quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

EP. PAULINAS 3 - I e II CORÍNTIOS



1.    Introdução
Imagine uma cidade cosmopolita como Nova York, onde pessoas das mais variadas raças e nacionalidades circulam como se dobrassem a esquina do mundo; viciada como Las Vegas com os seus templos do jogo e da luxúria; devassa como o Rio de Janeiro no auge da orgia carnavalesca; opulenta e erudita como as mais vaidosas capitais europeias de hoje. Este pode ser um pálido retrato da cidade de Corinto nos meados do Século I.
O capitulo 18 de Atos relata a fundação da igreja de Corinto. Ele deve ser lido em combinação com o texto da 1ª Epístola aos Coríntios para um melhor entendimento do contexto que envolve o nascimento e o desenvolvimento dessa igreja.
Corinto era a quarta cidade em tamanho de todo Império Romano, ela estava localizada no istmo grego, a 64 quilômetros de Atenas, sendo banhada pelos dois golfos que envolvem a península do Peloponeso. Esta posição estratégica privilegiada fazia dela um porto de grande importância para duas rotas marítimas que ligavam o ocidente ao oriente. Daí a presença de muitos estrangeiros entre uma população estimada em mais de 600 mil habitantes, dos quais, dois terços eram escravos.
Imagine, agora, uma das mais corajosas páginas dos primórdios do cristianismo: a chegada solitária do apóstolo Paulo a esta cidade corrupta para ali fundar, no espaço de um ano e meio de trabalho missionário, uma igreja pujante e maravilhosa. O ano de 52 d.C. é o indicado como o da sua chegada a Corinto. Morou com o casal judeu Áquila e Priscila, associando-se com eles no ofício da confecção de tendas. Ele começou a pregar inicialmente nas sinagogas e, com a chegada de Silas e Timóteo, Paulo pôde se dedicar ao ministério em tempo integral, concentrando nos gentios o alvo principal da sua mensagem.
Imagine, por fim, a apreensão do apóstolo ao receber informações preocupantes acerca da sua amada igreja de Corinto. Paulo já havia retornado da segunda viagem e agora se encontrava em Éfeso, em sua terceira missão evangelística, no ano de 55 d.C., provavelmente, quando foi visitado por uma delegação de Corinto, portadora da missiva que relatava a introdução de costumes mundanos na igreja: divisões entre os membros; irmãos que levavam outros à justiça do mundo; procedimentos vergonhosos à mesa do Senhor; mulheres que não mais observavam os padrões de modéstia; discussões sobre o casamento e os dons espirituais...
A igreja de Corinto estava dividida em quatro facções distintas: a paulina, composta por membros leais ao fundador da igreja; os seguidores de Apolo, os adeptos de Simão Pedro e, por fim, um quarto segmento, denominado "Grupo de Cristo", era o que maiores preocupações trazia ao apóstolo. Paulo combateu duramente os falsos ensinamentos desta facção, que pregava um liberalismo antibíblico e não lhe prestava obediência, dizendo, inclusive, que ele jamais voltaria a Corinto. É nesse contexto que Paulo escreve a 1ª Epístola aos Coríntios com dois objetivos bem claros: reprovar as práticas pecaminosas da igreja e instruí-los melhor sobre a vida e a doutrina cristã. A conduta cristã é, portanto, o tema central deste livro maravilhoso e atual, cuja mensagem transcende a sua época e traz ensinamentos preciosos para os nossos dias.

2.    Paulo: apóstolo chamado por Deus
Paulo inicia a epístola como de costume, anunciando o remetente (v. 1), o destinatário (v.2) e a saudação (v.3). Ele enfatiza a sua condição de apóstolo de Jesus Cristo por um chamamento da parte de Deus, não com o intuito de vangloriar-se, mas de defender o seu chamado perante aqueles que só reconheciam como apóstolo a Pedro pelo fato de este haver, ao contrário de Paulo, andado com Jesus.
Depois de exaltar as qualidades espirituais dos coríntios, Paulo adiciona um porém à sua carta, dando início, no versículo 10 do primeiro capítulo, às suas admoestações, a começar para que "não haja entre vós divisões". Em sua conclamação à unidade da igreja, ele invoca a Cristo como único cabeça, cuja morte não poderia ter sido substituída pelo sacrifício de nenhum outro para que o plano de Deus fosse realizado. Tampouco o batismo, como um dos principais fundamentos do cristianismo, pode ser feito em nome de qualquer outra pessoa, senão no de Jesus.
Assim como ocorre nos dias de hoje, quando muitos pregadores aceitam teorias filosóficas antibíblicas e querem conciliar o evangelho com a sabedoria humana deste século, os crentes de Corinto também tentavam moldar as verdades de Deus ao pensamento erudito da Grécia daqueles dias. Essa era uma das razões das divisões registradas dentro da igreja, como resultado da exaltação da vaidade e do pensamento humano, que levavam muitos a anunciar a homens e não a Cristo. Paulo detecta o perigo deste grave desvio da igreja e passa a mostrar, ao longo dos versículos 7 a 31 do capítulo 1º, a diferença entre a sabedoria humana e a de Deus.

3.    O Ministério do Evangelho
Temos, nos capítulos 3 e 4, seis perfis dos servos de Deus. Vejamos como, segundo o apóstolo, devem ser os ministros do evangelho e como a igreja deve tratá-los:
1. Servos (3:1-5): Os verdadeiros pastores são servos de Deus e ministram à igreja. Daí Paulo ter chamado os coríntios de carnais e crianças na fé, a quem não se podia ainda oferecer alimento sólido, mas apenas o leite espiritual, pois buscavam a liderança de homens, sem reconhecê-los como servos e agentes de Deus.
2. Cooperadores (36-9): Paulo usa a ilustração da sementeira para dizer que os apóstolos plantaram e regaram, mas o crescimento foi dado por Deus. Eles foram apenas cooperadores da sementeira.
3. Edificadores (310-23): Os ministros são comparados por Paulo a edificadores que estão construindo um edifício sob o fundamento que é Cristo. Existem, porém, três tipos de obras que podem ser feitas pelos construtores:
·         A que emprega materiais duráveis, como ouro, prata e pedras preciosas, que simbolizam fidelidade, amor pelo trabalho de Deus e dedicação;
·         A que utiliza materiais sujeitos à combustão, como madeira, feno e palha. Este trabalho é rejeitado e consumido por Deus porque seus autores foram negligentes e omissos;
·         A destrutiva, que, com falsos ensinamentos e enganos, destrói o templo de Deus.

4. Despenseiros dos mistérios de Deus (4:1-7): Em resposta à atitude dos coríntios, que desonravam os apóstolos, dando preferência a uns em detrimento de outros, Paulo se apresenta, juntamente com os demais missionários que passaram por aquela igreja, como "despenseiros dos mistérios de Deus", imagem que traduz a fidelidade e a dedicação que devotavam a Deus, recebendo, em contrapartida, a confiança do Senhor para a obra que lhes fora atribuída.
5. Espetáculo para o mundo (4:8-13): Num discurso apaixonado, Paulo não mede palavras, chegando à beira da ironia e do sarcasmo, para condenar a soberba dos coríntios ao mesmo tempo em que, movido por um inconformismo diante da situação espiritual da igreja, revela a real condição dos apóstolos: condenados à morte, espetáculo ao mundo, aos anjos e aos homens, loucos por amor de Cristo, famintos, sedentos, nus, sem-teto, esbofeteados, afadigados, injuriados, perseguidos, blasfemados, lixo deste mundo e escória de todos.
6. Amor e autoridade de pai (4:15-21): Paulo reafirma a sua paternidade sobre a igreja de Corinto, admoesta-os a imitá-lo e, no final do capítulo, impõe a força da sua autoridade: "Irei ter convosco com vara ou amor e espírito de mansidão?" No verso 17 ele informa ter-lhes enviado Timóteo para lembrá-los "os meus caminhos em Cristo". A história, no entanto, relata que os coríntios não deram ouvidos ao jovem discípulo de Paulo, que, então, enviou Tito para disciplinar a igreja.

4.    Problemas Morais na Igreja
O capítulo 5 começa com o relato de um caso de imoralidade dentro da igreja. Certo membro havia se casado com a madrasta, o que era considerado imoral, mesmo entre os pagãos, quanto mais pelos cristãos. Paulo os repreendeu por estarem cheios de orgulho, apesar desse escândalo na igreja. Ele insiste em que não tolerem o mal em seu meio, uma vez que se chamam cristãos. A reação de Paulo diante disso é a decisão de disciplinar o homem. "Eu, na verdade, ainda que ausente no corpo, mas presente no espírito, já julguei, como se estivesse presente, aquele que cometeu este ultraje... que seja entregue a Satanás para destruição da carne, para que o espírito seja salvo no dia do Senhor Jesus" (v. 3,5). O ato de entregar o transgressor a Satanás é para que a pessoa sinta o seu pecado, sinta que está fora da graça de Deus, nos braços de Satanás, sinta tristeza, se arrependa e volte para Cristo.
Paulo chama atenção dos coríntios para o fato de que, mesmo com a sabedoria e os dons que tinham, estavam permitindo serem dominados pelo mundo. "Não sabeis que um pouco de fermento leveda a massa toda?" (v. 6). Como o fermento leveda toda a massa, também um espírito mau contamina toda igreja. Ela deve excluir do seu seio o culpado para demonstrar que não tolera o pecado (v. 13). Entretanto, a disciplina na igreja deve ser feita com consciência cristã, e não com ira, orgulho ou vingança.

5.    O Erro de Levar Irmãos à Justiça do Mundo
No capítulo 6, o apóstolo aborda outro problema presente na igreja de Corinto: membros processando outros, movendo ações nos tribunais pagãos. Paulo os repreende dizendo: "Ousa algum de vós, tendo uma queixa contra outro, ir a juízo perante os injustos..." (v. 1). Paulo os admoesta a solucionar as questões dentro da própria igreja.
Outro aspecto considerado por ele é sobre a liberdade. A Palavra de Deus não estabelece regras de conduta nem nos diz exatamente o que devemos fazer ou não, antes estabelece princípios pelos quais o crente deve orientar-se. Alguém disse que a liberdade em Cristo não significa o direito de fazermos o que queremos e, sim, o que devemos. Paulo coloca a questão nestes termos: "Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas convêm. Todas as coisas me são lícitas; mas eu não me deixarei dominar por nenhuma delas" (v.12). A verdade é que posso fazer o que quero, mas preciso certificar-me de que o que quero agrada a Deus. O que faço é um exemplo para os outros e pode prejudicá-los ou ajudá-los.
Paulo mostra que é possível, em nome da liberdade, escravizar o próprio eu, submetendo os desejos à autoridade de Deus. Por fim, os coríntios acham uma outra desculpa para pecar: "Os alimentos são para o estômago e o estômago para os alimentos..." (6:13). Querem dizer com isso que o corpo foi feito para a fornicação, para o ato sexual sem restrições. Mas a verdade defendida por Paulo é que o cristão não pode usar o corpo como bem quiser. Do versículo 13 ao 20, ele apresenta sete razões para sustentar sua posição, afirmando que o corpo do crente: (1) é para o Senhor; (2) será ressuscitado; (3) está unido com Cristo; (4) necessita estar purificado; (5) é templo do Espírito Santo; (6) é possessão de Deus; (7) é para a glória de Deus.

6.    Casamento, Conduta Cristã e Dons Ministeriais (7-12)
Paulo comenta, no capítulo 7, sobre o casamento do crente. Entre os filósofos judeus e gregos havia surgido uma controvérsia sobre a importância do casamento. Paulo queria a igreja isenta de escândalos. Na igreja, alguns membros procuravam desencorajar o casamento e outros achavam que, quando alguém se convertia, devia divorciar-se do cônjuge pagão. Mas Paulo foi sábio. Ele conhecia a corrupção de Corinto e, por isso, apresenta vários conselhos. O apóstolo responde às perguntas sobre o assunto, segundo o princípio dominante nos versículos 17-24.
Os cristãos de Corinto estavam em meio a um povo pagão e idólatra. Eles sacrificavam animais aos ídolos e depois a carne era vendida no mercado. Era também costume se reunirem, em eventos sociais no templo pagão, e a pergunta dos coríntios era se ficava bem a um crente estar presente nestas reuniões. Uns achavam que não; outros, em nome da liberdade cristã, diziam que sim. Paulo afirma que um ídolo não tem existência real e que há somente um Deus. Sendo assim, comer a carne oferecida a ídolos não poderia prejudicar a pessoa. Contudo, diz: "Mas, vede que essa liberdade vossa não venha a ser motivo de tropeço para os fracos. Porque, se alguém te vir a ti, que tens ciência, reclinado à mesa em templo de ídolos, não será induzido, sendo a sua consciência fraca, a comer das coisas sacrificadas aos ídolos?" (v. 9,10). No versículo 13, Paulo diz que prefere abster-se da carne para não fazer tropeçar o seu irmão. "Pelo que, se a comida fizer tropeçar a meu irmão, nunca mais comerei carne...".
Paulo coloca também que, mesmo um apóstolo, deve renunciar aos seus direitos por amor ao Evangelho. Paulo, que não fora chamado com os demais apóstolos que seguiram a Jesus voluntariamente, quis pregar o evangelho sem remuneração, embora a Bíblia nos ensine que, aqueles que se dedicam à proclamação da Palavra de Deus, devem ser sustentados pelos que, desse trabalho, recebem bênçãos espirituais. Mas, Paulo preferia abrir mão da remuneração, não porque se achava melhor do que os outros. Mas queria ganhar tantas almas quanto possível. Por isso, para com os judeus, portava-se como judeu, e para com os gentios, agia como gentio. "Pois, sendo livre de todos, fiz-me escravo de todos para ganhar o maior número possível..." (v. 19).
Em I Coríntios 10, Paulo fala sobre o uso da liberdade. É possível alguém ser redimido desfrutar da graça divina, e, após, ser rejeitado por Deus, por causa de conduta pecaminosa? Isso passa, agora, a ser confirmado por exemplos colhidos da experiência do povo de Israel. Paulo usa a nação de Israel como exemplo de um povo que não soube aproveitar a sua liberdade e comunhão com Deus. Eles utilizaram a liberdade para voltarem para coisas más, à idolatria, a prostituição, para murmurar e tentar a Deus. Os coríntios enfrentaram tentações semelhantes. Eles se orgulhavam do seu conhecimento e dos seus direitos, mas não estavam seguros. Vivendo entre os ídolos, foram levados ao pecado e à destruição. Paulo advertiu: "Aquele, pois, que pensa estar em pé, olhe para que não caia. Não vos sobreveio nenhuma tentação, senão humana; mas fiel é Deus, o qual não deixará que sejais tentados acima do que podeis resistir, antes com a tentação dará também o meio de saída, para que a possais suportar. Portanto, meus amados, fugi da idolatria" (v.12-14).
No capítulo 11, Paulo considera sobre as desordens nas reuniões da igreja de Corinto. Ele se detém em algumas instruções no tocante à doutrina, aos padrões morais e às normas de conduta. Esses preceitos e ordenanças resumem a vontade de Deus para seu povo em questões tais como roupas externas, modéstia, aparência e a devida conduta. Ele estava preocupado com o relacionamento correto entre o homem e a mulher, segundo a vontade de Deus. As mulheres coríntias tinham assumido uma posição diferente da estabelecida por Deus. Mas Paulo ensina que em Cristo há perfeita igualdade espiritual entre o homem e a mulher, como herdeiros da graça de Deus, uma igualdade que envolve ordem e submissão no tocante à autoridade.
Outro ponto abordado por Paulo era a conduta na Ceia do Senhor. Era costume da igreja de Corinto fazer refeição relacionada com a Ceia do Senhor. Cada um trazia o seu próprio alimento. Muitas vezes isso levava a excessos entre os ricos, enquanto os pobres nada tinham. Paulo lembra-lhes a profunda significação espiritual dessa Ceia e do escândalo que o comportamento deles causava. A Ceia não estava tendo o propósito de demonstrar a união em Cristo, mas estava, na verdade, fomentando divisões.
Ele também aborda o modo de celebrar a Santa Ceia do Senhor. "De modo que qualquer que comer do pão, ou beber do cálice do Senhor indignamente, será culpado do corpo e do sangue do Senhor. Examine-se, pois, o homem a si mesmo, e assim coma do pão e beba do cálice" (v. 27, 28). Devemos ter cuidado para que não comamos nem bebamos de maneira indigna. Com isso eles eram julgados ao invés de serem abençoados. Por abusarem da Santa Ceia, muitos coríntios estavam doentes. O Senhor fez vir sobre eles o seu julgamento. Paulo conclui: "Quando, porém, somos julgados pelo Senhor, somos corrigidos, para não sermos condenados com o mundo” (v.32).
Em I Coríntios 12, Paulo trata dos dons que o Espírito Santo dá aos crentes. Nos versículos 1 a 3 ele fala da mudança que se havia operado na vida dos cristãos de Corinto, quando abandonaram os ídolos mortos e passaram a adorar o Cristo vivo. Para que crescessem na vida cristã foi que o Senhor lhes deu os dons do Espírito. Deus deu os nove dons mencionados em I Coríntios 12 para ajudar no estabelecimento da nova igreja, mas eles estavam sendo usados para satisfazer o seu próprio orgulho. Paulo mostra que o propósito dos dons é edificação da igreja, para serem usados com amor, e que o valor deles, portanto, seria medido por sua utilidade na igreja. Os dons, sendo usados para a edificação da igreja, promovem o mútuo fortalecimento e o aperfeiçoamento de todos que estão em Cristo. Os dons são: Dons de Revelação (Palavra de Sabedoria, Conhecimento e Discernimento de Espíritos), Dons de Poder (Fé, dons de Curar, Operação de Milagres) e Dons de Inspiração (Profecia, Variedades de Linguas, Interpretação de Linguas).
Já nos versículos 28 a 31, são listados os dons de ministério que Cristo deu à igreja. Paulo declara que Ele deu esses dons para preparar o povo de Deus ao trabalho cristão para o crescimento e desenvolvimento espirituais do corpo de Cristo, segundo o plano d'Ele. Paulo inicia falando dos três ministérios mais importantes: "A uns pôs Deus na igreja, primeiramente apóstolos, em segundo lugar profetas, em terceiro mestres" (v.28), e diz para que foram dados: "Para o desempenho do seu serviço, para edificação do corpo de Cristo" (Ef 4.12).
O capítulo 13 não é uma interrupção do assunto dos dons espirituais, pelo contrário, é um elo abarcando a operação deles, pois nada é possível sem o amor. A Bíblia não coloca conflito entre o amor e os dons, pois o primeiro é uma expressão do Seu ser e os últimos são manifestações sobrenaturais da Sua personalidade.
O dom mais importante é a profecia, conforme I Corintios 14.1-4. Mesmo assim, Paulo ensina que a profecia mais eloquente, o sermão mais erudito e bíblico, sem um coração amoroso e compassivo, nada seria. O amor é indispensável no exercício dos dons.
No capítulo 14, Paulo retoma o assunto do dom de línguas e do de profecia. Ele deixa claro que a profecia edifica mais do que as línguas sem interpretação, pois estas falam somente a Deus e aquela fala aos homens.
A princípio, podemos pensar que Paulo era contra ao falar em línguas estranhas, mas ele deixa bem claro, nos versos 14 a 19, que orava e falava em línguas mais do que todos os coríntios. O que o apóstolo queria é que os irmãos entendessem que tudo tem seu tempo e deve ser feito com decência, porque as línguas são um sinal para os incrédulos (v.22) e uma mensagem para os perdidos (v.23-25).
Destacamos abaixo, alguns ensinos práticos do estudo dos dons espirituais, nos capítulos 12, 13 e 14 da 1ª Epístola aos Coríntios:
·         A Igreja do NT era uma Igreja Pentecostal, em que operavam os dons do Espírito Santo.
·         O propósito de Deus é edificar e fortalecer espiritualmente Sua Igreja através dos dons do Espírito.
·         Devemos buscar os dons.
·         O dom de línguas se manifestava na Igreja do NT.
·         Paulo usava as línguas estranhas na sua própria vida com decência.
·         O ensino bíblico é que o dom da profecia é um dos mais importantes.
·         Sem o amor, nada dos itens acima citados valem na Igreja e no Cristão.

O capítulo 15 da 1ª Epístola aos Coríntios reúne o maior volume do ensino bíblico sobre a ressurreição. Paulo escreveu este capítulo porque alguns da Igreja de Corinto estavam duvidando da ressurreição corporal do crente fiel. Para corrigir este erro, Paulo apresenta várias provas da ressurreição do crente e depois explica como se dará a ressurreição dos mortos, e que tipo de corpo terão, ao ressuscitarem.
No capítulo final, Paulo dá instruções acerca da oferta para os crentes pobres de Jerusalém. Ele informa que estava levantando ofertas de todas as igrejas, em prol dos crentes pobres daquele lugar. As regras dadas por Paulo devem ser seguidas pelas igrejas de hoje:
·         A contribuição deve ser regular (v.2).
·         Era dever de todos.
·         A contribuição deve ser proporcional, conforme sua prosperidade (v.2).
·         A contribuição deveria ser manipulada com cuidado.

A exortação final de Paulo é: “portai-vos varonilmente...” (v.13). Exortando aos coríntios, Paulo diz que os tais deveriam agir como homens de Deus, a seguirem e obedecerem as instruções dadas nesta carta. O apóstolo termina dizendo: “Se alguém não ama o Senhor, seja anátema...” (16.22). Este é o exemplo de um verdadeiro homem de Deus.

7.    II Coríntios: A Defesa do Apostolado de Paulo
Paulo começa sua segunda epístola com as saudações costumeiras e ações de graça. Nos capítulos seguintes, conta as suas experiências pessoais. Começa narrando aflições pelas quais havia passado, e como que, através das provações, aprendeu a conhecer melhor a Deus. Paulo apresenta uma característica peculiar: a de que ele sempre se fortalecia nas horas de tristeza. O seu ministério foi marcado por sofrimentos, por uma vida simples e sincera, por lágrimas e por uma nova aliança. Não sabemos a extensão completa das tribulações e sofrimentos experimentados por Paulo, mas o fato é que ele pagou o preço de andar com Deus, tendo isso como segredo do seu ministério.
Do versículo 12 em diante, Paulo se defende da acusação de que não cumpriu sua palavra. O apóstolo foi acusado por alguns coríntios de ser mentiroso, porque tinha acertado sua visita à igreja, mas acabou mudando os planos. Com isso, seus oponentes diziam que ele não era digno de confiança. Paulo responde com as seguintes palavras: “Tomo a Deus por testemunha sobre a minha alma de que é para vos poupar que não fui mais a Corinto" (2 Co 1.23). Ele não quis enganar os coríntios; queria ir vê-los. Entretanto, Deus o levara a deixar a visita para outra ocasião. O motivo pelo qual não se empenhou na visita foi para poupá-los de sua repreensão e dar tempo para que voltassem a viver uma vida reta.
Paulo tinha consciência da sinceridade e fidelidade dos irmãos em Corinto enquanto trabalhou em seu meio. Explicou que tinha mandado a primeira carta em vez de ir pessoalmente, a fim de que, quando fosse, pudesse louvá-los e não repreendê-los. Ele os amava tanto que não queria vê-los caindo no pecado e por isso escreve uma carta com lágrimas e muita tristeza. Fala sobre o perdão dos pecados. Ele explica isso no capítulo 2.
No capítulo 3, temos o relacionamento entre o ministério da Lei, no Antigo Testamento, e o ministério do Evangelho, no Novo Testamento. Paulo começa por defender seu apostolado contra a acusação de que ele não tinha carta de recomendação de Jerusalém. Ao assim fazer, ele dá aos coríntios uma descrição do seu ministério, trabalho e aflição, e afirma que a carta já foi escrita nos corações dos coríntios.
No versículo 6, Paulo diz que “a letra mata, mas o espírito vivifica”, fazendo a comparação entre a Lei e o Evangelho, mostrando que a Lei apontava a condenação e morte, mas a graça lhe dá o poder de transformar-se.
Em Êxodo 34.33-35, lemos que, frequentemente, quando Moisés falava com os filhos de Israel, cobria seu rosto com um véu. O ministro da nova aliança, no entanto, não fará como Moisés. Falará com ousadia e usando a perfeita franqueza na pregação do Evangelho. Não usará véu nenhum, pois o ministério de uma nova aliança é desvendado e não vendado (2Co 3.12-16).
Em 2 Coríntios 4 e 5, Paulo continua descrevendo e defendendo o seu ministério. No capítulo 4, ele comparou a si mesmo com um vaso de barro que contém um tesouro. Com esta ilustração, ele está dizendo que ainda que ele seja insignificante e imperfeito, sua mensagem tem grande valor. Mesmo sendo fraco, ele triunfaria por depender inteiramente do poder do Espírito Santo.
No capítulo 5, Paulo trata dos quatro grandes motivos da parte de Deus que dominam e dirigem sua vida e obra. Fala da realidade da nossa esperança futura, a saber, o céu, e do fato de que um dia todo cristão comparecerá diante de Deus para prestar conta da sua vida e obra. Escreve acerca do amor de Cristo revelado pela Sua morte, e o que isto significa para nós, na perseverança e nas aflições. Finalmente, fala do grande ministério da reconciliação que lhe foi concedido.
Paulo descreve a motivação da nossa esperança, pois a morte não aterroriza o cristão, por sermos servos de Cristo. A segunda realidade que ele apresenta é que todos nós devemos comparecer diante do Tribunal de Cristo, onde o crente não será julgado quanto à salvação, mas sim por seus atos.

8.    As Demandas do Ministério de Paulo (2Co 6-9)
Neste trecho, Paulo trata de três assuntos importantes. O primeiro é a separação entre o cristão e o mundo. O segundo é a marca distintiva do verdadeiro servo de Deus. Há regozijo quando o povo salvo é obediente e há tristeza e aflição quando ele desobedece. O terceiro assunto diz respeito ao princípio e a promessa ligada à contribuição.
Nos 13 primeiros versículos do capítulo 6, Paulo coloca como tema central a graça, e apresenta como esta opera na vida e na obra de Paulo e acrescenta: “...não recebais em vão a graça de Deus”, pois ela pode ser resistida e tornada vã por duas maneiras:
1. Adiando a nossa resposta à graça que nos é concedida. Paulo cita Isaías 49.8 e acrescenta: “eis, agora, o dia da salvação” (v.2).
2. Vivendo uma vida de pecado, causando escândalos (v.3).

Ao falar da separação, Paulo admoesta os coríntios a sempre manterem a distância que deve haver entre o modo de vida do cristão e o do mundo. A mesma exortação de separação é válida para nós, da Igreja de hoje, a fim de não transgredirmos quanto aos princípios bíblicos segundo os quais devemos viver. Isto trás preservação do povo de Deus e exclusividade do Seu amor.
Paulo menciona dois tipos de impureza espiritual: os pecados da carne e os pecados do espírito. Os da carne são cometidos por meio da ação, que requerem o uso do corpo. Os do espírito são ideias, filosofias, doutrinas e atitudes falsas. Estes últimos são piores do que os primeiros. Quase sempre não são reconhecidos como pecados e por isso são mais difíceis de ser purificados.
No capítulo 7, Paulo se alegra e se consola com a chegada de Tito, na qual trouxe boas noticias sobre a reação da Igreja com a primeira carta. Os coríntios disseram que estavam com saudade de Paulo e queriam vê-lo novamente.
Os capítulos 8 e 9 tratam de uma oferta que Paulo estava levantando entre as igrejas gentias para os cristãos pobres de Jerusalém. Os coríntios prometeram que ajudariam nesta oferta e Paulo, portanto, os encoraja a cumprir o prometido. Isto envolve enriquecimento cristão, gratidão, obediência e louvor, sendo princípios da natureza cristã.

9.    A Autodefesa de Paulo (2Co 10-13)
No capítulo 10, Paulo fala da autoridade do seu apostolado e disse seguir o exemplo de Cristo na humildade e mansidão, não julgando pelas aparências e deixando que Deus fizesse a recomendação.
No capítulo 11, Paulo procura resguardar a igreja que fundou, procurando protegê-la da influência dos falsos mestres que estão anunciando outro evangelho. Ele precisava gloriar-se nas suas qualificações de apóstolo. Isto era necessário por causa da oposição.
No capítulo 12, Paulo apresenta as evidências da autenticidade do seu ministério, a saber, as revelações que ele teve de Cristo (v.1-6). Ele não fala de uma visão, mas sim de visões. Deus o havia dado para orientação, instrução e revelação. Isto ocorreu 14 anos antes de Paulo escrever a epístola. É possível que esta visão teve lugar logo antes da sua primeira viagem missionária (At 13.1-3) a fim de prepará-lo para tão grande tarefa.
Paulo declara: “se no corpo ou fora do corpo, não sei”, “um homem... foi arrebatado até ao terceiro céu...” (v.2). Ele usa assim, falando de si mesmo, por causa da sua humildade. Lá, ouviu e viu coisas que, muitas delas não podiam ser relatadas ao mortal (v.4).
Por fim, mesmo com seu espinho na carne (não sabemos o que era, mas simboliza dor e sofrimento ao apóstolo), Paulo mostra sua intimidade e disponibilidade de servir a Cristo e faz o apelo final na epístola, para o arrependimento, autoanalise, para que não pequem e que sejam maduros na fé. Ao estudarmos este capítulo, devemos perguntar a nós mesmos: Cristo está vivendo em mim?

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