. Em consequência, Deus permitiu que o rei Eglom, de Moabe, derrotasse Israel, trazendo os judeus novamente ao arrependimento e à restauração. Mais uma vez, Deus atendeu o clamor do Seu povo, mandando-lhe um libertador chamado Eúde (3.12-30).
O próximo juiz, chamado Sangar, mereceu apenas uma simples referência no texto das maravilhas, sendo versículo 31. Mas, como já notamos, isto é um bom sinal, pois indica um juiz bom e piedoso que entrou de boa vontade na guerra para a libertação de Israel. Como Sansão, ele foi um grande herói que matou centenas de soldados inimigos, utilizando uma aguilhada de bois.
O ciclo de declínio de Israel começou após a morte de Eúde. Com o aumento do pecado nacional, Deus permitiu que o rei Jabim derrotasse Israel. A nação padeceu 20 anos de opressão antes que Deus levantasse um novo libertador, chamado Baraque (4.6).
Notamos os líderes vacilantes na fé a partir daqui, pois Baraque recusou entrar nas batalhas, a menos que ele fosse acompanhado pela juíza Débora. Por isso ele não merece louvor pela vitória de Israel e sim a juíza Débora (Jz 5).
Após a vitória por Débora, Israel desfrutou de um período de 40 anos de repouso, mas conforme o ciclo vicioso típico da sua conduta, o povo caiu de novo no pecado. Desta vez, Deus permitiu que os midianitas nômades afligissem os israelitas. O juiz escolhido por Deus para libertar Israel foi Gideão.
Os que citam a peleja de Gideão como exemplo de fé, ignoram o fato dele ser a real expressão de profundas dúvidas e medo, mesmo depois que Deus lhe apareceu, pessoalmente, para lhe garantir a vitória. Todavia, Deus quis destacar o potencial daquele homem valoroso e ajudá-lo (6.12).
A situação de Israel estava mesmo decepcionante. Se nos lembrarmos que só 300 israelitas foram escolhidos por Deus como fiéis verdadeiros para emprego na batalha, veremos como era baixo o nível de fé de Israel naquele tempo.
São bem conhecidos os detalhes da vitória obtida por Gideão. Basta dizer que Deus demonstrou Seu poder mais uma vez. Infelizmente, o que foi escrito após a inesquecível vitória é uma triste manifestação da fraqueza de Gideão na qualidade de líder espiritual. Ele tomou os brincos de ouro dos midianitas derrotados e os utilizou para adornar uma veste sacerdotal. A consequência do ato de Gideão foi os israelitas abandonarem o tabernáculo de Deus e passarem a adorar a própria estola sacerdotal desse juiz, em Ofra (8.27).
Do capítulo 9 a 16 de Juízes, vemos a narrativa sobre os líderes fracos na fé, a começar por Abimileque. Mal Gideão morrera, o povo de Israel recaiu em pecado. Desta vez, Deus aplicou o castigo divino usando elementos da própria nação. Abimeleque, um dos filhos de Gideão, tornou-se um juiz hostil ao povo de Deus. Ele é lembrado como o primeiro líder que não estava disposto a lutar pela liberdade do seu povo e que realmente oprimiu Israel. Daí em diante, os israelitas não se submeteriam totalmente a nenhum juiz até os dias de Samuel.
Mais uma vez lemos no Livro de Juízes: “Tornaram os filhos de Israel a fazer o que era mau perante o Senhor... deixaram o Senhor e não O serviram” (10.6). Mais uma vez Deus permitiu perseguição contra Israel. Durante 18 anos, os filisteus e amonitas oprimiram a nação. Novamente eles se arrependeram, destruíram os deuses falsos e renovaram a aliança com Deus.
Jefté, filho de uma meretriz, foi obrigado a sair de casa, e se tornou chefe de um bando de mercenários. Sob a pressão da crescente perseguição sofrida pelo povo, os anciãos israelitas escolheram Jefté para chefiar Israel. Por causa da péssima condição espiritual do povo, mesmo um mercenário mau e vingativo parecia um chefe capaz e digno dos eleitos de Deus. Todavia, Jefté se converteu em um homem piedoso e sobre ele veio o Espírito de Deus (11.29). Ele costumava orar antes de entrar nas batalhas e se dedicou totalmente a Deus.
Ao período de calma após o juizado de Jefté segui-se uma época de instabilidade nacional em Israel. Entre Jefté e Sansão, houve três juízes de menor expressão que conduziram o povo por um breve período de tempo.
As heroicas proezas de Sansão são bem conhecidas, todavia ele foi um homem muito falho e menosprezou seu nazireado.
Os últimos 5 capítulos de Juízes retratam os pecados nacionais mais ultrajantes da época. Vemos agora que os líderes israelitas eram levitas, membros da tribo sacerdotal de Levi. Os relatos do governo dos dois levitas descrevem pecados extremos: furto (17.2), idolatria (17.5), imoralidade (19) e homossexualismo (19.22).
Deus, mesmo durante a triste época dos juízes, estava operando constante e fielmente para cumprir a promessa da vinda de um Messias Redentor. No livro de Rute, vemos como Deus usou um grupo remanescente de fieis para realizar seus planos, mesmo quando toda a nação de Israel tinha abandonado o seu Senhor.
Noemi e sua família simbolizam a condição espiritual extremamente enfraquecida de Israel naquele tempo. Elimeleque (Deus é rei) e Noemi (ditosa ou agradável) saíram de Belém, rumo a um remoto país gentio. Abandonar a terra de Israel significava abandonar o próprio Deus e suas promessas.
Em Moabe, Elimeleque e seus dois filhos, Malom (doente) e Quiliom (destruição), vieram a falecer. Após a morte deles, Noemi fez os preparativos para sua volta a Israel. Uma das noras, chama Orfa, resolveu ficar em Moabe. A outra, chamada Rute (amiga), optou em acompanhar Noemi e confessou sua fé no único Deus verdadeiro. Rute é um exemplo da graça de Deus outorgada a um gentio que demonstra fé nEle.
Noemi e Rute se viam em uma situação realmente precária. Sendo viúvas, careciam de apoio financeiro e material. Por isso, Rute contribuía como podia, colhendo em fazenda vizinha, as espigas deixadas pelos segadores.
Uma solução ao dilema destas duas mulheres seria encontrar algum parente rico, disposto a resgatar ou redimir a herança perdida e casar-se com Rute mantendo assim a linhagem familiar. Este parente era Boaz.
Boaz achava impressionante a fé de Rute (Rt 2.11-12) e amava a jovem viúva. Após pagar o preço do resgate, Boaz casou com Rute. Seu filho Obede veio ser avô de Davi e elemento importante na linhagem de Jesus Cristo.
Vemos em Noemi um símbolo ou tipo de Israel que quase perdeu sua herança, mas depois a recuperou, voltando assim a gozar de uma profunda vida espiritual (Rt 4.15). Vemos em Rute um símbolo da Igreja, composta de gentios que participam pela fé da herança de Israel (1Pe 1.3-4). Boaz representa Jesus Cristo, que se tornou parente próximo (mediante Sua encarnação) de todos nós e que pôde pagar o resgate (Seu perfeito sacrifício) em remissão dos nossos pecados, oferecendo de boa vontade esse preço tão alto por causa do Seu amor por Israel e pela Sua Igreja (1Pe 1.18-19).

4.    O Primeiro Livro de Samuel
A primeira parte do Livro de 1 Samuel inicia tratando de eventos ligados aos juízes que vieram após a morte de Sansão. Naquele tempo a terra jazia em escravidão sob os filisteus e o povo israelita se tornara escravo do pecado.
Durante essa época, o sacerdócio se encontrava em decadência e corrupção. Os filhos de Eli roubavam carne dos altares durante os sacrifícios e cometiam atos imorais com as mulheres que serviam no tabernáculo (1Sm 2.15). Deus ficou tão irado com tais desmandos e pecados que retirou Seu Espírito Santo da tenda da congregação armada por Josué, em Siló, anos antes (Js 18.1).
Mesmo naquele tempo tão ruim, permaneceu em Israel um remanescente fiel, por meio do qual Deus pôde realizar a Sua obra. Elcana, por exemplo, foi um homem piedoso que adorava constantemente no tabernáculo em Siló e sacrificava ao “Senhor dos Exércitos” (1Sm 1.3). Ana também era uma crente de grande devoção e piedade, pelo que Deus honrou o seu pedido, concedendo-lhe um filho ao qual deu o nome de Samuel (Pedido a Deus).
 Este Samuel que “crescia diante do Senhor” (2.21) foi o autor deste livro até o período da sua morte e, após, os eventos foram registrados por Natã e Gade.
No decorrer desta história, o pecado dos demais sacerdotes é posto em contraste com o gradativo progresso espiritual de Samuel. Assim como Moisés, Samuel desfrutava de tão grande intimidade com Deus que conseguia desviar a ira do Senhor, proporcionando a Israel nova oportunidade de arrependimento.
Três palavras caracterizam 1 Samuel 4-7: “icabode” (foi-se a glória), “Dagom” (deus dos filisteus e “Ebenézer” (Pedra de Auxílio).
Após várias derrotas pelos filisteus, os israelitas resolveram mudar a tática, usando um método já utilizado com vantagem nos dias de Josué: mandaram a Arca da Aliança para a batalha. Esqueceram, porém, que a arca era apenas um símbolo, sem poder em si. A arca propriamente nunca fora fonte de sucesso para Israel. A força residia no poder do Deus vivo. Por isso, ao se retirar o poder de Deus da arca, Israel foi novamente derrotado e a arca foi tomada pelos inimigos.
Quando o sumo sacerdote Eli ouviu a notícia da tomada da arca e da morte de seus filhos, caiu e morreu. A sua nora, gestante naqueles dias, por conta dessas mortes, expressou a tragédia nacional por meio do nome dado ao filho recém-nascido: Icabode, que significa: “Foi-se a glória de Israel” (ISm 4.22).
A tomada da arca resultou em demonstração do poder de Deus entre os filisteus. Havendo recebido-a como presa de guerra, os filisteus depositaram-na diante do seu ídolo Dagom, como tributo de agradecimento pela vitória. A imagem de Dagon compunha-se de metade homem e metade peixe.
No dia seguinte, ao voltarem os sacerdotes filisteus ao templo de Dagom, descobriram que seu ídolo estava caído de bruços no chão. Os sacerdotes o recolocaram no lugar, mas, no dia seguinte, foi encontrado de novo caído diante da arca com as mãos e cabeças cortadas (ISm 5.4).
Os filisteus ficaram atemorizados e transferiram a arca para outra cidade e o resultado foi que abateu uma dolorosa praga sobre a população daquele lugar. Após várias tentativas mal sucedidas, colocaram-na num carro de bois, puxado por duas vacas sem suas crias, acreditando que se elas levassem a arca de volta a Israel, seria um ato sobrenatural da parte de Deus.
Ao passar a arca pela cidade de Bete-Semes, alguns habitantes daquele local olharam irreverentemente para dentro dela e, como consequência, morreram muitas pessoas desse lugar (ISm 6.19). A Arca foi, finalmente deixada pelos filisteus na casa de Abinadabe, em Quiriate-Jearim (ISm 7.1).
A arca não ficou em seu devido lugar durante 68 anos, 20 dos quais permaneceu em Quiriate-Jearim. Um dia, porém, Israel conseguiu uma grande vitória, conforme as instruções de Samuel, no mesmo lugar em que haviam sofrido duas derrotas: Ebenézer (4.1-5). Num gesto de agradecimento, os israelitas construíram um altar, pondo-lhe o nome de “Ebenézer” (Pedra de Auxílio).
Muitos anos depois da vitória em Ebenézer, o povo de Israel se apresentou diante do velho Samuel, queixando-se do fato de que seus filhos não teriam condições de, futuramente, conduzir Israel. No lugar destes, os israelitas exigiam um rei “como o têm todas as nações” (8.5). Essa desculpa foi usada, mas na verdade, os israelitas queriam ser iguais às demais nações. Com efeito, estavam rejeitando sua missão como povo eleito e separado para o ministério de Deus.
Deus indicou um rei para governar Israel, provisoriamente, até a escolha daquele que Ele mesmo haveria de eleger. Notamos que Saul foi um rei pedido pelos israelitas. Foi um homem notável e “desde os ombros para cima, sobressaía a todo o povo” (9.2).
Infelizmente, Saul levava uma vida inconsistente perante o Senhor, sendo um protótipo do povo a quem governava. Como no caso do próprio Israel, Saul passou a rejeitar a Deus.
Não muito depois da sua coroação, Saul foi provado por Deus. Como no caso de tantos líderes anteriores, esta experiência se destinava a provar se sua confiança estava em Deus ou nos recursos humanos.
Os filisteus se reuniram para um ataque contra Israel, vingando-se do ataque lançado contra eles por Jônatas, filho de Saul (13.4-5). Samuel advertiu a Saul que o esperasse antes de fazer quaisquer preparativos para a peleja. Todavia, até o sétimo dia depois deste recado, Samuel não havia chegado e Saul ficou em pânico, pensando que o seu exercito o abandonaria. Ignorando o aviso dado por Samuel, o rei ofereceu um sacrifício a Deus como preparo para a batalha.
Este ato de desobediência afetou toda a vida de Saul, custando-lhe o trono. Deus prometeu retirar o governo de Saul, entregando-o a um homem segundo Seu coração (ISm 13.14).
Deus está procurando, constantemente, homens e mulheres a quem Ele possa confiar importantes responsabilidades na Sua obra (16.1) e havia encontrado um homem segundo o Seu coração. O Senhor explica a Samuel que o novo rei estaria entre os filhos de Jessé. Samuel ungiu Davi a rei, secretamente, pois fazê-lo abertamente, durante o reinado de Saul seria considerado um ato de traição.
Embora já ungido rei, Davi não hesitou em executar o papel de servo, enquanto esperava o momento de tomar posse do trono. Por causa desta sua atitude de submissão, Deus colocou Davi numa posição estratégica na corte de Saul. Foi ali que o Senhor prosseguiu com o Seu plano divino, no qual incluía Davi e a nação de Israel.
A narrativa do papel de Davi na guerra contra os filisteus e seu duelo com o gigante Golias, no capítulo 17, é bem conhecida de todos nós. Mas poucas vezes esta história é vista à luz do seu contexto integral. Encarando em relação aos eventos contemporâneos, o combate apresenta duas finalidades:

a.     Constituir a apresentação pública do futuro rei de Israel, já escolhido por Deus, pois até então, Davi era relativamente desconhecido.
b.     Salientar o contraste entre o eleito de Deus e o rei escolhido conforme os critérios humanos.

A vitória ganha por Davi fê-lo uma figura muito popular, gerando uma insegurança e ciúmes em Saul (18.7). Além disso, a comparação entre esses dois homens, traçada pela opinião púbica, enfureceu Saul e fez com que ele, na cegueira do seu ciúme, tentasse matar Davi em duas ocasiões.
O ciúme de Saul aumentava na medida exata do crescente sucesso militar do capitão Davi. Após outra tentativa da parte de Sal de matá-lo com sua lança, Davi fugiu da corte e passou a viver no deserto.
A fuga de Davi para o deserto foi um período muito difícil da sua vida. Como se pode observar nos salmos por ele compostos naquela fase da vida, Davi enfrentava crises de dúvida e depressão, como se vê na sua queixa: “apenas há um passo entre mim e a morte” (20.3). Apesar disso, costumava encerrar os salmos com uma declaração de fé e confiança em Deus.
Fugindo de Gate, Davi chegou à caverna de Adulão, onde se agregaram a ele os membros da sua família e mais de 400 mercenários, dispostos a lutar por ele. Todavia, Davi sabia que se Saul atacasse, os seus companheiros iriam fugir, pois não demonstravam nenhuma lealdade. Daí vem a pergunta, seguida de uma sábia resposta: “Elevo os olhos para os montes: de onde me virá o socorro? O meu socorro vem do Senhor, que fez o céu e a terra” (Sl 121.1-2).
Após derrotar os filisteus, Saul e 3.000 dos seus mais valentes soldados saíram novamente em busca de Davi. No fim de um dia de busca exaustiva e frustrada, o rei entrou numa caverna e lá se acomodou. Milagrosamente, Deus fez com esta caverna fosse a mesma em que Davi jazia escondido.
Davi não quis matar o rei, mas cortou uma parte da roupa de Saul como evidência do seu ato de misericórdia com relação a esse mau rei. Ao levantar e ver um pedaço do seu manto nas mãos de Davi, Saul se envergonhou profundamente do seu ato e voltou para casa.
A Bíblia nos diz que o coração de Davi era “perfeito”, ma não implica que sua vida fosse perfeita. Sua diferença com Saul é que Davi reconhecia ser pecador e nunca tentou se justificar nem se desculpar. Sempre se arrependia sinceramente e confessava o seu pecado.
No capítulo 27, vemos como Davi desobedeceu a Deus, abandonando Judá para viver entre os filisteus, por medo de Saul. A fraqueza da sua fé se revela nas suas próprias palavras: “Pode ser que algum dia venha eu a perecer nas mãos de Saul” (ISm 27.1). Durante dezesseis meses, Davi dependeu somente da sua perícia e habilidade de mentir e enganar, convencendo o rei filisteu de que estava combatendo ao lado dele. Nesse período não lemos que Davi alguma vez orou, pedindo o conselho de Deus.
Enquanto Davi se encontrava em Ziclague, estourou uma nova guerra entre Israel e os filisteus. Como Samuel havia falecido, Saul ficou apavorado e sentia grande necessidade de conselhos sábios. Tentou falar com Deus, “porém o Senhor não lhe respondeu” (28.6). Tomado de pânico, Saul consultou uma médium espírita e, como resultado, um espírito demoníaco apareceu a ele, personificado na pessoa de Samuel.
Nos capítulos 29 e 30, vemos a graça de Deus abundante na vida de Davi, principalmente no que o conduziu a corrigir seu relacionamento com o Senhor. Ao regressarem a Ziclague, Davi e seu exército encontraram a cidade saqueada e queimada, e suas famílias sequestradas pelos amalequitas. Davi chorou copiosamente! Seus soldados ficaram tão irados que estavam decididos a matá-lo. Naquele momento, Davi orou e “se reanimou no Senhor seu Deus” (30.6). Buscou a orientação divina e Deus ordenou que perseguisse os invasores. De forma miraculosa, os cativos foram libertos por Davi e reunidos às suas famílias.
Enquanto Davi resgatava os seus familiares, Saul lutava contra os filisteus no monte Gilboa, onde foi ferido gravemente. Com medo de ser torturado pelo inimigo, suicidou-se (ISm 31). Este é o primeiro suicídio relatado na Bíblia e serve para indicar a condição do crente desviado que se recusa a voltar para Deus.

5.    O Segundo Livro de Samuel e o Primeiro Livro de Crônicas
O segundo livro de Samuel foca o desenvolvimento da vida de Davi, principalmente como rei, mencionado 58 vezes no Novo Testamento, muitas vezes salientando o fato de ter sido ele um exemplo de homem devoto e digno de incentivar os crentes.
O primeiro ato de desobediência e submissão praticado por Davi, depois da morte de Saul, foi simplesmente esperar em Deus com paciência.
Em 2 Samuel 1, um amalequita vindo da guerra e querendo ser agradável a Davi, por ser Saul seu inimigo, trouxe-lhe a coroa do rei morto. Ao ser interrogado por Davi, ele mentiu e confessou que matara Saul, a pedido deste. Davi acreditou nas palavras do amalequita, mas, em vez de premiá-lo, o sentenciou à morte por haver assassinado o ungido de Deus.
Davi pediu orientação a Deus e recebeu ordem para ir para Judá, onde reinou durante sete anos e seis meses. Is-Bosete, filho de Saul e Abner, o comandante do exército de Saul, tentaram se apossar do trono de maneira violenta. O resultado foi uma guerra civil repleta de engano, traição e assassinatos. Apesar dessa situação tão dramática, o rei Davi permaneceu calmo e confiante no poder, sabedoria e soberania de Deus.
Aos poucos, Deus ia exaltando Davi, preparando-o para reinar sobre todo Israel. “Ia Davi crescendo em poder cada vez mais, porque o Senhor dos Exércitos era com ele” (ICr 11.9).
Embora Davi tivesse a coroa real sobre sua cabeça, não foi ele o verdadeiro rei de Israel. Deus mesmo pretendia governar Israel por meio de Davi, o homem que faria tudo que Ele desejasse (At 13.22).
Durante os primeiros anos do reinado de Davi, a nação unificada de Israel cresceu política e espiritualmente. A Arca da Aliança, que permanecera ignorada até 20 anos em Quiriate-Jearim (ISm 7.2), agora estava restaurada a uma posição proeminente em Israel. Durante três meses, ela permaneceu na casa de Obede-Edom e, após, levada para Israel.
No caminho de retorno, após poucos passos da marcha, o povo interrompeu a caminhada para exaltar e adorar ao Senhor (2Sm 6.13). Davi ficou tão cheio de alegria que dançou diante da arca. Sua esposa, Mical, não gostando de tal entusiasmo e alegria, o criticou. Em razão dessa atitude, Mical ficou estéril pelo resto da vida. Hoje em dia, muitas mulheres cristãs são espiritualmente estéreis (não dão frutos para Deus) porque são indiferentes ao fervor e dedicação de seus maridos ao Senhor, chegando mesmo a ser indiferentes a isso, hostilizando.
Uma das mais importantes promessas da Bíblia se encontra em 2 Samuel 7 e 1 Crônicas 17, vaticinando que um dos descendentes de Davi reinará para sempre sobre Israel. Deus prometeu que o filho de Davi seria como um “filho de Deus” (7.14), dando a entender que tal descendente seria não somente rei mas também representante divino, agindo como intermediário entre Deus e os homens. A promessa firmava também que o trono de Davi permaneceria para sempre, isto é, em Cristo (Lc 1.32-33).
Do capítulo 8 a 10, Israel derrotou todos os inimigos ainda remanescentes em seu território. Tais vitórias tão dramáticas podem nos parecer espontâneas. Davi sabia, porém, que durante anos Deus vinha preparando-o para esse momento de influência e grandeza.
Como no caso da maioria dos crentes, Davi enfrentava mais problemas espirituais nas épocas em que mais prosperava materialmente. Apesar das grandes vitórias outorgadas por Deus, Davi passou a negligenciar sua vida espiritual e foi vitimado pelas tentações de Satanás.
A narrativa da tentação e queda de Davi se inicia por estas bastante significativas palavras: “no tempo em que os reis costumavam sair para a guerra, Davi enviou a Joabe” (2Sm 11.1). Davi não só optou por ficar em um ambiente condizente com o pecado, como também cedeu à tentação que logo surgiu. A tentação em si não constitui pecado, mas o ceder a ela, sim.
É fato comprovado que pecado gera pecado. Após seu ato de adultério com Bate-Seba, Davi enfrentou a difícil situação do inesperado nascimento de um filho. Para livrar a si mesmo, Davi foi obrigado a escolher entre a morte humilhante de Bate-Seba e a morte heroica do marido dela, o soldado Urias.
Davi se casou com Bate-Seba, com quem teve um filho. Em vez de confessar logo o seu pecado, Davi resistiu à voz do Espírito Santo na sua consciência, até que Deus lhe mandou uma mensagem direta ela boca do profeta Natã. Este lhe contou o caso de um rico que tomou a única cordeirinha de um pobre. Davi, sem perceber que se condenava com suas próprias palavras, declarou esse rico como digno de morte e exigiu que o tal devolvesse quadruplicado aquilo que tinha tomado do pobre. Respondeu-lhe Natã: “Tu és o homem” (2Sm 12.7) e, imediatamente, Davi se deu conta do seu pecado.
Deus perdoou o pecado de Davi e lhe restaurou a alegria da salvação. Porém, conforme suas próprias palavras, sofreu quatro tragédias inevitáveis, como sentença divina contra o seu pecado: morreu o menino do adultério, Amnon, Absalão e Adonias, além do estupro de Tamar.
Após a morte do filho do adultério, Davi consolou Bate-Seba e com ela teve um filho chamado Salomão. Este o Senhor AMOU.
O pecado custa caro e exige pagamento pontual. Davi entendeu isso e muito sofreu com problemas familiares (2Sm 13-15) e nacionais (2Sm 15-20; 1Cr 20). A queda de Davi criou no seu próprio lar um ambiente instável e propício para o pecado dos seus filhos. Esses problemas refletiram na nação quando Absalão, filho de Davi, tentou usurpar o trono, com apoio de grande parte do povo. Houve uma guerra e o exercito de Absalão foi derrotado e ele mesmo foi morto ao ficar preso pela cabeça numa árvore (18.9). Davi conseguiu defender seu trono, mas confessou que preferia ser morto ao ver o assassinato do seu filho (18.33).
Lemos em 2 Samuel 22 um magnífico cântico de louvor e adoração a Deus, composto pelo rei Davi. Este cântico descreve como Deus ouve a súplica dos Seus fiéis e vem, pessoalmente, salvá-los da aflição.
2 Samuel 23 e 1 Crônicas 18 a 20 ensina duas verdades muito significativas. A primeira se encontra na conversa entre Davi e a Rocha de Israel, quando Deus Se salienta como o Líder Digno e Justo. Após, Davi apresenta um elenco de valentes guerreiros e fieis que serviram a Deus e foram poderosamente usados por Ele.
É interessante notar que aqueles mesmos homens que antes formavam um bando de rebeldes (1Sm 22.2), passaram a ter fé em Deus por causa do testemunho e exemplo do seu chefe Davi. Foram estes os “valentes de Davi”.
Já no final da sua vida, Davi mandou levanta o censo dos homens de guerra em Israel (2Sm 24; 1Cr 21-29). O desejo do coração do rei neste ato era exaltar seu próprio poder, comparando-se orgulhosamente a outros reis. Deus reagiu contra este ato de presunção da parte de Davi, mandando contra Jerusalém uma peste que matou 70.000 pessoas. Somente a oração fervorosa do próprio rei poupou a vida de muitos outros inocentes (2Sm 24.17).
Parece que o castigo e a sua cessação conduziram Israel ao arrependimento e avivamento. O povo renovou os votos de fidelidade a Deus e o desejo de construir o seu templo: “O povo se alegrou com tudo o que se fez voluntariamente; porque de coração íntegro deram eles liberalmente ao Senhor; também o rei Davi se alegrou com grande júbilo” (1Cr 29.9).


6.    O Primeiro e o Segundo Livro de Reis e o Segundo Livro de Crônicas
Quando Davi já estava velho e fisicamente enfraquecido, o seu filho Adonias tentou usurpar o trono, mas Deus já tinha escolhido Salomão como sucessor de Davi, tanto que o último ato do reinado de Davi foi o de confirmar Salomão como seu sucesso ao trono, dando-lhe uma série de instruções (1Rs 2.3; 1Cr 28.9).
Obedecendo às instruções dadas por seu pai, Salomão iniciou o reinado com muita devoção e obediência a Deus (1Rs 3.3). Por esta razão, Deus esteve ao seu lado e o engrandeceu (2Cr 1.1).
Em determinado momento, Deus apareceu em sonhos a Salomão, cedendo-lhe um privilégio todo especial: “Pede-me o que queres que eu te dê” (2Cr 1.7). Salomão pediu sabedoria para bem conduzir o povo de Israel. Tal pedido agradou a Deus, por se tratar de promover os interesses divinos e não pessoais.
Por ser Davi um homem de guerra, Deus não permitiu que ele edificasse o templo. Seu filho Salomão, porém, era um rei pacífico e dedicou os primeiros três anos do seu reinado à aquisição e transporte de materiais de construção para o templo, dando início à grandiosa construção no quarto ano de reinado (966 a.C).
Na construção, muitos artesãos habilidosos chegaram de todas as regiões do mundo então conhecido para prestarem sua colaboração ao grande empreendimento de Salomão (1Rs 5-7; 2Cr 2-4). O templo reproduzia em termos gerais o papel do tabernáculo original, mas possuía dimensões muito mais amplas e uma mobília bem mais completa, pois até os pregos eram cobertos de ouro. Esta construção demorou 7 anos, com mais de 183.000 trabalhadores envolvidos.
Uma vez edificado o templo, a Arca da Aliança foi nele colocada. Os sacerdotes levaram-na para o lugar santíssimo e saíram de costas. No mesmo instante, a Glória do Senhor desceu ali, sob a forma de nuvem e fogo, enchendo o templo (2Cr 5.13; 7.1).
Após 14 dias de adoração e louvor, o povo voltou para sua casa, cheio de alegria e fervor (2Cr 7.8-10). Foi então que Salomão, sozinho no templo, teve uma visão na qual Deus lhe advertiu, solenemente, que se o povo israelita O rejeitasse e fosse após ídolos, Ele removeria os israelitas da sua terra (2Cr 7.19-22).
Lemos em 1 Reis 11.9 que Deus se indignou com Salomão. Apesar de haver o Senhor abençoado grandemente este rei, até aparecendo-lhe em visões, Salomão começou a se afastar de Deus, multiplicando para si cavalos, esposas e riquezas, além da negligência para com a Lei do Senhor (Dt 17.16-19).
O desejo de Salomão de se enriquecer e se tornar popular estavam sobressaindo à sua comunhão com Deus. Na sua ânsia, acumulou para si 12.000 cavalos e muitos carros, aumentando o contato entre Israel e Egito, trazendo para dentro da nação eleita cada vez mais influência pagã e imoral de filosofias.
Nos dias de Salomão, era costume um rei casar sua filha com outro rei com que quisesse fazer aliança. Foi assim que Salomão ganhou tantas esposas de nacionalidades diversas. Todas estas mulheres, naturalmente, introduziram suas próprias filosofias e práticas pagãs na corte do rei. No fim da sua vida, Salomão chegou a ter 700 esposas e 300 concubinas (1Rs 11.3).
Deus não advertiu contra as riquezas como se constituísse em si um pecado, mas sim porque a cobiça de riquezas pode chegar a dominar a nossa vida, substituindo o desejo das bênçãos espirituais. Infelizmente, a obsessão do ouro levou Salomão a comprometer seus princípios morais, fazendo alianças suspeitas com nações ricas e sendo desonesto com os indivíduos com os quais se relacionava comercialmente.
O pecado fundamental de Salomão foi o de não conservar a comunhão íntima com Deus. Além de abandonar a leitura das Escrituras, ele cometeu três erros ao negligenciar sua própria vida espiritual:

1. Ele cultivava um “pecado habitual”, obedecendo a Deus em tudo, exceto aos sacrifícios nos santuários pagãos.
2. Salomão adora a Deus externamente, mas o coração estava longe do Pai.
3. Salomão não permaneceu totalmente entregue nas mãos de Deus.

Após a morte de Salomão, Roboão, seu filho e sucessor, assumiu o trono, mas foi um jovem imaturo e inexperiente que não quis aceitar os conselhos sábios proferidos pelos mais velhos. As tribos do Norte, indignadas com as ameaças de Roboão, romperam com Judá e estabeleceram seu próprio reino, tendo como rei Jeroboão. Israel, assim, passou a ser um reino divino.
Temendo que o povo pudesse ser atraído para Jerusalém (em Judá) para fins religiosos, Jeroboão criou em Israel uma religião totalmente nova. Para alimentar o entusiasmo e lealdade do seu povo, ele fez construir “santuários” com bezerros de ouro, em Dã e Betel e “consagrava a quem queria para sacerdote” (1Rs 13.33). Como resultado, oitenta anos depois, só se encontravam 7.000 crentes em Deus numa população total de 3 milhões (1Rs 19.18).
O Reino do Norte (Israel) viria a ter 19 reis, todos maus e sua trajetória espiritual seria de constante declínio até o seu povo ser levado para o cativeiro. O Reino do Sul (Judá) viria a ter 19 reis e uma rainha. Destes, oito foram bons e durante o reinado deles a nação desfrutou algumas vezes de um avivamento espiritual. Por causa destes momentos de renovação, Judá permaneceu em Canaã mais 120 anos depois do cativeiro de Israel.
Durante os primeiros 60 anos do reino dividido da nação de Israel, houve muito antagonismo entre o reino de Israel e o de Judá (2Cr 13.2; 1Rs 15.16). Como resultado das guerras, Judá foi despertado a crescer na fé, enquanto Israel continuou mais e mais na idolatria.
Abias (rei de Judá) pregava excelentes sermões, mas encontrava dificuldades em manter íntima comunhão com Deus (1Rs 15.3). Pelo poder de Deus, Abias ganhou vitórias para Judá, porém, sua vida espiritual deixava a desejar. Ele não estava totalmente entregue a Deus e, como seu pai Roboão, acabou abandonando a Lei divina.
Asa (rei de Judá), em linhas gerais, foi um rei bom. Reinou durante 41 anos. Destruiu os ídolos e santuários idólatras por todo o país e depôs sua própria avó quando esta insistiu na prática da idolatria (1Rs 15.13). A Bíblia nos diz que seu coração foi perfeito (totalmente entregue) perante o Senhor (1Rs 15.14).
Após Jeroboão, Israel foi governado por uma série de maus reis, mas o pior foi Onri (1Rs 16.25), que comprou uma colina e nela edificou a cidade de Samaria, além de deixar um péssimo exemplo para seu filho Acabe, que iria imitá-lo ao extremo. É bem provável que Onri arranjou o casamento de Acabe com Jezabel.

7.    O Período das Alianças (1Rs 17 – 2Rs 8; 2Cr 17-21)
A Bíblia diz que Acabe foi tão ruim que seus pecados superaram os de todos os reis anteriores a ele (1Rs 16.30-31). Sua vida de idolatria teve início quando ele se casou com Jezabel, filha de um sacerdote de Baal. Essa rainha fenícia levou seu esposo israelita a se converter à Baal e implantar essa heresia em Israel.
O termo Baal significa dono e se tornou o nome de muitos deuses pagãos daquela região do mundo antigo. O “baal” de Israel se chamava Moloque e era um demônio destruidor de crianças. O culto a Baal passou a superar a adoração a Jeová e, como consequência, muitos fieis ao verdadeiro Deus abandonaram o país e se refugiaram em Judá (2Cr 15.9).
Durante duas gerações, desde a divisão do reino, Israel permaneceu sem templo, sem sacerdotes verdadeiros e sem a Palavra de Deus. O paganismo estava infiltrado na adoração a Jeová e Israel não tinha condições de organizar uma forte resistência contra a campanha de Acabe e Jezabel no sentido de oficializarem o culto a Baal como religião nacional do país. Mas o próprio Deus respondeu ao desafio, através do grande profeta Elias.
No capítulo 17, cheio do Espírito Santo, Elias profere a sentença divina: “Tão certo como vive o Senhor, Deus de Israel, perante cuja face estou, nem orvalho nem chuva haverá nestes anos, segundo a minha palavra” (1Rs 17.1).
Durante os três anos da seca, Elias se refugiou numa região à leste do rio Jordão, bebendo água do rio Querite e sendo alimentado por corvos mandados por Deus (1Rs 17.4).
Vendo a necessidade de uma viúva na remota Fenícia, Deus mandou Elias à sua casa para lhe proporcionar a oportunidade de compartilhar a fé no Senhor. Quando o filho da viúva morreu, Deus lhe restaurou a vida. Algumas autoridades antigas dos judeus eram da opinião de que Jonas era o filho desta viúva.
Após três anos de seca, Deus mandou o profeta Elias ao rei Acabe com uma mensagem de desafio. Os profetas de Baal foram convocados para um encontro no Monte Carmelo para uma prova decisiva sobre quem era maior: Deus ou Baal.
O cenário foi composto por 850 profetas (450 de Baal e 400 de Aserá) contra Elias, o profeta de Jeová. Todo o povo assistia a batalha, onde o propósito era saber qual o verdadeiro Deus, através do fogo que consumiria o altar construído. Os profetas de Baal iniciaram e, ao cair da tarde, se mostraram vencidos. Elias iniciou sua demonstração de fé construindo um altar de 12 pedras, representando as tribos de Israel (1Rs 18.31). Então despejou água três vezes em cima do altar e elevou a Deus uma oração calma e breve, na qual pediu que o Senhor se manifestasse ao Seu povo. Deus respondeu logo, mandando fogo do céu, o qual consumiu o holocausto, as pedras do altar e até a copiosa água derramada ao seu redor! (1Rs 18.38).
Esse evento motivou um despertamento espiritual entre os israelitas, os quais, decididamente, mataram todos os profetas de Baal. Após, Elias orou novamente, pedindo a Deus que mandasse chuva para molhar a terra seca.
Infelizmente, o desfecho do Monte Carmelo trouxe um despertamento momentâneo. O zelo espiritual cessou e Elias foi obrigado a fugir para salvar a sua própria vida. Entrou numa fase de profundo desânimo e depressão. Mas, em meio ao seu desespero, Deus veio a ele e perguntou: “O que faz aqui Elias?” (19.9).
O profeta se queixava do fracasso e desapontamento, disposto a abandonar o ministério. Em resposta às lamúrias, Deus ordenou que Elias subisse ao alto do Monte Horebe e mandou um vento, terremoto e fogo, mas falou profundamente a Elias por meio de uma voz mansa e delicada, mostrando que havia sete mil profetas fieis a Ele e um deles era Eliseu.
Enquanto Israel se enfraquecia espiritualmente durante o reinado de Acabe, dedicando-se cada vez mais à idolatria, Judá experimentava um grande avivamento sob a liderança de Josafá, homem devoto que animava seu povo com o estudo da Palavra de Deus. A chave do sucesso desse rei foi a íntima comunhão com Deus e a obediência aos mandamentos divinos (1Rs 17.3-4).
Dentre os discípulos de Elias, Eliseu se destacou como o mais íntimo do profeta. A perseverança de Eliseu foi recompensada quando Elias lhe perguntou o que desejava dele antes da sua partida e Eliseu lhe pediu uma “Porção Dobrada” do seu espírito, lembrando o direito do filho primogênito a uma herança duas vezes maior que a dos seus irmãos (Dt 21.17). Quando Elias foi arrebatado (2Rs 2.10-11), Eliseu apanhou manto que ficara e, naquele instante, foi dotado da porção dobrada do espírito de Elias.
Em 2 Reis 2.19-25 encontramos os primeiros milagres de Eliseu, mas do capítulo 3 a 6, vemos a maneira como Eliseu comunicou a mensagem do poder de Deus a três grupos de pessoas: israelitas pecaminosos, crentes e forasteiros incrédulos.
No capítulo 3, após o exercito de Josafá ficar sem água no deserto, Eliseu mandou abrir uma série de covas, seguro de que Deus as encheria com água. O rei Josafá executou, pela fé, esta ordem e as covas foram abertas em meio ao deserto. Deus contemplou este gesto pela fé e o honrou, enchendo as covas de forma miraculosa (2Rs 3.16-17).
O capítulo 4 registra cinco milagres que foram operados em benefício de crentes necessitados, sendo:
1. O azeite da viúva é multiplicado (2Rs 4.1-7);
2. Deus abençoa a sunamita, dando-lhe um filho (2Rs 4.8-17);
3. A ressurreição do filho da sunamita (2Rs 4.18-37);
4. A morte que da panela é tirada (2Rs 4.38-41);
5. A multiplicação dos pães (2Rs 4.42-44).

Já o capítulo 5 é conhecido pelo milagre na vida do forasteiro Naamã, comandante do exército sírio. Este milagre foi duplo, pois houve a cura da lepra e também o perdão pelos pecados.
Não há, em toda a história, um acontecimento igual ao registrado em 2 Reis 6.8-23. Pela intervenção do Deus onipotente, um único homem conseguiu capturar um exercito inteiro.
Tudo iniciou quando o rei da Síria soube que suas palavras, pronunciadas no mais interior dos seus aposentos, estavam sendo declaradas por Eliseu ao rei de Israel (2Rs 6.12). Tal fato indignou tanto o rei da Síria que ele mandou todo o seu exército contra Israel para prender o “informante”.
Quando o exército sírio começou a avançar sobre Eliseu e seu servo Geazi, o profeta orou para que os soldados ficassem cegos. Deus respondeu a oração, deixando o exército inimigo à mercê do profeta que, a seguir, guiou os soldados cegos até Samaria. Isto só foi possível porque “os que estavam com Eliseu eram maiores dos que os que estavam com o inimigo” (2Rs 6.16-17).
Muitos anos depois da volta do exército sírio, o rei da Síria tentou conquistar Israel mais uma vez, atacando Samaria. Os sírios foram bem sucedidos e puseram um cerco tão fechado e prolongado na cidade que os samaritanos foram reduzidos ao canibalismo para poderem sobreviver (2Rs 7).
Eliseu profetizou que num só dia a crise seria resolvida e, naquela mesma noite, Deus fez com que os soldados inimigos ouvissem o barulho de cavalos e carros de guerra. Fugiram todos, tomados de pânico e toda cidade foi salva.
Apesar dos milagres, Israel não voltou a Deus e Ele resolveu disciplinar a nação para conservar para Si um povo santo. Uma das “varas de disciplina” utilizada por Jeová foi Hazael, general sírio. Como vaticinado por Eliseu, este oficial foi coroado rei da Síria e passou a perseguir Israel. Outro agente de disciplina divina foi Jeú, general Israelita. Quando ungido rei de Israel, Jeú passou a destruir todos os remanescentes da infame família de Acabe e dos sacerdotes de Baal (2Rs 8-9).

8.    Avivamento e Degeneração (2Rs 8.16 a 18.16; 2Cr 21 a 31)
A vida de Jeú apresenta um estranho paradoxo. Escolhido por Deus para julgar a família de Acabe e se tornar rei de Israel, ele mostrou-se obediente e muito zeloso para com a vontade do Senhor. Mas há uma nota triste em torno de sua vida: sua religião não chegou a afetar o profundo do seu ser (2Rs 10.23). Jeú destruiu uma religião falsa, o culto a Baal, mas quase inconscientemente introduziu outra: o ritualismo.
Por causa da forte prática da idolatria, Deus adotou uma solução extrema para salvar Seu povo, escolhendo Jeú para ocupar o trono de Israel e destruir a família de Acabe (2Rs 9.6). Neste golpe, só se salvou Atalia, rainha de Judá.
Contudo, a vida de Jeú estava manchada por pecados não confessados e a sua adoração ao Senhor, na prática, não passava de ritualismo. Ele se deu à adoração de imagens e à prática dos pecados postos em Israel por Jeroboão.
Jeoacaz, filho de Jeú, evidenciou uma afeição sentimental com relação ao profeta Eliseu e conhecia bastante da religião de Jeová. Mas, como seu pai, não se entregou totalmente ao Senhor, preferindo apenas o conhecimento teórico a Seu respeito (2Rs 13.14-19).
O jovem Jeoás, neto de Jeú, teve grande oportunidade de mostrar genuína fé em Deus e ser poderosamente usado por Ele. O profeta Eliseu mandou que Jeoás atirasse flechas em direção aos inimigos de Israel, mas ele atirou só três, talvez por falta de fé no valor do seu ato, no que Eliseu o repreendeu e profetizou apenas três vitórias para Israel (2Rs 13.14-25).
Durante a época de perseguição à idolatria israelita empreendida por Jeú, Acazias (rei de Judá) foi morto num massacre. Atalia, a cruel filha de Jezabel, aproveitou-se da falta de liderança em Judá para se apossar do trono e liquidar todos os legítimos herdeiros.
Todos os herdeiros foram morto, com exceção de uma criança do sexo masculino. Uma mulher devota escondeu a criança, cujo nome era Joás, num quarto do palácio e depois o levou ao templo, onde ela e seu marido, o sacerdote Joiada, criaram-no até a idade de seis anos (2Rs 11.3).
O menino Joás foi coroado com sete anos de idade, recebendo do sacerdote o livro sagrado da Lei. Então a multidão começou a dar vivas ao jovem rei. Ao ouvir tais vozes, a rainha Atalia veio correndo para ver o que estava acontecendo no templo. A multidão se virou contra ela e a matou fora do muro do santuário. Joiada convocou o povo a fazer uma aliança com Deus e destruir os ídolos de Baal ainda existentes.
Há um triste paradoxo no fato de que a vitalidade espiritual de Joás dependesse tanto do velho sacerdote Joiada. A Bíblia nos diz que “continuamente ofereceram holocaustos na casa do Senhor, todos os dias de Joiada” (2Cr 24.14). Ao morrer este devoto sacerdote, Joás se tornou vítima da péssima influência dos seus conselheiros. Não tardou muito para que o rei e todo Israel mais uma vez abandonassem os profetas de Deus (2Cr 24.19).
Após a morte de Joás, Judá foi governada por três reis medíocres: Amazias, Uzias (ou Azarias) e Jotão. A Bíblia diz que cada um destes reis “fizeram o que era reto perante o Senhor” (2Cr 25.2; 26.4; 27.2), mas acrescenta que continuavam comprometidos com o que era mau ou medíocre (2Rs 14.4; 15.4; 15.35).
Acaz foi um dos piores reis de Israel. Pecava abertamente, construindo altares a Baal por todos os recantos de Jerusalém (2Cr 28.24). Vê-se a extensão da sua imoralidade no ato dele sacrificar alguns dos próprios filhos ao deus Moloque.
Por causa da maldade de Acaz, Deus entregou seu reino nas mãos da Síria e de Israel para que fosse devidamente castigado (2Cr 28.5) e os estragos foram consideráveis: 120.000 mortos e feridos e 200.000 prisioneiros.
Em vez de confiar em Deus, Acaz buscou proteção na Assíria, oferecendo dinheiro ao rei assírio se este atacasse Israel e Síria. Tal vingança não foi uma solução, pois o rei Tiglate-Pileser da Assíria se virou logo contra o próprio Judá.
Quando as tribos do Norte ou Israel recaíram na idolatria, Deus o desterrou do seu país. Os dois pecados principais de Israel foram a adoração a ídolos e a rejeição dos profetas de Deus.
A Bíblia nos diz que todas as tribos, com exceção de Judá (com Benjamim), foram levadas para o cativeiro (2Rs 17.18). Só ficaram no país umas poucas pessoas consideradas inferiores e sem importância (os escravos).

9.    Declínio e queda de Judá (2Rs 18-25; 2Cr 29.36)
Após o cativeiro das dez tribos do Norte (722 a.C.) pela Assíria, Judá permaneceu como reino único por mais de 100 anos. Havendo se arrependido dos seus pecados durante o avivamento do rei Ezequias, Judá escapou do juízo divino já executado sobre Israel anos antes.
Os dois grandes impérios que mais influíram na vida política de Judá foram o da Assíria e o da Babilônia. A Assíria conquistou Israel, mas fugiu de diante de Judá, quando o anjo do Senhor eliminou 185.000 dos seus soldados numa só noite. Um século depois, Babilônia derrotou a Assíria e se apoderou de Judá.
O avivamento que se deu em Judá antes do cativeiro babilônico, aconteceu quatro anos antes do cerco assírio a Samaria, passo inicial do cativeiro de Israel. O rei Ezequias sentia tanto desejo de apagar a culpa dos pecados introduzidos na nação por seu pai Acaz, que iniciou um avivamento espiritual em toda a nação no primeiro mês do seu reinado.
Ezequias foi um servo consagrado ao Senhor, mas mesmo assim enfrentou as crises de um cerco militar, bem como uma doença fatal. Sofrendo grande enfermidade, Ezequias orou a Deus, pedindo cura. Em resposta, o Senhor lhe concedeu mais 15 anos de vida e saúde. Como sinal da graça divina manifesta na cura do rei, “o profeta Isaias clamou ao Senhor; e fez retroceder dez graus a sombra lançada pelo sol declinante no relógio de Acaz” (2Rs 20.11). Este sinal físico demonstrou que Deus literalmente fizera retroceder as horas (e anos) da vida de Ezequias que estavam chegando ao fim.
Após a morte de Ezequias, seu filho Manassés reina e foi chamado “o pior dos idólatras dos hebreus”. Apesar de ter sido criado num lar devotado a Deus, ele rejeitou a fé de seu pai e influenciou Judá no sentido de apostatar da sua fé em Deus (2Cr 33.9). Porém o detalhe mais importante da vida de Manassés é que, após uma vida na prática dos mais vis pecados, ele mesmo, estando no cativeiro, arrependeu-se e recebeu o perdão do Senhor.
Mesmo arrependido e perdoado, o mau exemplo de Manassés ficou para os filhos e, após sua morte, seu filho Amom reinou por dois anos antes de ser assassinado e, durante este tempo, tentou cometer todos os pecados do pai.
Já Josias foi um dos reis mais justos e devotados a Deus, registrados no Antigo Testamento. Sem dúvida, o assassinato de seu pai Amom e o arrependimento do seu avô Manassés influíram no seu pensamento, pois Josias amava a Deus e odiava o pecado. Ele foi coroado rei aos oito anos de idade e, desde o início do seu reinado, buscou a face do Senhor. Aos 20 anos de idade, liderou uma reforma religiosa nacional e, aos 26, iniciou a reforma do templo.
Josias iniciou sua reforma religiosa destruindo os mais notórios focos de idolatria em Judá, reconstruindo o templo de Deus. Durante as obras de restauração no santuário, foi achado o “Livro da Lei” (2Cr 34.15), que era, sem dúvida, um exemplar do Pentateuco de Moisés.
Ao ouvir as palavras deste livro, Josias se deu conta do padrão de santidade divina e de como Judá tinha fracassado neste particular. Josias chorou seus pecados e os da nação inteira e se humilhou perante Deus. Como resultado deste ato, houve uma reforma geral em Judá e aquele reino obteve uma moratória do castigo divino durante mais de uma geração (2Rs 22.19-20).
Após a morte de Josias, seus três filhos e um neto governaram o país, sendo eles os últimos reis de Judá. Cada um destes reis contribuiu para que a situação espiritual nacional se degradasse e todos foram levados cativos pelo rei estrangeiro. O cativeiro babilônico se deu em três levas:

1.      Em 606 a.C. foram levados os nobres e, entre eles, estavam Daniel, Misael, Ananias e Azarias.
2.      Em 597 a.C. todos os homens foram levados, inclusive o profeta Ezequiel.
3.      Em 586 a.C. todos os judeus (exceto pobres e deficientes) foram levados e o templo foi destruído e a cidade queimada.

10.  O regresso do cativeiro (Livros de Esdras e Ester)
O período do cativeiro foi uma época necessária para a purificação espiritual do povo judeu. Hananias, um falso profeta, disse para o povo ficar despreocupado, pois Deus os tiraria dali em alguns dias, mas Jeremias mandou uma carta ao povo Judeu, cativo na Babilônia, aconselhando-os a pensar em residência permanente, construir casas, criar suas famílias e plantar hortas e roças, pois iriam permanecer no exílio durante 70 anos (Jr 29.1-23).
Deus fez Seu povo prosperar, ainda que estando no exílio. Os judeus chegaram ao cativeiro na qualidade de escravos, mas aos poucos foram se tornando importantes e prósperos comerciantes. A História nos diz que os cativos passaram a desenvolver também as profissões de ourives e perfumistas (Ne 3.8). Alguns dos judeus vieram a ocupar altas posições governamentais: Daniel e Mordecai (ou Mardoqueu) foram nomeados primeiros-ministros. Ester chegou a ser rainha. Neemias tornou-se ministro particular do rei.
O cativeiro deu início também a várias inovações de ordem religiosa. Nesse período nasceu a sinagoga, como substituta do templo destruído. As Sagradas Escrituras ganharam relevo na vida dos cativos e surgiu a profissão de “escriba”, homens cuja responsabilidade era a de copiarem e interpretarem a Palavra de Deus. E a idolatria foi, definitivamente, abolida entre os judeus, até os dias atuais.
É difícil compreender a história bíblica daquela época sem um conhecimento fundamental da política internacional daquele período. As três grandes potências mundiais que influíram na história do povo de Deus antes, durante e depois do cativeiro foram: Assíria, Babilônia e Média-Pérsia.
Os medos e os persas conquistaram Babilônia e o rei Dario compartilhava seu poder com outro rei ainda mais poderoso, de nome Ciro: Juntos, governavam o Império Medo-Persa.
A história secular dos judeus afirma que, ao ler as profecias de Isaías, escritas 150 anos antes do seu reinado, Ciro ficou tão perplexo ao ver seu próprio nome ali escrito, que quis cumprir aquela profecia, mandando de volta à Palestina um grupo remanescentes de exilados, mas apenas 50.000 judeus responderam afirmativamente ao decreto de Ciro, pois muitos não queriam deixar o conforto adquirido na Babilônia (Ed 1).
O capítulo 2 do Livro de Esdras contém uma interessante lista dos que regressaram a Jerusalém. Notamos, nos últimos 6 versículos deste capítulo, que os que voltaram, apesar de bastante pobres, mostravam-se generosos com relação à obra do Senhor.
O capítulo 3 mostra o início da construção do templo e, antes de qualquer outra coisa, os judeus regressos quiseram construir um altar para Deus.
No capítulo 4, observamos que a construção do templo foi interrompida. Durante os 70 anos do cativeiro, os samaritanos e outros grupos vizinhos tinham ocupado a terra de Israel. Evidentemente, eles não ficaram satisfeitos com o retorno dos judeus para suas terras.
Desde o início, estes inimigos tentaram sabotar o projeto de construção, fingindo-se fiéis à mesma causa. Depois, escreveram uma carta mentirosa ao rei persa, acusando os judeus de estarem construindo uma fortaleza em vez de um templo. Por causa desta carta mentirosa, a reconstrução do templo foi interrompida durante 16 anos. Mas, apesar dessa demora, Deus continuou demonstrando que controlava a situação. Por fim, o templo foi concluído.
No livro de Esdras há um intervalo histórico de 60 anos entre os capítulos 6 e 7. Esdras, que chegou a Judá no ano de 457 a.C., foi contemporâneo de Neemias, o qual retornou 12 anos depois dele.
Muitos judeus elevam Esdras à altura de Moisés, que deu ao povo a Lei de Deus, enquanto Esdras restabeleceu entre os judeus a primazia dessa Lei divina. Esdras dedicou sua vida ao estudo das Sagradas Escrituras, sendo descrito como o “escriba versado” (Ed 7.6).
O capítulo 8 do Livro de Esdras enumera o nome de 1.754 homens que voltaram do cativeiro com o escriba. É provável que estes homens viessem acompanhados de 4.000 mulheres e crianças. Durante a travessia do deserto, de volta do cativeiro, Esdras e os judeus corriam o perigo de enfrentar ataques de inimigos. Esdras, porém, confessou que tinha vergonha de pedir proteção militar, preferindo confiar plenamente em Deus, seu divino protetor (Ed 8.22-23). Esta confiança da parte de Esdras foi justificada, pois a mão de Deus conduziu o grupo de exilados em paz até a terra de Judá (Ed 8.23).
Dentro da reforma religiosa do capítulo 10 do Livro de Esdras, há uma sequencia de procedimentos feitos pelos homens no reconhecimento e arrependimento do seu pecado que continua válida para todos nós:

a.     ... Nós temos transgredido contra o nosso Deus... (Ed 10.2)
b.     ... Mas... Ainda há esperança... (Ed 10.2)
c.     Agora, pois, façamos aliança com o nosso Deus... (10.3)
d.     Levanta-te, pois esta coisa é de tua incumbência... Sê forte e age (10.4)

Os acontecimentos descritos no livro de Ester aconteceram quando o povo de Israel era cativo na Babilônia. O local da história é Susã, a cidade onde o Rei da Pérsia e Média, o Rei Assuero, vivia. Este Rei após mandar embora sua primeira esposa, a rainha Vasti, estava buscando uma nova esposa para se tornar rainha.
Nesse intuito organizaram uma competição onde mulheres de todo o reino foram convidadas a vir até Susã com o propósito de que uma delas preenchesse o lugar vazio da rainha. (Et 2.1-4). No meio dessas mulheres estava também Ester, uma jovem hebreia que foi criada por Mardoqueu, um dos cativos que foram trazidos de Jerusalém por Nabucodonosor (Et 2.5-7).
Após obter a graça de “Hegai, guarda das mulheres" (Ester 2:9), "de todos que a viram" (Et 2.15) e do próprio rei (Et 2.17), Ester se tornou a nova rainha. Contudo, conforme a ordem dada por Mardoqueu, sua nacionalidade não foi revelada.
O capítulo 3.5-6 do Livro de Ester mostra-nos um problema: Hamã, o homem a quem o rei tinha exaltado “sobre todos os príncipes que estavam com ele” estava cheio de fúria por Mardoqueu, porque ele se recusou a curvar-se perante ele. Por esta razão ele queria destruir toda a nação de Mardoqueu, ou seja, os judeus.
Mardoqueu não se curvava diante de Hamã por duas razões. A primeira é que ele reconhecia que toda a devoção e adoração deveriam ser entregue a Deus e, segundo, porque Hamã era do reino de Agag e um amalequita. Os amalequitas lutaram contra Israel quando estes estavam a caminho da terra prometida (Êx 17) e foram chamados de INIMIGOS DE DEUS. 
Após Hamã decidir destruir todos os judeus, ele precisava estabelecer uma data para isto para obter a permissão do rei. Ester 3 nos fala que ele fixou uma data no décimo terceiro dia do décimo segundo mês e que, após afirmar que os judeus não cumpriam as leis do rei por já terem a Lei de Deus e subornar Assuero, Hamã obteve a aprovação de seus planos (Et 3.8-10).
A ordem em relação à destruição dos judeus foi escrita sob a custódia do próprio Hamã e enviada a todas as províncias, causando grande lamentação entre todos os judeus (Et 3.12-15, 4.3). O próprio Mardoqueu estava tão triste que "rasgou as suas vestes, e vestiu-se de saco e de cinza, e saiu pelo meio da cidade com grande e amargo clamor" (Et 4.1).
Ester, que ainda não sabia sobre o decreto, ficou muito triste quando soube que Mardoqueu, seu pai adotivo, estava muito amargurado e enviou um dos seus servos até ele para descobrir qual o motivo (Et 4.4-6). Por meio deste servo, Mardoqueu a fez saber tudo o que tinha acontecido, pedindo-lhe também para ir ao rei e rogar por seu povo (Et 4.7-9).

"Então disse Ester que tornassem a dizer a Mardoqueu: Vai, ajunta a todos os judeus que se acharem em Susã, e jejuai por mim, e não comais nem bebais por três dias, nem de dia nem de noite, e eu e as minhas servas também assim jejuaremos. E assim irei ter com o rei, ainda que não seja segundo a lei; e se perecer, pereci. Então Mardoqueu foi, e fez conforme a tudo quanto Ester lhe ordenou.” (Et 4.15-17).

No terceiro dia Ester finalmente foi ter com o rei. Conforme Ester 4.11, ela poderia ter sido morta ao ir lá sem ser convidada, exceto se o rei estendesse seu cetro de ouro para ela.

"E sucedeu que, vendo o rei a rainha Ester, que estava no pátio, alcançou graça aos seus olhos; e o rei estendeu para Ester o cetro de ouro, que tinha na sua mão, e Ester chegou, e tocou a ponta do cetro." (Et 5.2).
Nesta visita ao rei, Ester convidou-lhe e a Hamã para um banquete que ela havia preparado para eles aquela tarde. Quando eles foram, outro banquete foi arranjado para a próxima tarde (Et 5.3-8). O convite da rainha para outro banquete no dia seguinte causou muito alegria em Hamã (Et 5.9) uma vez que foi uma grande honra festejar com a realeza. Contudo, sua alegria tornar-se-ia em ira ao ver Mardoqueu à entrada do palácio, “e que ele não se levantara nem se movera diante dele" (Et 5.9).
Quando ele retornou para casa, apesar da alegria por ter sido convidado pela rainha, ele confessou à sua esposa e seus amigos sua ira por Mardoqueu. Sua esposa o aconselhou a fazer uma forca e nela eliminar seu inimigo, o que pareceu bem à Hamã.
Enquanto a forca esta sendo feita, o rei, no palácio, padecia de insônia. Para aliviar as horas da noite passada em claro, ele se deu ao labor de ler as crônicas do seu reinado. Enquanto fazia isso, deparou com o relato da atitude de Mardoqueu ao descobrir a conspiração contra a vida do rei. Dando-se conta de que o gesto generoso nunca lhe fora galardoado, o rei pediu que algum conselheiro lhe falasse a esse respeito. Nesse exato momento, Hamã entrou no palácio (para outros fins) e foi chamado à presença do rei.
Assuero perguntou o que se deveria fazer para honrar certa pessoa e Hamã, naturalmente, pensou que fosse ele mesmo. Por isso, recomendou que tal pessoa fosse levada para passear a cavalo pela cidade de Susã, conduzida por algum oficial da corte que apregoasse os seus feitos para todo o público ouvir. Ignorava-o que acabava de recomendar a elevação do seu inimigo Mardoqueu (6.11).
Após conduzir Mardoqueu pelas ruas de Susã durante um dia inteiro, ao chegar em casa, Hamã recebeu os mensageiros do rei para levá-lo ao palácio para o segundo banquete de Ester (Et 7), onde o rei rogou a rainha que lhe revelasse o conteúdo do pedido, que a levara a fazer os banquetes.
Ouvindo a acusação de que Hamã mataria Ester e todos os judeus, o rei ficou furioso e saiu ao jardim para passear e pensar por um instante. Ao voltar a sala do banquete, viu Hamã caído sobre o divã da rainha e, diante da cena incriminante, mandou matar o seu primeiro ministro (7.8). Um dos servos lembrou ao rei a existência de uma nova forca e ali Hamã foi enforcado no dia seguinte.
A lei medo-persa não permitia a anulação de decretos reais já baixados. Por isso o ataque decretado aconteceria, todavia, o rei emitiu um segundo decreto, afirmando que os judeus podiam se reunir e portar armas em defesa própria. A radical mudança operada nos eventos sucessivos teve um importante impacto evangelístico, convertendo-se muitos pagãos medos-persas à fé judaica (8.17).
No dia do ataque tão temido, Deus trouxe uma grande vitória para os judeus. Emitiu-se outro decreto dando aos judeus o direito de festejarem anualmente, desde aquela data, a vitória ganha; o festival iria se chamar “Purim”, em comemoração aos dados usados por Hamã, fixando a data do suposto massacre e até hoje esta festa é comemorada pelos judeus do mundo inteiro.

11. O período da restauração (Neemias)
O livro de Neemias é uma das mais impressionantes histórias bíblicas da determinação de um homem em cumprir uma tarefa importante. É o último livro histórico do Antigo Testamento e descreve o trabalho de Neemias em motivar o povo em Jerusalém a reconstruir as muralhas que protegiam a cidade contra invasões de inimigos.
O livro mostra, também, a preocupação de Neemias em proteger o povo contra outra ameaça ainda maior, pois agiu para eliminar do meio dos judeus as más influências que os corrompiam.
Para entender o trabalho de Neemias, é preciso se lembrar do contexto histórico do seu trabalho. Mais de 90 anos antes do início desta história, o rei da Pérsia autorizou que Zorobabel levasse quase 50.000 judeus de volta para Jerusalém. Zorobabel e os profetas Ageu e Zacarias motivaram o povo a edificar o templo em Jerusalém. 80 anos depois da volta de Zorobabel, Esdras conduziu um grupo bem menor que retornou a Jerusalém com dois objetivos principais: ajudar no acabamento do templo e ensinar o povo e ser fiel ao Senhor.
Menos de 15 anos depois da volta de Esdras, Neemias estava trabalhando como copeiro do rei persa Artaxerxes I, quando recebeu a visita do seu irmão e mais alguns judeus. Eles falaram da situação precária da cidade de Jerusalém e da falta de segurança devido às condições péssimas das muralhas da cidade, destruídas 140 anos antes pelas forças babilônicas.
Neemias ficou angustiado com o relatório sobre Jerusalém e passou dias em jejum e oração antes de pedir ao rei a permissão para voltar e reedificar a cidade. Com a autorização de Artaxerxes, Neemias voltou e organizou o trabalho dos judeus para construir os muros.
Com a determinação de Neemias incentivando e supervisionando o trabalho, o que não haviam feito em mais de 90 anos foi feito em menos de dois meses.
Os capítulos 1 e 2 falam da decisão de Neemias e sua volta para Jerusalém, onde avaliou a situação antes de falar com o povo sobre os planos para reedificar as muralhas.
O capítulo 3 descreve a cooperação dos cidadãos no trabalho, mostrando a organização dos trabalhadores por Neemias.
Os capítulos 4 a 6 mostram como Neemias, com fé em Deus, superou uma série de desafios para completar a obra. Ele enfrentou ameaças de inimigos externos e conflitos entre os próprios judeus para completar a obra em 52 dias.
O capítulo 7 registra os nomes das famílias que voltaram 90 anos antes de Neemias. Enquanto que os capítulos 8 a 10 relatam o trabalho de restauração espiritual, sob a liderança de Esdras, o escriba e o próprio Neemias. A ênfase está no compromisso dos judeus em ser um povo santificado e separado das práticas e influências de povos que não serviam ao Senhor.
Os capítulos 11 e 12 falam sobre a população de Jerusalém e outras cidades de Judá e sobre a dedicação dos muros da cidade.
Por fim, o capítulo 13 ilustra as dificuldades práticas de se tornar um povo santo, falando das atitudes necessárias para corrigir abusos. Neemias tomou medidas para eliminar o comércio no sábado (o dia de descanso semanal na Lei de Moisés) e para purificar o povo da influência de casamentos condenados pela mesma Lei.
Neemias oferece um excelente exemplo de como confiar em Deus e, ao mesmo tempo, cumprir a responsabilidade dada ao homem.

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