1. Introdução
Este
manual de estudo compreende nove das treze cartas ou epístolas escritas pelo
apóstolo Paulo: Efésios, Filipenses, Colossenses, 1 e 2 Tessalonicenses, 1 e 2
Timóteo, Tito e Filemon, organizadas da seguinte maneira:
Epístolas
Escatológicas:
1 Tessalonicenses:
Esclarece sobre o Arrebatamento da Igreja.
2 Tessalonicenses:
Ensina sobre eventos futuros relacionados à Igreja.
Epístolas Prisionais:
Efésios: Relata a
chamada da Igreja vista por uma perspectiva divina.
Colossenses: Enfatiza
Cristo como a cabeça da Igreja (que é o corpo).
Filemon: Pedido de
perdão para um escravo fugitivo que se converteu.
Filipenses:
Contém princípios valiosos sobre a conservação do gozo cristão.
Epístolas
Pastorais:
1 Timóteo:
Escrita para encorajar e instruir o jovem pastor Timóteo.
Tito: Auxiliar
também o jovem pastor Tito diante das tamanhas dificuldades.
2 Timóteo:
Encorajou Timóteo a continuar proclamando a Palavra de Deus, mesmo estando sem
Paulo, pois o apóstolo sabia que, dessa vez, não escaparia à pena capital. Está
é a última carta escrita por Paulo.
2. A Epístola aos Efésios
Embora
Efésios não seja a epístola mais longa de Paulo, geralmente é considerada a
mais profunda. O tema desta carta maravilhosa é “A Igreja: O Corpo de
Cristo” e fala da vocação e bênçãos do crente.
A Epístola
aos Efésios pode facilmente ser dividida em duas partes: a Chamada da Igreja
(1-3) e a Conduta da Igreja (4-6). Na primeira parte, Paulo leva os leitores a
verem a Igreja, partindo da perspectiva e mente de Deus. Na segunda parte da
carta, Paulo chama a atenção de seus leitores para a necessidade de cada um
andar de acordo com esta alta vocação.
Após uma
breve saudação, a Epístola se torna num salmo de louvor (v.3-14) trazendo um só
pensamento: as bênçãos espirituais da Igreja em Cristo, sendo Bênçãos do Pai
(v.3-6), Bênçãos do Filho (v.7-12) e Bênçãos do Espírito Santo
(v.13-14). Cada uma destas partes contém nossa redenção, nosso privilégio de
crentes e o propósito pelo qual as bênçãos divinas são concedidas.
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OBJETIVO
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DEUS, O PAI
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DEUS, O FILHO
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DEUS, O ESPÍRITO SANTO
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Nossa
Redenção
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Ele
nos elegeu antes da fundação do mundo.
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Em
quem temos a redenção, a remissão dos pecados.
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O
evangelho da vossa salvação tendo nele crido, fostes selados com o
Espírito Santo.
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Nosso
Privilégio
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Filhos
de adoção por Jesus Cristo.
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No
qual fomos também feitos herança.
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O
qual é o penhor da nossa herança, para redenção da possessão de Deus.
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Nosso
Propósito
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Para
louvor da glória e de sua graça.
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Com
o fim de sermos para louvor da sua glória.
|
Em
louvor da sua glória!
|
No
capítulo 2, Paulo se prende à interpretação em termos de construção de um
santuário, símbolo escolhido para representar a Igreja nesta parte da sua
Epístola (Ef 2.21-22).
Neste
texto vemos o material utilizado por Deus na construção da sua Igreja, sendo
nós os materiais selecionados e tirados do mundo. Logo após, houve o
ajuntamento das partes separadas, mas já havia o alicerce e a pedra angular,
sendo neste caso, o Senhor Jesus Cristo.
O capítulo
3 mostra que, do tempo de Moises ao tempo de Cristo, Deus desenvolveu Seu plano
de salvação em torno de um povo: os judeus. Paulo revela que Deus agora, na
dispensação da graça, está centralizando todas as Suas atividades na Igreja
formada por todos os povos, línguas, tribos e nações.
Os
capítulos 4 a 6 da Epístola aos Efésios trazem um resumo, definindo a Conduta
da Igreja em: andar em cooperação (4.1-16); andar em santificação (4.17-5.21);
andar em submissão (5.22-6.9) e; andar sob proteção (6.10-24).
Andar em
cooperação envolve a nossa convivência com os outros crentes, atitudes e
unidade. É por isso que Paulo nos exorta individualmente a preservarmos “a unidade do Espírito no vínculo da paz”
(v.3).
O andar em
santificação nos alerta sobre a nossa separação do mundo e precisamos colocar
em contraste o passado e o presente, o velho e o novo homem, as trevas e a luz.
O velho homem (sem santificação) é cheio de mentira, furto, palavras torpes,
amargura, cólera, ira, gritaria, etc. Já o novo homem (em santificação) é
repleto de verdade, auxilio ao necessitado, palavras edificantes, benignidade,
compaixão, perdão, amor, etc.
Já o andar
em submissão é o nosso comportamento no lar e no trabalho, “sujeitando-vos uns aos outros no temor de Cristo” (Ef 5.21). O
círculo social é o maior exemplo, seja marido e mulher, pai e filho, servos e
senhores.
Por fim, o
andar sob proteção envolve uma armadura protetora espiritual, pois qualquer
crente que anda de modo digno de vocação celestial, deve esperar oposição,
principalmente das forças espirituais das trevas.
Armadura de Deus
Cinto: Verdade (sinceridade)
Couraça:
Justiça (santificação)
Calçados:
Pronto a pregar
Escudo:
Fé
Capacete:
A esperança da salvação
Espada:
A Palavra de Deus
3. A Epístola aos Filipenses
Quando
Paulo iniciou sua segunda viagem missionária, Deus deu-lhe a visão de um homem
da Macedônia, dirigindo-lhe um apelo. Imediatamente Paulo navegou para a cidade
principal da Macedônia: Filipos. Esta cidade, estrategicamente localizada numa
rota comercial principal entre a Europa e a Ásia, era um lugar ideal de onde se
poderia propagar o Evangelho de Cristo.
A Epístola
aos Filipenses contém menos advertência e mais elogio do que qualquer outra das
epístolas de Paulo. É uma carta alegre, calorosa, e embora sem a comum correção
paulina, de erros doutrinários, ela tem um valor imenso no ensino da
necessidade de progresso no caminhar cristão e de alegria na fé.
O tema de
Filipenses pode ser encontrado no versículo 25 do capítulo 1: “e
permanecerei com todos vós, para o vosso progresso e gozo na fé”. Este
desejo de Paulo para os crentes filipenses se reflete por toda a carta.
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EPÍSTOLA
AOS FILIPENSES
Tema: Progresso e Gozo na Fé
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Apesar
de circunstâncias difíceis (cap.1)
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Através
da submissão completa (cap.2)
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Através
da doutrina correta (cap.3)
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Através
de pensamentos controlados (cap.4)
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No
capítulo 1, Paulo apresenta três motivos de gozo, sendo: 1) através da oração;
2) através das prioridades certas e; 3) através do ministério. A Igreja de
Filipos era bem organizada e demonstrava uma forte e sólida liderança. Em sua
oração, Paulo vê a Igreja como uma boa obra de Deus e, um dos segredos
do gozo do apóstolo é que suas prioridades estavam centralizadas mais nos
“interesses dos céus” do que nos seus próprios interesses. Seu ministério era
ativo e as prisões não o impedia de apregoar o Evangelho.
O
pensamento chave de Filipenses 2 é servir. Este princípio faz “considerarmos os outros superiores a nós
mesmos” (v.3). Isto está se referindo à posição de prioridade,
explicando que as necessidades espirituais dos outros está acima dos nossos caprichos
pessoais. Esta é a atitude constante de um servo, que sempre vê primeiro as
necessidades dos outros, antes de seus próprios interesses, seguindo o exemplo
de Cristo.
O capítulo
2 finda com o exemplo de dois crentes bem conhecidos dos filipenses que haviam
demonstrado o “principio de um servo”
em suas vidas. O primeiro foi Timóteo e o segundo foi Epafrodito, ambos
recomendados por Paulo e com um coração serviçal.
Nas
primeiras linhas de Filipenses 3, Paulo ordena duas vezes a seus leitores que
se “regozijem”. No restante do capítulo ele avisa sobre dois desentendimentos
doutrinários que podem acabar com o gozo do crente em Cristo. O primeiro erro
doutrinário se chama “Legalismo”, que é tentar agradar a Deus pela obediência,
para deste modo obter salvação. O segundo erro se chama “Antinomianismo”, que
literalmente significa oposto a todas as regras. Os que seguiam esta doutrina
sentiam que haviam sido salvos pela fé e que agora eram livres para pecar, sem
isso lhes trazer consequências. Observe os seguintes avisos, dados em relação a
estes erros.
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LEGALISMO
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ANTINOMIANISMO
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Acautelai-vos
dos cães!... da falsa circuncisão... não confiamos na carne (v.2-3).
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Pois, muitos andam entre
nós, dos quais, vos disse muitas vezes, que são inimigos de Cristo (v.18)
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No
capítulo final de Filipenses, Paulo continua a escrever sobre o gozo (v.4) e
progresso (v.9) na fé cristã, tratando inicialmente sobre um problema pessoal
entre duas senhoras (Evódia e Síntique) na igreja e solicitando que haja perdão
e restauração emocional, visando a união do corpo de Cristo.
Paulo
sabia que um crente não pode se regozijar no Senhor se não estiver desejoso de
renunciar seus direitos, reivindicações e sentimentos de amargura. Para isto,
ele exorta os filipenses à “moderação” ou “calmo arrazoamento”.
Nos
últimos versículos vemos o modo de pensar justo e correto, exemplificado por
Paulo. Ele havia aprendido a ser vitorioso sobre a ansiedade, para viver
contente em todas as situações e também levar seus problemas a Cristo, a fonte
de sua fortaleza: “tudo posso naquele que
me fortalece” (4.13).
É de
grande encorajamento ver Paulo olhando além de suas próprias necessidades e
desejos e pedindo a Deus que “credite” na conta celestial dos filipenses, o
presente que lhe deram (v.17), e que Ele supra todas as suas necessidades na
terra (v.19).
4. A Epístola aos Colossenses
É bem
provável que Paulo nunca tivesse visitado a igreja de Colossos. Seu
relacionamento com a comunidade cristã ali foi apenas através dos relatórios
recebidos de Epafras que, além de pastor em Colossos, era um bom evangelista,
levando o Evangelho às cidades vizinhas de Laodiceia e Herápolis (Cl 4.13). Ele
também era um bom trabalhador cristão, que constantemente prostrava-se em
oração pelo seu rebanho (4.12).
Cuidadoso
e zeloso pela obra de Deus que era, ao ver as heresias do Gnosticismo entrando
na Igreja, foi ate Roma ouvir a opinião e conselho de Paulo. A Epístola aos
Colossenses é a resposta àquela visita.
Colossenses
e Efésios se completam, pois ambas tratam da doutrina da Igreja em relação a
Cristo. Efésios enfatiza a Igreja como corpo de Cristo, enquanto Colossenses
enfatiza Cristo como a cabeça da Igreja.
Efésios,
Colossenses e Filemom, provavelmente foram escritas ao mesmo tempo e foram
entregues pelo mesmo mensageiro, Tíquico (61-62 d.C.). Foram escritas quando da
visita de Epafras a Paulo, encarcerado na prisão em Roma.
O tema da
Epístola aos Colossenses é “A Supremacia de Cristo”. O Gnosticismo estava
crescendo em Colossos e ameaçava o fundamento da fé cristã, alegando que Cristo
não era divino e por isto a humanidade tinha que efetuar o trabalho da salvação
por si própria, através de certos rituais e adorando seres angelicais.
Gnosticismo é misticismo e satanismo!
Paulo vai
apresentar Cristo como o co-Criador do universo, igual em todos os aspectos a
Deus Pai, e que tomou corpo humano para nos conceder completa salvação.
A Epístola
aos Colossenses pode dividir-se em duas seções: doutrina (caps. 1 e 2) e prática
(caps. 3 e 4), e subdividida, conforme abaixo:
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EPÍSTOLA
AOS COLOSSENSES
Tema: A Supremacia de Cristo
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DOUTRINA
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PRÁTICA
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Apresentação
da Doutrina Correta (1.1-2.7)
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Ataque à
Falsa Doutrina
(2.8-23)
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Aplicação
da Doutrina Correta (3.1-4.1)
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Exortações
Finais e Saudações
(4.2-18)
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Ao receber
notícias sobre a situação de Colossos, Paulo fica preocupado, mas inicia a
carta louvando os irmãos pelas coisas boas, inclusive a fé. Vejamos a sabedoria
de Paulo ao se dirigir aos Colossenses, que pode ser muito útil para nós em
tempos atuais.
No
versículo 9, Paulo compartilha o tema de suas orações pelos Colossenses: “... e de pedir que transbordeis de pleno
conhecimento da sua vontade, em toda a sabedoria e entendimento espiritual”.
Alguns crentes desta região estavam duvidando da salvação, por conta da insistente
heresia do Gnosticismo e Paulo vai mostrar que o crente não precisa procurar
nenhuma outra revelação especial além daquela contida na Bíblia.
A partir
do verso 15, Paulo vai apresentar a doutrina correta. Para isto, precisamos
entender completamente a antiga seita espírita conhecida por Gnosticismo. Os
tais descreviam seu deus como tendo a “plenitude”
de Deus, em si. Eles achavam que Deus nada tinha a ver com o mundo ou com os
homens, porque o mundo material era tido totalmente mau. Assim sendo, para criar
o mundo, esse deus, criou emanações (sub deuses), que por sua vez, criaram
outras emanações, cada um de nível mais baixo, tendo menos conhecimento de Deus
e por isso eram mais hostis. A mais baixa destas emanações ou espíritos, era
corrupta o suficiente para poder criar o mundo. Para gnóstico, Cristo era
meramente uma destas emanações e insuficiente para efetuar a salvação. Vejamos
a ilustração abaixo:
Diante
disso, Paulo faz a defesa da divindade de Cristo e, sem dúvida, é uma das mais
importantes de todas as Escrituras. Note como a descrição do apóstolo é
reafirmada em outras 2 passagens importantes: João 1 e Hebreus 1:
·
A revelação de Deus aos
homens: Este
é a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação. (Cl 1.15; Jo
1.14; 1.18; Hb 1.2,3).
·
O Herdeiro de todas as coisas: “o primogênito de toda a criação” (Cl 1.15; Jo 1.18; Hb 1.2).
·
O Criador de todas as coisas: “pois nele foram criadas todas as coisas”
(Cl 1.16; Jo 1.3; Hb 1.2).
·
De Existência eterna: “Ele é antes de todas as coisas” (Cl
1.17; Jo 1.1; Hb 1.10,12).
·
Totalmente Deus:
“que, nele, residisse toda a plenitude
(Cl 1.19; Jo 1.1; Hb 1.3).
O versículo
19 forma uma ponte de ligação entre a apresentação da divindade de Cristo e Sua
humanidade, demonstrando o Deus que se tornou carne e sangue para reconciliar
os homens consigo. Os Gnósticos consideram Cristo um fantasma, mas em
Colossenses Paulo ensina que Cristo nos reconciliou com o Pai mediante o corpo
da sua carne (1.22).
Os
primeiros sete versículos do capítulo 2 explicam melhor o “verdadeiro
conhecimento” que é o próprio Cristo, em quem estão escondidos todos os
tesouros da sabedoria e do conhecimento. O crente é admoestado a não deixar que
ninguém o engane, dizendo que é necessário um conhecimento especial para uma
salvação completa.
No verso 8
do capítulo 2, Paulo usa uma ilustração muito clara para nos avisar contra
falsos mestres. Ele afirma que tais elementos estão tentando “capturar” os crentes através de
filosofias humanas e tradições. Anteriormente, Paulo havia referido aos crentes
como tendo sido “libertos” dos
poderes das trevas e trazidos para o reino de Deus. Agora, ele enfatiza os
falsos mestres que estão tentando levar os crentes de volta à prisão (compare
1.23 e 2.18).
No
capítulo 3, Paulo muda o tom de sua epístola, passando do ensino para a
aplicação da doutrina, no dia-a-dia. O apóstolo passa a argumentar sobre a
natureza do pecado, descrevendo o crente como uma “nova criatura”, ou como alguém que morreu para o pecado, foi
enterrado (escondido) e ressuscitou para uma nova vida em Cristo. Paulo ainda
ilustra que, antes usávamos roupas velhas e sujas (vícios e atitudes pecaminosas)
e faz uma mudança, substituindo-as por roupas novas (atitudes piedosas).
A lista
dos pecados dos quais deviam se despojar é encontrada nos versos 5, 8 e 9. A
palavra “morrer” indica tirar o poder
ou a força de; neste caso seria “não dar
passagem a”: prostituição, impureza, paixão lasciva, desejo maligno,
avareza, ira, ódio, maldade, maledicência, linguagem obscena e mentira.
Deus não
está preocupado somente em orientar o crente no que ele não deve fazer, mas
também no que ele deve fazer. Assim sendo, Paulo descreve que devemos ser
gentis, humildes, mansos, longânimos e perdoadores. Além disso, a
característica mais importante para se “vestir” é o amor. O amor é como uma
sobrecapa, que envolve todos os outros traços de um cristão: ‘acima de tudo isto, porém, esteja o amor,
que é o vínculo da perfeição’ (3.14).
O capítulo
4 contem as exortações finais e saudações de Paulo e os três temas-chave desta
seção são:
1.
Persevere na Oração (4.2,3)
2. Tenha
um Bom Testemunho (4.4-6)
3.
Lembre-se que “Nós” Zelamos por Vocês
Paulo
conclui sua carta assinando seu próprio nome. Ele provavelmente sofria de uma
doença nos olhos (Gl 4.13-15) e por causa disto ele tinha que escrever com
letras muito grandes ou ditar suas cartas para um copista. Quando as cartas
eram ditadas, ele as assinava para provar que não eram forjadas. Podemos
imaginar Paulo levantando sua mão, morosamente, devido ao peso da corrente da
prisão, e levando-a através da página, para deixar a sua assinatura: “A saudação é de próprio punho: Paulo.
Lembrai-vos das minhas algemas. A graça seja convosco” (Cl 4.18).
5. A Primeira Epístola aos
Tessalonicenses
A primeira
Epístola aos Tessalonicenses é uma carta muito valiosa para o crente hoje, por
duas razões básicas: primeiro, ela dá um relatório detalhado de como Paulo
implantou uma Igreja numa comunidade pagã e de como ela, por sua vez, foi usada
pelo Espírito Santo para espalhar o Evangelho no mundo antigo; segundo, aquela
igreja local recebeu a explicação mais clara do Novo Testamento sobre o
Arrebatamento da Igreja, como o corpo de Cristo.
Nesta
epístola, três fatos se destacam: A igreja em Tessalônica estava crescendo e
evangelizando, e por isto merecia ser recomendada; os inimigos de Paulo o
tinham inflamado, chamando-o de charlatão e declarando que ele estava
interessado nos tessalonicenses somente por causa de suas riquezas, o que caiu
por terra e; sabemos que aqueles crentes tinham dúvidas e perguntas sobre a
segunda vinda de Cristo.
O tema
desta carta é “O Arrebatamento da Igreja” e em cada capítulo encontramos uma
referência à primeira fase da segunda vinda de Cristo.
Pelo
primeiro capítulo desta epístola sabemos que Timóteo relatou a Paulo que os
inimigos do apóstolo estavam levando os crentes tessalonicenses a duvidarem da
sua salvação. Paulo defende o Evangelho por ele pregado, lembrando aos leitores
que “nosso evangelho chegou até vós tão
somente em palavra, mas, sobretudo, em poder, no Espírito Santo...” (1Ts
1.5).
Paulo
sempre iniciava suas cartas com uma palavra de louvor a Deus e encorajamento
aos crentes. Neste caso, ele elogiou a igreja em Tessalônica pela sua obra
produzida pela fé, seu trabalho movido pelo amor e pela paciência inspirada na
esperança, além do trabalho motivado pelo amor a Deus e a permanência na fé,
apesar dos muitos sofrimentos.
Nos versos
4 a 8, Paulo apresenta três aspectos da conversão que serviam para demonstrar a
validade da salvação em Cristo como um milagre espiritual e não uma filosofia
enganosa. Primeiro, a mensagem da salvação que chegou a eles, veio acompanhada
pelo poder de Deus. Segundo, os tessalonicenses, agora transformados, era uma
prova viva do poder da operação milagrosa de Deus e, em terceiro, Paulo
relembra-os que haviam também testemunhado o poder do Evangelho diante da
conversão e transformação de outros, ao ouvirem a Palavra ministrada e
compartilhada por eles.
No capítulo
2 vemos Paulo, que sempre mostrou grande constrangimento quando falava de si
mesmo, defendendo o seu ministério e o dos seus cooperadores. Isto era
necessário algumas vezes, pois o apóstolo sabia que a fé de um novo convertido
geralmente depende do exemplo visto naqueles que o levaram a Cristo. Um ataque
a ele era também ataque à fé dos novos convertidos tessalonicenses.
Embora
estivessem longe dos crentes tessalonicenses, Paulo e seus companheiros
continuavam a pensar e orar por eles. Por algumas vezes, tentaram voltar em
Tessalônica, mas Satanás os impedira (2.8). Finalmente, quando Paulo não pôde
mais suportar a incerteza, enviou Timóteo para ver como estava a igreja daquele
lugar (3.1-6).
Quando
Timóteo voltou a Paulo, em Corinto, ele relatou que a igreja tessalonicense
estava forte na fé e no amor, no que Paulo e Silas exultaram com as notícias e
oram mais ainda para que “o Senhor os
fizesse crescer e aumentar no amor uns para com os outros, a fim de que seja o
vosso coração confirmado em santidade, isento de culpa, na presença de nosso
Deus e Pai, na vinda do nosso Senhor Jesus, com todos os seus santos” (1Ts
3.12-13).
A palavra finalmente
no começo do capítulo 4 indica uma radical mudança na carta de Paulo. Agora ele
começa a falar no futuro, aplicando o ensino do Arrebatamento da Igreja à vida
cristã diária do cristão. As duas áreas específicas que Paulo aborda, são: como
devemos andar para agradar a Deus, aguardando o arrebatamento e a esperança
deste evento para o crente que dorme no Senhor, finando com estas palavras: “Consolai-vos pois, uns aos outros com estas
palavras” (v.18).
Para o
incrédulo, o ensino sobre o arrebatamento é amedrontador, mas para o crente é
uma esperança consoladora, uma hora para ser esperada ansiosamente.
O capítulo
5 é uma sequencia natural do ensino sobre o Arrebatamento, registrado no final
do capítulo 4. No capítulo final desta carta, Paulo nos lembra da necessidade
de despertarmos espiritualmente, a fim de que não percamos o Arrebatamento e
sejamos surpreendidos pela ira de Deus que será derramada sobre toda a terra –
“O Dia do Senhor”.
A palavra
“dia”, nas Escrituras, nem sempre indica um período de 24 horas. Geralmente é
usada no sentido figurado para se referir a um acontecimento ou série de
acontecimentos. O Dia do Senhor se associa com julgamento, ira e Israel.
Isto não é para a Igreja, mas para os incrédulos, judeus e pecadores. Começará
imediatamente após o Arrebatamento, continuando até a completa destruição dos
céus e terra (2Pe 3.10).
Na última
metade do capítulo 5, Paulo faz uma aplicação prática do ensino sobre esses
“dias futuros”. O crente deve levar uma vida santa e pura tendo em vista os
acontecimentos dos últimos tempos. Paulo faz uma lista de 14 assuntos, onde a
santidade é necessária. Ele menciona: respeito pelos líderes espirituais
(5.12,13); ajuda aos mais fracos (5.14); não procurar vingança (5.15);
regozijar, orar e dar graças em todas as circunstâncias (5.16,17); o uso dos
dons do Espírito (5.19-21); a abstinência de qualquer atividade duvidosa (5.22).
Por fim,
ao considerar novamente a lista, Paulo observa que um padrão de vida tão alto
não pode ser vivido através da energia humana, por isso ele termina orando: “O mesmo Deus de paz vos santifique em tudo;
e o vosso espírito, alma e corpo sejam conservados íntegros e irrepreensíveis
na vinda de nosso Senhor Jesus Cristo” (1Ts 5.23).
6. A Segunda Epístola aos
Tessalonicenses
A primeira
e a segunda Epístola aos Tessalonicenses foram escritas para a mesma igreja num
espaço de poucos meses. Na segunda Epístola, Paulo fala do iminente
Arrebatamento, vindo a seguir o “Dia do Senhor”, o qual virá repentinamente
como um ladrão de noite.
Um grupo
de falsos mestres estava ensinando que o “Dia do Senhor” já tinha chegado e
muitos ficaram perplexos e preocupados, julgando que tinham perdido o
Arrebatamento. Alguns ficaram tão preocupados com a Vinda do Senhor que
deixaram suas ocupações e ficaram dependendo da igreja para suprir suas
necessidades materiais e, sem trabalho e indolentes, circulavam desocupados, criando
mais confusão ainda (2Ts 3.6-7).
Paulo
esclarece três dúvidas específicas concernentes à PAROUSIA (vinda) de Cristo,
mostrando que a perseguição experimentada pelos Tessalonicenses não era parte
da ira final de Deus sobre o mundo; o “Dia do Senhor” somente ocorreria depois
do Arrebatamento e; esse acontecimento não deve ser causa de nos tornarmos
negligentes, mas sim nos estimular a multiplicar nossos esforços no evangelismo
e atendimento a todas as nossas responsabilidades.
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SEGUNDA
EPÍSTOLA AOS TESSALONICENSES
Tema: Esclarecimentos sobre a
vinda do Senhor
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Quanto à
perseguição e perseguidores
(Cap.
1)
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Quanto o
tempo da chegada do “Dia do Senhor” (Cap. 2)
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Quanto o
evangelismo e o trabalho
(Cap.
3)
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No
capítulo 1, logo após as palavras de elogio, Paulo compartilhou com os crentes
Tessalonicenses quanto à verdade básica que os ajudaria a entender o sofrimento
pelo qual estavam passando: DEUS É JUSTO
EM SEUS JULGAMENTOS. Deus não havia os abandonado, mas tinha o melhor em
mente para eles, aumentar sua fé. Paulo encoraja ainda mais os crentes,
explicando que Deus não tolerará tais perseguidores para sempre. Breve
estaremos para sempre com o Senhor (1Ts 4.17) e o pecador sofrerá eterna
destruição, banidos da face do Senhor (2Ts 1.9).
Paulo
amplia sua explicação do propósito do sofrimento, explicando que este serve
para mostrar aos crentes o valor de sua vocação. O sofrimento aperfeiçoa o
plano de Deus na vida do crente. Como os músculos em nossos corpos, a fé se
fortalece quando exercida. A perseguição tanto serve para testar a fé do crente
quanto para desenvolver a força no caráter cristão, tornando o crente agradável
a Deus (2Ts 1.9-11).
Os crentes
tessalonicenses estavam amedrontados, julgando já estarem em meio a Grande
Tribulação, mas no capítulo 2, Paulo ensina que o “Dia do Senhor” começará
imediatamente após o Arrebatamento da Igreja e cita os três acontecimentos
anteriores ao “Dia do Senhor”, na seguinte ordem:
1. A
Partida da Igreja – Arrebatamento (2Ts 2.3);
2. A
Remoção do Elemento que Resiste – O Espírito Santo (2Ts 2.6-8);
3. A
Manifestação do homem do Pecado – O Anticristo (2Ts 2.3,4,8-11).
Tendo em
vista estes acontecimentos importantes que hão de vir, Paulo exorta os crentes
tessalonicenses a se firmarem na verdade que receberam. Ele ora para que Deus
os fortaleça e os estimule a praticarem boas obras (2.17).
No
capítulo 3, terminando seu ensino sobre os acontecimentos futuros, Paulo pede
que os tessalonicenses orem em seu favor e ao invés de se amedrontarem, eles
deveriam estar espalhando o Evangelho dinamicamente, confiante na proteção de
Deus. Ao invés de abandonarem suas responsabilidades, eles deveriam trabalhar
ainda mais diligentemente até o momento exato da volta de Cristo e, ao invés de
corações perturbados, eles deveriam cultivar a paz de Deus em seus corações e
mentes.
7. A Primeira Epístola a Timóteo
Que tipo
de homem era Timóteo? Um companheiro de trabalho a quem Paulo muito amava. Ele
provavelmente nasceu em Listra. Seu pai era grego pagão e sua mãe Eunice e avó
Lóide eram judias crentes e ensinaram cuidadosamente as Escrituras do Antigo
Testamento para Timóteo.
Paulo
voltou à cidade de Timóteo em sua segunda viagem missionária e, impressionado
pelo conhecimento que o jovem tinha da Palavra de Deus e reconhecendo sua
chamada, Paulo o convidou a acompanhá-lo em seu ministério e depois de algum
tempo, o ordenou a Presbítero e o deixou em Éfeso para proteger a igreja dos
enganos dos falsos mestres.
O tema
geral de 1 Timóteo é: “Instrução para um Líder de Igreja Sobre o seu
Ministério”, que é claramente revelado no capítulo 3.14,15 e 4.6.
Paulo
instrui Timóteo a permanecer em Éfeso fortalecendo os crentes na fé e
combatendo as falsas doutrinas (1Tm 1.3). Os falsos mestres de Éfeso erravam
acrescentando longas estórias imaginárias alheias às Escrituras. Este tipo de
pregação imaginária não traz nova luz às Escrituras, muito pelo contrário, ela
originava mais perguntas, desviando assim o crente da verdade de Deus.
A igreja
estava sofrendo pelas heresias e Paulo cita Himeneu e Alexandre como dois
hereges que, naufragaram na fé. O capítulo 1 encerra com uma exortação a
Timóteo para manter sua fé, combater o bom combate e manter uma boa consciência
perante Deus para que não lhe aconteça o mesmo.
O capítulo
2 trata do culto a Deus, enfatizando a necessidade da oração no louvor e a
devida situação das mulheres no culto, quanto à ordem. Discorrendo sobre o
versículo 1, podemos definir as formas de conversar com Deus da seguinte maneira:
Súplica
– Para necessidades
intensamente sentidas.
Intercessão
– Para pedidos a favor dos outros.
Orações
– Para necessidades comuns.
Graças
– Para expressar
gratidão a Deus.
Como no
primeiro século cada nação tinha o seu próprio deus, Paulo teve o cuidado de
enfatizar, em 1Tm 2.5-7, que há somente um Deus e um Mediador
entre Deus e os homens, a saber Jesus Cristo – homem, o qual a si mesmo se deu
para resgate por todos.
Naquele
tempo, era costume das mulheres fazerem tranças com vários materiais
entrelaçados em seu cabelo, como vistosos ornamentos de prata, fios de ouro e
bijuterias. Á luz de tais excessos, Paulo fala da moderação, instruindo as
mulheres crentes a cultivarem a beleza interior, da alma, ao invés de
enfatizarem o adorno externo, que é perecível.
Visando
que a igreja de Éfeso era composta de muitas congregações e precisava de
líderes para assuntos espirituais (presbítero) e materiais (diácono), Paulo
inicia o capítulo 3 dizendo que, “se
alguém deseja o episcopado, excelente obra almeja” e acrescenta com as
qualificações de um homem apto para este fim:
a. Deve
ser marido de uma só mulher (3.2);
b.
Deve ser vigilante e sóbrio
(3.2);
c.
Deve ser homem de bom
relacionamento (3.2);
d.
Deve ser hospitaleiro (3.2);
e.
Deve ser apto para ensinar (3.2);
f.
Não deve ser dado ao vinho
(3.3);
g.
Deve ser homem de natureza
calma, controlada (3.3);
h.
Não deve ser avarento e nem
correr atrás de bens materiais (3.3);
i.
Deve ser bom administrador de
sua família (3.4);
j.
Não deve ser um novo
convertido (3.6);
k.
Deve dar bom testemunho dos
que são de fora (3.7);
l.
Não deve ser homem de duas
palavras e ter vida consagrada (3.8-13).
Paulo
lembra a Timóteo que a Igreja não é somente um edifício ou organização, mas é a
Casa de Deus, a Igreja do Deus vivo. Ao falar da Igreja, Paulo exaltava o
cabeça, que é Cristo Jesus. Ele descreve que a divindade de Cristo é confirmada
pelo testemunho do Espírito Santo, pela presença dos anjos, pela pregação
miraculosa do Evangelho em toda parte, e pela ressurreição e ascensão de Cristo
(3.16).
O capítulo
4 é um alerta contra os falsos mestres que na igreja levavam muitos a se
desviarem da fé. Para que possa resistir a essa ameaça, o atual obreiro do
Senhor precisar ensinar a Palavra de Deus e ser um exemplo de santidade diante
dos outros crentes da Igreja. A fim de resistir o ensino destes falsos mestres,
Paulo instrui Timóteo a contestar seus ataques com o sadio ensino bíblico e
cita três pontos: Alimentação na Palavra, Rejeição de Fábulas Profanas e O
Exercício da Alma como um Atleta Treina o Corpo.
Paulo
escreve a Timóteo dizendo-lhe que deve enfrentar o erro dos críticos e
faladores, vivendo uma vida exemplar e santa diante do povo (4.12), não ser
negligente (4.13-16) e entender a grande responsabilidade que lhe foi outorgada
por Deus (4.16).
O capítulo
5 tem admoestações sobre a repreensão ou correção de alguém que está no erro ou
em pecado, além da ajuda aos necessitados. O apostolo usa este capítulo também
para dizer que o obreiro é digno do seu salário e que as acusações contra os
obreiros devem ter testemunhas e provas e, uma vez que seu ministério é
público, se for achado culpado, deve ser repreendido publicamente.
O último
capítulo de 1 Timóteo trás instruções gerais, dentre as quais Paulo cita o
relacionamento com empregadores. Como um terço da população do Império Romano
se constituía de escravos e servos, Paulo orienta Timóteo a aconselhar os
escravos crentes dizendo que, ainda que tenha um senhor descrente, o servo o
honre. Além disso, há a orientação de administrar bem as finanças, pois o amor
ao dinheiro é a “raiz de todos os males”,
levando a duas consequências terríveis: primeiro, leva o homem a desviar da fé
e, segundo, substitui o verdadeiro gozo de um crente por tormento, inveja,
egoísmo, etc.
A carta
finda com este apelo a Timóteo: “ó
Timóteo, guarda o que te foi confiado” (6.20). o depósito confiado a
Timóteo é a Verdade do Evangelho.
8. A Segunda Epístola a Timóteo
Após a
primeira cara a Timóteo, Paulo viaja da Ásia Menor para a Espanha e, nesse
período, Nero provoca um incêndio em Roma e, para se safar, deposita a culpa
nos cristãos, começando assim uma grande perseguição, onde muitos foram mortos
de forma cruel. Quando Paulo retorna, é capturado e levado a Roma para ser
condenado e morto. Na prisão, escreve sua Segunda Epístola a Timóteo,
encorajando-o para continuar avante.
A Segunda
Epístola a Timóteo é considerada a carta mais tocante de Paulo, contendo suas
últimas palavras. Ela foi escrita cinco anos após a primeira. Paulo afirma
estar aprisionado (2Tm 2.9) e tendo Lucas como seu único companheiro (4.11).
Todavia, Paulo não estava preocupado com seu próprio destino, mas o da Igreja.
Ele poderia morrer, mas a Obra de Deus não!
A
apostasia vinha desenfreada nesta época e o antídoto contra esta apostasia era
a proclamação da Palavra de Deus. Este é o tema de 2 Timóteo: Antídoto para
este mundo mal: A Palavra de Deus!
A Segunda
Epístola de Paulo a Timóteo pode ser facilmente resumida em quatro
responsabilidades nossas para com a Palavra de Deus, a saber:
Cap. 1: Guarda o bom depósito, mediante o Espírito Santo
que habita em nós (1.14).
Cap. 2: E o que de minha parte ouviste através de
muitas testemunhas, isso mesmo transmite a homens fiéis e também idôneos para
instruir a outros (2.2).
Cap. 3: Tu, porém, permanece naquilo que aprendeste
e de que foste inteirado, sabendo de quem o aprendeste (3.14).
Cap. 4: Prega a palavra, insta, quer seja oportuno,
que não, corrige, repreende, exorta com toda a longanimidade e doutrina
(4.2).
2 Timóteo
revela tanto a vitória da fé, que é difícil aceitar que o mesmo foi escrito
numa cela de prisão. O pedido de Paulo para que trouxessem sua capa e
pergaminhos lembra-nos que sua situação física estava realmente ruim. Mesmo só,
Paulo continuava dedicado ao Senhor, que aproveitou até mesmo a última
oportunidade para pregar as boas novas da salvação (4.17).
E assim,
saiu deste mundo o maior missionário. Como aconteceu com Jesus, João Batista, e
muitos profetas e apóstolos, sua vida lhe foi tirada... mas sua voz continua
viva. (Stanley Ellison. Bible Workbook, V.9 p.147)
9. A Epístola a
Tito
Tito
se converteu e começou a viajar com Paulo na sua 3ª Viagem Missionária e foi um
grande cooperador. Ele levou a primeira carta do apóstolo aos coríntios e
ajudou os irmãos a cumprirem as admoestações. Ele foi com Paulo na ilha de
Creta e, como o apóstolo não pôde ficar ali, Tito dirigiu aquela igreja. Lá é
que Tito recebe a carta de Paulo.
Tito
é a terceira e última epístola pastoral. A orientação de Paulo a Tito é “Praticar a Fé” (Tt 2.14), pois o mundo
pagão julga a Igreja por suas ações e não por sua doutrina. O tema central de
Tito é: “ornar a doutrina com as boas
obras”.
Tito
1.1 nos introduz a ideia central da epístola: “conhecimento da verdade segundo a piedade”. Aqui Paulo está
dizendo que a Igreja deve tanto acatar a sã doutrina como aplicá-la no
dia-a-dia.
O
versículo 5 nos diz que o principal trabalho de Tito em Creta era estabelecer
dirigentes piedosos para as congregações. Creta era uma ilha de aproximadamente
225 km de extensão e mais de 100 cidades. Cada congregação dessas cidades
precisava de um dirigente santo, pois era impossível Tito tomar conta de todas
sozinho.
O
primeiro versículo de Tito 2 apresenta o pensamento principal para o capítulo
todo: Tu, porém, fala o que convém a sã
doutrina. Tito é instruído a ensinar aos membros da Igreja como aplicar a
sã doutrina à suas vidas pessoais e as exortações foram dadas a todos os
membros da família, de avós a servos. Este capítulo termina com um belo
pensamento, onde a Igreja é descrita sendo purificada por Deus para sermos “um povo exclusivamente seu, zeloso de boas
obras” (2.14).
O
último capítulo de Tito nos dá três princípios para ornarmos a doutrina. Paulo
concentra sua atenção na responsabilidade dos crentes viverem como exemplos
para o mundo, perante autoridades civis, descrentes e desviados. Os três
princípios para uma “fé ativa” são
encontrados nos seguintes versículos:
Versículo
1: “preparados
para toda a boa obra” (Fazer o bem deve ser uma reação imediata em qualquer
oportunidade).
Versículo
8: “procurem
aplicar-se às boas obras” (Solicitando novas oportunidades para fazer o
bem).
Versículo
14: “aprendam
também a aplicar-se às boas obras...” (Treinando-se para em oportunidades
futuras fazer o bem).
10. A Epístola a Filemom
É
uma carta particular de intercessão escrita por Paulo provavelmente em Roma, e
enviada a Filemom, em Colossos (Cl 4.7-9). Filemom era membro da igreja de
Colossos e sua benevolência e o pedido de Paulo de preparar-lhe alojamento indica
que era um homem de certos recursos econômicos.
Onésimo
era um escravo que havia fugido de Filemom. Teria possivelmente roubado ao seu
amo e fugido para Roma, onde esteve sob a influência de Paulo e se converteu.
Paulo queria tê-lo em Roma como seu ajudante (v.13), mas por não ter o consentimento de Filemom,
sentiu-se no dever de enviar o escravo a seu amo. Desta maneira, o apóstolo
escreve esta bela carta de intercessão, pedindo a Filemom que perdoe a Onésimo
e lhe devolva a confiança.
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EPÍSTOLA A FILEMON
TEMA: Perdão
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Saudações
e a estima de Paulo por Filemon
v.1-7
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Apelo
a favor de Onésimo
v.8-21
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Assuntos
finais
v.22-25
|
Vale
destacar também as LIÇÕES ESPIRITUAIS do exemplo de Paulo.
(1) A importância do interesse pelos
desafortunados.
(2) O dever cristão em obedecer à lei: Onésimo tem
que regressar ao seu amo.
(3) A irmandade cristã está acima de todas as
distinções sociais e de classes.
O PROBLEMA DE PAULO
- Desejava, ardentemente, evitar ao escravo foragido, a punição severa e cruel que, nesse caso, ditava a lei romana.
- Queria conciliar Filemon com Onésimo, sem humilhar este; recomendar o malfeitor sem lhe negar a falta cometida. Como conseguir isto? Este foi o problema que Paulo teve de enfrentar.
A ESTRATÉGIA DE PAULO
- Sente que o escravo não deve encontrar-se a sós com seu dono, injuriado; por isso providencia um mediador, em Tíquico, que estava de partida para Colossos.
- Escreveu esta carta pessoal a Filemon e Onésimo foi seu portador, carta esta que é um perfeito modelo de tática e cortesia.
- E para tornar difícil a Filemon, não perdoar e não restaurar o culpado, ele o recomenda a igreja. (Cl 4.9)
Conhecemos,
corretamente, o verdadeiro caráter de um homem, mais pelas suas cartas íntimas
do que pelas suas cartas públicas. Enquanto, alguém, brilha pelo segundo
exemplo, ele, muitas vezes, revela-se a si mesmo, em verdadeiras cores, no
primeiro exemplo. Pelo estudo desta epístola, tão curta, notamos a robustez do
caráter de Paulo, - ele é sempre o mesmo, cortês, amável, humilde, santo e
homem desinteressado.
É
uma obra-prima, um modelo de tática, graciosa e delicada solicitação.
- Desejoso de tocar numa corda sensível do coração de Filemom, Paulo menciona, muitas vezes, que ele era um preso;
- Ele cita, cordialmente, as excelentes qualidades de Filemom; assim fazendo, torna-lhe difícil não exercer essas qualidades, em perdoar Onésimo;
- Muito a propósito, demora em citar o nome de Onésimo, afim de preparar o espírito de Filemom;
- Ele não quer ordenar, com a autoridade dum apóstolo, mas prefere rogar como um amigo muito íntimo;
- Com um ardente apelo, refere-se a Onésimo como, "meu filho" na certeza de que Filemom faria segundo seu pedido;
- Reconhecimento franco do mal causado e prometendo restituir ou compensar o prejuízo;
- Embora noutro tempo sem proveito, Paulo afirma, agora, uma transformação completa, evidente, que poderia garanti-la;
- Pela cuidadosa escolha das palavras. Paulo diz: "se tenha separado de ti" e não "fugiu" ou "escapou". Não usou nenhuma palavra que despertasse, no dono, o sentido de ira;
- Mencionando a esperança de sua próxima libertação e a oportunidade de vê-lo, como enfrentaria Paulo se não fizesse como ele pedira?
O
pecador é propriedade de Deus, não somente fugiu do seu Mestre como, também, O
roubou. A lei não proporciona nenhum direito de asilo, mas, a graça concede o
direito de apelar. Ele foge para refugiar-se em Cristo, a quem Deus tem como
sócio. NEle, o pecador nasce de novo, e, como filho, tem nEle um intercessor
como um Pai; ele volta para Deus e é recebido, não como escravo, e toda a sua
dívida é posta na conta de Cristo.
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