quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

OS PROFETAS MENORES



1.    Introdução
Os profetas do Antigo Testamento foram homens extraordinários, com mensagens extraordinárias. Todos tinham tarefa especial a cumprir e dever difícil de realizar, mas ouviram a voz do Altíssimo e se sujeitaram ao Seu mandado.
Acontecesse o que for, os profetas estavam prontos a obedecer ao Senhor e entregar a Palavra procedente do Pai a Seus filhos rebeldes. Confiando em Deus, lançaram-se à obra, não olhando para a direita ou para a esquerda, mas, com os olhos fixos na “linha de chegada”, levantaram suas vozes, proferindo profecias poderosas e inspiradas.
A causa divina muitas vezes fez a vida dos profetas se transformar em alvo de injustiça, injúria e ingratidão, mas permaneceram fiéis à vocação. Eles correram até perigo de vida ao pronunciar severas repreensões contra a casa de Israel. No entanto, persistiram em anunciar que Deus estava irado com a nação e que breve o Seu juízo iria cair sobre todos os que não retornassem ao Rei Pastor.
O trabalho dos Profetas Menores é tão importante quanto o dos Profetas Maiores. Sua abordagem dos fatos não é tão longa, mas a intensidade das suas mensagens contém a mesma relevância.

Os profetas menores se dividem em três grupos:

·         Profetas de Israel: Jonas, Amós e Oséias
·         Profetas de Judá: Obadias, Joel, Miqueias, Naum, Habacuque e Sofonias
·         Profetas pós-cativeiros: Ageu, Zacarias e Malaquias

Como em toda a Bíblia, as declarações dos profetas menores permanecem ainda hoje e, ao estudarmos estes livros, notamos que suas mensagens são eficazes para a nossa edificação espiritual neste século e assim será, até que Cristo, nosso Senhor, volte.

2.    O livro de Obadias: Mensagem contra Edom
Obadias e Joel foram profetas de Judá que viveram e profetizaram aproximadamente 800 anos antes do nascimento de Cristo. São os mais “antigos” dos Profetas Menores.
Obadias é o menor livro do Antigo Testamento, com somente 21 versículos, mas isso não diminui a importância da sua veemente mensagem contra Edom por suas transgressões, pronunciando sua ruína final.
O nome Obadias significa servo do Senhor. No livro não há registro da genealogia do profeta e nem outro pormenor a seu respeito. A Bíblia cita outros Obadias, mas como profeta, este é o único. Ele foi uma pessoa real.
O tema do livro é “A Vingança do Senhor”. Edom (descendentes de Esaú) fora um “espinho” para os judeus (descendentes de Jacó). Ele tinha perturbado muito o reino unido de Israel e, agora, continuava a fazer o mesmo com o reino de Judá. Deus, por intermédio de Seu profeta, fala que chegou a hora final dos edomitas que eram culpados de insultar e injuriar demasiadamente o Seu povo escolhido; portanto, sofreriam a pena capital: seu extermínio de sobre a terra.
Visão de Obadias. Assim diz o Senhor Deus a respeito de Edom... (v.1): Assim começa o pequeno e valioso livro deste profeta. Resumido em tamanho, mas veemente no seu relato. De início notamos que Edom irá sofrer terrivelmente: será invadido pelas nações; será muito desprezado por causa de sua soberba; será derrubado da sua alta morada e do seu ninho, pelo Senhor. Seria assolação total.
A terra de Esaú ou Edom era uma série de fragas e penhascos ao sudoeste de Judá, estendendo-se do Mar Morto até o golfo de Ácaba. Petra era a cidade principal e estratégica dos edomitas, onde, entre penhascos de cor vermelha, eles combatiam seus oponentes, protegidos pelas grandes rochas da região. Porém, agora, de nada adiantará esta proteção, pois é o Senhor dos Exércitos quem comanda a invasão contra Edom. Sua derrota será permanente. Nunca mais se recuperará. Nunca mais os descendentes de Esaú se levantarão.
“e serás exterminado para sempre” (v.10): com estas palavras terríveis, o escritor anuncia a sentença de Edom, profetizando assim o fim desta nação inimiga do povo de Deus.
Dos versículos 15-21, o profeta abre um pequeno parêntese para incluir o juízo de Deus sobre outras nações inimigas de Israel. Ainda que Edom continue sendo a “vítima” principal do livro, agora, outros adversários são acrescentados à lista de oponentes aos israelitas. A ira do Senhor cairá sobre eles por sua agressão.

Em Obadias, observamos três “dias” distintos, todos representando violência:

·      O primeiro dia se encontra no versículo oito, que fala da época em que Edom será arrasado.
·      O segundo dia se encontra nos versículos 11-14. É o “dia da angústia, o dia da sua calamidade”, tempo este em que Judá sofreu sob as mãos dos edomitas. Foi nesta ocasião que os descendentes de Esaú tentaram exterminar os filhos de Judá.
·      O terceiro dia é o dia do Senhor, que sempre se relaciona com juízo, destruição e ira de Deus. O Dia do Senhor é uma expressão que ocorre com frequência nos Profetas Menores. É o período de tempo que começa logo após o arrebatamento da Igreja e continua até o estabelecimento dos novos céus e da nova terra. A salvação de Israel virá durante o Dia do Senhor.

O versículo 18 fala novamente que a queda de Edom é fatal. Também relata que os descendentes de José e Jacó, enfim, serão vitoriosos contra seus antagonistas. Como chamas alimentadas por uma fonte sobrenatural consumirão os descendentes de Esaú e o resultado será restolho, cinzas, restos de incêndio.
Observemos as palavras do profeta: “porque o Senhor o falou” (v.18). Obadias reconhece ser apenas um arauto de Deus. A mensagem vem da própria boca do Senhor, por isso, será inteiramente cumprida.
“E subirão salvadores ao monte Sião, para julgarem o monte de Esaú; e o reino será do Senhor” (v.21). Os salvadores presentes neste último versículo do livro são tipos ou precursores do real Salvador, o Messias. Estes salvadores fizeram a sua parte em reconquistar porções da terra judaica, mas, o trabalho completo será efetuado por Cristo. Daí em diante “o reino será do Senhor” (v.21).

3.    O livro de Joel: o Dia do Senhor
Joel e Obadias foram profetas de Judá que viveram e profetizaram aproximadamente 800 anos antes do nascimento de Cristo. São os mais “antigos” dos Profetas Menores. Joel baseia sua profecia no futuro juízo do Senhor, que consiste em um fato histórico, isto é, a destruição da terra, causada por gafanhotos. Isto forma um paralelo com as nações inimigas de Judá e os resultados arrasadores dos seus ataques contra o povo de Deus.
O profeta Joel começa o livro que leva seu nome falando sobre os gafanhotos e os estragos que tinham causado na terra de Judá. Fala ao mesmo tempo do Dia do Senhor e o seu terror, mas também indica que, antes de chegar esse tempo, o Espírito de Deus será derramado copiosamente sobre toda a carne. Sua mensagem trata dos juízos do Senhor sobre as nações inimigas e termina o reestabelecimento de Judá e as bênçãos que lhe serão concedidas.
O nome Joel significa Jeová é Deus. Seu pai era Petuel, que quer dizer “Persuadido por Deus”. O profeta era de Judá, possivelmente de Jerusalém, da época do rei Josias. Era contemporâneo de Eliseu e Obadias. Alguns acreditam que Joel tenha sido sacerdote, além de profeta.
Na data do escrito do livro do profeta Joel (835 a.C.) houve vários ataques maciços de pragas de locustas, além de uma seca que castigou a terra e o povo. Mais de 80 espécies de locustas são conhecidas, mas Joel menciona um único tipo, tratando do seu desenvolvimento em quatro fases:

·      Cortador (lagarta): recém-nascido, sem asas.
·      Migrador (gafanhoto): estágio inicial de desenvolvimento. Já pode procriar.
·      Devorador (locusta): estágio intermediário. Desenvolve asas. Não voa, mas pula e começa a devorar.
·      Destruidor (pulgão): plenamente desenvolvido, com asas. Já voa; é o consumidor adulto.

O tema deste livro é “O Dia do Senhor está próximo!”. A frase se encontra em cinco passagens (1.15; 2.1,11,31; e 3.14). O propósito em ressaltar este tempo é o de avisar ao povo sobre os eventos culminantes do fim. O ataque de que fala o profeta é aquele que ocorrerá durante a Grande Tribulação.
O arauto de Deus não se esquece de mencionar que este exército e sua marcha fazem parte dos planos do seu comandante, “O Senhor levanta a voz diante do seu exército” (2.11). O Altíssimo permite a aflição do Seu próprio povo nas mãos de forças ímpias, a fim de trazê-lo ao arrependimento, antes que seja tarde demais.
Em Joel 2.12-14, o profeta faz um apelo ao povo para acertar-se com Deus. A expressão “rasgando o coração” é uma chamada para uma total reconsagração. Quando o infiel rasgar ou dilatar o seu coração perante o Senhor, então, Ele poderá consertá-lo, refazê-lo com Seu terno amor. O Pai se mostrará compassivo e, da Sua parte, também se arrependerá do mal, no sentido de não castigar rigorosamente o Seu povo. As bênçãos voltarão e a misericórdia do Altíssimo brilhará com glória no meio do Seu rebanho.
Nos versículos 15 a 17, o chamamento continua. O porta-voz do Senhor proclama que todos precisam “acertar as contas” com Deus. As providências que necessitam tomar são: Tocai a trombeta em Sião | anunciai um santo jejum | proclamai uma assembleia solene | congregai o povo | santificai a congregação | ajuntai os anciãos | reúna os filhinhos e os que mamam | saia o noivo da sua recâmara, e a noiva do seu aposento | chorem os sacerdotes... e orem: Poupa o teu povo, ó Senhor..
As exigências divinas foram expostas; agora, resta ao povo aceitá-las e cumpri-las. Se cumprir os requisitos anunciados pelo profeta, então, o Senhor se mostrará zeloso e compassivo para com a terra e o povo (v.18). O “se” sempre antecederá o “então”. Porém, o cumprimento das exigências trará consigo os resultados da obediência. Dessa obediência surgirá uma colheita de frutos bons e nutritivos. Da submissão surgirá alívio para a alma fatigada e oprimida.
A soma da obediência a Deus e a Seus mandamentos é sempre a mesma: Seu amor e zelo se manifestam e nos sustentam, protegem e nos guiam.
Em Joel 2.21-24, a terra, os animais do campo e os filhos de Sião são admoestados a não temerem, mas regozijarem-se. O motivo da sua alegria é “... porque o Senhor faz grandes coisas” (v.21). A terra tinha sofrido danos imensuráveis devido ao arraso pelas locustas. Porém, a esperança estava às portas, graças aos cuidados do seu Criador. Ele faria rejuvenescer a figueira e a vide, enquanto que os pastos tornariam a ficar verdes. Portanto, “não temais, animais do campo...” (v.22). Provisões e mantimentos voltariam aos celeiros e os filhos de Sião estariam igualmente incluídos nas provisões divinas.
Nos versículos 25 a 27 do capítulo 2, o Pai diz que irá repor o que os gafanhotos tinham consumido. Esta restituição não é somente física, mas também espiritual. O povo comerá até se fartar; terá alimento em abundância e também voltará a louvar e a bendizer o nome do Senhor. A fome natural e espiritual será vencida e o povo reconhecerá que Deus está com ele e Ele é o Senhor.
Joel 2.28-32 é a passagem predileta para nós, pentecostais, pois fala do derramamento do Espírito Santo. Realmente, é um estandarte da doutrina da terceira pessoa da trindade. Os efeitos dessa efusão são profecias, sonhos e visões, que são mensagens e revelações para a nossa edificação e força.
Ao mesmo tempo, o Senhor mostrará sinais tanto no céu como na terra: prodígios envolvendo o sol, a lua, sangue, fogo e fumaça. Tudo isso antes que venha o grande e terrível Dia do Senhor (v.30-31). O descrente, ao notar esses prodígios, achará que são fenômenos naturais e tentará explicá-los em termos humanos ou ficará assustado e confuso. O crente, por sua vez, deve reconhecer que o plano do Pai está se cumprindo e as maravilhas que testemunhará são evidências de que tudo está correndo bem, dentro do desígnio divino.
Joel trata, no capítulo 3, sobre o vale da decisão, focando o fim das nações adversárias de Judá nos versículos 1-8. O Senhor ajuntará esses povos no vale de Josafá, que significa “Jeová julga” e representa, simbolicamente, os juízos de Deus durante a Tribulação, culminando com a batalha final na planície de Armagedom, fazendo recair sobre eles a Sua vingança.
Nos versículos 9-17, a sentença foi executada, as nações foram julgadas e consideradas culpadas. Portanto, resta a execução da sentença decretada. O resultado será sangrento, horripilante e final. A represália do Senhor se cumprirá com extraordinário furor e violência.
Enquanto o Senhor brama e faz tremer os céus e a terra, levando a efeito o julgamento de Seus inimigos, também providencia proteção para os Seus filhos (v.16). A passagem final do Livro de Joel demonstra que Deus não abandona os Seus filhos. Aqueles que O rejeitarem serão desolados e destruídos (v.19). Israel, a nação fiel, como também nós, que pertencemos a Deus por adoção espiritual, seremos restabelecidos com mosto, leite e água, que são símbolos da plenitude. Haverá paz e tranquilidade, bênção em abundância e restauração completa. A pessoa do Altíssimo habitará entre o povo e Judá permanecerá para toda a eternidade (v.20-21).

4.    Jonas: a misericórdia de Deus a todos os povos
O nome Jonas significa pombo, no hebraico. O livro é de autoria do próprio profeta que usou o recurso da terceira pessoa, estilo este comum entre escritores hebraicos, para relatar sua história.
Ainda que tenha sido um arauto do Senhor, considerado um profeta de Israel, na sua missão, Jonas é mais um evangelista. O tema do seu livro é “A Misericórdia de Deus”.
A palavra de Deus fora confiada a Jonas e sua chamada não poderia ter sido mais clara. Porém, o profeta resolveu não ir a Nínive, mas fugir para Társis, na Espanha. Com isso, ele tentava o impossível: escapar da presença de Deus (v1-3).
Ao embarcar no navio para Tarsis, Jonas ficava mais longe do local da missão predita, mas em desaprovação a essa atitude, Deus se manifesta por meio de uma terrível tempestade. Medo e pavor tomaram posse dos marinheiros, que procuravam aliviar a situação do navio, mas o rebelde se encontrava no porão, dormindo profundamente, conforme o versículo 5, mas o capitão o despertou.
A tripulação decidiu tomar providências a fim de descobrir o porquê daquele tão grande mal. Lançaram sorte e recaiu sobre Jonas (v.7) que, indagado, respondeu que era hebreu e servia ao Deus do céu, mas que estava fugindo dEle. Deus havia direcionado a situação de modo que Jonas confessasse seu pecado e enfrentasse as consequências.
O profeta Jonas voltou à razão e fez a escolha; reconhecendo a sua desobediência, disse para os marinheiros que era preciso jogá-lo ao mar para que a tempestade se acalmasse e eles sobrevivessem (1.12). Os marujos, a princípio, se recusaram a lançar Jonas na água, mas, após reconhecerem que não havia qualquer outra saída, com muito temor ao Senhor, “ofereceram” Jonas às águas e o mar logo cessou, salvando os marinheiros da morte.
O Pai, na Sua misericórdia, preparou um hotel marítimo para o Seu filho fugitivo. Um grande peixe tornou-se o veículo da preservação da vida de Jonas onde ficou por três longos dias e noites. Nesta feita, ele teve a oportunidade para meditar, esquadrinhar o seu procedimento e a sua convivência com Deus. Vale ressaltar que o profeta fujão, por não querer pregar a milhares, acabou sendo o instrumento para transformação espiritual de muitos marinheiros.
A primeira menção de oração de Jonas encontra-se no início do capítulo 2. Após, não encontramos qualquer referência de outra oração feita por este profeta. Este é o triste caso que não deveria ocorrer na vida de muitos crentes: só oram quando estão em situação difícil.
A primeira parte da oração de Jonas é um clamor ao Senhor e a subsequente resposta do alto. O servo aceitou a disciplina de Deus e reconheceu seu erro, procurando restaurar os elos da sua comunhão com o Pai Celestial (2.1-3).
Jonas meditou e concluiu que seu caso foi altamente milagroso. Cercado de água até à alma, ele adorou ao Senhor e orou (2.4-6). O desânimo tentou dominá-lo diante do ambiente cercado de detritos, mau cheiro, cheio de algas e restos de peixes mortos, mas ele reforçava no seu coração que Deus era o seu Senhor e O agradecia porque estava com vida.
Nos últimos momentos de sua oração, arrependido, o arauto se reconsagra ao Pai. Recorda-se que é um profeta do Altíssimo e conclui seu agradecimento ao Senhor, prometendo oferecer-lhe sacrifícios. Afirma que cumprirá seus votos a Deus. Com seu novo ânimo, entrega-se nas mãos sagradas de Jeová, disposto a servi-lO cabalmente (2.7-10).
No capítulo 3, o peixe vomitou o profeta e pela segunda vez veio a Palavra do Senhor e ele levantou-se e seguiu na direção exata. A distância era longa e levou vários dias de viagem. Porém, chegou ao destino e cumpriu a sua missão: “Ainda quarenta dias, e Nínive será subvertida” (3.4).
O efeito da pregação de Jonas foi algo impressionante e maravilhoso, sendo o maior avivamento registrado na Bíblia! Os cidadãos, do maior ao menor, creram e se arrependeram de seus pecados. O próprio rei ordenou um jejum a ser observado pelos homens e pelos animais. A cidade se vestiu de panos de saco e assentou-se na cinza. O seu clamor subiu a Deus e se converteu dos maus caminhos e da violência das suas mãos. Os ninivitas reconheceram e abandonaram suas transgressões, sendo as principais a avareza e a ambição opressiva de dominar e controlar outras nações, anexando-as ao império (3.5-9).
O versículo 10 do capítulo 3 é mais um entre muitos nas Escrituras a falar da graça abundante do Salvador que contemplava os atos do povo da grande capital e “mudou Seus planos”. Estava pronto para destruí-la, mas, demonstrando misericórdia, deu-lhe um prazo de quarenta dias antes do juízo destruidor. Diante disso, Nínive tomou nova atitude diante de Deus e o Senhor perdoou de suas iniquidades. Depois dos quarenta dias, a ira divina não arrasou a poderosa e arrogante cidade porque seus habitantes se arrependeram de seus pecados e se voltaram para Deus (Jn 3.10; Ef 2.5; Sl 136.1).
Se o Livro de Jonas tivesse se encerrado com o capítulo três, seria como um conto de fadas, com a costumeira frase final: “... e todos viveram felizes para sempre”. Mas não foi bem assim! No capítulo 4, Jonas se encontrava irritado, desgostoso, aborrecido e irado. Se ele fosse Deus, teria esmagado a cidade de vez. No versículo 2, o porta-voz mostra-se ciente dos atributos de Deus, mas preferia que o Altíssimo não fosse misericordioso com os ninivitas.
Jonas saiu da cidade e sentou-se num monte, com esperança de que Deus destruiria Nínive e exterminaria seus habitantes. O Senhor prepara uma planta aboboreira para lhe fazer sombra; depois preparou um verme que matou a planta e o sol abrasado esquentou a cabeça do arauto aborrecido, que não hesitou em implorar novamente o desejo de morrer.
Deus instruiu Seu sevo acerca da compaixão, indicando que, muitas vezes, a compaixão de Jonas, como também a nossa, é mal dirigida ou aplicada. Infelizmente, o profeta se preocupava mais consigo próprio e seu conforto do que com as almas da grande capital da Assíria. Ele tinha esquecido que o Senhor é um cheio de ternura e misericórdia, que tanto aspira resgatar, quanto reivindicar.
Alguns estudiosos veem certa semelhança entre a missão e a história de Israel, especialmente na experiência do profeta como prefiguração da morte, sepultura e ressurreição de Jesus (Mt 12.40). O “sinal de Jesus” foi, principalmente, para os judeus, mas, o seu valor espiritual e didático estende-se igualmente aos gentios, pois a mensagem de esperança é para todos.
Em resumo, tanto Jonas quanto Jesus foram “sepultados”, “voltaram” à vida, pregaram as boas novas e houve consolo e reanimação. Mas um falhou na compaixão, enquanto o segundo permaneceu firme na Sua resolução de mostrar-Se amoroso e misericordioso para com os aflitos e perdidos.

5.    Oséias: O julgamento divino e o apelo amoroso de Deus
O nome Oséias, no hebraico, significa salvação ou ajuda. Pouco se sabe acerca da vida deste profeta. Oseias profetizou durante os últimos 25 anos do reino de Israel e foi contemporâneo de Amós e Jonas (outros profetas de Israel) e de Isaías e Miqueias (profetas de Judá). Tem sido chamado “O Profeta do Coração Quebrantado”. Oséias e Jeremias são considerados “Os Profetas das Lamentações”. Sua missão divina foi a de insistir para que o povo de Israel voltasse a Deus, mas suas palavras não foram aceitas, por isso veio o impiedoso cativeiro. Sua mensagem foi ignorada, mas como profeta, Oséias não falhou.
“O Julgamento Divino e o Amor Redentor de Deus” é o temo do Livro de Oséias. O alvo de Deus, ao falar através deste Seu servo, foi declarar e mostrar à “esposa infiel” o Seu constante e persistente amor.
O capítulo 1 inicia com uma estranha ordem de Deus para que Oséias tomasse uma meretriz como sua legítima esposa. Gômer, esposa do profeta, era uma prostituta que, antes de ser mulher de Oséias, teve filhos bastardos. Ainda que, após se casar, o casal teve três filhos legítimos, Oséias tomou a mulher e os “filhos de prostituição” também. A expressão “mulher de prostituições” significa que, até aquele momento, Gômer tinha cometido repetidas vezes este pecado.
Os versículos 3 a 9 do capítulo 1 mostram os filhos inditosos (nascidos antes da união de Oséias e Gômer, portanto, ‘bastardos’), os quais o Senhor deu instruções claras ao Seu profeta sobre o nome dos três. O propósito de Deus era usá-los para revelar a Sua atitude para com Seu povo.

1º. “Jezreel” que significa “Deus Espalha”: “... porque, daqui a pouco, castigarei, pelo sangue de Jezreel, a casa de Jeú e farei cessar o reino da casa de Israel. Naquele dia, quebrarei o arco de Israel no vale de Jezreel” (1.4-5).

2º. “Lo-Ruama” que significa “destituída de favor”: “... porque eu não mais tornarei a favorecer a casa de Israel, para lhe perdoar” (1.6).

3º. “Lo-Ami” que significa “Não-Meu-Povo”: “... porque vós não sois meu povo, nem seu serei vosso Deus” (1.9).

Todavia, Deus na Sua infinita graça e misericórdia, pelo Seu profeta, indica que um dia tudo se resolverá. Serão restaurados aqueles que se voltarem para Deus. Serão chamados “Filhos ditosos” ou “filhos do Deus Vivo” (1.10-2.1). O reino dividido de Judá e Israel será unido novamente num só reino, com uma só cabeça – o reino milenar de Cristo – a única cabeça ou Senhor.

Note como os nomes e seus significados, agora, adquirem sentido contrário:

1º. Grande será o dia de Jezreel: Deus reúne
2º. Ruama: Favor
3º. Ami: Meu-povo

No capítulo 2.2-13, o pequeno parêntese sobre a esperança no porvir é fechado. O profeta volta à realidade da sua situação. Gômer ainda se comporta de maneira vil. A “mãe”, do versículo dois, é a nação de Israel. Os “filhos”, subentendidos aqui, representam as pessoas, os habitantes do país. O profeta os está admoestando a debaterem com sua mãe, a nação, a volta ao seu marido, ao pai deles; a restabelecer seu relacionamento com ele, antes que seja tarde demais.
O Senhor amava tanto a Israel que chegou a dificultar a aproximação deste com seus amantes. Observamos, nos versículos 6 a 8, obstáculos que Ele põe no seu caminho. O marido, sabendo que as consequências da infidelidade da sua mulher seriam devastadoras, procurava protegê-la desses encontros clandestinos. Ela começou então, a pensar sobre o seu amor principal. Iniciava-se o retorno: “Irei e tornarei para meu primeiro marido, porque melhor me ia então do que agora” (2.7).
Os versículos 9-13 mostram que a tolerância do marido para com sua esposa está se esgotando. O prazo da Sua paciência está nos últimos segundos do tempo permitido. Deus, que agradou o máximo possível, vai, agora, despejar a Sua fúria sobre o Seu povo por causa da sua escolha. Os castigos mencionados acontecerão se a esposa persistir na imoralidade. Vejamos os verbos:

a.     Reterei meu trigo e meu vinho;
b.     Arrebatarei a minha lã e o meu linho;
c.     Descobrirei as suas vergonhas;
d.     Farei cessar o seu gozo;
e.     Devastarei a sua vide e a sua figueira;
f.        Castigá-la-ei pelos dias dos baalins.

Tudo isso pelo fato de que “... andou atrás de seus amantes, mas, de mim se esqueceu, diz o Senhor” (Os 2.13).
Oséias 2.14-20 descreve sobre a restauração. O Senhor atrairá o Seu povo amado levá-lo-á ao deserto e falará ao seu coração (v.14). Antes, onde houve dores e tribulação, haverá uma porta de esperança (v.15). Será o início de um novo relacionamento com bênçãos, paz e segurança para o futuro. Serão esquecidos os deuses e os pecados do passado (v.17). O perigo e a ameaça dos animais que devoravam a lavoura e das guerras serão banidos (v.18). O Senhor será chamado de “Meu Marido” e a união entre Deus e Israel será permanente, baseado na justiça, juízo, benignidade, misericórdia e fidelidade (v.19-20).
Neste mesmo dia, o divino Mestre iniciará o cumprimento de uma série de eventos. Ele falará ao céu, o céu à terra, a terra ao trigo, ao vinho e ao óleo; e estes, a Jezreel (2.21-22). Significa que Deus abrirá as janelas dos céus e as chuvas naturais e sobrenaturais cairão sobre a terra ressequida. Esta, então, produzirá lindos frutos e belos campos de cereais.
No capítulo 3, pela segunda vez, o Senhor manda o Seu servo buscar uma mulher adúltera. Sem dúvida, é Gômer, que voltou à vida corrupta e se acha em condições deploráveis. Oséias é enviado para read-quirila.
Como o corpo de Gômer não estava mais atraente para se prostituir, ela se vendeu como escrava para ganhar dinheiro. O profeta pagou por ela o valor de um escravo (3.2). Adquiriu e a trouxe de volta à sua casa. Suas ordens, agora, foram severas. Não podia mais se prostituir e teria que esperar pelo seu marido muitos dias (3.3).
Assim também o Senhor “comprou” o Seu povo através do Seu grande amor e, depois, através do Seu sangue. Mas passarão longos dias sem governo ou religião (3.4), prisioneiros de sua rebeldia espiritual e também, das nações inimigas que os fizeram seus súditos por muitos anos, até chegar o tempo da restauração.
Depois dessa demorada espera, nos últimos dias quando o esposo voltar para reatar o Seu pleno relacionamento com os judeus, então, eles se submeterão e se humilharão perante o seu Senhor e, se aproximarão dEle e da Sua bondade (3.5).
Oséias viveu um drama real. Experimentou a mágoa e a aflição de um casamento dissoluto. Suportou uma cruz pesada e talvez tenha chegado a ponto de não querer mais participar da parábola da qual fazia parte. Agora, contudo, com o pior já ocorrido, Oseias está pronto a continuar cumprindo sua missão.
No capítulo 4, o profeta proclama que Deus está muito insatisfeito com o povo. Sua contenda se baseia na falta de verdade, amor e conhecimento divino por parte do povo (v.1). As autoridades religiosas também estavam rejeitando os caminhos do Senhor, principalmente, o conhecimento da Sua pessoa. Já não desejavam mais as coisas espirituais, mas a maldade. O pecado tinha permeado o povo de tal forma que este se tornara inaceitável ao Senhor. Assim, Deus deixa claro seu desagrado diante da situação e declara que seus filhos serão castigados, pagarão por suas obras de rebeldia (v.9). A razão de toda a sua insubordinação foi “porque ao Senhor deixaram de adorar” (v.10) e já estavam cultuando a outros deuses.
Dos versos 11-19, Oséias fala sobre a prostituição de Israel e admoesta Judá a não seguir o exemplo dele, que já se encontrava bem aprofundada no pecado.
Nosso Pai reconhece que somos vasos fracos, que falhamos e caímos em tentação. Contudo, se continuamos a cair e começamos a sentir menos remorso pelo pecado cometido, destruímos o nosso relacionamento com Deus. É sobre esses excessos do povo que Oséias descreve no capítulo 5.
O profeta declara que o povo aprofundou nessa prática (5.2). Agora, não é o Espírito do Senhor que está no meio deles, mas, o espírito de prostituição (5.4). Os filhos de Israel não conhecem o Senhor, por isso quando finalmente foram procurá-lO, não O acharam. Já era tarde; Deus tinha se retirado e não permitia ser encontrado (5.6).
Note na Bíblia a ligação entre o último versículo do capítulo 5 com o primeiro do capítulo 6: “estando eles angustiados, cedo me buscarão, dizendo: Vinde, e tornemos para o Senhor...” (5.15;6.1). Todavia, esta conversão foi por conveniência e Deus declara que esta conversão temporária não é o que Ele deseja, mas sim um arrependimento profundo e sincero. Ele não está procurando um povo que sacrifique animais para expiar as suas iniquidades, abrigando motivos indiscretos e desonestos (5.15-6.11).
Até aqui, o profeta admoestara os sacerdotes e príncipes ou líderes religiosos a se humilharem perante Deus. A partir do capítulo 7, ele transmite a sua mensagem aos reis e príncipes ou líderes governamentais que igualmente ignoram o clamor de Oséias e, por isso, a malícia continua a dominar o povo e a terra. Entre os reis e seus súditos não há um sequer que invoque o Senhor (7.7).
No trecho dos versículos 8 a16, Efraim (Israel) é comparado a um pão que não foi virado em por isso, não foi completamente cozido; a uma pomba enganada, sem senso de direção e; a um arco enganoso que não pode arremessar uma flecha na direção certa.
As admoestações que temos nos capítulos 8 e 9 de Oséias salientam a punição da apostasia de Israel. O profeta prossegue enumerando os pecados do povo e mostrando que, por causa dessas transgressões, a nação será duramente castigada. O profeta também avisa que não deve confiar na sua prosperidade, como fazem as outras nações e prega abertamente o tema: “Ai deles (Israel) quando deles eu me apartar!” (9.12). Vale lembrar que ainda havia certos profetas “sentinelas” que permaneciam fiéis ao seu Senhor; contudo, os filhos de Israel em geral, os consideravam tolos e loucos.
No capítulo 10, temos uma vide luxuriante ou frondosa sendo uma alusão à época áurea de Israel. O povo de então gozava prosperidade e vivia bem. Mas os seus “frutos”, ao invés de honrarem, foram de desonra para Deus. O Senhor tinha oferecido a eles a oportunidade de ter somente colheitas de justiça, boas e fartas, mas preferiram plantar “sementes de discórdia” e ceifar primícias do pecado.
Oséias 11.8 é o trecho principal do livro, onde o Altíssimo Deus e Senhor exclama seu chamamento comovente do marido pela sua noiva errante. Como ele fala no próximo versículo: “sou Deus e não homem” (v.9). Felizmente, a resposta de Deus é: “Vou continuar sendo o seu Salvador e revelando o meu inesgotável amor. Um dia voltarás para Mim. Serás castigado agora, mas não serás completamente exterminado”.
Nos capítulos 12 e 13, Oséias nos dá um resumo da história de Israel, das iniquidades que o povo praticava, da ira vindoura que recairá sobre o povo. O profeta acentua as alianças que Israel está fazendo com países ímpios. Agora a contenda divina é também com Judá (12.2). No início do capítulo 4, isso era com o Reino do Norte e agora abrange também o Reino do Sul. Dessa vez o Senhor não se arrependerá e enviará um vento do leste (a Assíria) que soprará sobre a Terra Prometida, causando sua rápida destruição.
Oséias termina seu livro com um apelo final a Israel. Procura, pela última vez, despertar a sonolência fatal do povo. Lembra-lhe as virtudes sanadoras do Pai celeste e, ressalta o benefício daquele que atender às suas admoestações.
O último brado do profeta encerra o seu livro: “Quem é sábio, que entenda estas coisas; quem é prudente, que as saiba, porque os caminhos do Senhor são retos, e os justos andarão neles, mas os transgressores neles cairão” (14.9).

6.    Amós: o julgamento das nações
Amós começa o seu relato sobre a ira do Senhor contra várias nações, inclusive Israel e Judá. Dando exemplos das desgraças que sobrevirá a Israel, ele diz que Deus disciplinará duramente os que andam nos caminhos da iniquidade.
Amós 1.1 nos diz que ele era pastor e 7.14 informa-nos que o profeta era vaqueiro e cultivador de sicômoros. Não era um homem preparado para uma missão profética, mas Deus o escolheu como um de Seus principais porta-vozes. Seu nome em hebraico significa “Carregador de Fardos” e é notável como isso se evidencia no espírito das suas mensagens.
O tema do livro de Amós é “O Julgamento de Deus”. Por meio deste profeta, Deus estava declarando que o destino de Israel estava determinado: seu funeral estava marcado e brevemente se realizaria.
As palavras que Amós recebeu e transmitiu vieram-lhe dois anos antes de um terremoto que abalou Israel. Amos 1.1-2.3 lista as nações julgadas rivais de Israel, sendo: Damasco (Síria); Gaza (Filístia); Tiro (Fenícia); Edom, Amom e Moabe. Por seus pecados de crueldade, venda e troca de escravos, atrocidades contra mulheres e ódio ao povo escolhido, Deus os castigaria com fogo, consumindo os seus castelos e eliminando os seus moradores.
Amós 2.4-5 volta a atenção para a nação de Judá que também será julgada e até a própria Jerusalém sentirá o calor causticante do sopro de Deus. Será consumida e devastada por ter rejeitado a Lei do Senhor.
Depois de declarar que determinadas nações, incluindo Judá, seriam castigadas, Amós volta a sua atenção para Israel (2.6-16). Imoralidade, materialismo, idolatria e sacrilégio eram algumas das “doenças” que haviam infeccionado o povo de Israel. Tinha esquecido as bênçãos e as libertações e calou a boca dos mensageiros que o Senhor havia enviado. Agora, sentiriam o gosto amargo da justiça de Deus.
Israel, o escolhido, o querido, o amado do Pai, tinha magoado sobremaneira o Seu coração. Agora, não lhe restava opção, a não ser que esse Seu filho rebelde se humilhasse e voltasse para Ele (Am 3).
O capítulo 4 demonstra que Israel continua rebelde. Estava tão dominado pelo pecado que preferia viver transgredindo a vontade de Deus, ao invés de buscá-lO. O seu prazer era inclinar para as coisas das trevas, em vez de para as coisas da luz. Com isso, Deus fez recair sobre eles alguns males, a fim de trazê-los de volta ao Seu aprisco: “vos deixei de dentes limpos (sem comida); com falta de pão; retive de vós a chuva; feri-vos; enviei a peste contra vós; subverti alguns dentre vós” (4.6-11).
Mas, toda essa ação disciplinar teve efeito negativo: “... contudo, não vos convertestes a mim, disse o Senhor” (v.8). Portanto, “... prepara-te, ó Israel, para te encontrares com o teu Deus” (v.12).
Pela terceira vez o profeta usa a expressão “Ouvi esta palavra...” (5.1) e, desta vez, proclama um chamamento vindo do coração do arauto de Deus para Israel, a fim de que se volte para Ele. A seguir, o profeta condena as iniquidades do povo e afirma que o Senhor não pode tolerar mais uma conduta ímpia e que terá que lhe aplicar a justa sentença.
O âmago da mensagem do Livro de Amós é “Buscai ao Senhor e Vivei” (5.4;6). A misericórdia que vem do alto ainda pode ser aproveitada, mas o tempo está se esgotando. Israel poderá ser salvo se mudar imediatamente, buscando e amando o bem e aborrecendo o mal (5.14-15). Deus sabe que suas transgressões são muitas e graves, mas, por enquanto, existe a possibilidade de restauração.
O coração do servo do Senhor se condoia quando, ao proclamar essas admoestações a Israel, via que a nação persistia no mau caminho. Assim, no capítulo 6, a preguiça de Israel traria ruína, pavor, morte e exílio.
O profeta Amós teve cinco visões ressaltando o julgamento de Israel. Nas primeiras três aparece um acusador seu, questionando e se opondo às suas profecias. Após tratar com esse elemento, Amós recebe outras duas visões. A soma de todas as visões indica que o Dia do Senhor é inevitável e que o povo será severamente sentenciado.


1ª visão: A visão dos gafanhotos (Am 7.1-3)
2ª visão: A visão do fogo (Am 7.4-6)
3ª visão: A visão do prumo (Am 7.7-9)
4ª visão: A visão do cesto de frutos (Am 8.1-14)
5ª visão: a visão dos juízos de Deus (Am 9.1-10)

O arauto do Senhor termina seu livro, no capítulo 9, com alegres brados de vitória. Ele declara que não haverá escape para os que continuarem descrendo na verdade, mas, agora, prediz na vinda de um grande e glorioso dia. Nesse “Dia do Senhor”, Deus fará cinco coisas a bem do seu antigo povo:

1. Levantará a Casa de Davi (v.11);
2. Reparará suas brechas (v.11);
3. Restaurá-lo-á como nos dias da antiguidade (v.11);
4. Mudará a sorte do Seu povo (v.14);
5. Plantá-lo-á na sua terra (v.15).

7.    Miquéias: o juízo e a salvação de Deus
Miquéias é um profeta que também salienta o aspecto messiânico de Jesus. Mesmo sendo de Judá, suas mensagens, mais do que os demais profetas menores, foram dirigidas aos dois reinos. O primeiro versículo de seu livro menciona Samaria e Jerusalém. O nome Miqueias, no hebraico, significa “Quem é o como Jeová?”. O tema deste livro é “O Perdão de Deus”.
O começo do livro de Miquéias é um comovente apelo ao povo de Israel e de Judá. O profeta lamenta amargamente o estado dos seus compatriotas (1.8), sente muito pelo pecado do povo e chora a sua triste situação. Miquéias retrata a figura do verdadeiro intercessor que se entrega inteiramente à chamada divina, à árdua tarefa de tentar incentivar pecadores a buscarem a Deus.
No capítulo 2, o brado de Miquéias é contra aqueles que “maquinam o mal à luz da alva” (2.1). A ambição e a ganância eram seus deuses e viviam oprimindo outros e buscando tudo para si próprios. Deus anuncia que as coisas vão mudar e que estes, que agem violentamente serão punidos e humilhados (2.3).
Os falsos porta-vozes também entraram na mira de Miquéias. O verbo “babujeis” (2.6) significa babar. Os falsos profetas estavam “babando” ou falando tolices que vinham do seu próprio entendimento e não profetizavam verdades autênticas da parte de Deus.
Em meio às suas declarações de juízo, o profeta Miquéias deixa cair uma pequena gota de esperança sobre o povo. A promessa é a de que Israel será, um dia, reunido outra vez e seu Rei e Senhor estará adiante deles.
Miquéias agora passa a falar aos principais de Jacó e aos chefes da casa de Israel no capítulo 3. Também inclui os sacerdotes e, outra vez, os falsos profetas. O corajoso profeta se declara diferente dos demais. Ungido, cheio de poder, juízo e força, ele declara que Israel está em má situação.
Os capítulos 4 e 5 do Livro de Miquéias destacam fortemente a pessoas do Messias, Seu nascimento, Sua obra de libertação do povo, Seu reino milenário. O profeta começa falando do reino do Messias no capítulo 4, volta a falar de Sua Primeira Vinda ao mundo e o Seu ministério de então, no capitulo 5. Seria um reino de paz e prosperidade (4.1-5), poder (4.6-8) e prodígios (4.9-13).
No primeiro versículo do capítulo 5, o profeta volta a salientar a opressão que Israel sofrerá. Será sitiado por tropas inimigas. Mas, em meio a tanta infâmia e dor, o Messias viria a este mundo, nasceria na pequena e humilde vila de Belém-Efrata, a pouca distância da grande Jerusalém e começaria a trazer alívio, ânimo, fé e esperança para Israel e os gentios.
O verbo principal da passagem de Mq 5.10-15 é “eliminar”. Quando o reino messiânico for estabelecido, haverá uma grande limpeza na face da terra. Os instrumentos e os animais de guerra serão destruídos (5.10). As cidades pomposas e as fortalezas serão derrubadas e não mais serão necessárias. Com o Senhor presente no meio do Seu povo, armas, cidades e fortalezas humanas se tornarão supérfluos e totalmente inúteis.
O capítulo 6 é uma “controvérsia” do Senhor. Esta palavra tem o mesmo sentido da palavra “contenda”, de Oséias 4.1. Deus está se apresentando Sua queixa contra o Seu povo e convoca a natureza para ser testemunha desse caso judicial. Começa com perguntas (v.3) e continua lembrando aquilo que fez por Seu povo, ao libertá-lo do Egito e levá-lo à Terra Prometida (v.4-5).
Infelizmente, o povo não queria enfrentar o arrependimento conforme Deus exigia. Nem sequer queria dirigir-se a Deus, então, falaram a Miquéias. Sua sugestão foi oferecer novilhos, carneiros, rios de azeite ou até os próprios filhos, até obterem perdão dos pecados. Não compreendiam que não era esta a maneira de voltar para Deus e pensaram em até sacrifícios pagãos.
O Senhor pede que Seus filhos pratiquem a justiça, amem a misericórdia e andem em humildade com o seu Deus (6.8). Entretanto, o povo continuou cego e surdo aos apelos do Pai e por isso foi necessário que sofresse desolação (6.13, 16).
O último capítulo do Livro de Miquéias começa com uma lamentação (7.1-7) e continua com as profecias sobre a reedificação de Jerusalém e muitas maravilhas feitas pelo Messias em dias futuros. Termina com uma sublime evocação da imensurável misericórdia de Deus (7.8-20).

8.    Naum: a soberania de Deus
O pequeno Livro de Naum enfatiza uma grande verdade: Deus não Se deixa zombar. Por algum tempo, Ele suporta a rebeldia e a soberba do homem, mas não indefinidamente.
Nínive teve sua oportunidade de arrependimento nos dias de Jonas, mas agora na época de Naum, vivia um estado de impiedade tal que sua queda imediata era a única opção justa para Deus. Tamanha eram as atrocidades que o furor dos céus tinha que ser derramado sobre os assírios.
O nome Naum significa conforto e consolo. Enquanto pregara sobre a assolação do império assírio, este profeta procurava confortar o seu próprio povo. A ruína total de Nínive é irreversível e Naum anuncia aos judeus que devem se alegrar. O homem vil será totalmente exterminado.

Observe as características do zelo de Deus, conforme a narrativa de Naum:
1. Deus é tardio em irar-se, mas quando age, fá-lo poderosamente (1.3);
2. Não há quem possa suportar o Seu furor (1.6);
3. Em meio à Sua vingança, há um refúgio para os justos (1.7);
4. A Deus pertence o direito. Ele se revela justo ao executar vingança (1.9-11);
5. A vingança do Senhor é total e completa (1.12,14).
Naum continua seu relato, descrevendo a terrível desolação da grande capital Assíria e deixando bem claro que desta vez não haveria misericórdia e graça da parte de Deus, Nínive cairá com um barulho arrepiante e nunca mais se levantará nem se exaltará (Na 2).
No capítulo 3, o profeta ressalta as razões pelas quais Deus está se vingando de Nínive: É uma cidade sanguinária e cruel (3.1-3); é uma cidade imunda, cheia de prostituição e feitiçaria (3.4-5); é uma cidade que se julgou melhor e mais forte do que outras e que veio a cair (3.7-10).
Naum termina a sua profecia falando do sono fatal dos líderes da Assíria. Os pastores dormem (3.18) e por isso as ovelhas correm confusas sem direção ou sem rumo. Os nobres estão mortos e não há quem possa pôr a casa em ordem.

9.    Habacuque: a justiça de Deus
Habacuque é o profeta mais culto dentre os profetas menores e o último dentre os de Judá. Era filósofo, poeta e músico. Seu nome significa abraço e o tema é “A Santidade de Deus”. O ensino central do seu livro é: “... o justo viverá pela sua fé” (2.4).
Habacuque inicia com um clamor, perguntando a Deus porque demora tanto a realizar a Sua justiça (1.1-4) e Deus responde dizendo que o julgamento é iminente e que virá sobre Judá, como está determinado (1.5-11).
Depois de ouvir a resposta de Deus, o profeta parece que teve certa dificuldade em aceitar o que o Senhor iria fazer com Judá. Antes ele reclamava da iniquidade do povo, mas, agora, percebendo que a ira divina será desencadeada sobre Judá, Habacuque recua um pouco em seus protestos e procura convencer Deus que talvez tenha agido com demasiado rigor. O profeta sabia que o seu povo tinha desgostado a Deus e precisava ser disciplinado, mas não queria que sofresse tanto sob o jugo do novo poderio do Oriente. Por isso, intercedia e buscava obter de Deus razões mais compreensíveis referentes ao castigo vindouro a Judá.
Uma das proclamações mais inspiradas e comoventes de toda a Bíblia se encontra em Habacuque 2.1-5. Realmente, há razões de grande valor na resposta de Deus ao Seu porta-voz.
As instruções do Senhor para Habacuque consistem em escrever sobre tábuas de grande porte a mensagem sobre o juízo do ímpio. A mensagem seria tão clara e tão manifesta que até o apressado a leria e compreenderia o que estava escrito. Era uma mensagem do julgamento inevitável dos caldeus e futuros inimigos do Senhor e preservação do povo de Deus.
Nos quinze versículos de Habacuque 2.6-20, encontramos cinco “ais” sobre os babilônicos: ai do avarento (2.6-8); ai do cobiçador (2.9-11); ai do que pratica a crueldade (2.12-14); ai do corrupto (2.15-18) e; ai do idólatra (2.19-20).
Um belo salmo encerra o Livro de Habacuque no capítulo 3. Nele notamos petições e declarações de fé e louvor. Mesmo reconhecendo que Judá será julgado e subvertido, o profeta termina o seu relato com exclamações de vitória e alegria, pois tem aprendido a fé em Deus em todas as situações.
A conclusão da mensagem desse porta-voz de Deus é singular. É uma exclamação de ânimo ante as circunstâncias escuras de Judá. Ainda que essa terra nada esteja produzindo e os animais da lavoura tenham sido levados ou destruídos, todavia ele se regozija no Deus da sua salvação (3.17-18).
10. Sofonias: o Dia do Senhor
Sofonias significa o Senhor esconde ou o Senhor protege (2.3). Este é o único, dentre os profetas menores, que tinha parentesco com a linhagem real. Sua genealogia se encontra no primeiro versículo do livro que leva seu nome.
O relato de Sofonias, juntamente com os de Naum e Habacuque, procurou alertar o povo a voltar a Deus antes que o ataque militar e arrasador dos caldeus atingisse todo o povo e fosse tarde demais.
Depois de se apresentar, Sofonias começa bruscamente sua profecia dizendo que o Senhor vai consumir todas as coisas sobre a face da terra. Sua declaração introdutória procura despertar Judá e trazê-lo de volta ao caminho reto, pois será incluído nesse grande holocausto, se não se arrepender (1.1-6).
Sofonias 1.7-18 é um dos trechos mais pavorosos dentre todos os relatos dos Profetas Menores. Nele encontramos uma narração espantosa sobre o terrível Dia do Senhor. As frases sinônimas que Sofonias usa para descrevê-lo é: dia de indignação; angústia; alvoroço e desolação; escuridade e negrume; dias de nuvens e densas trevas (v.15).
Acrescentado a estas expressões outras de igual modo assustadoras, o profeta deixa bem claro que o tal tempo será tão extraordinário, que fará do valente um covarde e do corajoso um ser apavorado.
Antes de predizer o castigo que assolará os povos ao redor de Judá, Sofonias convida o povo, no capítulo 2, a se congregar e buscar a Deus, antes que venha o dia da Sua ira. “Buscai o Senhor... a justiça... a mansidão...”, diz o profeta. Se assim fizer, o povo encontrará refúgio; escondido do furor que vem do alto, escapará do julgamento que se aproxima.
O capítulo 3 demonstra que Israel também não ficará isento do juízo do Senhor. Jerusalém é verbalmente lacerada pelo profeta: “Ai da cidade opressora, da rebelde e manchada” (3.1). Não atende ninguém, por sua presunção. Não aceita disciplina e, por isso, seus moradores são indisciplinados.
O arauto divino procura lembrar Judá que serve a um Senhor justo, que não peca e nem erra (3.5). Suas ovelhas, portanto, devem seguir exemplo do seu Senhor e não o dos outros rebanhos que vivem corrupta e impiamente. Essas nações serão exterminadas pela ira de Deus (3.6) e, se Israel persistir em se conduzir da mesma maneira que elas, terá destino semelhante.
Sofonias encerra o seu livro relatando o lado alegre do Dia do Senhor. Salienta a salvação do remanescente de Israel em meio à destruição das nações. Suas profecias falam da época messiânica, mormente quando Cristo voltará para restaurar Jerusalém e habitar entre o Seu povo, como Seu único e verdadeiro Rei.

11.  Ageu: a glória do Senhor no templo
O nome Ageu significa festivo ou minha festa. Este profeta promoveu a construção do templo, a fim de que as festas sagradas fossem retomadas. Provavelmente, Ageu nasceu na Babilônia e voltou com o primeiro gozo de judeus a Israel, sob a liderança de Zorobabel, no ano 538 a.C.
Ageu apareceu no cenário judaico em hora muito crítica. O povo encontrava-se em um estado confuso e indiferente quanto à continuação da reedificação do templo. Os filhos de Israel estavam desanimados e retornaram ao velho costume de esquecer-se de Deus. Por isso Deus enviou seu mensageiro para reanimar Seu povo.
O tema do Livro de Ageu é “A Glória de Deus”. O Senhor queria que o povo terminasse a Sua casa para que pudesse voltar a ser adorado nela e enchê-la da Sua glória: “... edificai a casa; dela me agradarei, e serei glorificado, diz o Senhor” (Ag 1.8).
Neste livro de apenas 38 versículos, a expressão “diz o Senhor dos Exércitos”, ou outra muito semelhante, ocorre 26 vezes. Com isso, o profeta queria expressar claramente que Deus estava falando com o Seu povo.
O povo é convidado a pensar no que aconteceu no passado e os resultados não foram bons. A rebeldia do povo lhe causou muita dor e sofrimento. Ao relembrar isto, Deus procurar abrir-lhe os olhos, mostrando o perigo que corre em se colocar outra vez sob Sua ira julgadora.
A consequência da falta de fé dos filhos de Israel para continuar a reedificação do templo foi uma seca que sobreveio à terra. Não chovia em Judá, tanto nas planícies e baixias, como nas montanhas. O Senhor lhes diz, então, que lancem mãos à obra, subam os montes, busquem materiais e edifiquem a Sua casa. Então, bênçãos do alto, materiais e espirituais, voltarão a ter lugar na terra e em meio aos seus habitantes.
Começar um trabalho é uma coisa, continuar é outra, por isso Ageu, no capítulo 2, não parou de pregar quando Judá se animou e pôs a mão no arado. Ele também continuou a profetizar, procurando incentivar o povo a terminar o templo: “... sê forte!” (2.1-5).
Ageu 2.6-9 procura mostrar que a real beleza do templo será a presença do Senhor. A glória que se evidenciará será maior do que aquela da primeira casa e os filhos de Israel gozarão de paz em Jerusalém. A casa, seja um corpo humano, um lar ou uma igreja, que sejam consagrados ao Senhor, serão cheios da glória de Deus e da Sua paz.
A terceira mensagem de Ageu salienta a importância da santidade. O profeta avisa ao povo que Deus não tolera a imundície e que é mister apresentar-se puro diante dEle, pois, só assim, poderá abençoá-lo (2.10-19).
Graças a persistência de Ageu, o povo reconheceu a sua grande necessidade. Considerou bem a sua situação e se santificou ao Senhor. Três meses depois disso, os alicerces do templo estavam completos e, agora, Judá se chegava a Deus. Por isso, o Senhor lhe disse: ... desde este dia, vos abençoarei” (2.19). As colheitas seriam abundantes e os celeiros ficariam cheios. A videira, a figueira, a romeira e a oliveira dariam os seus preciosos frutos.
A última mensagem de Ageu é repleta de promessas. O profeta encerra o seu livro tratando do futuro das poderosas nações gentílicas que serão esmagadas antes do início do reino milenar do Messias de Israel. Ageu também aborda de passagem, o Dia do Senhor, bem como a soberania do Messias.

12. Zacarias: obras sob a unção do Espírito
O nome deste profeta significa, no hebraico, o Senhor lembra. Além de arauto de Deus, Zacarias também era sacerdote. Era jovem, segundo o quarto versículo do capítulo dois, e um dos profetas do pós-cativeiro.
O tema do Livro de Zacarias é o “Dia do Senhor e a Purificação do Seu Povo”. A ênfase está na restauração de Israel por meio da obra regeneradora do Messias. A visão de Zacarias foi além da dos outros profetas quanto ao futuro do povo escolhido.
Dois meses depois de Ageu ter recebido a Palavra de Deus, recebeu-a também Zacarias. A exortação inicial do profeta ressalta o retorno dos filhos judeus ao Senhor: “Não sejais como vossos pais...” (v.4). Os pais se arrependeram, mas só depois de serem punidos. Agora, uma nova oportunidade está sendo oferecida à nova geração para que se estabeleça no Senhor. A admoestação é para que não caia na mesma cilada dos seus antepassados e sofra as mesmas consequências: “Vossos pais, onde estão eles? E os profetas, acaso, vivem para sempre?” (Zc 1.5).
Do capítulo 1 a 3 de Zacarias, lemos o registro de quatro visões dadas por Deus ao profeta. A primeira visão trata dos cavalos entre as murteiras (1.7-17). Zacarias viu três grupos de personagens em cavalos vermelhos, baios e brancos a andar entre as murteiras, com um dos personagens montado, à frente dos demais, em um cavalo vermelho. Este personagem é Cristo. As murteiras representam Israel ou o povo de Deus. Os cavalos representam guerra (vermelho), pragas (baios) e vitória e glória (brancos). Os cavaleiros (possivelmente anjos), após percorrerem a terra, anunciam que ela “está, agora, repousada e tranquila” (v.11).
Em suma, a interpretação da visão é a de que Deus, por intermédio de Seu Filho, está prestes a intervir ao mundo, que se encontra acomodado e indiferente, para restabelecer e abençoar Sua cidade e Seu povo.
A segunda visão trata de quatro cifres e quatro ferreiros (1.18-21) e simboliza a derrota dos inimigos de Israel. Os quatro cifres representam forças opressoras, possivelmente Babilônia, Pérsia, Grécia e Roma (ou Assíria, Egito, Babilônia e Medo-Pérsia). Os quatro ferreiros são agentes de Deus (anjos ou homens) que esmagarão os cifres, findando assim suas ameaças e tirania.
A terceira visão é sobre Jerusalém medida (2.1-13) e sua explicação mostra que a cidade santa será grande e populosa. Fala da volta à Jerusalém dos judeus espalhados pelo mundo afora. A população será tão numerosa que se estenderá além das muralhas da cidade.
A quarta visão tem como base Josué, o sumo sacerdote (3.1-10) que simboliza todo o sacerdócio de Israel. Suas vestes sujas representam manchas do pecado. A remoção dessas vestes e os finos trajes que lhe foram dados significam perdão, bem como a sua restauração ao seu primeiro estado glorioso. O simbolismo abrange todos os judeus, um povo de vocação sacerdotal, representado por Josué. Vemos aí, a promessa da purificação da nação israelita.
Do capítulo 4 a 6 lemos o registro das segundas quatro visões. Note que, entre a quarta e a quinta visão, o profeta entrou num estado de profunda sonolência. Antes do anjo falar, Zacarias despertou. Ou o profeta estava exausto e adormeceu ou, extasiado pelas maravilhas sobrenaturais das revelações, ficou atônito com isso. Seu ajudante celestial o acordou e perguntou: “que vês?” (4.2).
A quinta visão vislumbrava um castiçal dourado, completo, com um vaso de azeite, sete lâmpadas e sete tubos que estava entre duas oliveiras (4.1-14). A mensagem principal do trecho se encontra no versículo 6: “... Não por força nem por poder, mas, pelo meu Espírito, diz o Senhor dos Exércitos”. O sucesso da obra divina depende da unção do Espírito Santo. Deus, por meio dos “dois ungidos” iria reconstruir o Seu templo em Jerusalém.
Deus mostra ao mensageiro que Seus desígnios se cumprem quando Seus servos são ungidos pelo Espírito Santo e cooperam com o Mestre Arquiteto, lançando mãos à obra. Sua energia vem do Senhor, não de fontes humanas.
As últimas visões de Zacarias falam de condenação e juízo. A sexta visão é de um rolo voante (5.1-4) que representa a maldição ou o julgamento que recairá sobre os pecadores (v.3). O rolo simboliza a lei do Senhor que declara que aquele que a transgredisse será amaldiçoado. Por toda a terra os rebeldes serão procurados, alcançados e expulsos do reino do Messias. Suas casas e suas vidas serão consumidas (v.3-4).
Na sétima visão encontram-se a mulher e o efa (5.5-11). O efa (cesta) significa o mercantilismo e também, como o versículo 6 indica, “a iniquidade em toda a terra”. Somando os dois, o resultado são os negócios ímpios que os comerciantes praticam. A mulher é a “impiedade”. A iniquidade é fruto de um coração ímpio.
Quatro carros permeiam a oitava visão (6.1-8) e seu ponto comum com a primeira visão são os cavalos. Agora, há também cavalos pretos que possivelmente, representam a morte. A ideia geral é a de que os carros puxados por esses cavalos, que são ventos (anjos) ou espíritos do céu (v.5), percorrerão a terra, principalmente, o Norte, executando os propósitos judiciais do Senhor.
O ciclo das revelações se completa aqui. Começou com o soberano Deus prestes a intervir no mundo e se encerra com Ele, enviando os Seus anjos para julgar as nações. Isto acontecerá no fim da Grande Tribulação, quando terá início a era messiânica.
A sequência das visões de Zacarias é a coroação simbólica de Josué (6.9-15). Sua coroação representa a glorificação do Messias, o Renovo, como rei e sacerdote. O outro e a prata trazidos de volta do cariveiro por alguns dos exilados seriam usados para fazer a coroa a ser colocada como “memorial no templo do Senhor”. No tempo certo, segundo o plano de Deus, Jesus realizará o que está escrito no Livro de Zacarias, que são atos típicos ou sombras da imagem real.
O capítulo 7 relata a primeira mensagem do Senhor a Zacarias. Desta vez o Senhor não recorre a visões, mas a mensagens diretas. Os assuntos são “A repreensão a Israel por seus Falsos Motivos” e “A Promessa de sua Restauração”, que começam com uma pergunta (7.1-3) seguida de resposta (7.4-7).
No capítulo 8 há a segunda mensagem do Senhor, com o tema sobre “A Misericórdia de Deus”. Vemos isso frequentemente. Um Criador amoroso, abençoador, cuidando do Seu povo e este se afastando; Deus chamando-o de volta e a rebeldia se intensificando; o Senhor castigando-o e ele, arrependido, voltando ao Criador. Ele aceitando-os novamente, por Seu grande amor. Um dia, porém, a misericórdia de Deus findará e aqueles que ainda não O reconhecem como Messias experimentarão somente a Sua justiça.
Zacarias, no começo do capítulo 9, transporta-se dos seus dias a épocas futuras, principalmente para os dias de Cristo, quando Ele viver na terra. Falando desses eventos futuros, o profeta inicia suas mensagens sobre os dois adventos do Messias. Primeiro, fala sobre a Primeira Vinda de Jesus e a rejeição (caps. 9-11), depois prega sobre a Sua Segunda Vinda e recepção por parte dos israelitas (caps. 12-14).
O Livro de Zacarias termina salientando a Segunda Vinda de Cristo e a liberação do povo de Deus. O profeta comenta que desta vez “o Senhor será Rei sobre toda a terra...” (14.9).


13. Malaquias: sentença pronunciada pelo Senhor
Malaquias é o último dos profetas do AT. Quase nada se sabe sobre sua pessoa. Nem a História nem seu livro nos dão muita informação sobre ele. A única informação prestada pelo livro que leva seu nome é a de que este profeta foi o seu autor como podemos ver no primeiro versículo.
O nome Malaquias significa mensageiro de Jeová. Ele foi um porta-voz chamado por Deus para admoestar, profetizar e transmitir promessas ao Seu povo. Certos comentaristas acreditam que Malaquias fosse sacerdote, devido às várias referencias que o livro faz esse ofício.
O templo estava inaugurado há 100 anos, mas, infelizmente, o povo havia retornado aos seus velhos pecados e não praticava a verdadeira religião. O povo estava desanimado, pois o desejo de ter um reino restaurado e poderoso, sob um grande líder, não fora concretizado. Tornou-se indiferente às coisas espirituais. Foi neste tempo que Malaquias ministrou. O tema do seu livro é “A Grandeza de Deus” (1.5), destacando o Seu amor divino.
“Eu vos tenho amado, diz o Senhor” (1.2). A profecia começa com uma afirmação de amor da parte de Deus, por intermédio do Seu mensageiro. Todavia, a indiferença havia dominado de tal forma a alma de Judá que não notavam o amor de Deus e perguntavam: “Em que nos tens amado?” (1.2). Deus responde, lembrando-o do Seu julgamento sobre Edom.
No trecho de Malaquias 1.6-14, Deus interroga os sacerdotes, perguntando “onde está a minha honra?”, pois ao invés de conduzirem o povo nos caminhos da justiça e reverentemente observarem as cerimônias do templo, os sacerdotes profanavam o altar do Senhor. Pão imundo (1.7) e animais cegos, coxos e enfermos (1.8-13) estavam sendo oferecidos a Deus, que declara não aceitar tais sacrifícios e que não tem prazer no que eles estão fazendo (1.10).
O capítulo 2 inicia falando dos sacerdotes desprezados (2.1-9). Os deveres dos sacerdotes eram: guardar o conhecimento, instruir os homens e andar em justiça perante Deus. Levi, o patriarca da tribo sacerdotal, havia cumprindo sua parte, mas os seus descendentes estavam desviados do caminho divino e haviam se tornado pedras de tropeço para muitos (2.8). Por isso, Deus os alerta que, se não se arrependessem das suas transgressões, serão amaldiçoados, reprovados e envergonhados.
Malaquias continua sua profecia e, agora, condena a atitude errada do povo. Não apenas os sacerdotes estavam falhos, mas também as ovelhas rebeldes (2.10-12). Judá rejeitou a Deus, tomando mulheres que serviam a deuses estranhos e ainda tentaram justificar seus atos, dizendo que todos eram da mesma família universal. Deus, no entanto, assegura que tal pecado não será tolerado e será eliminado das tendas de Jacó ou será afastado do seu povo. Os filhos de tais casamentos pagãos não farão parte dos escolhidos de Deus; Sua herança, tanto terrestre, como celeste, será anulada.
O Senhor estava externando a Sua irritação com Judá. O profeta declara que, de tanto justificar o mal, como o povo vinha fazendo, enfadara a Deus (2.17). Chegaram a infâmia de dizer que o mal é bom e que isso agrada ao Senhor.
O Dia do Senhor, mencionados por vários profetas, também consta no capítulo 3 do Livro de Malaquias. Antes da sua chegada, o Messias enviaria um precursor (João Batista) que prepararia o seu primeiro advento (3.1).
O Senhor é sempre o mesmo. Ele não muda. Por isso, para os inimigos não haverá esperança, mas Seu povo não será exterminado (3.6). O Senhor que sempre o amou, convidou-o para voltar para Ele; porém, Judá persiste em sua arrogância, sempre achando que está tudo bem quanto o seu andar com Deus.
Malaquias inicia um novo assunto sobre a contribuição financeira no templo. O grande pecado de não contribuir com dízimos e ofertas prevalecia entre o povo. A acusação divina era a de roubo. O profeta declara que aquele que assim procede será amaldiçoado. Todavia, se começassem a contribuir novamente para o trabalho do Senhor, as bênçãos de cima serão imensuráveis (3.10) e haverá cereais e frutas em abundância nos seus campos (3.11).
Judá chegou à conclusão de que era inútil servir a Deus (3.14). Seus habitantes declararam que os ímpios prosperam e não são julgados (3.15). Estavam vivendo arrogantes e falavam de Deus de forma irreverente. Bom seria se lessem os primeiros versículos de outro dos seus profetas: “O Senhor é Deus zeloso e vingativo, o Senhor é vingador e cheio de ira... O Senhor é tardio em irar-se, mas grande em poder e jamais inocenta o culpado...” (Na 1.2-3).
Os últimos versículos do AT salientam três grandes verdades: Israel, o tesouro particular de Deus; o sol nascente da justiça; o envio do profeta Elias como um precursor do grande e terrível Dia do Senhor, que reconciliará pais e filhos entre si.
Malaquias narra de forma poética e habilmente, no capítulo 4, o fim glorioso dos justos. Aqueles que se consagraram ao Senhor cumpriram seus votos de fidelidade e se dedicaram ao trabalho nos campos sob os sanadores raios do Sol da Justiça. Este “sol” transformará seus corpos, revigorará suas almas e alegrará seus espíritos. O Messias trará perfeita e completa salvação a todos os Seus irmãos que reinarão eternamente com Ele.
A última profecia do AT se encerra com a promessa da vinda de Cristo. Depois disso, houve o período de 400 anos de silêncio entre os profetas, aguardando o Sol da Justiça. Hoje vivemos entre os dois adventos do Messias. Usufruímos das bênçãos da Sua Primeira Vinda, enquanto aguardamos ansiosamente a Segunda Vinda. O nosso clamor se expressa nas palavras do apóstolo João, ao encerrar seu livro, o último do Novo Testamento: ... Amém! Vem, Senhor Jesus!”(Ap 22.20).

Nenhum comentário:

Postar um comentário