quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

EP. GERAIS - TIAGO A JUDAS



1.    Introdução
“Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra” (2Tm 3.16-17).
O termo “Epístolas Gerais” abrange as seguintes cartas do Novo Testamento: Hebreus, Tiago, 1 e 2 Pedro, 1, 2 e 3 João e Judas. São chamadas “Gerais” porque são de natureza e alcance universais.
Com exceção de Hebreus, que necessita de um estudo pormenorizado em disciplina específica, as demais epístolas estão num só livro em função da grande semelhança e harmonia no ensino que elas contém.
TIAGO, por exemplo, tem como ensino central de sua epístola a religião pura e sem mácula, evidenciada por uma vida conforme o modelo da Palavra de Deus.
Já 1 PEDRO trata da submissão e humildade do cristão em meio a sofrimentos, principalmente aquele que lhe é infligido por causa do nome de Cristo, enquanto 2 PEDRO procura despertar no crente o interesse por adquirir maior e mais profundo conhecimento da Palavra de Deus como recurso no combate contra os falsos mestres.
A epístola de 1 JOÃO trata essencialmente da importância da comunhão no meio da família espiritual de Deus, ao passo que 2 JOÃO adverte as famílias cristãs quanto ao perigo de se dar pousada e atenção àqueles que pregam um evangelho estranho. Por sua vez, 3 JOÃO conforta e exorta aqueles que andam na verdade a nunca desviarem seus pés das santas veredas, ainda que perseguidos e injustiçados por irmãos ambiciosos.
JUDAS, com um vibrante brado de alerta, chama a atenção dos crentes no sentido de que estejam prontos para a grande batalha da conservação da fé santíssima, uma vez confiada aos santos.
Em função das cartas que contém, o Novo Testamento possui um caráter bem mais pessoal que o Antigo Testamento. Logo que o movimento cristão foi se disseminando além das fronteiras palestinas e as distâncias geográficas cada vez maiores foram separando os grupos dos crentes, introduziu-se o uso de cartas. Essas cartas apostólicas foram mais tarde reconhecidas pela cristandade como divinamente inspiradas.
As Epístolas Gerais são muito breves em comparação com as Epístolas Paulinas, o Livro de Atos, os Evangelhos e Apocalipse. Sua importância, contudo, é grande, pois elas nos ajudam a compreender a experiência da Igreja do primeiro século em seu crescimento e integração; também constituem importante elo entre as Epístolas Paulinas e o Apocalipse.
Para ser reconhecidos como inspirados e integrantes das “Sagradas Escrituras”, a Igreja Primitiva examinava, analisava, escolhia e preservava as epístolas e livros para as gerações futuras, levando em consideração a Apostolicidade, Universalidade, Conteúdo e Inspiração.
É muito fácil estudarmos a Palavra de Deus querendo aplicar seus ensinos à vida dos outros. Entretanto, a verdade é que todos necessitamos da misericórdia de Deus para sermos “conformes à imagem de seu Filho”. Que o divino Espírito Santo, cuja inteligência sonda as profundezas de Deus, acompanhe-nos neste estudo, levando ao mais pleno conhecimento das verdades contidas nestas epístolas.
2.    A Epístola de Tiago
Tiago era meio-irmão do Senhor Jesus Cristo, isto é, filho de José e Maria e, provável que por sua humildade, ele não faz referência a esta particularidade em sua epístola. Um dos primeiro crentes judeus em Jerusalém, Tiago foi visitado por Jesus após Sua ressurreição e um dos primeiros líderes da Igreja cristã a ser martirizado. Sua epístola foi, talvez, a primeira a ser escrita (46-49 d.C).
Tiago e seus irmãos não criam, a princípio, que seu irmão Jesus fosse o Messias (Jo 7.5; Mc 3.21). Somente após Sua ressurreição foi que passaram a crer nEle. A passagem de I Coríntios 15.7 afirma que Jesus apareceu a Tiago.
Quanto ao parentesco com o Senhor Jesus, os Evangelhos fazem menção a quatro homens como irmãos de Jesus: Tiago, José, Simão e Judas (Mc 6.3). Há três teorias referentes a isso, duas delas que defendem a ideia de virgindade perpétua de Maria, falando que eram filhos de José de um casamento anterior ao com Maria ou que, na verdade, não eram irmãos e sim primos. A teoria que aceitamos como certa é que eles eram realmente Seus irmãos e irmãs, filhos de Maria, que os deu à luz após o nascimento de Jesus. Isto significa que eram irmãos mais novos, filhos de Maria e José (Mt 13.55).
A Epístola de Tiago ensina a viver de maneira prática e santa. É de caráter mais prático do que doutrinário e seu tema é: A Religião Pura.
Na saudação, ao início de sua epístola, Tiago se dirige aos crentes dispersos, isto é, situados fora de Jerusalém. Era grave a situação nas igrejas daquela época. Os crentes estavam passando por muitas provações e, ao invés de reagirem com fé e perseverança, eles se tornavam cada vez mais fracos após cada provação. Tiago, então, exorta-os a se alegrarem diante das provações.
Uma vez que necessitamos e desejamos sabedoria, Tiago ensina como obtê-la (1.5-8). É tão simples que ficamos pasmos! Basta pedirmos a Deus! Ele Se deleita em dar, segundo a nossa necessidade: Peça, porém, com fé, sem duvidar.
Nas igrejas para as quais Tiago escreveu sua epístola, havia ricos e pobres e ambos os grupos devem considerar sua condição de vida de maneira certa. O pobre, ao converter-se a Jesus Cristo, eleva-se por sua fé a um nível superior. O rico, ao converter-se ao Senhor Jesus, nivela-se aos seus irmãos pobres, uma vez que ele passa a entender que as riquezas deste mundo são transitórias, de curta duração e extinguíveis “murchará o rico em seus caminhos” (1.9-11).
Tiago 1.12 diz: “Bem-aventurado o varão que sofre a tentação”. Muitas vezes confundimos quanto à origem da tentação. Alguns dizem: “Foi o Diabo quem me induziu a fazer isto” ou “Deus me tentou”. Porém, Tiago esclarece dizendo: “cada um é tentado pela sua própria cobiça, quando esta o atrai e seduz” (1.14). Isto significa que a origem da tentação é a cobiça da própria natureza pecaminosa do homem.
A ideia geral da Epístola de Tiago envolve a chave do amadurecimento espiritual nas provações e sofrimentos, que são a paciência e a perseverança: ‘Todo homem, pois, seja pronto para ouvir, tardio para falar, tardio para se irar’.
As práticas mais importantes da religião pura sugeridas por Tiago são: Visitar órfãos e viúvas em suas dores e; Guardar-se incontaminado do mundo (1.27).
No capítulo 2, Tiago fala sobre a acepção de pessoas. Infelizmente, hoje existem nas igrejas os mesmos problemas enfrentados pela Igreja Primitiva. Um deles relaciona-se à acepção de pessoas, isto é, alguns são tratados com mais atenção do que outros. Os ricos são acatados e tratados de modo privilegiado ao passo que os pobres são negligenciados e até mesmo desprezados. Tiago não chama tal prática de “erro”, mas de “pecado” (2.9). A lei régia para a Igreja neste particular é: “Amarás o teu próximo como a ti mesmo...” (2.8).
Dos versos 14 a 26, Tiago fala sobre a fé e as obras. Ele apresenta o exemplo de um irmão que diz a outro necessitado de roupa e alimento “Ide em paz, aquecei-vos e fartai-vos” (v.16). Bem intencionado, ele deseja que sejam satisfeitas as necessidades de seu irmão, contudo, nada faz para ajudá-lo. De que vale a fé que se mostra impassiva ante os sofrimentos, que não se dispõe a acudir o necessitado? De nada adianta! A fé expressa só em palavras, sem ação, é morta, pois a fé que não resulta em obras não justifica ninguém. O apóstolo termina exemplificando Abraão e Raabe.
No capítulo 3, Tiago fala sobre o pecado da língua: “Com ela, bendizemos ao Senhor e Pai; também com ela, amaldiçoamos os homens, feitos à semelhança de Deus” (v.9). É possível que na igreja judaica houvesse muitas pessoas contenciosas, presunçosas e temperamentais, que costumavam bendizer a Deus durante os cultos na igreja, mas que, ao saírem, passavam a falar mal uns dos outros, cobiçando a posição eclesiástica e social do semelhante, e julgando os irmãos na fé, por isso o autor sagrado diz: “Meus irmãos, não é conveniente que estas coisas sejam assim” (v.10).
Persistindo nesse assunto, Tiago destaca, nos versos 13 a 18, a sabedoria verdadeira e a falsa. A sabedoria falsa produz inveja, rivalidade e contendas, que ofusca a Jesus Cristo. Tiago chama essa sabedoria de demoníaca (v.16). Em contraste, ele fala da sabedoria que vem do alto, revelada na pessoa que vive de maneira virtuosa, na mais inteira dependência do Senhor. Ela é pura, pacífica, meiga, conciliadora, misericordiosa, simples e sincera, por isso, produz bons frutos. Quem possui sabedoria semeia a boa semente, produz justiça e retidão. Esta é a verdadeira sabedoria.
No capítulo 4, Tiago vê os judeus cristãos como contenciosos, que disputavam acerca de doutrinas e provocavam desordem na igreja. Ele vai dizer que estavam com a mente mundana, pois a tendência do coração humano é jamais contentar-se com o que tem. “O inferno e o abismo nunca se fartam, e os olhos do homem nunca se satisfazem” (Pv 27.20). Quando se deixa dominar por esse mal, o homem é capaz de práticas terríveis. Por isso, Tiago apontou àqueles cristãos a posição decadente em que se encontravam. Conclusão: todas as lutas e contendas, esforços empenhados para a satisfação de seus desejos, era inúteis: “Nada tendes...” (v.2).
Após apontar esta situação seriíssima, Tiago mostra que o segredo da vitória na guerra contra a mente mundana está no fato de o crente sujeitar-se inteiramente a Deus, de modo a crescer em santificação. Isto o torna apto a resistir ao Diabo e a vencê-lo sem dificuldade. “Chegai-vos a Deus, e ele se chegará a vós outros.” (v.8). Somente pela manifestação de um arrependimento sincero é que Deus pode acolher o homem em Seus braços, dispensar-lhe Sua graça e Seu perdão. O Senhor deleita-Se em conceder a Sua graça àquele que a busca em amor.
Dos versos 13 a 16 do capítulo 4, Tiago fala do orgulho e aquele que diz “Hoje ou amanhã iremos a tal cidade e lá passaremos um ano, negociaremos e teremos lucros” esta caindo em jactância, isto é, a vaidade de sentir-se autossuficiente para planejar sua vida. As atividades eram legítimas, porém conduzidas de forma incorreta, pois eram realizadas sem a participação direta do Senhor, sem consultar a Sua vontade.
O último capítulo de Tiago fala sobre o perigo das riquezas adquiridas desonestamente e, a partir do verso 7, conclui tratando sobre a paciência, a libertação da murmuração e o perigo do juramento, ensinando que devemos dizer simplesmente “sim” ou “não” e que sejamos cem por cento honestos no nosso trato com as pessoas para não cairmos em juízo.
Na sua epístola, Tiago trata de vários problemas relativos à discórdia, ao pecado e à desunião na igreja. Agora ele mostra como os crentes poderiam resolver esses problemas: orando e se alegrando juntos, e também confessando seus pecados uns aos outros. O resultado deste procedimento é a cura do doente e a restauração dos desviados. A oração da fé salva o doente, pois a súplica do justo tem grande eficácia.

3.    A Primeira Epístola de Pedro
O apóstolo Pedro foi um dos primeiros e mais próximos discípulos de Jesus. Um grande exemplo do que Deus pode fazer com um homem fraco e indeciso está na figura de Pedro, que, embora recebesse a revelação divina de que Jesus era o Filho de Deus (Mt 16.16), mais tarde O negou por três vezes. Não muito depois, quando foi batizado com o Espírito Santo, no cenáculo, Pedro foi transformado em um evangelista poderoso, cuja pregação levou três mil almas a Cristo de uma só vez.
Ao escrever esta epístola aos crentes da Ásia Menor, Pedro está “apascentando as ovelhas”, conforme Jesus havia pedido (Jo 21.17). Escreveu-lhes com o intuito de animá-los em um momento em que muitos estavam passando por provações. Embora não sofressem ainda martírio nem prisão, eram alvo de difamação e ódio, por não quererem tomar parte das práticas licenciosas de seus vizinhos pagãos.
Pedro se tornou o primeiro pregador pentecostal e é a figura principal dos primeiros capítulos do livro de Atos. Foi um instrumento usado por Deus na operação de inúmeros milagres, como na ressurreição de Dorcas (At 9.36-41).
O tema da 1ª Epístola de Pedro é “Submissão e Sofrimento” e o objetivo é encorajar os crentes. Por três vezes encontramos neste seu escrito a frase: “Sede sóbrios e vigilantes” (1.13; 4.7; 5.8).
O apóstolo Pedro inicia sua 1ª Epístola falando sobre a salvação, encorajando os crentes a, mesmo em meio às provações, se alegrarem, pois Deus nos regenerou para:
1. Uma viva esperança (pela ressurreição de Cristo dentre os mortos) – 1.3.
2. Uma herança incorruptível (reservada nos céus para nós) – 1.4.
3. Uma vida guardada pelo poder de Deus (mediante a fé) – 1.5.

Mesmo não tendo visto ainda Jesus em carne, nós O amamos e cremos nEle. Nossa fé traz como resultado imediato na vida uma plenitude de alegria indizível e gloriosa, ao mesmo tempo em que estamos divisando o fim desta fé, qual seja: a salvação das nossas almas (1Pe 1.8,9).
Após lembrar seus leitores sobre os galardões e bênçãos decorrentes do novo nascimento, Pedro exorta: “...cingindo o vosso entendimento, sede sóbrios...” (1.13). Ele os anima com a garantia da vitória em meio à luta e agora os chama para iniciar a batalha de fato.
Devemos alimentar o pensamento com a esperança de que a nossa salvação que já se iniciou, há de se completar no dia em que Jesus ressurgir na terra em glória. Devemos ter sempre presente o fato de que fomos redimidos, pelo sangue de Cristo, de uma vida vazia e vã. Devemos nos desembaraçar de todo peso do pecado que tenazmente nos assedia, pois toda impureza na vida nos impede de sermos bons soldados de Cristo.
Decorrente da nossa separação da impureza há um resultado natural: um sincero e profundo amor fraternal. Se não amamos nossos irmãos em Cristo, é sinal de que ainda residem resquícios de impureza em nossa vida.
Como fazer para obter mais amor e amar os irmãos de todo coração? A orientação de Pedro é: amai-vos, de coração, uns aos outros; despojai-vos de toda maldade, dolo, hipocrisia, inveja e toda sorte de maledicência (1Pe 2.1).
O recém-nascido se alimenta de leite e dele depende muito para crescer e se desenvolver normalmente. A criança que não é devidamente alimentada pode sofrer prejuízo mental e físico permanente. Pedro nos diz: “desejai ardentemente, como crianças recém-nascidas, o genuíno leite espiritual, para que, por ele, vos seja dado crescimento para salvação” (2.2).
Para recebermos alimento espiritual, achegamo-nos a Cristo, a Pedra Viva. Seguindo-O, tornamo-nos também pedras vivas a formar a grande casa espiritual de Deus. Portanto, é sumamente importante o amor fraternal. Um crente sozinho não constitui casa espiritual, pois que é integrada por todos os crentes, como pedras vivas (2.4-5).
Jesus é a Pedra que vive (2.4), a Pedra Angular posta por Deus Pai que O elegeu antes da fundação do mundo para ser a base e o sustentador de nossa grande salvação.
Em 1Pe 2.9-12, o apóstolo se dirige aos cristãos, chamando-os, pela terceira vez, de peregrinos e forasteiros neste mundo. Ele destaca quatro posições dos crentes em Jesus Cristo: raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus.
Por pertencerem a Deus, os cristãos são forasteiros neste mundo. Devem agir, portanto, como cidadãos dos céus, recusando seguir os vis modelos de conduta da sociedade secular em que vivem, abstendo-se das paixões carnais e apresentando um procedimento exemplar entre os descrentes. Enquanto não obedecermos plenamente estas instruções preliminares, não estaremos em condição de seguir os demais ensinos que Pedro apresenta na epístola:
·         Sujeitai-vos a toda instituição humana – 1Pe 2.13;
·         Sede submissos, com todo o temor ao vosso senhor/patrão – 1Pe 2.18;
·         Mulheres, sede submissas a vossos maridos – 1Pe 3.1;
·         Maridos, vós igualmente, vivei a vida comum do lar, com discernimento; e, tendo consideração para com a vossa mulher... tratai-a com dignidade. – 1Pe 3.7;
·         Sede todos de igual ânimo, compadecidos, fraternalmente amigos, misericordiosos, humildes – 1Pe 3.8;
·         Igualmente aos jovens: sede submissos aos que são mais velhos – 1Pe 5.5.

Nas palavras finais da sua 1ª Epístola, Pedro fala sobre os pastores e suas atitudes ao cuidarem do rebanho de Deus. O pastor deve servir ao rebanho de Deus, não por necessidade, mas espontaneamente; não por ganância, mas de boa vontade; não como um ditador, mas servindo de modelo ao rebanho.
1Pe 5.6-11 possui os conselhos finais, mostrando como vencer na batalha. Se reconhecermos que a fonte da nossa força é Deus, nos livrarmos de toda preocupação e ansiedade, sendo sóbrios e vigilantes e resistindo ao Diabo, temos a promessa de que ele fugirá de nós.

4.    A Segunda Epístola de Pedro
Em sua segunda epístola, Pedro trata do perigo das divisões na Igreja de Cristo por causa do ensino dos falsos profetas. A fim de combater este perigo, o apóstolo instrui os leitores a reforçarem seu conhecimento a respeito de Cristo. A epístola dá ênfase à necessidade de a Igreja crescer em conhecimento para que possa combater os falsos mestres.
Também é importante crescer em outras áreas da vida espiritual, conforme 2Pe 1.5-7, sendo: virtude, conhecimento, domínio próprio, perseverança, piedade, fraternidade e amor.
O tema de 2 Pedro é “A Necessidade de Conhecimento para se Combater as Falsas Doutrinas”. Este conhecimento é através da Bíblia Sagrada que resulta no crescimento do homem interior.
O pensamento chave de 2 Pedro é “conhecimento”. As palavras saber e conhecimento ocorrem dezesseis vezes ao longo da epístola.
Infelizmente muitos crentes entram pela porta da salvação, mas nada acrescentam à sua fé. Fé é o fundamento sobre o qual algo deve ser edificado. Somos salvos pela fé. O mesmo termo usado para salvação é ‘nascer de novo’. Isso implica crescimento a seguir. Logo, cresçamos em Cristo.
No capítulo 2, Pedro descreve cuidadosamente os falsos mestres em 4 aspectos: método, mensagem, motivação e maldição.
O método dos falsos mestres é introduzir heresias destruidoras de forma dissimulada ou encoberta, em ‘cultos’ particulares e clandestinos, inclusive nos lares. A mensagem de tais mestres ataca a natureza divina de Cristo e da Bíblia. Sua motivação é a avareza, um desejo anormal ou extremo de obter e possuir cada vez mais daquilo que já tem. Geralmente, trata-se de cobiça relacionada ao dinheiro, à fama e ao poder. Por fim Pedro fala sobre a maldição que há de vir sobre esses hereges. O seu fim será a destruição, mesmo parecendo que seu julgamento demore (2.3).
O julgamento de Deus não falha quando consideramos Seu padrão, estabelecido nas Escrituras. Nem mesmo os anjos escaparam do juízo de Deus quando pecaram (2.4). Deus não julgará também o homem?
Pedro continua sua exortação nos versos 21 e 22 afirmando que o último estado desses homens tornou-se pior que o primeiro: “Pois o melhor lhes fora nunca tivessem conhecido o caminho da justiça do que, após conhecê-lo, volverem para trás, apartando-se do santo mandamento que lhes fora dado”. Em seguida, enfatiza: “Com eles aconteceu o que diz certo adágio verdadeiro: o cão voltou ao seu próprio vômito; a porca lavada voltou-se para o lamaçal”.
Ambas as Epístolas de Pedro foram escritas para lembrar aos crentes aquilo que já sabiam. Para encerrar o capítulo, Pedro lembra as palavras dos profetas e apóstolos, afirmando que nos últimos dias surgirão escarnecedores e conclui dizendo que, mesmo estando firmes, há possibilidade de cairmos se nos deixarmos enganar por falsas doutrinas e pelo pecado (3.17). Sabendo que existe esta possibilidade, devemos nos preparar antes de encontrarmos o perigo, como diz Pedro:

Antes, crescei na graça e no conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. A Ele seja a glória, tanto agora como no dia eterno (2Pe 3.18).

5.    A Primeira Epístola de João
É universalmente aceito, desde os primórdios do Cristianismo, que o autor do quarto Evangelho seja também o autor das três epístolas chamadas: 1, 2 e 3 Epístolas de João.
O apóstolo João foi uma destacada figura do Novo Testamento que aprendeu com Cristo a lição sobre o amor. Foi João o discípulo que reclinou a cabeça do peito de Jesus e ficou conhecido como o apóstolo amado.
Como apóstolo do amor, João era um homem de personalidade disciplinada e firme. Defendia com fervor as doutrinas da Igreja e não suportava heresias, combatendo-as corajosamente. Estes dois elementos do seu temperamento, o amor e o a firmeza, evidenciam-se em sua 1ª Epístola. Fervor é a palavra que melhor descreve este servo.
João foi, talvez, a pessoa que mais desfrutou de estreita comunhão pessoal com o Mestre aqui na terra. Podemos dizer que Jesus e João foram amigos profundos. Quando estava morrendo na cruz, Jesus incumbiu Seu melhor amigo João de tomar conta de sua mãe Maria (Jo 19.25-27).
João esteve presente no dia de Pentecostes, ocasião em que foi batizado no Espírito Santo. Sabemos que João foi exilado na ilha de Patmos por causa “da Palavra de Deus e do testemunho de Jesus” (Ap 1.9).
Querendo avisar os crentes sobre os “lobos” que estavam aparecendo naqueles dias, João procura apresentar à Igreja princípios de salvação através de Cristo e aconselha seus membros a fortalecerem sua crença no Filho de Deus. Uma expressão usada é “desde o princípio”, ilustrando que Deus é eterno e que Seu amor dura para sempre.
O tema de 1 João é “Comunhão na Família, com Deus”. Esta comunhão se torna possível pela experiência adquirida ao conhecermos melhor o Senhor.
Esta epístola não foi dirigida a uma única igreja ou a um grupo de igrejas distintamente. Foi escrita por volta do ano 79 ou 80 d.C., tendo em vista a condição espiritual de seus leitores; muitos deles, cristãos da segunda geração, já tinham perdido o fervor e regozijo inicial do Cristianismo.
João inicia sua explanação de uma maneira geral, dizendo que Deus é luz e aquele que anda nas trevas não tem comunhão com Ele. Nos versos 1 a 4, João destaca o fato da humanidade de Cristo, assunto sobre o qual, naquele tempo, surgiram dúvidas. Quanto a isso, declara que Jesus é o Verbo da Vida.
No verso 5 do primeiro capítulo, encontramos estas palavras: “Deus é Luz”. Luz, aqui, se refere ao caráter de Deus: Sua santidade, Pureza e Seu esplendor.
Em João 1.8-2.2, o escritor continua a doutrinar sobre o pecado. A pessoa que afirma que não peca está enganando a si mesma. Conforme Romanos 3.23 “todos pecaram...”. Não há um sequer que esteja inseto de culpa.
Se confessarmos, Ele é fiel! Se confessarmos, Ele é justo! Para quê? Para nos perdoar e purificar! O problema do pecado tem solução na fidelidade e na justiça do Salvador.
Os mandamentos de Deus são para o nosso bem. Obedecendo aos mandamentos do Senhor, estamos ingerindo alimento sagrado e sadio para o nosso “homem espiritual”. Pela obediência à Palavra de Deus, revelamos nosso amor por Ele e aumentamos o conhecimento a respeito dEle. Deus se revela àquela que O ama e O obedece segundo a Sua Palavra.
No capítulo 2, João trata os crentes como filhinhos (nascidos de novo, cujos pecados foram perdoados), jovens (são a força e o desafio da juventude – tinham vencido o mal) e pais (os experientes na fé, crentes maduros, idôneos e sábios no Senhor).
Após lembrar aos crentes a sua posição em Cristo, João os admoesta a não amarem o mundo. É um aviso enfático, um alerta: Cuidado! Não ameis o mundo e nem as coisas do mundo! Perigo à frente! Cautela!
Como as tentações provém da carne, da cobiça e do orgulho, João orienta quanto às concupiscências e define: “Se alguém amar o mundo, o amor do Pai não está nele” (2.15).
Após admoestar os crentes a não amarem o mundo, João os adverte contra os anticristos, que eram os falsos mestres que se opunham aos ensinos de Jesus, negando Sua divindade e afirmando que Ele não era o Cristo. Estes viviam entre os crentes sem jamais terem sido, de fato, crentes (v.18-23).
A última hora (v.18) é uma referência ao tempo entre a assunção de Cristo e o arrebatamento da Igreja. João, em seus dias, viveu durante essa “última hora”, esperando Cristo voltar.
A unção da terceira pessoa da Trindade, o nosso conhecimento doutrinário e uma vida dedicada inteiramente ao Senhor é a proteção contra os anticristos e seus falsos ensinos (2.20; 2.22; 2.28-29).
O capítulo 3 inicia-se falando do grande amor do Pai, amor este que é puro, santo e constante, a ponto de Deus nos chamar Seus filhos. Este parentesco envolve certos problemas: “...o mundo não nos conhece... e ainda não se manifestou o que haveremos de ser” (3.1-2). João, no entanto, explica as razões disto: se o mundo não conheceu o nosso Progenitor espiritual, como é que vai reconhecer Seus filhos? Um dia seremos semelhantes a Ele, pois o veremos face a face, na Sua exata perfeição.
Outra bênção que João aponta é que quem é nascido de Deus não vive cometendo pecado. A mensagem aqui é que o crente não vive pecando, pois já não encontra prazer nisso. Não se compraz na prática do pecado, mas foge dele (3.6).
No verso 10, João declara que é fácil verificar quem é de Deus e quem é do Diabo: “Nisto são manifestos os filhos de Deus e os filhos do Diabo: todo que não pratica justiça não procede de Deus, nem aquele que não ama a seu irmão”. As conclusões finais são: os filhos do maligno continuam na prática do pecado; os filhos de Deus praticam a justiça.
Dizemos que assassina é uma pessoa que mata a sangue frio e estamos certos. João, entretanto, apresenta outro tipo de assassino: aquele que odeia seu irmão. O ódio começa no coração (internamente), mas se manifesta em atos abomináveis (externamente). De igual forma, o amor não pode ser apenas em palavras, mas um amor verdadeiro (3.18).
No capítulo 4, João usa os dois primeiros versículos para tratar de um assunto vital para a vida da Igreja e do crente individualmente. Trata-se de provar os espíritos, isto é, averiguar sua procedência (Deus-Homem-Diabo).
A prova fundamental de que um espírito é verdadeiro é a sua confissão de que Jesus Cristo veio à terra em carne, isto é, como homem. Da mesma forma, a comprovação do espírito falso é a negação de Cristo Homem (4.3).
“Sois de Deus”, diz João. Somos vitoriosos contra o mal porque maior é o Deus que em nós habita do que aquele enganador e príncipe das trevas que está no mundo. Isto prova que o mundo pecador não faz parte de nós. Há uma distinção. Há uma separação (4.4-6).
No trecho de 4.7 a 5.5 de 1 João, vemos a explanação sobre o amor verdadeiro e a fé vitoriosa, tratando sobre a origem do amor de Deus, sua manifestação através do envio de Jesus Cristo, Seu Filho, o aperfeiçoamento desse amor ao aceitarmos Jesus como O nosso Salvador e a evidência desse amor quando praticamos os mandamentos dados por Deus, denotando que permanece em nossos corações.
Em 1Jo 5.13 encontramos o objetivo pelo qual João escreveu esta epístola: “a fim de saberdes que tendes a vida eterna”, ou seja, ela foi escrita para assegurar aos crentes que eles estavam salvos e eram parte da família universal de Jesus Cristo.
Podemos e devemos interceder pelos outros. Notemos, no verso 16, o apóstolo falando sobre a intercessão por nossos irmãos na fé. Se um membro da Igreja se encontra em pecado, nossa responsabilidade é de orar a Deus em seu favor; não criticá-lo e nem condená-lo, mas, compassivamente, orar em seu favor; com amor e lágrimas, ajudando-o a retornar ao caminho certo. Notemos, no entanto, que João faz uma distinção entre dois tipos de pecado: o primeiro, não para a morte; o segundo, para a morte. Ninguém é obrigado a orar por pecado para a morte.
João, o apóstolo amado, termina a sua epístola com sua expressão predileta para com os convertidos: “Filhinhos”. Sua admoestação final é que tomem cuidado para não colocar na posição primordial de Cristo qualquer outro deus. “Guardai-vos dos ídolos...”.

6.    A Segunda Epístola de João
A preocupação central de 2 João é advertir seus leitores quanto ao perigo de se dar ouvido a falsos mestres, cujo propósito é afastá-los da verdade.
O propósito específico de João em escrever a sua 2ª carta era elogiar uma senhora cristã e seus filhos por andarem na verdade e preveni-los quanto às pessoas que ensinavam doutrinas estranhas (v.10).
Tudo leva a crer que a 2ª Epístola de João tenha sido escrita na mesma época em que a primeira (80-98 d.C.).
Nos primeiros versículos de 2 João temos uma riqueza de ensino sobre a verdade. Em primeiro lugar, João afirma que aqueles que conhecem a verdade têm especial amor uns pelos outros. No próximo versículo, o presbítero declara que esta verdade permanecerá para sempre. Vejamos nos versículos 2 e 3 que aqueles que vivem na verdade também se tornarão eternos.
João louva aquela senhora certamente por ter conduzido alguns de seus filhos à verdade. Não há elogio maior para um pai ou mãe crente do que ouvir que seus filhos andam e vivem na verdade que aprenderam no lar (v.4).
Nos versos 5 e 6, João afirma que amar uns aos outros é um preceito básico revelado por Deus nos primeiros livros da Bíblia (Lv 19.18) e que os pais devem ensinar isto aos seus filhos. Um remédio contra o desvio espiritual é o crente perceber que a igreja o ama, que dele se lembra e com ele se preocupa.
No tempo de João, os falsos mestres que mais perturbavam a igreja tinham feito “parte” dela, mas agora estavam no mundo: “Porque muitos enganadores têm saído pelo mundo fora” (v.7). A heresia que João combatia era uma forma de Espiritismo chamado Gnosticismo.
O crente, especialmente o obreiro, tem o dever de examinar aquilo que procura entrar em sua casa e atingir sua família. Isso inclui não somente falsos ensinos, mas também a má literatura e possíveis visitantes que danificam o fundamento espiritual do lar. Tudo o que afaste a família de Deus não deve ter acolhida em casa (v.10-11).
A melhor maneira de proteger nossas famílias de ensinos errôneos, além de evitar os falsificadores da Palavra de Deus, é vivermos em comunhão com aqueles que vivem e ensinam a verdade bíblica. João se propõe a visitar esta família para conversar pessoalmente. O resultado desta comunhão será de muito gozo e alegria para todos (v.12).
O último versículo fala da comunhão com outra família. O ensino está bem claro. Devemos iniciar e manter comunhão espiritual com outros crentes e famílias da igreja, sejam eles dirigentes, obreiros ou leigos.

7.    A Terceira Epístola de João
A 3ª Epístola de João foi dirigida a um obreiro da igreja chamado Gaio, cerca de 80-98 d.C. Gaio tinha hospedado e, talvez, ajudado financeiramente um grupo de mestres itinerantes enviados por João. Sua hospitalidade foi criticada pelo dirigente da sua igreja que chegou até a expulsar Gaio e outros da comunhão da igreja. João escreve encorajando-o a continuar o seu ministério e assegurando-lhe que iria visitá-lo e normalizar a situação.
A carta aborda três personagens: Gaio, o obreiro fiel; Diótrefes, um líder ditador e ambicioso e; Demétrio, um obreiro de João que se hospedava na casa de Gaio.
Quando surge um problema com líderes da igreja, a tendência é falar tanto sobre estes e seus erros que parece que toda a igreja se resume neles. Em contraste, João trata do erro de Diótrefes em apenas 3 versículos. Já a fidelidade de Gaio é descrita em 6. A aplicação está clara: precisamos falar mais dos obreiros consagrados e fiéis do que daqueles que se omitem na obra do Senhor.
Gaio não somente tinha praticado boas obras, como havia sido constante nisso, como indica a palavra “praticas”, no versículo 5. Tratava-se da assistência aos irmãos obreiros viajantes.
João tinha escrito uma carta de recomendação à Igreja apresentando alguns mestres, espécie de missionários itinerantes (v.9). Um líder da igreja chamado Diótrefes foi quem certamente recebeu a carta, mas não compartilhou seu conteúdo com os membros. Por esta razão João falou a Gaio sobre a carta e também sobre o egoísmo de Diótrefes que, além disso, começou a lançar acusações indignas contra os obreiros itinerantes e, por fim, sua inveja o levou a excluir quem quer que ajudasse estes obreiros.
João sabia que este problema não havia solução automática. Assim, ele logo decidiu dirigir-se para aquela Igreja. Ele estava preocupado com a situação, mas não a ponto de esquecer os irmãos, seus conhecidos (v.13-15). O bom pastor considera os membros da igreja, não apenas como um grupo de irmãos, mas também como amigos pessoais, um por um, nome por nome. É importante tratarmos as pessoas pelo nome, inclusive na Igreja.

8.    A Epístola de Judas
O primeiro versículo da Epístola de Judas fala sobre seu autor, que se identifica como “servo de Jesus Cristo e irmão de Tiago”. Tiago, sem dúvida, era o pastor da igreja de Jerusalém e irmão consanguíneo de Jesus. A tradição cristã afirma que Judas, o meio-irmão de Jesus, é o autor desta carta.
De acordo com o verso 3, é evidente que o autor queria apresentar uma exposição geral do Evangelho, mas por causa do surgimento e crescimento repentino de ensinos heréticos, de tendências imorais conduzindo crentes à apostasia, o Espírito Santo guiou Judas a escrever em torno da ideia geral de “Batalhar pela Fé”. Esses falsos mestres eram dissimulados de tal forma que agiam como se fossem irmãos na fé.
O grande valor espiritual da Epístola de Judas é a defesa da fé cristã. A fé “entregue aos santos” é a soma da doutrina cristã contida na Palavra de Deus.
Judas não é o único escritor usado pelo Espírito Santo para nos avisar quanto à ação de falsos mestres. O assunto é tão grande que, percorrendo as páginas do Novo Testamento, vemos constantemente exortações do Espírito Santo para se “batalhar pela fé” e acautelar-se dos ensinos enganadores. Avisou-nos: Paulo (Fp 1.16; 2Co 11.13), Pedro (2Pe 2.1) e João (2Jo 7,8).
Judas afirma que os falsos mestres são culpados por dois erros: transformam em libertinagem a graça de nosso Deus e negam o nosso único Soberano e Senhor, Jesus Cristo (v.4). Há 2 advertências claras, nos versos 5 a 7, sobre  o que acontecerá aos oponentes e aqueles que os seguem.
Começando no verso 8, Judas descreve a maneira ímpia de viver desses homens. Os falsos mestres são denunciados por suas paixões, rebeldia e irreverência. Pela expressão “contaminam a carne” deduzimos que pregavam e praticam crassa imoralidade. Estavam afundados na indecência, na fornicação, adultério e na concupiscência.
No verso 17, a orientação é clara: Lembrai-vos das palavras dos apóstolos. Há dois ensinos falsos e perigosos hoje que ameaçam a Igreja de Cristo, na qual precisamos nos atentar: Teologia da Libertação (ensina que a missão principal da Igreja é cuidar dos problemas sociais existentes na vida dos povos) e a Teologia da Prosperidade (o lema é: sirva a Deus e enriqueça).
Como batalhar pela fé? Judas declara: edificando-vos (v.20), guardando os mandamentos (v.21) e fazendo o evangelismo cristão (v.22-23), pois assim o louvor e a glória será de Jesus (v.24-25).

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