quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

DANIEL E APOCALIPSE



1.    Introdução
Daniel e Apocalipse se completam e não se aconselha estudar um sem o outro. O estudo destes dois livros é fundamental para nós, cristãos fieis, que esperamos a volta de Cristo, a considerar que estamos nos “tempos do fim”.
Daniel ocupa-se principalmente dos tempos dos gentios, expressão de conotação política em âmbito mundial, referindo-se ao tempo em que os gentios têm supremacia sobre Israel, o que começou com o exílio babilônico dos judeus, iniciado em 606 a.C. Mas o alcance da expressão vai além disso: ela aponta para o dia da supremacia final da nação israelita durante o reino milenar de Cristo.
Já Apocalipse salienta a plenitude dos gentios, com conotação espiritual profética, ao destacar a primazia celestial da Igreja triunfando sobre o mal e, por fim, reinando com seu divino Esposo. O termo refere-se à Igreja do Senhor, com ênfase no total dos redimidos dentre os gentios, principalmente. Isso decorre da pregação do Evangelho na presente dispensação da Igreja.

2.    O Livro de Daniel: Tempos dos Gentios
A Babilônia foi uma monarquia que surgiu em 1728 a.C., sob o reinado de Hamurabi e foi arruinada em 1513 a.C., pelos hititas e assírios. Em 614 a.C., Babilônia renasce com Nabopolasar e, em 606 a.C., seu filho Nabucodonozor assume o reinado, se tornando o principal soberano após Hamurabi e transforma Babilônia na rainha da Ásia. Esta Babilônia destrói Jerusalém com 3 levas nos anos 606, 598 e 587 a.C.
Na 1ª Leva, foram levados os jovens mais sábios, fortes e entendidos, pertencentes à linhagem real. Na 2ª Leva, todo o povo restante foi levado, com exceção dos pobres e deficientes. Muitos foram mortos a espada e outros fugiram. Na 3º e última leva, o templo de Salomão foi saqueado e destruído, bem como os muros de Jerusalém. Foi ateado fogo em tudo e nada restou.
Daniel foi levado para a Babilônia como cativo, na primeira das três levas de exilados de Judá, em 606 a.C., quando tinha entre 14 e 16 anos de idade. Viveu no palácio de Nabucodonosor, como estudante, estadista e profeta de Deus. Chegou até o Império Persa sob Ciro em 536 a.C. Prestou cerca de setenta e dois anos de abnegados serviços a Deus e ao próximo!
O livro de Daniel é dividido em 2 partes distintas, a saber: Divisão Histórica (caps. 1 a 6) e Divisão Profética (caps. 7 a 12).
Seu tema é claramente apresentado e afirma: “Deus Revela o Profundo e o Escondido, e Governa os Reinos dos Homens” (2.22; 4.25).
O estudo do capítulo 1 de Daniel nos permite ver como o Diabo ataca a mocidade cristã, direta e indiretamente, buscando destruir a sua fé em Deus. Caso consiga isso, é muito provável que destrua tudo o mais na vida do jovem.
Estando na corte pagã, Daniel, Hananias, Misael e Azarias tiveram seus nomes mudados, com o propósito de que esquecessem e renunciassem a seu Deus, sua pátria e sua religião. Passaram a se chamar: Belessazar, Sadraque, Mesaque e Abede-Nego. Todavia, mesmo em um ambiente perverso, resolveu Daniel, firmemente, não se contaminar (Dn 1.8).
Para agradar a Deus e preservar a sua fé, Daniel não se cansou de pedir e de se expor. Para o funcionário da corte, solicitou um cardápio separado. A receita bíblica para ter uma face bonita é a de uma boa dieta e fé em Deus. O Pai Celeste, que reconhece e recompensa a fidelidade, deu a esses jovens, conhecimento e inteligência, além de privilegiados dons sobrenaturais em toda matéria de sabedoria (1.20).
O capítulo 2 de Daniel apresenta uma matéria tão importante que se repete, de forma diferente, no capítulo 7. Um ano após a ida de Daniel para Babilônia, Nabucodonosor teve um sonho e perdeu o sono. Mas, o que o rei não esperava é que o sonho foi esquecido e isto muito o incomodava. Seus ocultistas mostravam-se impotentes para revelar o ocorrido ao rei.
Para demonstrar o poder de Deus, Daniel, através da oração ao lado dos seus amigos, se apresentou ao rei, lembrando e interpretando o sonho profético.
O último reino mundial (2.44-45) é proveniente do céu e será implantado sem intervenção humana. O versículo 34 diz: “... uma pedra foi cortada sem auxilio de mãos...”. Essa pedra é Cristo que foi gerado pelo Espírito Santo, portanto, sem intervenção humana. O versículo 45 diz que a pedra bateu violentamente nos pés da estátua e esmiuçou-a. O mundo não findará convertido pela pregação do Evangelho, e sim destruído com violência sobrenatural à vinda de Jesus.
O resultado deste episódio do capítulo 2, fez com que Daniel se tornasse governador da província de Babilônia e chefe supremo dos sábios. Poucos homens deste mundo tiveram honra semelhante à de Daniel. Todavia, o mesmo permaneceu humilde e não se esqueceu dos amigos, providenciando a ascensão deles também (2.48-49).
No capítulo 3 do Livro de Daniel, temos a história da colossal estátua de ouro feita por Nabucodonosor para ser adorada e também uma das consequências disso: a história dos três jovens crentes jogados na fornalha de fogo ardente.
A ordem era clara: ao som da banda musical, todos se prostrariam diante à estatua, em sinal de adoração. Todavia, os três jovens não cumpriram a ordenança e, no mesmo instante, foram denunciados.
Em sua ira, Nabucodonosor ordenou que a fornalha fosse aquecida em demasia para que os jovens hebreus fossem ali lançados. O resultado é que Deus aproveitou toda aquela gente reunida para honrar e salvar os Seus da fornalha.
Salvos NA fornalha, não DA fornalha (3.26). Deus não nos promete livrar sempre da angústia, mas estará conosco nela, se tivermos que atravessá-la (Sl 91.15). Salvos NA fornalha foi um milagre maior do que salvos DA fornalha. É o caso de Lázaro. O milagre da sua ressurreição foi maior do que o da sua cura (Jo 11.44).
Daniel 3.29 registra um decreto raro: o rei pagão declara que blasfêmia contra Deus e falar mal de Deus seria um crime!
No capítulo 4 Nabucodonosor tem outro sonho e manda chamar seus sábios, mas eles não souberam interpretá-lo. Então o rei chama Daniel e lhe conta o sonho, onde viu uma enorme árvore no meio da terra. A árvore crescia e se fortalecia até o céu, sendo vista em toda a terra com folhagem formosa e muito fruto, de maneira que todas as espécies se abrigavam e alimentavam dela. Mas veio um anjo do céu clamando e ordenou que a árvore fosse derrubada, mas o toco da árvore deveria ser acorrentado à terra.
Este sonho se referia ao rei Nabucodonosor, pois o seu coração seria trocado por um coração como de animal e sete tempos se passariam sobre ele. Daniel exorta ao rei, dizendo: “Portanto, ó rei, aceita o meu conselho e põe termo, pela justiça, em teus pecados e em tuas iniquidades, usando de misericórdia para com os pobres; e talvez se prolongue a tua tranquilidade” (Dn 4.27).
O sonho se cumpre e Nabucodonosor foi transformado, se comportando como um animal que comia capim nos jardins da Babilônia (4.33). Passado o tempo determinado, o rei se levanta e louva a Deus, então o trono lhe foi restituído (4.34-35). Nabucodonosor reconhece a Deus: “Agora, pois, eu, Nabucodonosor, louvo, exalto e glorifico ao Rei do céu, porque todas as suas obras são verdadeiras, e os seus caminhos, justos, e pode humilhar aos que andam na soberba” (4.36).
O capítulo 5 do Livro de Daniel deve ser estudado à luz de Isaías 21.1-9, onde temos a profecia da queda da Babilônia, proferida cerca de 150 anos antes. É assombroso o poder exclusivo de Deus de predizer o futuro, como no caso de Ciro, o conquistador da Babilônia, onde Deus, através do Seu profeta Isaías, chamou-o pelo nome antes do seu nascimento (Is 44.28).
O rei Belsazar estava fazendo uma festa ímpia, envolta por muito vinho, profanação dos vasos sagrados trazidos da casa de Deus quando da queda de Jerusalém, orgia da elite da corte com mulheres ímpias, falsos deuses e música pagã. Deus, pela iniquidade da Babilônia, mostra seu juízo repentino e a mão do Todo Poderoso escreve as palavras mene, tequel e parsim.
No versículo 11, é feita uma referência ao profeta Daniel, agora com mais de 80 anos de idade, para interpretar as palavras escritas pelo dedo de Deus. Pelo Espírito de Deus, Daniel deu a exata interpretação das palavras:

a.     Mene (v.26): Contou Deus o teu reino e deu cabo dele, isto é, Deus contou o número de dias do reino da Babilônia e o destruiu.
b.     Tequel (v.27): Pesado fostes na balança e achado em falta. Diante da justiça divina, Babilônia não teve qualquer peso de retidão, de virtudes e qualidades agradáveis a Deus.
c.     Peres (v.28): Na escritura da parede apareceu o plural “parsim”, mas, na interpretação, Daniel usou o singular “peres”. Concernente ao Império Babilônico, significa “dividido”. Dividido foi o teu reino e dado aos medos e aos persas.

Literalmente, as palavras MENE, TEQUEL e PERES isoladas significam: CONTADO, PESADO e DIVIDIDO. Os medos e os persas formaram uma coalizão para derrotar Babilônia. Os comandantes eram Dario e Ciro. Babilônia possuía gigantescas muralhas, cercadas por canais alimentados pelo rio Eufrates. Os homens de Ciro desviaram o curso do rio, baixando o nível da água e invadindo Babilônia.
O capítulo 6 de Daniel trata sobre a Pérsia, império mundial de então. Dario governou Babilônia enquanto Ciro completava suas conquistas no Norte e no Oeste, por cerca de dois anos. De fato, Daniel 9.1 afirma que ele foi “constituído rei” sobre os caldeus. Dario foi, na realidade, um vice-rei.
O versículo 14 evidencia que Dario não podia alterar a lei, ao passo que Ciro, logo que assumiu o trono, libertou os hebreus do cativeiro e acabou com o regime de escravidão de outros povos, instaurado por Nabucodonosor.
Daniel era um dos presidentes e um homem de espírito excelente, o que causava inveja nos companheiros de cargo de Daniel. Mal intencionados, fizeram um decreto, no qual o rei seria deus por trinta dias e ninguém poderia orar ou adorar a outra divindade neste período. Movido por orgulho e vaidade, o rei assinou o decreto que, na verdade, era uma sentença de morte ao profeta, pois ele orava ao Deus de Israel três vezes ao dia.
Com o decreto, Daniel não deixou de orar a Deus e, com pesar no coração de Dario e alegria dos invejosos, Daniel foi lançado na cova dos leões, mas pela fé em Deus, ele sobreviveu por a boca dos leões foi fechada miraculosamente.
Pela manhã, o rei, que não havia dormido naquela noite, foi até a cova e, ao saber que Daniel estava vivo, mandou que o tirasse e, no mesmo momento, lançou os acusadores do profeta, que morreram devorados (6.24).
O capítulo 6 termina com o decreto de Dario: Da minha parte é feito um decreto, pelo qual em todo o domínio do meu reino os homens tremam e temam perante o Deus de Daniel; porque ele é o Deus vivo e que permanece para sempre, e o seu reino não se pode destruir, e o seu domínio durará até o fim.
Ele salva, livra, e opera sinais e maravilhas no céu e na terra; ele salvou e livrou Daniel do poder dos leões (6.26-27).
O capítulo 7 é continuação do capítulo 2. Nele são apresentados os mesmos impérios representados pela estatua, porém, agora, por animais simbólicos, por um sonho de Daniel. O versículo 2 faz entender que o mar estava agitado, representando às nações inquietas. É uma característica do que está acontecendo: crises cada vez maiores.
Após, sobe do mar 4 animais: Leão, Urso, Leopardo e um Animal Aterrorizante. O leão corresponde à cabeça de outro da estátua do capítulo 2, isto é, a Babilônia (7.4). O urso corresponde ao peito e braços de prata. Representa a Medo-Pérsia que se levanta com 3 costelas na boca (7.5). As 3 costelas representam a conquista de Babilônia, Lídia e Egito, como descreve a história secular. O Leopardo corresponde ao ventre de bronze do capítulo 2, que é a Grécia. (7.6). Tinha 4 cabeças, representando a divisão do Império, após a morte de Alexandre, a saber: Egito, Macedônia, Síria e Ásia Menor. O 4º Animal corresponde ao Império Romano (pernas e pés da estátua) (7.7) e o chifre pequeno (7.8) ao futuro Anticristo.
O versículo 25 fala sobre a Grande Tribulação, na qual os últimos 3 ½ anos serão os piores anos do juízo. É citado como “um tempo, dois tempos e metade de um tempo”, que valem 42 meses, conforme Apocalipse 11.2 e 13.5.
O capítulo oito precede o capítulo cinco na ordem cronológica, portanto o povo continuava exilado na Babilônia (8.1).
O carneiro e seus 2 chifres descrito nos versículos 3 e 4, refere-se a união dos impérios Medo e Pérsia. Ela é representada em Daniel 7.5 por um urso. Os dois chifres falam da dualidade do império: Média e Pérsia.
Mas havia um chifre mais alto! Em 550 a.C., Ciro, rei persa, rebelou-se contra os medos e tornou-se o mandante desses dois reinos. Foi este mesmo Ciro que, em 537 a.C., escreveu o Cilindro de Ciro, autorizando o povo judeu voltar para a Palestina, profetizado por Isaías anos antes (Is 44.28).
O bode peludo é o rei da Grécia (8.5-8). Em Daniel 7.6 é representado por um leopardo. O chifre notável do bode é Alexandre, o Grande. Nos versículos 6 e 7, é descrito sobre a arremetida furiosa e irresistível dos exércitos de Alexandre. Em doze anos de reinado, tinha o mundo a seus pés. Morreu em 323 a.C., aos 33 anos de idade. No versículo 8 vemos a profecia da divisão do império de Alexandre, após sua morte, entre 4 de seus generais.
No versículo 9, há o “pequeno chifre”, que é o famoso Antíoco Epifânio, considerado o Anticristo do Antigo testamento, pois perseguiu e afligiu o povo judeu no século II a.C., durante o chamado período interbíblico, compreendendo de Malaquias a Mateus, durando cerca de 400 anos.
O cenário histórico do capítulo nove é o primeiro ano de Dario (v.1), sendo após o 5.31. Daniel estava estudando quando entendeu que os anos do cativeiro seriam setenta, conforme profetizado Jeremias (Jr 25.11-12).
Após entender sobre o cativeiro, Daniel começa a orar a Deus (9.3-19) e, nesta oração, é que ele confessa os pecados da nação como se fossem seus, se identificando com o povo. Antes de terminar, o anjo Gabriel veio voando (9.20-21), na hora do sacrifício do pôr do sol, instruí-los sobre as setentas semanas.


O capítulo 10 de Daniel faz parte das últimas visões que Deus deu ao profeta, cobrindo os capítulos 10, 11 e 12. Isto ocorreu dois anos após o retorno dos judeus à Palestina (10.1). Estes três capítulos finais de Daniel revelam a culminância da crescente experiência espiritual do profeta, a qual é para todos nós um chamamento para uma vida profunda com Deus.
Neste capítulo, o profeta Daniel tem uma visão do próprio Filho de Deus na Sua pré-encarnação.
A razão do seu lamento acompanhado de Jejum é explicado pela data mencionada no versículo 1: “3º ano de Ciro”.  Foi neste período que a obra de reconstrução do templo fora embargada (Ed 1-3; 4.4,5).
Nos versículos 5 e 6 temos um caso de teofania, onde o ser referido é o mesmo que ordenou a Gabriel que explicasse a Daniel a visão do capítulo 8.
O príncipe do reino da Pérsia, mencionado no versículo 13, não era de origem terrena. Tratava-se de um anjo diabólico tão poderoso, que a vitória só foi decidida quando Miguel, o arcanjo, entrou em ação.
Houve conflito no ar entre anjos bons e maus. Assim como Deus tem anjos que protegem as nações, Satanás também tem os seus, operando nelas.
Por trás de muitos atos e práticas humanas, estão os agentes de Satanás, trabalhando enganosamente, como é o caso das falsas religiões e governos ímpios. Além disso, em I Coríntios 10.19-20, a Bíblia diz que a adoração a ídolos tem como causa motivante os demônios. Assim, a adoração é feita para os demônios e não para os ídolos.
Os versículos 13, 20 e 21 mostram realidades do mundo invisível, onde Deus levantou o véu do mistério e mostrou a Daniel algumas realidades do mundo invisível que nos cerca (anjos bons e maus), mas nos versículos 15-19, o confortador celestial fortaleceu o profeta.
No capítulo 11 há a história bíblica do Império Persa ao Novo testamento, abrangendo o período interbíblico. Os primeiros 35 versículos cobrem quase 500 anos de história bíblica: de Ciro, o Persa ao final da independência do reino de Israel sob os irmãos Macabeus, quando Roma assumiu o controle da nação.
Daniel 11.1 fala sobre Dario, o medo. O versículo 2 fala dos reis Assuero (filho de Ciro), Artaxerxes I, Dario II e Assuero (esposo de Ester) – o mais poderoso Persa. O versículo 3 fala de Alexandre, o Grande, da Grécia. O versículo 4 fala da divisão da Grécia após a morte de Alexandre.
Os versículos 21-35 falam de Antíoco Epifânio, grande torturador de Israel e o versículo 35 nos introduz no "tempo do fim" do poder gentílico, de que trata o capítulo 12. O versículo 40 volta a falar desse tempo do fim.
Os versículos 36-40 tratam de eventos de que não há correspondência em toda a história passada: um quadro profético do futuro Anticristo e sua atuação, especialmente quanto a Israel.
Nos versículos 40-45 o sujeito gramatical que motiva todos os eventos descritos é certamente o "rei do Norte" do versículo 40. No texto original esses versículos formam um novo parágrafo. Esse reino nos tempos do Anticristo não será mais a Síria dos versículos anteriores do presente capítulo, mas um bloco de nações situadas ao extremo norte de Israel, encabeçadas pela Rússia, e chamadas na profecia, de Gogue e Magogue (Ez 38.15).
Os assuntos abrangidos pelo capítulo 12 são a Grande Tribulação, a ressurreição dos mortos, a recompensa dos justos e o castigo eterno dos ímpios.
O versículo 1 do capítulo 12 está diretamente relacionado com a Grande Tribulação. É o tempo de que falou Jesus para os judeus em Mateus 24.21: "porque nesse tempo haverá grande tribulação como desde o princípio do mundo até agora não tem havido, e nem haverá jamais".
"Eu ouvi, porém não entendi" (12.8): O grande profeta Daniel, chamado de "mui amado" no Céu, mostra aqui a sua humildade, dizendo que não entendeu. No capítulo 8.27 ele diz que não havia quem entendesse a visão. Não devemos ficar desapontados por não entender tudo destas profecias, porque o próprio Daniel confessou suas dificuldades. Em Mateus 24.15, quando Jesus fez referência a uma dessas profecias de Daniel, Ele disse: "Quem lê, entenda".

3.    O Livro de Apocalipse: Plenitude dos Gentios
Apocalipse é o livro das revelações e, ao contrário do livro de Gênesis que é o começo, Apocalipse é o livro da consumação. Nele, a oração da Igreja é atendida (Venha a nós o vosso reino).
Pelos Evangelhos somos levados a crer em Cristo; pelas Epístolas somos levados a amá-lO e; pelo Apocalipse somos levados a esperá-lO.
A autoria de Apocalipse é de João, o evangelista, um dos primeiros discípulos de Jesus. João assistiu ao julgamento de Jesus e a Sua crucificação, demonstrando assim sua fidelidade, firmeza e amor. Ele integrava o grupo íntimo de discípulos de Jesus, ao lado de Pedro e Tiago.
João pastoreava a Igreja em Éfeso quando foi enviado para a ilha de Patmos por Domiciano, em 95 d.C., em sua perseguição aos cristãos. Neste tempo foi escrito o livro e o ano comumente aceito como o de sua composição é 96 d.C.
 O tema do Livro de Apocalipse é “A Revelação Pessoal de Cristo em Glória em Sua Vinda” e classificação temática de seus capítulos é:

Capitulo 1:                    A Visão de Cristo Glorificado
Capítulos 2 e 3:            A Igreja no Passado e no Presente
Capitulo 4:                    A Igreja Arrebatada
Capítulo 5:                    A Igreja Glorificada
Capítulos 6 a 18:         A Grande Tribulação
Capítulo 19:                  A Volta Pessoal de Jesus em Glória
Capítulo 20:                  O Milênio e o Juízo Final
Capítulos 21 e 22:       O Perfeito Estado Eterno

Há também sete bem-aventuranças em todo o livro de Apocalipse, sendo:

1. “Bem-aventurados aqueles que leem... e guardam as coisas nela escritas” (1.3);
2. “Bem-aventurados os mortos que, desde agora, morrem no Senhor” (14.13);
3. “Bem-aventurado aquele que vigia e guarda as suas vestes...” (16.15);
4. “Bem-aventurados os que são chamados às bodas do Cordeiro” (19.19);
5. “Bem-aventurado e santo é aquele que tem parte na 1ª ressurreição” (20.6);
6. “Bem-aventurado o que guarda as palavras da profecia deste Livro” (22.7);
7. “Bem-aventurado aqueles que lavam as suas vestiduras...” (22.14).

O capítulo 2 de Apocalipse é o ponto de partida para o entendimento dos fatos. Nele vemos as Cartas às 7 Igrejas da Ásia. Escatologicamente, cada carta retrata um estágio diferente da história da Igreja. A 1ª carta, direcionada à Éfeso representa a primeira geração após os apóstolos. A carta à Laodiceia representa a igreja atual.


A volta de Jesus é iminente, pois os sinais evidenciam este grande acontecimento, como Falsos cristos e profetas; Guerras, Fome, Pestes, Terremotos, Apostasia, Perseguição aos Crentes, Iniquidades e Diminuição do Amor (Mt 24.4-14). Vale ressaltar que a 2ª vinda de Jesus se dará em 2 fases: Na primeira Ele virá como um ladrão de noite (Mt 24.42-44) e na segunda todo o olho O verá (Ap 1.7).
Após os sinais se cumprirem e, no momento em que Deus Pai dar a ordem, Jesus arrebatará Sua Noiva. Todos os que morreram em Cristo ressuscitarão e os Salvos Vivos serão transformados e, juntos, subiremos aos Céus com Cristo (ITs 4.13-17). Ressaltamos que os que morreram em Cristo não estão no céu ainda e sim no Paraíso (antigo Seio de Abraão) e que este evento antecederá a Grande Tribulação ou 70ª semana de Daniel.
Ao sermos arrebatados, participaremos do Tribunal de Cristo para, conforme as nossas obras, sermos galardoados (II Co 5.10). As obras poderão ser “perecíveis” ou “não perecíveis”. As PERECÍVEIS se queimarão no fogo e elas são de madeira, feno e palha. As NÃO PERECÍVEIS são de ouro, prata e pedras preciosas. Ressaltamos que, se a obra de alguém queimar, sofrerá dano, mas o tal será salvo, todavia, como pelo fogo (I Co 3.15). É neste evento que os pastores darão conta dos seus rebanhos, os maridos darão conta das suas esposas e os crentes darão conta de seus talentos.
Após galardoar seus servos fiéis, Jesus conduzirá a Igreja às mansões celestiais, onde será servida a grande Ceia do Senhor. Será um grande banquete, onde seremos servidos pelo próprio Cristo. Todos os salvos no Arrebatamento participarão. Os que forem salvos durante a Grande Tribulação serão salvos, mas não terão a oportunidade de participar das Bodas. Ficarão de fora os cães, os feiticeiros, os adúlteros, os homicidas, os idólatras e todo o que ama e pratica a mentira (Ap. 22.15).
Como ter a certeza que não participaremos da Grande Tribulação? Leiamos Apocalipse 3.10!
Depois que os crentes em Jesus Cristo tiverem sido arrebatados, a Grande Tribulação começará na terra. Esta é a 70ª Semana de Daniel. Neste evento se manifestará o Anticristo, que se colocará no lugar de Jesus. Ele é a besta que João viu subindo do mar (Ap 13.1). Será um grande líder político e operará maravilhas no governo único. Sua marca é o número 666. Ele, junto ao Diabo e o Falso Profeta formarão a trindade satânica.
Ainda dentro deste tema, vemos o juízo de Deus sobre o mundo, conforme Apocalipse 6.1-17 e 8.1-14, onde João vê um livro selado com 7 selos e somente Jesus pode desatá-lo.
        Ao abrir o 1º selo, surge um cavalo branco com um cavaleiro. Este é o Anticristo que virá seduzir as nações
        O 2º selo trás um cavalo vermelho, representando uma terrível guerra mundial, atacando Jerusalém e profanando o templo.
        O 3º selo trás um cavalo preto que simboliza a fome devido a guerra. Quem não tiver o sinal da besta não poderá comprar ou vender.
        O 4º selo trás um cavalo amarelo, símbolo da morte pela fome e guerra.
        O 5º selo é aberto e João vê os mártires que foram mortos na Grande Tribulação por sua fé em Cristo, testemunho e Amor (Ap 6.9-11).
        O 6º selo trás um grande tremor na terra, eclipse total do sol, a lua fica vermelha, “estrelas” caem, o espaço sideral muda, os monte e ilhas ficam arrasados por causa da ira do Cordeiro (Ap 6:12-17).
        O 7º selo será aberto na segunda metade da Grande Tribulação e 7 anjos tocarão 7 trombetas, sendo acontecimentos terríveis que cairão sobre a terra.

Após os 7 selos, 7 trombetas serão tocadas, uma após a outra:

        A 1ª trombeta trará saraiva e fogo misturado com sangue, queimando a terça parte da vegetação.
        A 2ª trombeta lança um grande monte ardendo em fogo no mar, matando as criaturas marítimas e tornando em sangue a 1/3 do mar.
        A 3ª trombeta tocada lançou uma grande estrela nas águas e muitos morreram de sede.
        A 4ª trombeta feriu 1/3 do sol e da lua, afetando o dia e a noite.
        A 5ª trombeta trará gafanhotos da terra para atormentarem os homens por 5 meses. A dor será tamanha que eles buscarão a morte, mas ela fugirá deles.
        A 6ª trombeta soltará 4 anjos e o exercito de cavaleiros demoníacos para matar a terça parte dos homens.
        A 7ª trombeta, quando tocada, trará o segredo de Deus, como anunciara os profetas. Provavelmente, este segredo está relacionado à nação de Israel, mas antes ela deve experimentar o sofrimento.

No intervalo entre as trombetas e taças, temos o livrinho trazido do céu que João comeu, as 2 testemunhas, a mulher e o dragão, a besta que subiu do mar e a besta que subiu da terra. Após, há o derramamento das 7 taças:

        O anjo derrama a 1ª taça e uma chaga maligna caiu sobre os homens;
        A 2ª taça foi derramada no mar e ele se tornou em sangue.
        A 3ª taça foi derramada nos rios e eles também se tornaram em sangue.
        A 4ª taça foi derramada sobre o sol e ele abrasou os homens com fogo.
        A 5ª taça pairou sobre o trono da besta e os homens mordiam a língua de dor. Enquanto isso, os homens blasfemam contra Deus e não se arrependiam de seus maus caminhos.
        Quando a 6ª taça foi derramada, o rio Eufrates se secou. Este rio era a ultima barreira para a destruição total.
        Findando, a 7ª taça foi derramada pelo 7º anjo e saiu grande voz do trono do céu, dizendo: Está Feito! Haverá, então, grande terremoto e cairá pedras do céu, como praga de saraiva, atingindo os homens.
Após as taças, haverá a queda de Babilônia, que representa todos os sistemas de idolatria opostos a Cristo.
Depois do período tenebroso da Grande Tribulação, Jesus voltará e implantará seu Reino Milenar na terra. Ele virá juntamente com a Sua Igreja, cercado de anjos e será visto por todos (Cl 3:4). Terminada as Bodas do Cordeiro, Jesus voltará com os santos e porá fim às catástrofes mundiais, livrar Israel e implantar seu Reino. Tudo acontece na Batalha do Armagedom, onde os exércitos do Anticristo se reunirão para destruir Israel. A batalha durará um dia e Israel não poderá vencer. Um terço dos judeus morrerá, mulheres serão violentadas e a situação será crítica (Zc 13.8; 14:2). Jesus descerá e socorrerá Israel. A nação vai reconhecê-lo como o Messias.
Com a vitória de Jesus no Armagedom, começa o período do Milênio. Satanás será preso por mil anos e Cristo restaurará a terra e vai governá-la durante este período. Jerusalém será a capital espiritual e política do mundo.
Todos os salvos em Cristo serão reis e sacerdotes e reinarão com poder e autoridade. Vão participar deste evento o remanescente dos israelitas que foram salvos e os que escaparam da Grande Tribulação. Os animais voltarão ao seu temperamento original e haverá saúde e prosperidade para todos.
Terminado o Milênio, Satanás será solto e sairá a enganar a muitos, tentando destruir os planos de Deus, mas depois será lançado no lago de fogo e enxofre, junto com a besta e o falso profeta para sempre. Os ímpios ressuscitarão para comparecerem diante do Trono Branco para o Dia do Juízo do Senhor. Todo joelho se dobrará diante do Justo Juiz para prestar contas. Primeiro serão julgados todos os que, desde Caim, amam e praticam a iniquidade. Em segundo, os que estiverem vivos naquela ocasião. Em terceiro, os ímpios e ateus que morreram no Milênio e, em quarto, os anjos caídos.
Aqui nesta terra, parece que os ímpios ficam impunes, mas Deus reserva um destino terrível para os tais. Após a morte ficam num estado intermediário de dor, chamado Sheol ou Hades (Lc 16.19-26). Após a condenação por Cristo, irão para o lago de fogo, onde haverá pranto e ranger de dentes, tendo a companhia do Diabo, Anticristo e do Falso Profeta. Haverá Novos Céus e Nova Terra e uma Nova Jerusalém. Com a restauração de todas as coisas, não haverá lembrança das coisas passadas. Tristeza e dor, nunca mais! Amém.

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