quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

EP. PAULINAS 2 - EFÉSIOS A FILEMON



1.    Introdução
Este manual de estudo compreende nove das treze cartas ou epístolas escritas pelo apóstolo Paulo: Efésios, Filipenses, Colossenses, 1 e 2 Tessalonicenses, 1 e 2 Timóteo, Tito e Filemon, organizadas da seguinte maneira:

Epístolas Escatológicas:
1 Tessalonicenses: Esclarece sobre o Arrebatamento da Igreja.
2 Tessalonicenses: Ensina sobre eventos futuros relacionados à Igreja.

Epístolas Prisionais:
Efésios: Relata a chamada da Igreja vista por uma perspectiva divina.
Colossenses: Enfatiza Cristo como a cabeça da Igreja (que é o corpo).
Filemon: Pedido de perdão para um escravo fugitivo que se converteu.
Filipenses: Contém princípios valiosos sobre a conservação do gozo cristão.

Epístolas Pastorais:
1 Timóteo: Escrita para encorajar e instruir o jovem pastor Timóteo.
Tito: Auxiliar também o jovem pastor Tito diante das tamanhas dificuldades.
2 Timóteo: Encorajou Timóteo a continuar proclamando a Palavra de Deus, mesmo estando sem Paulo, pois o apóstolo sabia que, dessa vez, não escaparia à pena capital. Está é a última carta escrita por Paulo.

2.   A Epístola aos Efésios
Embora Efésios não seja a epístola mais longa de Paulo, geralmente é considerada a mais profunda. O tema desta carta maravilhosa é “A Igreja: O Corpo de Cristo” e fala da vocação e bênçãos do crente.
A Epístola aos Efésios pode facilmente ser dividida em duas partes: a Chamada da Igreja (1-3) e a Conduta da Igreja (4-6). Na primeira parte, Paulo leva os leitores a verem a Igreja, partindo da perspectiva e mente de Deus. Na segunda parte da carta, Paulo chama a atenção de seus leitores para a necessidade de cada um andar de acordo com esta alta vocação.
Após uma breve saudação, a Epístola se torna num salmo de louvor (v.3-14) trazendo um só pensamento: as bênçãos espirituais da Igreja em Cristo, sendo Bênçãos do Pai (v.3-6), Bênçãos do Filho (v.7-12) e Bênçãos do Espírito Santo (v.13-14). Cada uma destas partes contém nossa redenção, nosso privilégio de crentes e o propósito pelo qual as bênçãos divinas são concedidas.

OBJETIVO
DEUS, O PAI
DEUS, O FILHO
DEUS, O ESPÍRITO SANTO
Nossa Redenção
Ele nos elegeu antes da fundação do mundo.
Em quem temos a redenção, a remissão dos pecados.
O evangelho da vossa salvação tendo nele crido, fostes selados com o Espírito Santo.
Nosso Privilégio
Filhos de adoção por Jesus Cristo.
No qual fomos também feitos herança.
O qual é o penhor da nossa herança, para redenção da possessão de Deus.
Nosso Propósito
Para louvor da glória e de sua graça.
Com o fim de sermos para louvor da sua glória.
Em louvor da sua glória!

No capítulo 2, Paulo se prende à interpretação em termos de construção de um santuário, símbolo escolhido para representar a Igreja nesta parte da sua Epístola (Ef 2.21-22).
Neste texto vemos o material utilizado por Deus na construção da sua Igreja, sendo nós os materiais selecionados e tirados do mundo. Logo após, houve o ajuntamento das partes separadas, mas já havia o alicerce e a pedra angular, sendo neste caso, o Senhor Jesus Cristo.
O capítulo 3 mostra que, do tempo de Moises ao tempo de Cristo, Deus desenvolveu Seu plano de salvação em torno de um povo: os judeus. Paulo revela que Deus agora, na dispensação da graça, está centralizando todas as Suas atividades na Igreja formada por todos os povos, línguas, tribos e nações.
Os capítulos 4 a 6 da Epístola aos Efésios trazem um resumo, definindo a Conduta da Igreja em: andar em cooperação (4.1-16); andar em santificação (4.17-5.21); andar em submissão (5.22-6.9) e; andar sob proteção (6.10-24).
Andar em cooperação envolve a nossa convivência com os outros crentes, atitudes e unidade. É por isso que Paulo nos exorta individualmente a preservarmos “a unidade do Espírito no vínculo da paz” (v.3).
O andar em santificação nos alerta sobre a nossa separação do mundo e precisamos colocar em contraste o passado e o presente, o velho e o novo homem, as trevas e a luz. O velho homem (sem santificação) é cheio de mentira, furto, palavras torpes, amargura, cólera, ira, gritaria, etc. Já o novo homem (em santificação) é repleto de verdade, auxilio ao necessitado, palavras edificantes, benignidade, compaixão, perdão, amor, etc.
Já o andar em submissão é o nosso comportamento no lar e no trabalho, “sujeitando-vos uns aos outros no temor de Cristo” (Ef 5.21). O círculo social é o maior exemplo, seja marido e mulher, pai e filho, servos e senhores.
Por fim, o andar sob proteção envolve uma armadura protetora espiritual, pois qualquer crente que anda de modo digno de vocação celestial, deve esperar oposição, principalmente das forças espirituais das trevas.
Armadura de Deus
Cinto: Verdade (sinceridade)
Couraça: Justiça (santificação)
Calçados: Pronto a pregar
Escudo:
Capacete: A esperança da salvação
Espada: A Palavra de Deus

3.    A Epístola aos Filipenses
Quando Paulo iniciou sua segunda viagem missionária, Deus deu-lhe a visão de um homem da Macedônia, dirigindo-lhe um apelo. Imediatamente Paulo navegou para a cidade principal da Macedônia: Filipos. Esta cidade, estrategicamente localizada numa rota comercial principal entre a Europa e a Ásia, era um lugar ideal de onde se poderia propagar o Evangelho de Cristo.
A Epístola aos Filipenses contém menos advertência e mais elogio do que qualquer outra das epístolas de Paulo. É uma carta alegre, calorosa, e embora sem a comum correção paulina, de erros doutrinários, ela tem um valor imenso no ensino da necessidade de progresso no caminhar cristão e de alegria na fé.
O tema de Filipenses pode ser encontrado no versículo 25 do capítulo 1: “e permanecerei com todos vós, para o vosso progresso e gozo na fé”. Este desejo de Paulo para os crentes filipenses se reflete por toda a carta.

EPÍSTOLA AOS FILIPENSES
Tema: Progresso e Gozo na Fé
Apesar de circunstâncias difíceis (cap.1)
Através da submissão completa (cap.2)
Através da doutrina correta (cap.3)
Através de pensamentos controlados (cap.4)

No capítulo 1, Paulo apresenta três motivos de gozo, sendo: 1) através da oração; 2) através das prioridades certas e; 3) através do ministério. A Igreja de Filipos era bem organizada e demonstrava uma forte e sólida liderança. Em sua oração, Paulo vê a Igreja como uma boa obra de Deus e, um dos segredos do gozo do apóstolo é que suas prioridades estavam centralizadas mais nos “interesses dos céus” do que nos seus próprios interesses. Seu ministério era ativo e as prisões não o impedia de apregoar o Evangelho.
O pensamento chave de Filipenses 2 é servir. Este princípio faz “considerarmos os outros superiores a nós mesmos” (v.3). Isto está se referindo à posição de prioridade, explicando que as necessidades espirituais dos outros está acima dos nossos caprichos pessoais. Esta é a atitude constante de um servo, que sempre vê primeiro as necessidades dos outros, antes de seus próprios interesses, seguindo o exemplo de Cristo.
O capítulo 2 finda com o exemplo de dois crentes bem conhecidos dos filipenses que haviam demonstrado o “principio de um servo” em suas vidas. O primeiro foi Timóteo e o segundo foi Epafrodito, ambos recomendados por Paulo e com um coração serviçal.
Nas primeiras linhas de Filipenses 3, Paulo ordena duas vezes a seus leitores que se “regozijem”. No restante do capítulo ele avisa sobre dois desentendimentos doutrinários que podem acabar com o gozo do crente em Cristo. O primeiro erro doutrinário se chama “Legalismo”, que é tentar agradar a Deus pela obediência, para deste modo obter salvação. O segundo erro se chama “Antinomianismo”, que literalmente significa oposto a todas as regras. Os que seguiam esta doutrina sentiam que haviam sido salvos pela fé e que agora eram livres para pecar, sem isso lhes trazer consequências. Observe os seguintes avisos, dados em relação a estes erros.

LEGALISMO
ANTINOMIANISMO
Acautelai-vos dos cães!... da falsa circuncisão... não confiamos na carne (v.2-3).
Pois, muitos andam entre nós, dos quais, vos disse muitas vezes, que são inimigos de Cristo (v.18)

No capítulo final de Filipenses, Paulo continua a escrever sobre o gozo (v.4) e progresso (v.9) na fé cristã, tratando inicialmente sobre um problema pessoal entre duas senhoras (Evódia e Síntique) na igreja e solicitando que haja perdão e restauração emocional, visando a união do corpo de Cristo.
Paulo sabia que um crente não pode se regozijar no Senhor se não estiver desejoso de renunciar seus direitos, reivindicações e sentimentos de amargura. Para isto, ele exorta os filipenses à “moderação” ou “calmo arrazoamento”.
Nos últimos versículos vemos o modo de pensar justo e correto, exemplificado por Paulo. Ele havia aprendido a ser vitorioso sobre a ansiedade, para viver contente em todas as situações e também levar seus problemas a Cristo, a fonte de sua fortaleza: “tudo posso naquele que me fortalece” (4.13).
É de grande encorajamento ver Paulo olhando além de suas próprias necessidades e desejos e pedindo a Deus que “credite” na conta celestial dos filipenses, o presente que lhe deram (v.17), e que Ele supra todas as suas necessidades na terra (v.19).

4.    A Epístola aos Colossenses
É bem provável que Paulo nunca tivesse visitado a igreja de Colossos. Seu relacionamento com a comunidade cristã ali foi apenas através dos relatórios recebidos de Epafras que, além de pastor em Colossos, era um bom evangelista, levando o Evangelho às cidades vizinhas de Laodiceia e Herápolis (Cl 4.13). Ele também era um bom trabalhador cristão, que constantemente prostrava-se em oração pelo seu rebanho (4.12).
Cuidadoso e zeloso pela obra de Deus que era, ao ver as heresias do Gnosticismo entrando na Igreja, foi ate Roma ouvir a opinião e conselho de Paulo. A Epístola aos Colossenses é a resposta àquela visita.
Colossenses e Efésios se completam, pois ambas tratam da doutrina da Igreja em relação a Cristo. Efésios enfatiza a Igreja como corpo de Cristo, enquanto Colossenses enfatiza Cristo como a cabeça da Igreja.
Efésios, Colossenses e Filemom, provavelmente foram escritas ao mesmo tempo e foram entregues pelo mesmo mensageiro, Tíquico (61-62 d.C.). Foram escritas quando da visita de Epafras a Paulo, encarcerado na prisão em Roma.
O tema da Epístola aos Colossenses é “A Supremacia de Cristo”. O Gnosticismo estava crescendo em Colossos e ameaçava o fundamento da fé cristã, alegando que Cristo não era divino e por isto a humanidade tinha que efetuar o trabalho da salvação por si própria, através de certos rituais e adorando seres angelicais. Gnosticismo é misticismo e satanismo!
Paulo vai apresentar Cristo como o co-Criador do universo, igual em todos os aspectos a Deus Pai, e que tomou corpo humano para nos conceder completa salvação.

A Epístola aos Colossenses pode dividir-se em duas seções: doutrina (caps. 1 e 2) e prática (caps. 3 e 4), e subdividida, conforme abaixo:

EPÍSTOLA AOS COLOSSENSES
Tema: A Supremacia de Cristo
DOUTRINA
PRÁTICA
Apresentação da Doutrina Correta (1.1-2.7)
Ataque à Falsa Doutrina
(2.8-23)
Aplicação da Doutrina Correta (3.1-4.1)
Exortações Finais e Saudações
(4.2-18)





Ao receber notícias sobre a situação de Colossos, Paulo fica preocupado, mas inicia a carta louvando os irmãos pelas coisas boas, inclusive a fé. Vejamos a sabedoria de Paulo ao se dirigir aos Colossenses, que pode ser muito útil para nós em tempos atuais.
No versículo 9, Paulo compartilha o tema de suas orações pelos Colossenses: “... e de pedir que transbordeis de pleno conhecimento da sua vontade, em toda a sabedoria e entendimento espiritual”. Alguns crentes desta região estavam duvidando da salvação, por conta da insistente heresia do Gnosticismo e Paulo vai mostrar que o crente não precisa procurar nenhuma outra revelação especial além daquela contida na Bíblia.
A partir do verso 15, Paulo vai apresentar a doutrina correta. Para isto, precisamos entender completamente a antiga seita espírita conhecida por Gnosticismo. Os tais descreviam seu deus como tendo a “plenitude” de Deus, em si. Eles achavam que Deus nada tinha a ver com o mundo ou com os homens, porque o mundo material era tido totalmente mau. Assim sendo, para criar o mundo, esse deus, criou emanações (sub deuses), que por sua vez, criaram outras emanações, cada um de nível mais baixo, tendo menos conhecimento de Deus e por isso eram mais hostis. A mais baixa destas emanações ou espíritos, era corrupta o suficiente para poder criar o mundo. Para gnóstico, Cristo era meramente uma destas emanações e insuficiente para efetuar a salvação. Vejamos a ilustração abaixo:


Diante disso, Paulo faz a defesa da divindade de Cristo e, sem dúvida, é uma das mais importantes de todas as Escrituras. Note como a descrição do apóstolo é reafirmada em outras 2 passagens importantes: João 1 e Hebreus 1:
·         A revelação de Deus aos homens: Este é a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação. (Cl 1.15; Jo 1.14; 1.18; Hb 1.2,3).
·         O Herdeiro de todas as coisas: “o primogênito de toda a criação”        (Cl 1.15; Jo 1.18; Hb 1.2).
·         O Criador de todas as coisas: “pois nele foram criadas todas as coisas” (Cl 1.16; Jo 1.3; Hb 1.2).
·         De Existência eterna: “Ele é antes de todas as coisas” (Cl 1.17; Jo 1.1; Hb 1.10,12).
·         Totalmente Deus: “que, nele, residisse toda a plenitude (Cl 1.19; Jo 1.1; Hb 1.3).

O versículo 19 forma uma ponte de ligação entre a apresentação da divindade de Cristo e Sua humanidade, demonstrando o Deus que se tornou carne e sangue para reconciliar os homens consigo. Os Gnósticos consideram Cristo um fantasma, mas em Colossenses Paulo ensina que Cristo nos reconciliou com o Pai mediante o corpo da sua carne (1.22).
Os primeiros sete versículos do capítulo 2 explicam melhor o “verdadeiro conhecimento” que é o próprio Cristo, em quem estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento. O crente é admoestado a não deixar que ninguém o engane, dizendo que é necessário um conhecimento especial para uma salvação completa.
No verso 8 do capítulo 2, Paulo usa uma ilustração muito clara para nos avisar contra falsos mestres. Ele afirma que tais elementos estão tentando “capturar” os crentes através de filosofias humanas e tradições. Anteriormente, Paulo havia referido aos crentes como tendo sido “libertos” dos poderes das trevas e trazidos para o reino de Deus. Agora, ele enfatiza os falsos mestres que estão tentando levar os crentes de volta à prisão (compare 1.23 e 2.18).
No capítulo 3, Paulo muda o tom de sua epístola, passando do ensino para a aplicação da doutrina, no dia-a-dia. O apóstolo passa a argumentar sobre a natureza do pecado, descrevendo o crente como uma “nova criatura”, ou como alguém que morreu para o pecado, foi enterrado (escondido) e ressuscitou para uma nova vida em Cristo. Paulo ainda ilustra que, antes usávamos roupas velhas e sujas (vícios e atitudes pecaminosas) e faz uma mudança, substituindo-as por roupas novas (atitudes piedosas).
A lista dos pecados dos quais deviam se despojar é encontrada nos versos 5, 8 e 9. A palavra “morrer” indica tirar o poder ou a força de; neste caso seria “não dar passagem a”: prostituição, impureza, paixão lasciva, desejo maligno, avareza, ira, ódio, maldade, maledicência, linguagem obscena e mentira.
Deus não está preocupado somente em orientar o crente no que ele não deve fazer, mas também no que ele deve fazer. Assim sendo, Paulo descreve que devemos ser gentis, humildes, mansos, longânimos e perdoadores. Além disso, a característica mais importante para se “vestir” é o amor. O amor é como uma sobrecapa, que envolve todos os outros traços de um cristão: ‘acima de tudo isto, porém, esteja o amor, que é o vínculo da perfeição’ (3.14).
O capítulo 4 contem as exortações finais e saudações de Paulo e os três temas-chave desta seção são:

1. Persevere na Oração (4.2,3)
2. Tenha um Bom Testemunho (4.4-6)
3. Lembre-se que “Nós” Zelamos por Vocês
Paulo conclui sua carta assinando seu próprio nome. Ele provavelmente sofria de uma doença nos olhos (Gl 4.13-15) e por causa disto ele tinha que escrever com letras muito grandes ou ditar suas cartas para um copista. Quando as cartas eram ditadas, ele as assinava para provar que não eram forjadas. Podemos imaginar Paulo levantando sua mão, morosamente, devido ao peso da corrente da prisão, e levando-a através da página, para deixar a sua assinatura: “A saudação é de próprio punho: Paulo. Lembrai-vos das minhas algemas. A graça seja convosco” (Cl 4.18).

5.    A Primeira Epístola aos Tessalonicenses
A primeira Epístola aos Tessalonicenses é uma carta muito valiosa para o crente hoje, por duas razões básicas: primeiro, ela dá um relatório detalhado de como Paulo implantou uma Igreja numa comunidade pagã e de como ela, por sua vez, foi usada pelo Espírito Santo para espalhar o Evangelho no mundo antigo; segundo, aquela igreja local recebeu a explicação mais clara do Novo Testamento sobre o Arrebatamento da Igreja, como o corpo de Cristo.
Nesta epístola, três fatos se destacam: A igreja em Tessalônica estava crescendo e evangelizando, e por isto merecia ser recomendada; os inimigos de Paulo o tinham inflamado, chamando-o de charlatão e declarando que ele estava interessado nos tessalonicenses somente por causa de suas riquezas, o que caiu por terra e; sabemos que aqueles crentes tinham dúvidas e perguntas sobre a segunda vinda de Cristo.
O tema desta carta é “O Arrebatamento da Igreja” e em cada capítulo encontramos uma referência à primeira fase da segunda vinda de Cristo.
Pelo primeiro capítulo desta epístola sabemos que Timóteo relatou a Paulo que os inimigos do apóstolo estavam levando os crentes tessalonicenses a duvidarem da sua salvação. Paulo defende o Evangelho por ele pregado, lembrando aos leitores que “nosso evangelho chegou até vós tão somente em palavra, mas, sobretudo, em poder, no Espírito Santo...” (1Ts 1.5).
Paulo sempre iniciava suas cartas com uma palavra de louvor a Deus e encorajamento aos crentes. Neste caso, ele elogiou a igreja em Tessalônica pela sua obra produzida pela fé, seu trabalho movido pelo amor e pela paciência inspirada na esperança, além do trabalho motivado pelo amor a Deus e a permanência na fé, apesar dos muitos sofrimentos.
Nos versos 4 a 8, Paulo apresenta três aspectos da conversão que serviam para demonstrar a validade da salvação em Cristo como um milagre espiritual e não uma filosofia enganosa. Primeiro, a mensagem da salvação que chegou a eles, veio acompanhada pelo poder de Deus. Segundo, os tessalonicenses, agora transformados, era uma prova viva do poder da operação milagrosa de Deus e, em terceiro, Paulo relembra-os que haviam também testemunhado o poder do Evangelho diante da conversão e transformação de outros, ao ouvirem a Palavra ministrada e compartilhada por eles.
No capítulo 2 vemos Paulo, que sempre mostrou grande constrangimento quando falava de si mesmo, defendendo o seu ministério e o dos seus cooperadores. Isto era necessário algumas vezes, pois o apóstolo sabia que a fé de um novo convertido geralmente depende do exemplo visto naqueles que o levaram a Cristo. Um ataque a ele era também ataque à fé dos novos convertidos tessalonicenses.
Embora estivessem longe dos crentes tessalonicenses, Paulo e seus companheiros continuavam a pensar e orar por eles. Por algumas vezes, tentaram voltar em Tessalônica, mas Satanás os impedira (2.8). Finalmente, quando Paulo não pôde mais suportar a incerteza, enviou Timóteo para ver como estava a igreja daquele lugar (3.1-6).
Quando Timóteo voltou a Paulo, em Corinto, ele relatou que a igreja tessalonicense estava forte na fé e no amor, no que Paulo e Silas exultaram com as notícias e oram mais ainda para que “o Senhor os fizesse crescer e aumentar no amor uns para com os outros, a fim de que seja o vosso coração confirmado em santidade, isento de culpa, na presença de nosso Deus e Pai, na vinda do nosso Senhor Jesus, com todos os seus santos” (1Ts 3.12-13).
A palavra finalmente no começo do capítulo 4 indica uma radical mudança na carta de Paulo. Agora ele começa a falar no futuro, aplicando o ensino do Arrebatamento da Igreja à vida cristã diária do cristão. As duas áreas específicas que Paulo aborda, são: como devemos andar para agradar a Deus, aguardando o arrebatamento e a esperança deste evento para o crente que dorme no Senhor, finando com estas palavras: “Consolai-vos pois, uns aos outros com estas palavras” (v.18).
Para o incrédulo, o ensino sobre o arrebatamento é amedrontador, mas para o crente é uma esperança consoladora, uma hora para ser esperada ansiosamente.
O capítulo 5 é uma sequencia natural do ensino sobre o Arrebatamento, registrado no final do capítulo 4. No capítulo final desta carta, Paulo nos lembra da necessidade de despertarmos espiritualmente, a fim de que não percamos o Arrebatamento e sejamos surpreendidos pela ira de Deus que será derramada sobre toda a terra – “O Dia do Senhor”.
A palavra “dia”, nas Escrituras, nem sempre indica um período de 24 horas. Geralmente é usada no sentido figurado para se referir a um acontecimento ou série de acontecimentos. O Dia do Senhor se associa com julgamento, ira e Israel. Isto não é para a Igreja, mas para os incrédulos, judeus e pecadores. Começará imediatamente após o Arrebatamento, continuando até a completa destruição dos céus e terra (2Pe 3.10).
Na última metade do capítulo 5, Paulo faz uma aplicação prática do ensino sobre esses “dias futuros”. O crente deve levar uma vida santa e pura tendo em vista os acontecimentos dos últimos tempos. Paulo faz uma lista de 14 assuntos, onde a santidade é necessária. Ele menciona: respeito pelos líderes espirituais (5.12,13); ajuda aos mais fracos (5.14); não procurar vingança (5.15); regozijar, orar e dar graças em todas as circunstâncias (5.16,17); o uso dos dons do Espírito (5.19-21); a abstinência de qualquer atividade duvidosa (5.22).
Por fim, ao considerar novamente a lista, Paulo observa que um padrão de vida tão alto não pode ser vivido através da energia humana, por isso ele termina orando: “O mesmo Deus de paz vos santifique em tudo; e o vosso espírito, alma e corpo sejam conservados íntegros e irrepreensíveis na vinda de nosso Senhor Jesus Cristo” (1Ts 5.23).


6.    A Segunda Epístola aos Tessalonicenses
A primeira e a segunda Epístola aos Tessalonicenses foram escritas para a mesma igreja num espaço de poucos meses. Na segunda Epístola, Paulo fala do iminente Arrebatamento, vindo a seguir o “Dia do Senhor”, o qual virá repentinamente como um ladrão de noite.
Um grupo de falsos mestres estava ensinando que o “Dia do Senhor” já tinha chegado e muitos ficaram perplexos e preocupados, julgando que tinham perdido o Arrebatamento. Alguns ficaram tão preocupados com a Vinda do Senhor que deixaram suas ocupações e ficaram dependendo da igreja para suprir suas necessidades materiais e, sem trabalho e indolentes, circulavam desocupados, criando mais confusão ainda (2Ts 3.6-7).
Paulo esclarece três dúvidas específicas concernentes à PAROUSIA (vinda) de Cristo, mostrando que a perseguição experimentada pelos Tessalonicenses não era parte da ira final de Deus sobre o mundo; o “Dia do Senhor” somente ocorreria depois do Arrebatamento e; esse acontecimento não deve ser causa de nos tornarmos negligentes, mas sim nos estimular a multiplicar nossos esforços no evangelismo e atendimento a todas as nossas responsabilidades.

SEGUNDA EPÍSTOLA AOS TESSALONICENSES
Tema: Esclarecimentos sobre a vinda do Senhor
Quanto à perseguição e perseguidores
(Cap. 1)
Quanto o tempo da chegada do “Dia do Senhor” (Cap. 2)
Quanto o evangelismo e o trabalho
(Cap. 3)

No capítulo 1, logo após as palavras de elogio, Paulo compartilhou com os crentes Tessalonicenses quanto à verdade básica que os ajudaria a entender o sofrimento pelo qual estavam passando: DEUS É JUSTO EM SEUS JULGAMENTOS. Deus não havia os abandonado, mas tinha o melhor em mente para eles, aumentar sua fé. Paulo encoraja ainda mais os crentes, explicando que Deus não tolerará tais perseguidores para sempre. Breve estaremos para sempre com o Senhor (1Ts 4.17) e o pecador sofrerá eterna destruição, banidos da face do Senhor (2Ts 1.9).
Paulo amplia sua explicação do propósito do sofrimento, explicando que este serve para mostrar aos crentes o valor de sua vocação. O sofrimento aperfeiçoa o plano de Deus na vida do crente. Como os músculos em nossos corpos, a fé se fortalece quando exercida. A perseguição tanto serve para testar a fé do crente quanto para desenvolver a força no caráter cristão, tornando o crente agradável a Deus (2Ts 1.9-11).
Os crentes tessalonicenses estavam amedrontados, julgando já estarem em meio a Grande Tribulação, mas no capítulo 2, Paulo ensina que o “Dia do Senhor” começará imediatamente após o Arrebatamento da Igreja e cita os três acontecimentos anteriores ao “Dia do Senhor”, na seguinte ordem:

1. A Partida da Igreja – Arrebatamento (2Ts 2.3);
2. A Remoção do Elemento que Resiste – O Espírito Santo (2Ts 2.6-8);
3. A Manifestação do homem do Pecado – O Anticristo (2Ts 2.3,4,8-11).

Tendo em vista estes acontecimentos importantes que hão de vir, Paulo exorta os crentes tessalonicenses a se firmarem na verdade que receberam. Ele ora para que Deus os fortaleça e os estimule a praticarem boas obras (2.17).
No capítulo 3, terminando seu ensino sobre os acontecimentos futuros, Paulo pede que os tessalonicenses orem em seu favor e ao invés de se amedrontarem, eles deveriam estar espalhando o Evangelho dinamicamente, confiante na proteção de Deus. Ao invés de abandonarem suas responsabilidades, eles deveriam trabalhar ainda mais diligentemente até o momento exato da volta de Cristo e, ao invés de corações perturbados, eles deveriam cultivar a paz de Deus em seus corações e mentes.

7.    A Primeira Epístola a Timóteo
Que tipo de homem era Timóteo? Um companheiro de trabalho a quem Paulo muito amava. Ele provavelmente nasceu em Listra. Seu pai era grego pagão e sua mãe Eunice e avó Lóide eram judias crentes e ensinaram cuidadosamente as Escrituras do Antigo Testamento para Timóteo.
Paulo voltou à cidade de Timóteo em sua segunda viagem missionária e, impressionado pelo conhecimento que o jovem tinha da Palavra de Deus e reconhecendo sua chamada, Paulo o convidou a acompanhá-lo em seu ministério e depois de algum tempo, o ordenou a Presbítero e o deixou em Éfeso para proteger a igreja dos enganos dos falsos mestres.
O tema geral de 1 Timóteo é: “Instrução para um Líder de Igreja Sobre o seu Ministério”, que é claramente revelado no capítulo 3.14,15 e 4.6.
Paulo instrui Timóteo a permanecer em Éfeso fortalecendo os crentes na fé e combatendo as falsas doutrinas (1Tm 1.3). Os falsos mestres de Éfeso erravam acrescentando longas estórias imaginárias alheias às Escrituras. Este tipo de pregação imaginária não traz nova luz às Escrituras, muito pelo contrário, ela originava mais perguntas, desviando assim o crente da verdade de Deus.
A igreja estava sofrendo pelas heresias e Paulo cita Himeneu e Alexandre como dois hereges que, naufragaram na fé. O capítulo 1 encerra com uma exortação a Timóteo para manter sua fé, combater o bom combate e manter uma boa consciência perante Deus para que não lhe aconteça o mesmo.
O capítulo 2 trata do culto a Deus, enfatizando a necessidade da oração no louvor e a devida situação das mulheres no culto, quanto à ordem. Discorrendo sobre o versículo 1, podemos definir as formas de conversar com Deus da seguinte maneira:

Súplica                     – Para necessidades intensamente sentidas.
Intercessão – Para pedidos a favor dos outros.
Orações       – Para necessidades comuns.
Graças                     – Para expressar gratidão a Deus.

Como no primeiro século cada nação tinha o seu próprio deus, Paulo teve o cuidado de enfatizar, em 1Tm 2.5-7, que há somente um Deus e um Mediador entre Deus e os homens, a saber Jesus Cristo – homem, o qual a si mesmo se deu para resgate por todos.
Naquele tempo, era costume das mulheres fazerem tranças com vários materiais entrelaçados em seu cabelo, como vistosos ornamentos de prata, fios de ouro e bijuterias. Á luz de tais excessos, Paulo fala da moderação, instruindo as mulheres crentes a cultivarem a beleza interior, da alma, ao invés de enfatizarem o adorno externo, que é perecível.
Visando que a igreja de Éfeso era composta de muitas congregações e precisava de líderes para assuntos espirituais (presbítero) e materiais (diácono), Paulo inicia o capítulo 3 dizendo que, “se alguém deseja o episcopado, excelente obra almeja” e acrescenta com as qualificações de um homem apto para este fim:
a.     Deve ser marido de uma só mulher (3.2);
b.     Deve ser vigilante e sóbrio (3.2);
c.     Deve ser homem de bom relacionamento (3.2);
d.     Deve ser hospitaleiro (3.2);
e.     Deve ser apto para ensinar (3.2);
f.        Não deve ser dado ao vinho (3.3);
g.     Deve ser homem de natureza calma, controlada (3.3);
h.     Não deve ser avarento e nem correr atrás de bens materiais (3.3);
i.         Deve ser bom administrador de sua família (3.4);
j.         Não deve ser um novo convertido (3.6);
k.      Deve dar bom testemunho dos que são de fora (3.7);
l.         Não deve ser homem de duas palavras e ter vida consagrada (3.8-13).

Paulo lembra a Timóteo que a Igreja não é somente um edifício ou organização, mas é a Casa de Deus, a Igreja do Deus vivo. Ao falar da Igreja, Paulo exaltava o cabeça, que é Cristo Jesus. Ele descreve que a divindade de Cristo é confirmada pelo testemunho do Espírito Santo, pela presença dos anjos, pela pregação miraculosa do Evangelho em toda parte, e pela ressurreição e ascensão de Cristo (3.16).
O capítulo 4 é um alerta contra os falsos mestres que na igreja levavam muitos a se desviarem da fé. Para que possa resistir a essa ameaça, o atual obreiro do Senhor precisar ensinar a Palavra de Deus e ser um exemplo de santidade diante dos outros crentes da Igreja. A fim de resistir o ensino destes falsos mestres, Paulo instrui Timóteo a contestar seus ataques com o sadio ensino bíblico e cita três pontos: Alimentação na Palavra, Rejeição de Fábulas Profanas e O Exercício da Alma como um Atleta Treina o Corpo.
Paulo escreve a Timóteo dizendo-lhe que deve enfrentar o erro dos críticos e faladores, vivendo uma vida exemplar e santa diante do povo (4.12), não ser negligente (4.13-16) e entender a grande responsabilidade que lhe foi outorgada por Deus (4.16).
O capítulo 5 tem admoestações sobre a repreensão ou correção de alguém que está no erro ou em pecado, além da ajuda aos necessitados. O apostolo usa este capítulo também para dizer que o obreiro é digno do seu salário e que as acusações contra os obreiros devem ter testemunhas e provas e, uma vez que seu ministério é público, se for achado culpado, deve ser repreendido publicamente.
O último capítulo de 1 Timóteo trás instruções gerais, dentre as quais Paulo cita o relacionamento com empregadores. Como um terço da população do Império Romano se constituía de escravos e servos, Paulo orienta Timóteo a aconselhar os escravos crentes dizendo que, ainda que tenha um senhor descrente, o servo o honre. Além disso, há a orientação de administrar bem as finanças, pois o amor ao dinheiro é a “raiz de todos os males”, levando a duas consequências terríveis: primeiro, leva o homem a desviar da fé e, segundo, substitui o verdadeiro gozo de um crente por tormento, inveja, egoísmo, etc.
A carta finda com este apelo a Timóteo: “ó Timóteo, guarda o que te foi confiado” (6.20). o depósito confiado a Timóteo é a Verdade do Evangelho.

8.    A Segunda Epístola a Timóteo
Após a primeira cara a Timóteo, Paulo viaja da Ásia Menor para a Espanha e, nesse período, Nero provoca um incêndio em Roma e, para se safar, deposita a culpa nos cristãos, começando assim uma grande perseguição, onde muitos foram mortos de forma cruel. Quando Paulo retorna, é capturado e levado a Roma para ser condenado e morto. Na prisão, escreve sua Segunda Epístola a Timóteo, encorajando-o para continuar avante.
A Segunda Epístola a Timóteo é considerada a carta mais tocante de Paulo, contendo suas últimas palavras. Ela foi escrita cinco anos após a primeira. Paulo afirma estar aprisionado (2Tm 2.9) e tendo Lucas como seu único companheiro (4.11). Todavia, Paulo não estava preocupado com seu próprio destino, mas o da Igreja. Ele poderia morrer, mas a Obra de Deus não!
A apostasia vinha desenfreada nesta época e o antídoto contra esta apostasia era a proclamação da Palavra de Deus. Este é o tema de 2 Timóteo: Antídoto para este mundo mal: A Palavra de Deus!
A Segunda Epístola de Paulo a Timóteo pode ser facilmente resumida em quatro responsabilidades nossas para com a Palavra de Deus, a saber:
Cap. 1: Guarda o bom depósito, mediante o Espírito Santo que habita em nós (1.14).
Cap. 2: E o que de minha parte ouviste através de muitas testemunhas, isso mesmo transmite a homens fiéis e também idôneos para instruir a outros (2.2).
Cap. 3: Tu, porém, permanece naquilo que aprendeste e de que foste inteirado, sabendo de quem o aprendeste (3.14).
Cap. 4: Prega a palavra, insta, quer seja oportuno, que não, corrige, repreende, exorta com toda a longanimidade e doutrina (4.2).
2 Timóteo revela tanto a vitória da fé, que é difícil aceitar que o mesmo foi escrito numa cela de prisão. O pedido de Paulo para que trouxessem sua capa e pergaminhos lembra-nos que sua situação física estava realmente ruim. Mesmo só, Paulo continuava dedicado ao Senhor, que aproveitou até mesmo a última oportunidade para pregar as boas novas da salvação (4.17).

E assim, saiu deste mundo o maior missionário. Como aconteceu com Jesus, João Batista, e muitos profetas e apóstolos, sua vida lhe foi tirada... mas sua voz continua viva. (Stanley Ellison. Bible Workbook, V.9 p.147)


9.    A Epístola a Tito
Tito se converteu e começou a viajar com Paulo na sua 3ª Viagem Missionária e foi um grande cooperador. Ele levou a primeira carta do apóstolo aos coríntios e ajudou os irmãos a cumprirem as admoestações. Ele foi com Paulo na ilha de Creta e, como o apóstolo não pôde ficar ali, Tito dirigiu aquela igreja. Lá é que Tito recebe a carta de Paulo.
Tito é a terceira e última epístola pastoral. A orientação de Paulo a Tito é “Praticar a Fé” (Tt 2.14), pois o mundo pagão julga a Igreja por suas ações e não por sua doutrina. O tema central de Tito é: “ornar a doutrina com as boas obras”.
Tito 1.1 nos introduz a ideia central da epístola: “conhecimento da verdade segundo a piedade”. Aqui Paulo está dizendo que a Igreja deve tanto acatar a sã doutrina como aplicá-la no dia-a-dia.
O versículo 5 nos diz que o principal trabalho de Tito em Creta era estabelecer dirigentes piedosos para as congregações. Creta era uma ilha de aproximadamente 225 km de extensão e mais de 100 cidades. Cada congregação dessas cidades precisava de um dirigente santo, pois era impossível Tito tomar conta de todas sozinho.
O primeiro versículo de Tito 2 apresenta o pensamento principal para o capítulo todo: Tu, porém, fala o que convém a sã doutrina. Tito é instruído a ensinar aos membros da Igreja como aplicar a sã doutrina à suas vidas pessoais e as exortações foram dadas a todos os membros da família, de avós a servos. Este capítulo termina com um belo pensamento, onde a Igreja é descrita sendo purificada por Deus para sermos “um povo exclusivamente seu, zeloso de boas obras” (2.14).
O último capítulo de Tito nos dá três princípios para ornarmos a doutrina. Paulo concentra sua atenção na responsabilidade dos crentes viverem como exemplos para o mundo, perante autoridades civis, descrentes e desviados. Os três princípios para uma “fé ativa” são encontrados nos seguintes versículos:
Versículo 1: “preparados para toda a boa obra” (Fazer o bem deve ser uma reação imediata em qualquer oportunidade).
Versículo 8: “procurem aplicar-se às boas obras” (Solicitando novas oportunidades para fazer o bem).
Versículo 14: “aprendam também a aplicar-se às boas obras...” (Treinando-se para em oportunidades futuras fazer o bem).

10.  A Epístola a Filemom
É uma carta particular de intercessão escrita por Paulo provavelmente em Roma, e enviada a Filemom, em Colossos (Cl 4.7-9). Filemom era membro da igreja de Colossos e sua benevolência e o pedido de Paulo de preparar-lhe alojamento indica que era um homem de certos recursos econômicos.
Onésimo era um escravo que havia fugido de Filemom. Teria possivelmente roubado ao seu amo e fugido para Roma, onde esteve sob a influência de Paulo e se converteu. Paulo queria tê-lo em Roma como seu ajudante (v.13), mas por não ter o consentimento de Filemom, sentiu-se no dever de enviar o escravo a seu amo. Desta maneira, o apóstolo escreve esta bela carta de intercessão, pedindo a Filemom que perdoe a Onésimo e lhe devolva a confiança.

EPÍSTOLA A FILEMON
TEMA: Perdão
Saudações e a estima de Paulo por Filemon
v.1-7
Apelo a favor de Onésimo
v.8-21
Assuntos finais
v.22-25

Vale destacar também as LIÇÕES ESPIRITUAIS do exemplo de Paulo.
(1) A importância do interesse pelos desafortunados.
(2) O dever cristão em obedecer à lei: Onésimo tem que regressar ao seu amo.
(3) A irmandade cristã está acima de todas as distinções sociais e de classes.

O PROBLEMA DE PAULO
  1. Desejava, ardentemente, evitar ao escravo foragido, a punição severa e cruel que, nesse caso, ditava a lei romana.
  2. Queria conciliar Filemon com Onésimo, sem humilhar este; recomendar o malfeitor sem lhe negar a falta cometida. Como conseguir isto? Este foi o problema que Paulo teve de enfrentar.

A ESTRATÉGIA DE PAULO
  1. Sente que o escravo não deve encontrar-se a sós com seu dono, injuriado; por isso providencia um mediador, em Tíquico, que estava de partida para Colossos.
  2. Escreveu esta carta pessoal a Filemon e Onésimo foi seu portador, carta esta que é um perfeito modelo de tática e cortesia.
  3. E para tornar difícil a Filemon, não perdoar e não restaurar o culpado, ele o recomenda a igreja. (Cl 4.9)

Conhecemos, corretamente, o verdadeiro caráter de um homem, mais pelas suas cartas íntimas do que pelas suas cartas públicas. Enquanto, alguém, brilha pelo segundo exemplo, ele, muitas vezes, revela-se a si mesmo, em verdadeiras cores, no primeiro exemplo. Pelo estudo desta epístola, tão curta, notamos a robustez do caráter de Paulo, - ele é sempre o mesmo, cortês, amável, humilde, santo e homem desinteressado.
É uma obra-prima, um modelo de tática, graciosa e delicada solicitação.
  • Desejoso de tocar numa corda sensível do coração de Filemom, Paulo menciona, muitas vezes, que ele era um preso;
  • Ele cita, cordialmente, as excelentes qualidades de Filemom; assim fazendo, torna-lhe difícil não exercer essas qualidades, em perdoar Onésimo;
  • Muito a propósito, demora em citar o nome de Onésimo, afim de preparar o espírito de Filemom;
  • Ele não quer ordenar, com a autoridade dum apóstolo, mas prefere rogar como um amigo muito íntimo;
  • Com um ardente apelo, refere-se a Onésimo como, "meu filho" na certeza de que Filemom faria segundo seu pedido;
  • Reconhecimento franco do mal causado e prometendo restituir ou compensar o prejuízo;
  • Embora noutro tempo sem proveito, Paulo afirma, agora, uma transformação completa, evidente, que poderia garanti-la;
  • Pela cuidadosa escolha das palavras. Paulo diz: "se tenha separado de ti" e não "fugiu" ou "escapou". Não usou nenhuma palavra que despertasse, no dono, o sentido de ira;
  •  Mencionando a esperança de sua próxima libertação e a oportunidade de vê-lo, como enfrentaria Paulo se não fizesse como ele pedira?

O pecador é propriedade de Deus, não somente fugiu do seu Mestre como, também, O roubou. A lei não proporciona nenhum direito de asilo, mas, a graça concede o direito de apelar. Ele foge para refugiar-se em Cristo, a quem Deus tem como sócio. NEle, o pecador nasce de novo, e, como filho, tem nEle um intercessor como um Pai; ele volta para Deus e é recebido, não como escravo, e toda a sua dívida é posta na conta de Cristo.

Nenhum comentário:

Postar um comentário