1.
Introdução
Imagine uma cidade cosmopolita
como Nova York, onde pessoas das mais variadas raças e nacionalidades circulam
como se dobrassem a esquina do mundo; viciada como Las Vegas com os seus
templos do jogo e da luxúria; devassa como o Rio de Janeiro no auge da orgia
carnavalesca; opulenta e erudita como as mais vaidosas capitais europeias de
hoje. Este pode ser um pálido retrato da cidade de Corinto nos meados do Século
I.
O capitulo 18 de Atos relata a
fundação da igreja de Corinto. Ele deve ser lido em combinação com o texto da
1ª Epístola aos Coríntios para um melhor entendimento do contexto que envolve o
nascimento e o desenvolvimento dessa igreja.
Corinto era a quarta cidade em
tamanho de todo Império Romano, ela estava localizada no istmo grego, a 64
quilômetros de Atenas, sendo banhada pelos dois golfos que envolvem a península
do Peloponeso. Esta posição estratégica privilegiada fazia dela um porto de
grande importância para duas rotas marítimas que ligavam o ocidente ao oriente.
Daí a presença de muitos estrangeiros entre uma população estimada em mais de
600 mil habitantes, dos quais, dois terços eram escravos.
Imagine, agora, uma das mais
corajosas páginas dos primórdios do cristianismo: a chegada solitária do
apóstolo Paulo a esta cidade corrupta para ali fundar, no espaço de um ano e
meio de trabalho missionário, uma igreja pujante e maravilhosa. O ano de 52
d.C. é o indicado como o da sua chegada a Corinto. Morou com o casal judeu
Áquila e Priscila, associando-se com eles no ofício da confecção de tendas. Ele
começou a pregar inicialmente nas sinagogas e, com a chegada de Silas e
Timóteo, Paulo pôde se dedicar ao ministério em tempo integral, concentrando
nos gentios o alvo principal da sua mensagem.
Imagine, por fim, a apreensão
do apóstolo ao receber informações preocupantes acerca da sua amada igreja de
Corinto. Paulo já havia retornado da segunda viagem e agora se encontrava em
Éfeso, em sua terceira missão evangelística, no ano de 55 d.C., provavelmente,
quando foi visitado por uma delegação de Corinto, portadora da missiva que
relatava a introdução de costumes mundanos na igreja: divisões entre os
membros; irmãos que levavam outros à justiça do mundo; procedimentos
vergonhosos à mesa do Senhor; mulheres que não mais observavam os padrões de
modéstia; discussões sobre o casamento e os dons espirituais...
A igreja de Corinto estava
dividida em quatro facções distintas: a paulina, composta por membros leais ao
fundador da igreja; os seguidores de Apolo, os adeptos de Simão Pedro e, por
fim, um quarto segmento, denominado "Grupo de Cristo", era o que
maiores preocupações trazia ao apóstolo. Paulo combateu duramente os falsos
ensinamentos desta facção, que pregava um liberalismo antibíblico e não lhe
prestava obediência, dizendo, inclusive, que ele jamais voltaria a Corinto. É
nesse contexto que Paulo escreve a 1ª Epístola aos Coríntios com dois objetivos
bem claros: reprovar as práticas pecaminosas da igreja e instruí-los melhor
sobre a vida e a doutrina cristã. A conduta cristã é, portanto, o tema central
deste livro maravilhoso e atual, cuja mensagem transcende a sua época e traz
ensinamentos preciosos para os nossos dias.
2.
Paulo: apóstolo chamado por Deus
Paulo inicia a epístola como de costume, anunciando
o remetente (v. 1), o destinatário (v.2) e a saudação (v.3). Ele enfatiza a sua
condição de apóstolo de Jesus Cristo por um chamamento da parte de Deus, não
com o intuito de vangloriar-se, mas de defender o seu chamado perante aqueles
que só reconheciam como apóstolo a Pedro pelo fato de este haver, ao contrário
de Paulo, andado com Jesus.
Depois de exaltar as qualidades espirituais dos
coríntios, Paulo adiciona um porém à sua carta, dando início, no versículo 10
do primeiro capítulo, às suas admoestações, a começar para que "não haja
entre vós divisões". Em sua conclamação à unidade da igreja, ele invoca a
Cristo como único cabeça, cuja morte não poderia ter sido substituída pelo
sacrifício de nenhum outro para que o plano de Deus fosse realizado. Tampouco o
batismo, como um dos principais fundamentos do cristianismo, pode ser feito em
nome de qualquer outra pessoa, senão no de Jesus.
Assim como ocorre nos dias de
hoje, quando muitos pregadores aceitam teorias filosóficas antibíblicas e
querem conciliar o evangelho com a sabedoria humana deste século, os crentes de
Corinto também tentavam moldar as verdades de Deus ao pensamento erudito da
Grécia daqueles dias. Essa era uma das razões das divisões registradas dentro
da igreja, como resultado da exaltação da vaidade e do pensamento humano, que
levavam muitos a anunciar a homens e não a Cristo. Paulo detecta o perigo deste
grave desvio da igreja e passa a mostrar, ao longo dos versículos 7 a 31 do
capítulo 1º, a diferença entre a sabedoria humana e a de Deus.
3.
O Ministério do Evangelho
Temos, nos capítulos 3 e 4, seis perfis dos servos
de Deus. Vejamos como, segundo o apóstolo, devem ser os ministros do evangelho
e como a igreja deve tratá-los:
1. Servos (3:1-5): Os verdadeiros pastores são
servos de Deus e ministram à igreja. Daí Paulo ter chamado os coríntios de
carnais e crianças na fé, a quem não se podia ainda oferecer alimento sólido,
mas apenas o leite espiritual, pois buscavam a liderança de homens, sem
reconhecê-los como servos e agentes de Deus.
2. Cooperadores (36-9): Paulo usa a ilustração da
sementeira para dizer que os apóstolos plantaram e regaram, mas o crescimento
foi dado por Deus. Eles foram apenas cooperadores da sementeira.
3. Edificadores (310-23): Os ministros são comparados
por Paulo a edificadores que estão construindo um edifício sob o fundamento que
é Cristo. Existem, porém, três tipos de obras que podem ser feitas pelos
construtores:
·
A que emprega
materiais duráveis, como ouro, prata e pedras preciosas, que simbolizam
fidelidade, amor pelo trabalho de Deus e dedicação;
·
A que utiliza
materiais sujeitos à combustão, como madeira, feno e palha. Este trabalho é
rejeitado e consumido por Deus porque seus autores foram negligentes e omissos;
·
A destrutiva, que,
com falsos ensinamentos e enganos, destrói o templo de Deus.
4. Despenseiros dos mistérios de Deus (4:1-7): Em resposta à atitude dos
coríntios, que desonravam os apóstolos, dando preferência a uns em detrimento
de outros, Paulo se apresenta, juntamente com os demais missionários que
passaram por aquela igreja, como "despenseiros dos mistérios de Deus",
imagem que traduz a fidelidade e a dedicação que devotavam a Deus, recebendo,
em contrapartida, a confiança do Senhor para a obra que lhes fora atribuída.
5. Espetáculo para o mundo (4:8-13): Num discurso apaixonado,
Paulo não mede palavras, chegando à beira da ironia e do sarcasmo, para
condenar a soberba dos coríntios ao mesmo tempo em que, movido por um
inconformismo diante da situação espiritual da igreja, revela a real condição
dos apóstolos: condenados à morte, espetáculo ao mundo, aos anjos e aos homens,
loucos por amor de Cristo, famintos, sedentos, nus, sem-teto, esbofeteados,
afadigados, injuriados, perseguidos, blasfemados, lixo deste mundo e escória de
todos.
6. Amor e autoridade de pai (4:15-21): Paulo reafirma a sua
paternidade sobre a igreja de Corinto, admoesta-os a imitá-lo e, no final do
capítulo, impõe a força da sua autoridade: "Irei ter convosco com vara ou
amor e espírito de mansidão?" No verso 17 ele informa ter-lhes enviado
Timóteo para lembrá-los "os meus caminhos em Cristo". A história, no
entanto, relata que os coríntios não deram ouvidos ao jovem discípulo de Paulo,
que, então, enviou Tito para disciplinar a igreja.
4.
Problemas Morais na Igreja
O capítulo 5 começa com o relato de um caso de imoralidade dentro da igreja.
Certo membro havia se casado com a madrasta, o que era considerado imoral,
mesmo entre os pagãos, quanto mais pelos cristãos. Paulo os repreendeu por
estarem cheios de orgulho, apesar desse escândalo na igreja. Ele insiste em que
não tolerem o mal em seu meio, uma vez que se chamam cristãos. A reação de Paulo
diante disso é a decisão de disciplinar o homem. "Eu, na verdade, ainda que ausente no corpo, mas presente no
espírito, já julguei, como se estivesse presente, aquele que cometeu este ultraje...
que seja entregue a Satanás para destruição da carne, para que o espírito seja
salvo no dia do Senhor Jesus" (v. 3,5). O ato de entregar o transgressor
a Satanás é para que a pessoa sinta o seu pecado, sinta que está fora da graça
de Deus, nos braços de Satanás, sinta tristeza, se arrependa e volte para
Cristo.
Paulo chama atenção dos
coríntios para o fato de que, mesmo com a sabedoria e os dons que tinham,
estavam permitindo serem dominados pelo mundo. "Não sabeis que um pouco de
fermento leveda a massa toda?" (v. 6). Como o fermento leveda toda a
massa, também um espírito mau contamina toda igreja. Ela deve excluir do seu
seio o culpado para demonstrar que não tolera o pecado (v. 13). Entretanto, a
disciplina na igreja deve ser feita com consciência cristã, e não com ira,
orgulho ou vingança.
5.
O Erro de Levar Irmãos à
Justiça do Mundo
No capítulo 6, o apóstolo aborda outro problema
presente na igreja de Corinto: membros processando outros, movendo ações nos
tribunais pagãos. Paulo os repreende dizendo: "Ousa algum de vós, tendo
uma queixa contra outro, ir a juízo perante os injustos..." (v. 1). Paulo
os admoesta a solucionar as questões dentro da própria igreja.
Outro aspecto considerado por
ele é sobre a liberdade. A Palavra de Deus não estabelece regras de conduta nem
nos diz exatamente o que devemos fazer ou não, antes estabelece princípios
pelos quais o crente deve orientar-se. Alguém disse que a liberdade em Cristo
não significa o direito de fazermos o que queremos e, sim, o que devemos. Paulo
coloca a questão nestes termos: "Todas as coisas me são lícitas, mas nem
todas as coisas convêm. Todas as coisas me são lícitas; mas eu não me deixarei dominar
por nenhuma delas" (v.12). A verdade é que posso fazer o que quero, mas
preciso certificar-me de que o que quero agrada a Deus. O que faço é um exemplo
para os outros e pode prejudicá-los ou ajudá-los.
Paulo mostra que é possível,
em nome da liberdade, escravizar o próprio eu, submetendo os desejos à
autoridade de Deus. Por fim, os coríntios acham uma outra desculpa para pecar:
"Os alimentos são para o estômago e o estômago para os alimentos..."
(6:13). Querem dizer com isso que o corpo foi feito para a fornicação, para o
ato sexual sem restrições. Mas a verdade defendida por Paulo é que o cristão
não pode usar o corpo como bem quiser. Do versículo 13 ao 20, ele apresenta
sete razões para sustentar sua posição, afirmando que o corpo do crente: (1) é
para o Senhor; (2) será ressuscitado; (3) está unido com Cristo; (4) necessita
estar purificado; (5) é templo do Espírito Santo; (6) é possessão de Deus; (7)
é para a glória de Deus.
6.
Casamento, Conduta Cristã e
Dons Ministeriais (7-12)
Paulo comenta, no capítulo 7,
sobre o casamento do crente. Entre os filósofos judeus e gregos havia surgido
uma controvérsia sobre a importância do casamento. Paulo queria a igreja isenta
de escândalos. Na igreja, alguns membros procuravam desencorajar o casamento e
outros achavam que, quando alguém se convertia, devia divorciar-se do cônjuge
pagão. Mas Paulo foi sábio. Ele conhecia a corrupção de Corinto e, por isso,
apresenta vários conselhos. O apóstolo responde às perguntas sobre o assunto,
segundo o princípio dominante nos versículos 17-24.
Os cristãos de Corinto estavam
em meio a um povo pagão e idólatra. Eles sacrificavam animais aos ídolos e
depois a carne era vendida no mercado. Era também costume se reunirem, em
eventos sociais no templo pagão, e a pergunta dos coríntios era se ficava bem a
um crente estar presente nestas reuniões. Uns achavam que não; outros, em nome
da liberdade cristã, diziam que sim. Paulo afirma que um ídolo não tem existência
real e que há somente um Deus. Sendo assim, comer a carne oferecida a ídolos
não poderia prejudicar a pessoa. Contudo, diz: "Mas, vede que essa
liberdade vossa não venha a ser motivo de tropeço para os fracos. Porque, se
alguém te vir a ti, que tens ciência, reclinado à mesa em templo de ídolos, não
será induzido, sendo a sua consciência fraca, a comer das coisas sacrificadas
aos ídolos?" (v. 9,10). No versículo 13, Paulo diz que prefere abster-se
da carne para não fazer tropeçar o seu irmão. "Pelo que, se a comida fizer
tropeçar a meu irmão, nunca mais comerei carne...".
Paulo coloca também que, mesmo
um apóstolo, deve renunciar aos seus direitos por amor ao Evangelho. Paulo, que
não fora chamado com os demais apóstolos que seguiram a Jesus voluntariamente,
quis pregar o evangelho sem remuneração, embora a Bíblia nos ensine que,
aqueles que se dedicam à proclamação da Palavra de Deus, devem ser sustentados pelos
que, desse trabalho, recebem bênçãos espirituais. Mas, Paulo preferia abrir mão
da remuneração, não porque se achava melhor do que os outros. Mas queria ganhar
tantas almas quanto possível. Por isso, para com os judeus, portava-se como
judeu, e para com os gentios, agia como gentio. "Pois, sendo livre de todos,
fiz-me escravo de todos para ganhar o maior número possível..." (v. 19).
Em I Coríntios 10, Paulo fala sobre o uso da liberdade. É possível alguém ser redimido
desfrutar da graça divina, e, após, ser rejeitado por Deus, por causa de
conduta pecaminosa? Isso passa, agora, a ser confirmado por exemplos colhidos da
experiência do povo de Israel. Paulo usa a nação de Israel como exemplo de um
povo que não soube aproveitar a sua liberdade e comunhão com Deus. Eles
utilizaram a liberdade para voltarem para coisas más, à idolatria, a
prostituição, para murmurar e tentar a Deus. Os coríntios enfrentaram tentações
semelhantes. Eles se orgulhavam do seu conhecimento e dos seus direitos, mas
não estavam seguros. Vivendo entre os ídolos, foram levados ao pecado e à
destruição. Paulo advertiu: "Aquele,
pois, que pensa estar em pé, olhe para que não caia. Não vos sobreveio nenhuma
tentação, senão humana; mas fiel é Deus, o qual não deixará que sejais tentados
acima do que podeis resistir, antes com a tentação dará também o meio de saída,
para que a possais suportar. Portanto, meus amados, fugi da idolatria" (v.12-14).
No capítulo 11, Paulo considera sobre as desordens
nas reuniões da igreja de Corinto. Ele se detém em algumas instruções no
tocante à doutrina, aos padrões morais e às normas de conduta. Esses preceitos
e ordenanças resumem a vontade de Deus para seu povo em questões tais como
roupas externas, modéstia, aparência e a devida conduta. Ele estava preocupado
com o relacionamento correto entre o homem e a mulher, segundo a vontade de
Deus. As mulheres coríntias tinham assumido uma posição diferente da
estabelecida por Deus. Mas Paulo ensina que em Cristo há perfeita igualdade
espiritual entre o homem e a mulher, como herdeiros da graça de Deus, uma
igualdade que envolve ordem e submissão no tocante à autoridade.
Outro
ponto abordado por Paulo era a conduta na Ceia do Senhor. Era costume da igreja de
Corinto fazer refeição relacionada com a Ceia do Senhor. Cada um trazia o seu
próprio alimento. Muitas vezes isso levava a excessos entre os ricos, enquanto
os pobres nada tinham. Paulo lembra-lhes a profunda significação espiritual
dessa Ceia e do escândalo que o comportamento deles causava. A Ceia não estava
tendo o propósito de demonstrar a união em Cristo, mas estava, na verdade,
fomentando divisões.
Ele também aborda o modo de celebrar a Santa Ceia
do Senhor. "De modo que qualquer que comer do pão, ou beber do cálice do
Senhor indignamente, será culpado do corpo e do sangue do Senhor. Examine-se,
pois, o homem a si mesmo, e assim coma do pão e beba do cálice" (v. 27,
28). Devemos ter cuidado para que não comamos nem bebamos de maneira indigna.
Com isso eles eram julgados ao invés de serem abençoados. Por abusarem da Santa
Ceia, muitos coríntios estavam doentes. O Senhor fez vir sobre eles o seu
julgamento. Paulo conclui: "Quando, porém, somos julgados pelo Senhor,
somos corrigidos, para não sermos condenados com o mundo” (v.32).
Em I
Coríntios 12, Paulo trata dos dons que o Espírito Santo dá aos crentes. Nos
versículos 1 a 3 ele fala da mudança que se havia operado na vida dos cristãos
de Corinto, quando abandonaram os ídolos mortos e passaram a adorar o Cristo
vivo. Para que crescessem na vida cristã foi que o Senhor lhes deu os dons do
Espírito. Deus deu os nove dons mencionados em I Coríntios 12 para ajudar no
estabelecimento da nova igreja, mas eles estavam sendo usados para satisfazer o
seu próprio orgulho. Paulo mostra que o propósito dos dons é edificação da
igreja, para serem usados com amor, e que o valor deles, portanto, seria medido
por sua utilidade na igreja. Os dons, sendo usados para a edificação da igreja,
promovem o mútuo fortalecimento e o aperfeiçoamento de todos que estão em
Cristo. Os dons são: Dons de Revelação
(Palavra de Sabedoria, Conhecimento e Discernimento de Espíritos), Dons de Poder (Fé, dons de Curar,
Operação de Milagres) e Dons de
Inspiração (Profecia, Variedades de Linguas, Interpretação de Linguas).
Já nos versículos 28 a 31, são
listados os dons de ministério que Cristo deu à igreja. Paulo declara que Ele
deu esses dons para preparar o povo de Deus ao trabalho cristão para o
crescimento e desenvolvimento espirituais do corpo de Cristo, segundo o plano
d'Ele. Paulo inicia falando dos três ministérios mais importantes: "A uns
pôs Deus na igreja, primeiramente apóstolos, em segundo lugar profetas, em
terceiro mestres" (v.28), e diz para que foram dados: "Para o
desempenho do seu serviço, para edificação do corpo de Cristo" (Ef 4.12).
O capítulo 13 não é uma interrupção do assunto dos
dons espirituais, pelo contrário, é um elo abarcando a operação deles, pois
nada é possível sem o amor. A Bíblia não coloca conflito entre o amor e os
dons, pois o primeiro é uma expressão do Seu ser e os últimos são manifestações
sobrenaturais da Sua personalidade.
O dom mais importante é a profecia, conforme I
Corintios 14.1-4. Mesmo assim, Paulo ensina que a profecia mais eloquente, o
sermão mais erudito e bíblico, sem um coração amoroso e compassivo, nada seria.
O amor é indispensável no exercício dos dons.
No capítulo 14, Paulo retoma o assunto do dom de
línguas e do de profecia. Ele deixa claro que a profecia edifica mais do que as
línguas sem interpretação, pois estas falam somente a Deus e aquela fala aos
homens.
A princípio, podemos pensar que Paulo era contra ao
falar em línguas estranhas, mas ele deixa bem claro, nos versos 14 a 19, que orava
e falava em línguas mais do que todos os coríntios. O que o apóstolo queria é
que os irmãos entendessem que tudo tem seu tempo e deve ser feito com decência,
porque as línguas são um sinal para os incrédulos (v.22) e uma mensagem para os
perdidos (v.23-25).
Destacamos
abaixo, alguns ensinos práticos do estudo dos dons espirituais, nos capítulos
12, 13 e 14 da 1ª Epístola aos Coríntios:
·
A Igreja do NT era uma Igreja Pentecostal, em que
operavam os dons do Espírito Santo.
·
O propósito de Deus é edificar e fortalecer
espiritualmente Sua Igreja através dos dons do Espírito.
·
Devemos buscar os dons.
·
O dom de línguas se manifestava na Igreja do NT.
·
Paulo usava as línguas estranhas na sua própria
vida com decência.
·
O ensino bíblico é que o dom da profecia é um dos
mais importantes.
·
Sem o amor, nada dos itens acima citados valem na
Igreja e no Cristão.
O capítulo
15 da 1ª Epístola aos Coríntios reúne o maior volume do ensino bíblico sobre a
ressurreição. Paulo escreveu este capítulo porque alguns da Igreja de Corinto
estavam duvidando da ressurreição corporal do crente fiel. Para corrigir este
erro, Paulo apresenta várias provas da ressurreição do crente e depois explica
como se dará a ressurreição dos mortos, e que tipo de corpo terão, ao
ressuscitarem.
No capítulo
final, Paulo dá instruções acerca da oferta para os crentes pobres de
Jerusalém. Ele informa que estava levantando ofertas de todas as igrejas, em
prol dos crentes pobres daquele lugar. As regras dadas por Paulo devem ser
seguidas pelas igrejas de hoje:
·
A contribuição deve ser regular (v.2).
·
Era dever de todos.
·
A contribuição deve ser proporcional, conforme sua
prosperidade (v.2).
·
A contribuição deveria ser manipulada com cuidado.
A exortação
final de Paulo é: “portai-vos
varonilmente...” (v.13). Exortando aos coríntios, Paulo diz que os tais
deveriam agir como homens de Deus, a seguirem e obedecerem as instruções dadas
nesta carta. O apóstolo termina dizendo: “Se
alguém não ama o Senhor, seja anátema...” (16.22). Este é o exemplo de um
verdadeiro homem de Deus.
7.
II Coríntios: A Defesa do Apostolado de Paulo
Paulo começa sua segunda
epístola com as saudações costumeiras e ações de graça. Nos capítulos seguintes,
conta as suas experiências pessoais. Começa narrando aflições pelas quais havia
passado, e como que, através das provações, aprendeu a conhecer melhor a Deus.
Paulo apresenta uma característica peculiar: a de que ele sempre se fortalecia
nas horas de tristeza. O seu ministério foi marcado por sofrimentos, por uma
vida simples e sincera, por lágrimas e por uma nova aliança. Não sabemos a
extensão completa das tribulações e sofrimentos experimentados por Paulo, mas o
fato é que ele pagou o preço de andar com Deus, tendo isso como segredo do seu
ministério.
Do versículo 12 em diante,
Paulo se defende da acusação de que não cumpriu sua palavra. O apóstolo foi
acusado por alguns coríntios de ser mentiroso, porque tinha acertado sua visita
à igreja, mas acabou mudando os planos. Com isso, seus oponentes diziam que ele
não era digno de confiança. Paulo responde com as seguintes palavras: “Tomo a
Deus por testemunha sobre a minha alma de que é para vos poupar que não fui
mais a Corinto" (2 Co 1.23). Ele não quis enganar os coríntios; queria ir
vê-los. Entretanto, Deus o levara a deixar a visita para outra ocasião. O
motivo pelo qual não se empenhou na visita foi para poupá-los de sua repreensão
e dar tempo para que voltassem a viver uma vida reta.
Paulo tinha consciência da
sinceridade e fidelidade dos irmãos em Corinto enquanto trabalhou em seu meio.
Explicou que tinha mandado a primeira carta em vez de ir pessoalmente, a fim de
que, quando fosse, pudesse louvá-los e não repreendê-los. Ele os amava tanto que
não queria vê-los caindo no pecado e por isso escreve uma carta com lágrimas e
muita tristeza. Fala sobre o perdão dos pecados. Ele explica isso no capítulo
2.
No capítulo 3, temos o
relacionamento entre o ministério da Lei, no Antigo Testamento, e o ministério
do Evangelho, no Novo Testamento. Paulo começa por defender seu apostolado
contra a acusação de que ele não tinha carta de recomendação de Jerusalém. Ao
assim fazer, ele dá aos coríntios uma descrição do seu ministério, trabalho e
aflição, e afirma que a carta já foi escrita nos corações dos coríntios.
No versículo 6, Paulo diz que “a letra mata, mas o espírito vivifica”,
fazendo a comparação entre a Lei e o Evangelho, mostrando que a Lei apontava a
condenação e morte, mas a graça lhe dá o poder de transformar-se.
Em Êxodo 34.33-35, lemos que,
frequentemente, quando Moisés falava com os filhos de Israel, cobria seu rosto
com um véu. O ministro da nova aliança, no entanto, não fará como Moisés.
Falará com ousadia e usando a perfeita franqueza na pregação do Evangelho. Não
usará véu nenhum, pois o ministério de uma nova aliança é desvendado e
não vendado (2Co 3.12-16).
Em 2 Coríntios 4 e 5, Paulo
continua descrevendo e defendendo o seu ministério. No capítulo 4, ele comparou
a si mesmo com um vaso de barro que contém um tesouro. Com esta ilustração, ele
está dizendo que ainda que ele seja insignificante e imperfeito, sua mensagem
tem grande valor. Mesmo sendo fraco, ele triunfaria por depender inteiramente
do poder do Espírito Santo.
No capítulo 5, Paulo trata dos
quatro grandes motivos da parte de Deus que dominam e dirigem sua vida e obra.
Fala da realidade da nossa esperança futura, a saber, o céu, e do fato de que
um dia todo cristão comparecerá diante de Deus para prestar conta da sua vida e
obra. Escreve acerca do amor de Cristo revelado pela Sua morte, e o que isto
significa para nós, na perseverança e nas aflições. Finalmente, fala do grande
ministério da reconciliação que lhe foi concedido.
Paulo descreve a motivação da
nossa esperança, pois a morte não aterroriza o cristão, por sermos servos de
Cristo. A segunda realidade que ele apresenta é que todos nós devemos comparecer
diante do Tribunal de Cristo, onde o crente não será julgado quanto à salvação,
mas sim por seus atos.
8. As Demandas do Ministério de Paulo (2Co 6-9)
Neste trecho, Paulo trata de
três assuntos importantes. O primeiro é a separação entre o cristão e o mundo.
O segundo é a marca distintiva do verdadeiro servo de Deus. Há regozijo quando
o povo salvo é obediente e há tristeza e aflição quando ele desobedece. O
terceiro assunto diz respeito ao princípio e a promessa ligada à contribuição.
Nos 13 primeiros versículos do
capítulo 6, Paulo coloca como tema central a graça, e apresenta como
esta opera na vida e na obra de Paulo e acrescenta: “...não recebais em vão a graça de Deus”, pois ela pode ser
resistida e tornada vã por duas maneiras:
1. Adiando a nossa resposta à
graça que nos é concedida. Paulo cita Isaías 49.8 e acrescenta: “eis, agora, o dia da salvação” (v.2).
2. Vivendo uma vida de pecado,
causando escândalos (v.3).
Ao falar da separação, Paulo
admoesta os coríntios a sempre manterem a distância que deve haver entre o modo
de vida do cristão e o do mundo. A mesma exortação de separação é válida para
nós, da Igreja de hoje, a fim de não transgredirmos quanto aos princípios
bíblicos segundo os quais devemos viver. Isto trás preservação do povo de Deus
e exclusividade do Seu amor.
Paulo menciona dois tipos de
impureza espiritual: os pecados da carne e os pecados do espírito. Os da carne
são cometidos por meio da ação, que requerem o uso do corpo. Os do espírito são
ideias, filosofias, doutrinas e atitudes falsas. Estes últimos são piores do
que os primeiros. Quase sempre não são reconhecidos como pecados e por isso são
mais difíceis de ser purificados.
No capítulo 7, Paulo se alegra
e se consola com a chegada de Tito, na qual trouxe boas noticias sobre a reação
da Igreja com a primeira carta. Os coríntios disseram que estavam com saudade
de Paulo e queriam vê-lo novamente.
Os capítulos 8 e 9 tratam de
uma oferta que Paulo estava levantando entre as igrejas gentias para os
cristãos pobres de Jerusalém. Os coríntios prometeram que ajudariam nesta
oferta e Paulo, portanto, os encoraja a cumprir o prometido. Isto envolve
enriquecimento cristão, gratidão, obediência e louvor, sendo princípios da
natureza cristã.
9. A Autodefesa de Paulo (2Co 10-13)
No capítulo 10, Paulo fala da
autoridade do seu apostolado e disse seguir o exemplo de Cristo na humildade e
mansidão, não julgando pelas aparências e deixando que Deus fizesse a
recomendação.
No capítulo 11, Paulo procura
resguardar a igreja que fundou, procurando protegê-la da influência dos falsos
mestres que estão anunciando outro evangelho. Ele precisava gloriar-se nas suas
qualificações de apóstolo. Isto era necessário por causa da oposição.
No capítulo 12, Paulo
apresenta as evidências da autenticidade do seu ministério, a saber, as
revelações que ele teve de Cristo (v.1-6). Ele não fala de uma visão, mas sim
de visões. Deus o havia dado para orientação, instrução e revelação.
Isto ocorreu 14 anos antes de Paulo escrever a epístola. É possível que esta
visão teve lugar logo antes da sua primeira viagem missionária (At 13.1-3) a
fim de prepará-lo para tão grande tarefa.
Paulo declara: “se no corpo ou fora do corpo, não sei”,
“um homem... foi arrebatado até ao
terceiro céu...” (v.2). Ele usa assim, falando de si mesmo, por causa da
sua humildade. Lá, ouviu e viu coisas que, muitas delas não podiam ser
relatadas ao mortal (v.4).
Por fim, mesmo com seu espinho na carne (não sabemos o que era,
mas simboliza dor e sofrimento ao apóstolo), Paulo mostra sua intimidade e
disponibilidade de servir a Cristo e faz o apelo final na epístola, para o
arrependimento, autoanalise, para que não pequem e que sejam maduros na fé. Ao
estudarmos este capítulo, devemos perguntar a nós mesmos: Cristo está vivendo em mim?
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