quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

O PENTATEUCO



1.    Introdução
Tudo o que nos é dado saber sobre as origens do Universo e de tudo o que nele existe, bem como o início e evolução da revelação divina ao homem, centralizado no plano da redenção, encontra-se registrado nos cinco primeiros livros do Antigo Testamento.
Em Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio, que compõem, na sequência, os cinco primeiros livros da Bíblia estão inscritos os mais antigos acontecimentos da história da humanidade, dentre os quais se destacam: as origens do povo hebreu, suas tradições e costumes, a entrega da Lei por Deus a Moisés, o culto divino e outros assuntos afins. Estes livros, considerados como um todo é denominado Pentateuco, vocábulo grego que literalmente significa cinco rolos, pois este era o formato dos livros na Antiguidade.

2.    O livro de Gênesis

2.1.       O princípio de todas as coisas (Gn 1-11)

“No princípio, criou Deus os céus e a terra” (Gn 1.1)

O Livro de Gênesis contém a síntese da Criação. Descreve eloquente e majestosamente o já chamado “Hino da Criação”. O versículo primeiro, supracitado, fundamenta toda a Bíblia, as Sagradas Escrituras.
A revelação divina contida no Gênesis, aliada ao seu rico aspecto histórico, torna-se indispensável a todos os que creem e temem a Deus. Aceitar o primeiro versículo de Gênesis é abrir caminho à crença em toda e qualquer revelação bíblica e contemplar a Deus, o Criador, com olhos bem abertos, porquanto Ele está sempre pronto a manifestar-Se à criatura humana através da Sua Palavra viva e poderosa.
O mundo não é eterno, porquanto foi criado. A harmonia da criação indica que, antes dela, houve um poder dinâmico que a gerou e, portanto, o mundo teve um princípio. O Ser que a gerou é o eterno Deus. Deus foi o princípio, a causa primária de tudo o que existe (Jo 1.1).
A ciência contemporânea afirma que este mundo se formou a milhões de anos. Pode ser verdade. A Bíblia não contradiz essa afirmação, porém limita-se a dizer que “No princípio...”. Deus criou o universo, mas não entra em detalhes ao Se revelar ao homem, sobre quando e como criou.
Há diferença entre criar e fazer. Ao exporem esse assunto, os eruditos mostram a diferença no texto original entre o que Deus “criou” e o que Deus “fez”. Assim, os mares foram feitos das águas já existentes (v.9,10). O sol e a lua foram feitos aparecer através das espessas nuvens do quarto dia da semana da criação. O versículo 1 de Gênesis 1 é enfático: abrange todo o cosmo. O versículo 2 diz: “A terra, porém, estava sem forma e vazia...”. A palavra estava é também traduzida por veio a ser, dando assim a ideia de que, originalmente, a terra não era sem forma e vazia. Isso presume-se que deve ter acontecido algo, entre o versículo 1 e 2, deduzindo que houve um grande espaço de tempo entre os fatos registrados nesses dois versículos.
Moisés passa a descrever as diferentes fases da ação divina, que se estendem por seis dias, dos quais três para a formação dos espaços habitáveis e outros três para a obra do povoamento.
     1º dia: "Disse Deus: Haja luz; e houve luz" (v. 3). Como bom artista, Deus começa por iluminar o Seu campo de ação. Não se trabalha no escuro porque sem luz tudo é confuso. No plano natural das coisas, a luz procede da vibração. O versículos 3 revela a relação entre o movimento do Espírito sobre a matéria inerte e o efeito nela produzido.
     2º) dia: "E chamou Deus ao firmamento Céus..." (v.6-8). Firmamento ou expansão foi como Deus denominou o segundo elemento criado; foi a separação da matéria gasosa da qual surgira a luz. O que Deus chama de expansão ou céus não significa simplesmente a atmosfera à volta da terra, mas a grande câmara universal, onde o sol, a lua e as estrelas se localizam.
     3º dia: Aparecimento da terra firme (v.9-13), no qual o movimento está relacionado à gravitação, envolvendo tudo e todas as demais forças que começam a concentrar a matéria do firmamento à volta dos inúmeros centros, um dos quais passa a ser o nosso globo.
4º dia: A organização do sistema solar (v.14-19). Este período assinala a organização do nosso sistema solar e, nessa astronomia primitiva de Moisés, surgem o sol, a lua e as estrelas. A expressão "estrelas" engloba os demais astros (planetas, cometas, etc.). A função dos dois astros-reis, o sol e a lua, é a de controlar o dia e a noite, respectivamente, de maneira a jamais faltar luz. O sol indica dias e anos; a lua, semanas e meses; e as estrelas, as estações do ano.
5º dia: O surgimento da fauna marinha (v.20-23). Neste quinto dia surgem os pequenos e grandes peixes, como também todas as variedades de aves. Os animais da água em geral e do mar tem muita semelhança. Há muitas aves que também vivem em águas.
6º dia: A criação dos animais terrestres (v.24-25). A semelhança dos demais, estes animais também foram criados por Deus. Eles nascem na terra e nela vivem. Dividem-se em três grupos: gado ou animais domésticos, feras ou animais selvagens, e repteis que se arrastam pelo solo.

Notemos agora que, na formação do homem, que a expressão não é mais “haja” ou “produza”, mas sim “Façamos!”, mostrando que o homem não foi somente criado, mas também “gerado/formado”, sendo o resultado da cooperação da Trindade, evidente na forma plural de “Façamos”. Dentro de todo o contexto que trata da obra da criação, chegamos às seguintes conclusões quanto à criação do homem:
a.     Foi precedida por um solene conselho divino;
b.     Foi um ato imediato de Deus;
c.     O homem foi criado segundo um tipo divino;
d.     Os elementos da natureza humana se distinguem;
e.     O homem foi criado coroa da Criação.

     Os capítulos 2 e 3 de Gênesis são de primordial importância, pois registram a instituição da família por Deus, a queda do homem e fatos de profundo significado para a humanidade.

     7º dia: "E abençoou Deus o dia sétimo e o santificou" (2.3). Foi este um dia muito diferente dos demais descritos durante a obra da criação. Foi um dia santificado. Não teriam os outros 6 sido também santificados? Claro que sim! Ocorre que o sétimo o foi em especial, porque nele o Senhor descansou de Suas obras. Isto não quer dizer que, tal qual um trabalhador humano, Deus estivesse cansado, mas que isso seria um padrão a ser seguido pelo homem: “descansar após seis dias de trabalho seguidos”. Comparemos Gn 2.3 com Ex 20.11. O termo no original indica apenas cessação (do trabalho).
     Sobre o jardim do Éden, segundo os teólogos e de acordo com a Bíblia, ficava no sudoeste da Ásia, ao sul da Mesopotâmia, bem próximo ao país que hoje é chamado de Armênia, entre os rios Tigre e Eufrates. Todo o gênero humano procede daquela região. Após a entrada do pecado, a superfície do jardim do Éden foi modificada, pois dos 4 rios que de lá procedem, apenas 2 são conhecidos hoje: Tigre e Eufrates.
     Já sobre a árvore da ciência do bem e do mal, não pensemos que se tratava de estranha e feia, pois Gênesis 3.6 diz que era “boa para se comer, agradável aos olhos”, no entanto, o seu fruto não deveria ser comido pelo homem, por ordem divina. Desobedecer a essa ordem representaria o afastamento de Deus, a perda de seu estado de pureza e sujeição ao estado de morte física e espiritual. Foi exatamente o que aconteceu.

Após a criação e, vendo Deus que Adão estava só, providenciou-lhe uma companheira, subtraindo-a do próprio corpo (costela) de Adão. A mulher não foi tirada da cabeça de Adão, para não o dirigir; nem tampouco dos pés de Adão, para este não a espezinhar; todavia, Eva foi tirada do lado de Adão, para que ele a amasse; assim serviriam um ao outro em perfeita harmonia.
Deus criou o homem puro e bom, com todas as qualidades indispensáveis a uma vida feliz na terra e o dotou também com a liberdade de escolha (livre arbítrio). No capítulo 3, vemos que o homem escolheu desobedecer à voz divina e a consequência dessa escolha foi de reprovação, condenação, maldição e expulsão por parte de Deus. Assim, houve a queda do homem.
Logo após a queda, houve a profecia divina, denotando o amor de Deus: o homem seria redimido do seu pecado. Genesis 3.15 diz: “Porei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e o seu descendente. Este te ferirá a cabeça e tu lhe ferirás o calcanhar”.
Caim e Abel foram os primeiros filhos de Adão e Eva. Caim foi cultivador do solo e Abel pastor de ovelhas. Tempos depois, ambos trouxeram ofertas a Deus, que aceitou apenas a de Abel, pois este esteve diante do Pai com fé genuína e consagração (Hb 11.4). Este fato trouxe ira a Caim que matou seu irmão.
Sete, o terceiro filho de Adão e Eva, nasceu depois da morte de Abel. Seu nome significa substituto ou outra semente. Os descendentes de Sete foram homens de fé, ao contrario dos de Caim, que foram “homens do mundo”.
O capítulo 5 de Gênesis apresenta como introdução a linhagem de Sete, com o propósito de mostrar a genealogia de Adão e também de nos conduzir à história de Noé, através da qual surge a história da redenção. Nada fala de Caim, pois ele “retirou-se da presença do Senhor” (4.16). Abel não é mencionado por não haver deixado posteridade. Também nenhuma mulher é citada, ainda que saibamos que Adão gerara “filhos e filhas”, quantos nem a Bíblia registram.
O capitulo 6 descreve a corrupção total do gênero humano. O pecado assumiu proporção desastrosa, a ponto de pesar no coração de Deus o fato de ter posto o homem na terra (6.6). Então, em consequência disto, Deus determinou a destruição do homem através de um dilúvio, de cuja catástrofe seria poupado Noé, um homem integro, e toda sua família.
Os textos de Gênesis 6.3 e 2 Pedro 2.5 parecem indicar que Deus, na sua longanimidade, deu ao homem ainda um prazo de 120 anos, durante os quais a justiça divina foi pregada, porém sempre rejeitada.
A arca, meio de salvação de Noé e sua família, prefigura Cristo. Ela atravessara as águas da morte, saindo delas ilesa. Produz então um novo inicio. Cristo, pela Sua morte e ressurreição, salva da condenação eterna todo aquele que se chega a Ele: "E, assim, se alguém está em Cristo, é nova criatura; as coisas antigas já passaram; eis que tudo se fez novo." (2Co 5.17).
Após o dilúvio, a arca pousou sobre um dos montes da Armênia e foi descendo ao solo a medida que as águas baixavam, parando no sopé do monte chamado Ararate. Esse lugar, segundo a tradição que lhe conservou a origem do fato, é conhecido pelo nome de "Naxuana". Assim que saíram da arca, Noé e sua família ergueram um altar ao Senhor como símbolo de gratidão pelo livramento que lhes concedera em meio ao grande cataclismo.
Gênesis 9.21 fala sobre a embriaguez de Noé. Esta passagem bíblica nos ensina que até mesmo um homem ricamente abençoado com a graça de Deus pode ser vencido pelos pecados carnais. Sem e Jafé, filhos de Noé, demonstraram moral elevado e louvável. O terceiro filho (Cam), no entanto, vemos que a maldição não foi imputada a si, mas sim a sua geração (os cananeus). Estes foram os adversários do povo de Deus e exterminados da terra quando da conquista de Canaã por Josué (Js 24.18).
Na aliança firmada entre Deus e Noé estão registrados três fatos proféticos com relação a seus filhos, a saber:
1. Os descendentes de Sem (os semitas) preservariam o conhecimento do verdadeiro Deus. Jesus, segundo a carne, e proveniente de Sem.
2. De Jafé viriam as raças que dominariam a maior parte do mundo e superariam as raças semíticas. O governo, a ciência e a arte tem se originado, de forma geral, de pessoas originarias de Jafé.
Os descendentes de Cam, o mais moço dos irmãos, seriam raças servis, sempre inferiores aos demais Irmãos.

2.2.       De Abraão a Jacó (Gn 12-36)
Abraão, sob o aspecto humano, foi um importante elo no glorioso plano divino da redenção da humanidade. Abraão era pagão, filho de homens idólatras e descrentes, mas tinha grande fé. Ao ser chamado por Deus, creu e isto foi lhe imputado por justiça. Através da chamada de Abraão, em Genesis 12, inicia-se a história do povo de Israel e sua formação.
No capítulo 14 de Gênesis conhecemos um personagem de muita edificação. Ao lermos com atenção os versículos 18 a 24 juntamente com Hebreus 7.3, confirmamos isso. Trata-se de Melquisedeque; sua origem é desconhecida, pois não encontramos sua genealogia e não há nos relatos o nome de seu pai ou de sua mãe. O escritor aos Hebreus o apresenta como “semelhante ao Filho de Deus” e coube a ele abençoar Abraão quando voltava do extermínio dos reis (v.18-20).
Abraão já estava com 90 anos e não tinha filhos. Imaginemos por quantas vezes ele teria parado para meditar na promessa de Deus “de ti farei uma grande nação”? Talvez seu servo Eliézer pudesse ocupar o lugar de seu herdeiro, mas não era este o plano de Deus.
Persuadido por Sara, sua esposa, e na ânsia de ver cumprida a promessa divina da bênção da paternidade, Abraão toma por mulher uma escrava egípcia de nome Hagar e esta lhe dá um filho chamado Ismael que significa Deus ouve. Este é um exemplo do homem procurando antecipar o plano de Deus e Gênesis 16 narra a grande desarmonia e muita tribulação que este ato impensado causou à família do patriarca e à sua descendência.
Nos países orientais, havia o costume da mudança de nome de uma pessoa, praticado para revelar de público algum acontecimento notável em sua vida. No capítulo 17, vemos Deus mudando o nome deste patriarca de Abrão (pai da altura) para Abraão (pai de uma grande nação) e sua esposa, de Sarai (minha princesa) para Sara (princesa).
O capítulo 17 de Gênesis constitui o único relato bíblico sobre a origem da circuncisão entre os israelitas. Esta prática, que após foi incorporada ao sistema mosaico juntamente com a Páscoa, ainda continua em vigor entre os judeus.
No capítulo 18, três anjos aparecem a Abraão. O patriarca os recebe e os trata como se fossem um só. Agostinho acreditava tratar-se da Trindade; outros têm a ideia de que se tratava do Verbo (Jesus), com dois anjos. Todavia, lendo o versículo 16, observamos tratar-se de algo sobrenatural.
Voltemos ao verso 10: “Certamente voltarei a ti, daqui a um ano, e Sara, tua mulher, dará à luz um filho”. O versículo 13 diz: “Disse o Senhor a Abraão”. O versículo 22 mostra que dois varões seguiram para Sodoma e Gomorra para cumprirem outra missão, mas o terceiro, ao qual o texto chama de “Senhor”, permaneceu ali com Abraão.
No capítulo 19 vemos os anjos chegando a Sodoma e encontrando Ló, o sobrinho de Abraão, que era tão hospitaleiro quanto o seu tio. Entretanto, os anjos concordaram em pousar em sua casa, somente após seu insistente apelo. Ló representa o tipo do ‘meio-crente’: convencido, mas não convertido.
Analisemos o que diz MacNair: A história de Ló nos ensina que, caso o crente mundano consiga para si salvação, sua família, porém, pode se perder. Filhos criados num meio corrupto serão corrompidos.
No capítulo 21 de Gênesis, como prometido pelo Senhor a Abraão, sua esposa Sara concebe e nasce Isaque, que significa riso.
No capítulo 22, agora Isaque já adolescente, Deus dá uma ordem a Abraão: “Toma teu filho, teu único filho, Isaque, a quem amas, e vai-te à terra de Moriá; oferece-o ali em holocausto, sobre um dos montes, que eu te mostrarei” (v.2). Esta ordem do Senhor foi um verdadeiro desafio à fé de Abraão. Notemos que o texto não menciona que Abraão teria duvidado da ordem divina ou que teria pedido a Deus que lhe desse uma ordem menos custosa. Ele não hesitou, antes, seguiu com fé o caminho que Ele lhe indicara.
Na vida de fé, o crente tem que colocar sempre Deus em primeiro lugar. Abraão guardava em seu coração a promessa de Deus: “...porque por Isaque será chamada a tua descendência” (21.12b).
Lemos no versículo 10 que Abraão é provado até o momento extremo. Este é o limite da fé: confiar em Deus a ponto de dar crédito a aparentes impossibilidades, ao invés de nEle descrer.
O capítulo 23 de Gênesis registra a morte de Sara, o grande amor de Abraão, que viu o crescimento da fé de Abraão, sua chamada e elevação.
O capítulo 24 registra mais um expressivo acontecimento bíblico, que nos transmite verdades que jamais serão esquecidas: o casamento de Isaque com Rebeca. Este quadro ilustra palidamente o tipo de união entre Cristo e a sua noiva, a Igreja, a considerarmos que:

a.     Abraão providenciou o casamento de Isaque; da mesma forma, a união de Cristo com a Igreja também foi preparada pelo Pai Celestial.
b.     Eliézer, o servo de Abraão, selecionou a noiva; assim o Espírito Santo chama ou escolhe a Igreja.
c.     A missão do servo era falar do seu senhor e mostrar como ele honrara seu filho; igualmente, o Espírito Santo revela e dispensa as bênçãos de Cristo aos que são dEle.
d.     Foi com plena confiança que Rebeca aceitou seu noivo, mesmo sem conhecê-lo, portanto, pela fé, tal como um tipo da Igreja que, pela fé, aceita Cristo pela mesma fé, caminha ao Seu encontro.
e.     Isaque foi ao encontro de Rebeca; assim acontecerá quando do arrebatamento da Igreja por Jesus.
f.        Tal como Isaque conduzindo Rebeca à tenda de sua mãe, outorgando-lhe direitos e privilégios iguais aos demais membros da família, também a Igreja de Cristo reinará em glória com Ele.

O capítulo 25, após relatar o segundo casamento de Abraão e a sua morte, discorre também sobre os descendentes de Ismael, que até hoje estão em conflito com seus irmãos judeus. Além disso fala da linhagem de Isaque, inclusive o nascimento dos gêmeos Esaú (cabeludo) e Jacó (usurpador).
O nome Jacó teve origem na maneira do seu nascimento, pois este nasceu segurando o calcanhar do seu irmão Esaú, desejando usurpar a primogenitura. Sua mãe Rebeca procurava favorecê-lo e concentrando amor num só filho.
A bênção da primogenitura, que por direito pertencia a Esaú, foi transmitida a Jacó por meios dolosos. Isso proporcionou ira em Esaú que desejou matá-lo e, fugindo do seu irmão, seguiu Jacó procurando um patrão e uma esposa. Cansado, dorme no campo e, com uma pedra de travesseiro, sonha com Deus, que lhe confirma a promessa feita a Abraão. Admirado pela presença de Deus ali, Jacó faz um voto de que, se Deus o honrasse em tudo ele daria o dízimo.
Jacó chegou a Harã e lá viveu vinte anos, dos quais foram muito penosos. Lá foi enganado por seu tio e patrão Labão, mas lembremos de que Jacó também havia enganado seu pai Isaque. É a lei da colheita, de Gálatas 6.7.
O capítulo 30 nos dá o relato da formação da família de Jacó: duas esposas, duas concubinas e doze filhos! Pois bem, não nos é dado entender aí os desígnios de Deus, mas o Pai aceitou essa família como um todo, de onde saíram às doze tribos, que se tornariam a nação messiânica e daria origem ao Salvador.
No capítulo 32 vemos que Jacó teve anjos em seu caminho. Os versos 22 a 32 registram a luta de Jacó com um anjo e dessa luta veio a transformação: de Jacó (usurpador) passa a se chamar Israel (aquele que luta com Deus).
No capítulo 33 vemos que Jacó se encontra com Esaú. Que encontro emocionante! O verso 4 mostra a transformação verificada em Esaú. O texto diz que ele ia ao encontro de Jacó com 400 homens, denotando desejo de vingança, que resultaria em mortes e muito derramamento de sangue. No entanto, ao avistar seu irmão, o ódio e rancor se transformaram em amor e saudade. Isto não foi operação humana, mas da parte de Deus! O encontro terminou em separação em paz.
No capítulo 34, um incidente acontece com Diná, a única filha de Jacó, quando ela “saiu para ver as filhas da terra”. Ela foi desflorada. Jacó, mesmo sendo amado por Deus, vez por outra sentiu na carne os dissabores e o peso de seus erros e das lutas dessa vida.
No capítulo 35, por ordem divina, Jacó parte para Betel, onde ergue um altar ao Senhor. Neste mesmo capítulo, dos versos 16 a 20, nasce o filho caçula de Jacó, Benoni (filho da minha tristeza) que ocasionou a morte de Raquel no parto. Seu nome depois foi mudado por Jacó para Benjamim, que significa filho da minha mão direita.
O capítulo 36 fornece dados que identificam Esaú com os edomitas, mencionando este fato repetidas vezes em todo o Pentateuco.

2.3.       A vida de José (Gn 37-50)
Do capítulo 37 ao final do Livro de Gênesis, no capítulo 50, José é a figura central. José foi o 11º filho de Jacó e o primeiro filho de Raquel. Ainda menino, teve sonhos em que ele assumia uma condição de primazia sobre toda a família. Ao contá-los, despertou ódio e inveja dos irmãos e severa repreensão do pai. A evidente tensão entre José e seus irmãos fizeram com que, através de um plano, José fosse vendido como um escravo a povos hostis, sendo considerado morto pelo pai.
No capítulo 38, abre-se um parêntese para contar a história de Judá e Tamar, servindo de alerta contra o pecado e revelar os seus amargos frutos.
Voltando a José, no capítulo 39, observamos um acontecimento muito especial, registrado 4 vezes: a presença poderosa do Senhor em sua vida. O Senhor estava com José, razão pela qual se edificou nEle, revelando um caráter puro. Deus se alegrou com sua fidelidade e o amou de tal forma que não somente o abençoou como também à casa de Potifar, onde ele estava.
José era formoso de porte e de aparência e isto lhe custou um preço alto. Foi cobiçado pela mulher de Potifar e, diante da recusa, caluniado por ela. José era fiel a Deus e ao seu patrão. Essa fidelidade era nítida aos olhos de Potifar que, não acreditou na sua esposa, pois a punição para este crime era o apedrejamento de José. Para mascarar a moral da esposa, Potifar manda José para a prisão, como mostra o capítulo 40.
Na prisão, José interpreta o sonho do padeiro e copeiro, confirmando sua união e relacionamento pessoal com Deus. Quando o copeiro foi restaurado ao seu posto, Faraó teve sonhos e José foi indicado para interpretá-los.
José estava com cerca de 17 anos de idade quando foi vendido com escravo ao Egito. Gênesis 41.46 diz que ele tinha 30 anos quando saiu da prisão, porém não diz que idade tinha ao ser preso. O certo é que tudo estava dentro dos planos de Deus. De maneira maravilhosa, José estava sendo preparado para desenvolver uma grande obra para Deus e para os homens.
O capítulo 41 nos diz que José interpretou os sonhos de Faraó e aproveitou para falar do seu Deus com muita segurança, dizendo que a interpretação dos sonhos não lhe pertencia, mas sim a Deus.
Deus engrandeceu a José com toda a sabedoria e o fez governador do Egito. O próprio rei, mesmo sendo pagão, confessou: “Acharíamos, porventura, homem como este, em quem há o Espírito de Deus?” (v.38).
Os capítulos 42 a 45 encerram um expressivo e comovente quadro de amor e perdão. José, engrandecido no reino do Egito, encontrando seus irmãos, ignora as injúrias sofridas, perdoa-lhes de coração, abraça-os, levanta a voz e chora longamente aos braços deles. Abriga-os com suas respectivas famílias na terra de Gósen, oferecida a ele por Faraó.
A família de Jacó compunha-se de aproximadamente 75 pessoas (At 7.14) e logo este número viria a crescer muito. Nesta época, Jacó estava com 130 anos de idade e José, provavelmente, com 40 anos. Ambos foram sepultados em Israel após a morte.
No capítulo 48, Jacó adoece e abençoa os filhos de José que ficam no lugar de Levi e Simeão. Levi não recebe territórios como herança, ficando espalhados pela terra, responsáveis, no futuro, pela Casa de Deus. Simeão foi reprovado por Jacó devido suas práticas violentas.
O último capítulo registra fatos importantes como a morte de José com 93 anos de idade. Ele faz um pedido especial de, quando Deus tirassem seus descendentes dali, que levassem seus ossos para ser sepultado em Siquém. Assim aconteceu!

3.    O Livro de Êxodo

3.1.       O Poderoso de Israel (Êx 1-16)
Através de José, todos seus descendentes vão para o Egito, fugindo da fome e por amor e respeito a José, Faraó ordenou que eles fossem tratados da melhor forma possível. Os anos foram passando, José morreu e também o faraó que o conhecia. Nesse momento o povo havia crescido, de forma que a terra estava cheia deles (1.6-7). Porém, é levantado um faraó que não conhecia José, nem sua história e, ao observar que o povo hebreu era mais numeroso que os egípcios, decidiu escravizá-lo, temendo que eles se levantassem em uma peleja e tomassem o Egito. Daí começa o sofrimento, lembrando que os hebreus já estavam no Egito há 30 anos! (1.8-11).
Por ser um povo guardado por Deus, mesmo afligidos, continuavam a crescer e a se multiplicar, enfadando os egípcios e irando-os, fazendo com que trabalhassem cada vez mais, tentando destruí-los (1.12-14).
Diante disso, Satanás usa Faraó e, chamando as parteiras Sifrá e Puá, às ordenam que, ao fazerem os partos das mulheres hebreias e nascendo um menino, o matassem. Se fosse menina, poderiam deixar viver e, assim, o povo hebreu não se multiplicaria. Mas as parteiras temeram ao Senhor e não fizeram tal crueldade, sendo abençoadas grandemente por Deus (1.15-21).
Por último, a ordem de Faraó foi lançar todo menino recém-nascido no rio Nilo, pensando ter resolvido o problema (1.22).
No capítulo 2, vemos um homem chamado Anrão se casando com uma moça chamada Joquebede. Desta união tiveram 3 filhos: Miriã, Arão e Moisés. Quando foi decretada a ordem de Ex 1.22, Moisés tinha acabado de nascer, mas, por ser muito formoso, Joquebede o esconde por 3 meses (2.1-2).
Passado este tempo, Joquebede não consegue mais manter Moisés escondido, pois, como toda criança, chorava muito. Então, ela fez um cesto, o revestiu para não entrar água, colocou o menino dentro e, triste, colocou o cesto no rio (2.3).
Enquanto o cesto ia rio abaixo, Miriã o seguia em terra para ver o que iria acontecer. Como providência divina, o cesto agarra próximo a área onde a filha de Faraó se banhava e, ao ver o cesto, ordenou que o pegasse. Ao trazê-lo, viu o menino chorando e o amou, escolhendo-o para si (2.4-6).
Ao ver isto, Miriã é usada por Deus e, se apresentando para a princesa, lhe diz que conhecia uma mulher hebreia que poderia amamentar o menino encontrado. De imediato, Joquebede foi chamada e recebe a ordem de amamentar e criar o menino, devolvendo-o quando for grande (2.7-9).
Tendo crescido, com idade entre 7 a 12 anos, foi levado de volta ao palácio, onde passou a ser chamado Moisés, que significa “tirado das águas”.
Enquanto Moisés estava com Joquebede, ele aprendeu que era um hebreu. Após ir para o palácio, participou das melhores faculdades egípcias para se tornar um príncipe, mas não se esquecia de que era hebreu. Tanto que, um dia, vendo um egípcio ferindo um hebreu, tentou defendê-lo e matou o egípcio, escondendo-o na areia (2.11-12).
No outro dia, ao ver 2 hebreus discutindo, Moisés tenta apaziguar a situação e, ao repreender o injusto, foi acusado de assassinato. Quando Faraó descobre isto, procura matá-lo, mas ele fugiu para Midiã. Estava com 40 anos.
Em Midiã, Moisés achou graça aos olhos de Reuel (Jetro) por defender suas filhas dos pastores que não as deixavam dar água para o rebanho. Moisés passa a morar ali e toma uma das moças, chamada Zípora, por esposa, da qual teve 2 filhos: Gerson (peregrino em terra estranha) e Eliézer (Deus ajudador e livrador) e passa a apascentar o rebanho de seu sogro (v.17-22).
Enquanto isso, o Faraó do Egito morre e o povo hebreu clama a Deus por causa da dura servidão, então o Senhor atenta para o clamor deles, por amor a aliança feita com Abraão em Gênesis 12.
No capítulo 3, estando Moisés apascentando o rebanho no deserto, próximo ao monte Horebe, apareceu-lhe o Anjo do Senhor (Jesus) em uma chama de fogo na sarça (árvore espinhosa) que não se consumia. Moisés, assustado, resolve olhar mais perto, porém o próprio Senhor lhe diz: “Tire as sandálias dos seus pés, por que o lugar que pisa é terra santa” (3.1-5).
Em meio ao diálogo, Deus mostra que ouviu o clamor do povo hebreu cativo no Egito e que Ele usaria Moisés para libertar. De imediato, Moisés se sente incapaz: “Quem sou eu?”. Mas o Senhor mostra que não importava o que Moisés era, mas Aquele que estava com ele era maior e, assim como mudou a vida de Jacó, mudaria a dele também. Foi uma promessa! (3.11-22).
No capítulo 4, mais uma vez Moisés se mostra amedrontado, afirmando que não crerão nele, simplesmente se ele afirmar. Assim, Deus começa a mostrar um pouco de seu poder a este homem. Começa dizendo para que lançasse o cajado que estava em suas mãos no chão e, ao lançar, ele se tornou em cobra. Depois o Senhor ordena que a pegue pelo rabo e, trêmulo, Moisés obedece e ela se transforma novamente em cajado (v.1-5).
Após, o Senhor ordena que Moisés colocasse a mão no peito e, ao tirá-la, estava leprosa. Ao tornar a pôr e a tirar, a mão estava sã (v.6-8). Deus ainda da outros exemplos de milagres, mas, outra vez, Moisés se acovarda, dizendo que não era um homem eloquente. Deus responde que foi Ele que criou a boca, então Ele daria as palavras (v. 9-12).
No capítulo 5, Moisés e Arão, juntamente com o povo, foram falar com Faraó, exigindo que os hebreus fossem libertados, porém ele, com seu coração endurecido, disse que não conhecia este Deus que eles anunciavam e não ia deixar a mão de obra do Egito ir embora. Disse mais, ordenando que, a partir daquele dia, parasse de fornecer palha ao povo para fazerem tijolos. Os hebreus iriam juntar palha e render o mesmo número de tijolos. Como se não bastasse, eram chicoteados, sacrificando-os ainda mais (5.1-19).
No capítulo 6, Deus relembra Moisés que Ele é o Deus de seus pais e, assim como os abençoou poderosamente, iria abençoar o povo hebreu, porém Moisés estava desanimado, então o Senhor mostra que aquele povo era a família de Moises.
Deus diz a Moisés que ele estava sendo a representação de Deus para Faraó e Arão seria o profeta. Deus falaria a Moisés e este a Arão que transmitiria ao Faraó. Contudo, o próprio Deus endureceria o coração de Faraó (7.3). Isso se deu por 2 propósitos (10.2):

: Para que todo o povo hebreu, mesmo depois de sair do                                 Egito, soubesse o que o SENHOR fez no Egito por amor a eles e;
: Para que todos soubessem que somente Deus é o SENHOR.

O embate proposto por Faraó faz com Deus Se sirva de fenômenos naturais, intensificando seus efeitos, para que o rei egípcio liberte Seu povo da escravidão. Vejamos a sequencia das pragas que Deus usa como instrumento:


       No capítulo 12, como lembrança da noite em que deixaram a escravidão no Egito, os hebreus instituíram a PÁSCOA, que consiste na comemoração da passagem do anjo exterminador, a mando de Deus, e a sequente saída do povo da “terra da servidão”. Páscoa significa passar por cima.
       Entre os elementos incorporados à culinária dos hebreus e toda a significação especial, por conta da páscoa encontram-se:
·         As ervas amargas (v.8): Lembrava a opressão do Egito;
·         O pão sem fermento (v.8): lembrava a pressa com que saíram do Egito;
·         As sobras do cordeiro (v.10): Tipificava o Cordeiro de Deus que viria.

No capítulo 13 lemos a santificação dos primogênitos (v.2) e o cuidado de Deus em levar o povo pelo caminho mais longo, livrando-os das guerras com povos inimigos como os filisteus. Nem sempre o caminho mais curto é o mais acertado. O Senhor ia adiante deles (v.21) de dia numa coluna de nuvem para protegê-los do sol e a noite numa coluna de fogo para aquecer e alumiá-los.
No capítulo 14 temo registrado a conhecida e emocionante história da travessia do Mar Vermelho e no capítulo 15 o cântico de Moisés, grato a Deus pela linda vitória: “O Senhor é a minha força e o meu cântico; a minha salvação; este é o meu Deus” (15.2)..
O primeiro ponto de parada além do Mar Vermelho foi “Mara”, palavra que significa amargura, onde mais um milagre aconteceu.
Imaginemos a tristeza de Deus ao ver um povo que, diante de vários milagres, ainda murmuravam contra Moisés e Arão no deserto. Eles pensavam estar contra os homens de Deus, mas a situação era mais séria, pois estes eram apenas instrumentos nas mãos do Todo Poderoso. Suprindo suas necessidades, Deus fazia descer do céu o maná. Após também forneceu carne.

3.2.       Introdução da Dispensação da Lei (Êx 17-24)
Após o milagre no deserto de Sim, Israel acampa em Refidim e ali não havia água para beber, o que fez o povo, mais uma vez, deixar de glorificar a Deus pelas bênçãos já alcançadas e começar a murmurar, culpando Moisés e desejando voltar para o Egito (17.1-3).
Moisés clama ao Senhor, temendo até ser apedrejado pelo povo. Deus ordena que ele pegue alguns anciãos e, com a mesma vara que havia ferido o mar, levasse consigo para que, na parte alta de Horebe (pouco metros de Refidim), ferisse a rocha e assim gerasse água. Moisés obedeceu e houve água para o povo (v.4-7).
Enquanto isso veio Amaleque, pai dos amalequitas, pelejar contra Israel. Moisés ordena Josué liderar os homens para o combate, mas Deus é quem pelejaria por eles (v.8-9). Josué obedeceu e, enquanto pelejavam, Moisés, Arão e Hur subiram o monte e, quando Moisés levantava as mãos, Israel prevalecia, mas ao abaixar, Amaleque prevalecia. Todavia, as mãos de Moisés se cansaram, então Arão e Hur o sentaram numa pedra e seguram suas mãos para cima. Assim Josué venceu Amaleque ao fio da espada (v.10-14). Em gratidão, Moisés edificou um altar e chamou se nome de Jeová Nissi (v.15-16).
No capítulo 18, vemos que Jetro ouviu sobre todas as coisas que Deus tinha feito a Israel e resolver trazer a família de Moisés até ele. Quando anunciaram a ele que seu sogro, sua esposa e os filhos estavam ali, Moisés se alegrou muito (até porque, o evento do capítulo 4.23-26 não ficou resolvido) e, indo ao encontro, os beijou e conversaram (18.1-10).
Após anunciar tudo que Deus fizera, Jetro declara que O SENHOR é maior que todos os deuses e, junto com os anciãos de Israel, oferecem holocausto ao Senhor. No outro dia, Moisés se assenta para julgar o povo, de manhã até à tarde. Jetro não gosta da má administração e aconselha Moisés (v.13-18).
Dentro do aconselhamento, Jetro orienta Moisés que ensine o povo a Lei e os estatutos e, após isso, busque homens de exemplo para se tornarem líderes de 10, 50, 100 e 1000 para julguar o povo e, quando fosse julgamento grave, trouxessem a Moisés. Agindo assim, a carga da liderança seria aliviada. Moisés ouve o conselho e assim faz, conseguindo ter mais tempo para si e a família (v.19-27).
Tendo partido de Refidim no capítulo 19, Israel caminha até chegar no Monte Sinai, onde acamparam. Completava agora 3 meses, desde a saída do Egito (19.1-2). Ao chegar, Deus chama Moisés do Monte e diz que, agora o povo já tinha muitas provas do poderio do Senhor e, se Israel guardasse as palavras de Deus no coração e as cumprirdes, seriam guardados e abençoados de uma forma especial. Quando Moisés transmite isto ao povo, eles respondem: “Tudo que o Senhor tem falado faremos” (v.3-8).
Disse mais o Senhor, afirmando que apareceria ao povo em uma nuvem, para cressem eternamente. Para isso, Israel precisava se santificar por 2 dias inteiros. No 3º dia, ao amanhecer, houve trovões e relâmpagos sobre o monte e o Sinai fumegava. Moises levou o povo para fora do arraial, para se encontrar com Deus e Ele falava com Moisés em voz alta, mas ninguém podia se achegar a Ele, se não, morreria (v.16-25).
Ainda no Monte Sinai, Deus relembra o povo que Ele é o mesmo que os tirou da terra do Egito, e lhes concede os 10 mandamentos:
        
           1.Não terás outros deuses diante de mim;
  1. Não farás para ti imagens de escultura;
  2. Não tomarás o nome do Senhor em vão;
  3. Lembra-te do dia de descanso, para santificá-lo;

  1. Honrarás teu pai e tua mãe;
  2. Não matarás;
  3. Não adulterarás;
  4. Não furtarás;
  5. Não darás falso testemunho;
  6. Não cobiçaras.

O povo, vendo os trovões e relâmpagos, pediu que Moisés falasse com eles, temendo o poder do Senhor. Moisés tranquiliza o povo, dizendo que Deus não iria destruí-los, mas o temor dEle estaria sobre todos, para que não pecassem (v.18-20). Deus reforça o perigo da idolatria e sobre a necessidade de um altar para as ofertas pacíficas. Por fim, Deus alerta sobre a nudez (v. 21-26).
Do capítulo 21 a 24 de Êxodo, vemos a exposição do código civil da Lei, tratando sobre as Leis de Pena Capital (21.12-32), Leis da Restituição de Propriedade (21.33; 22.1-15), Leis Gerais (22.16-23.13), Grandes Festas (23.14-19) e Ratificação da Aliança (24). A resposta do povo foi: “Todas as palavras, que o Senhor tem falado, faremos” (v.3). Assim foi ratificado o concerto, foi selada a comunhão do povo de Deus.


3.3.       Introdução ao Tabernáculo


E me farão um santuário e habitarei no meio deles. Conforme tudo o que eu te mostrar para modelo do tabernáculo e para modelo de todos os seus móveis, assim mesmo fareis (Ex 25.8-9).

O conjunto de partes e objetos do tabernáculo abrange, com o seu simbolismo, as doutrinas mais destacadas ou as verdades fundamentais da revelação do Novo Testamento. Quanto mais conhecermos os detalhes deste, mais entenderemos a obra redentora de Jesus Cristo.
As partes do Tabernáculo: No Santo dos Santos: A arca | No lugar Santo: O altar de incenso, o castiçal e a mesa | No pátio: A pia e o altar de cobre.
A arca foi o primeiro objeto a ser lembrado (Êx. 25.10). Era colocada no Santo dos Santos, onde só o sumo sacerdote podia entrar, uma vez no ano (Hb 9.7), no Dia da Expiação. Era chamada de Arca do Testemunho (Êx 25.22), Concerto (Nm 10.33), Arca do Senhor (1Rs 2.26), Arca Sagrada (2Cr 35.3).
A arca era uma caixa de madeira de cetim, coberta de outro por dentro e por fora. O comprimento era de 2 côvados e meio, a largura de 1 côvado e meio e a altura de 1 côvado e meio (1,25m x 0,75m x 0,75m). O comprimento é a eternidade de Deus, a altura é a divindade, a largura é a misericórdia que se estende a todos os pecadores (Ef 3.18). Nela continha: As 2 tábuas da Lei (Justiça de Deus) |Um pouco de Maná (Suficiência de Deus) | A vara que floresceu (Soberania de Deus).
A tampa da Arca tinha o nome de Propiciatório (Êx. 25.17-25). Era de ouro puro, estava em cima dela formando um conjunto, apresentando a forma dum só objeto, figura de Jesus Cristo em sua pessoa e obra.
A arca ficava escondida aos olhos dos homens, no Santo dos Santos, separado por uma cortina grossa, chamada de véu. Quando Jesus morreu, fomos feitos sacerdotes e agora temos acesso à presença de Deus. (Hb 10.19).
O segundo objeto é o Altar de Incenso. O incenso é símbolo de nossas orações (Sl 141.2; Ap 5.8). Este altar ficava diante do véu (Êx. 30.6). Para Deus, o incenso queimado era considerado como “cheiro suave”. O incenso também é adoração (1 Ts 5.18; Ef 5.20). Além de ser aplicado a nós, o altar de incenso é tipo de Jesus Cristo, nosso Mediador (Jo 17.9-21; Hb 7.25; Rm 8.34b).
O castiçal era uma peça de ouro puro, com 7 pontas que serviam de lâmpadas (Êx 25.31-40; 37.17-24). Seu significado é testemunho ou luz. Na vida pública do crente, estas palavras são sinônimas. Sereis minhas testemunhas (At 1.8). Vós sois a luz do mundo (Mt 5.14).
O castiçal é tipo de Jesus porque Ele é “...a luz verdadeira que alumia a todo o homem que vem ao mundo” (Jo 1.9). E qual era a luz mais forte que o sol, vista por Paulo no caminho de Damasco? (At 26.13-15).
A mesa tinha as mesmas dimensões da Arca. Nela estavam sempre os 12 pães da proposição, segundo o número das tribos de Israel. O significado da mesa é comunhão com Deus e a mesa com os pães simboliza a consagração.
A pia servia de lavatório. Os sacerdotes tinham que lavar ali as mãos e os pés (Ex 30.20-21). Seu significado é santificação. Depois de identificado com a morte de Cristo para redenção, o pecador precisa ter contato com a pia para ser mais santo (Ap 22.11).
O altar de cobre estava colocado à entrada do tabernáculo. Simbolizava a remissão que o Filho de Deus realizou em nosso favor.
Para chegar a Deus, o pecador tem de passar primeiro pelo sacrifício do Cordeiro de Deus, que foi imolado na cruz. No altar o fogo ardia continuamente. O fogo é cólera divina, a fumaça é a manifestação desta cólera e o sangue é uma vida sacrificada pelo culpado.
O altar era de madeira de cetim e de cobre, representando a dupla natureza de Jesus. Havia 4 chifres dirigidos para cima. Chifre, no AT é sinal de força e poder. Seu principal uso era receber holocaustos e ofertas (Lv 1 à 7).

Concluindo:
O pecador que quiser ir à presença de Deus tem de percorrer este caminho:

  1. Passar pelo altar de cobre = Jesus Cristo na Cruz
  2. Lavar as mãos na Pia = O poder do Sangue de Cristo
  3. Fazer brilhar sua luz em contato com o Castiçal
  4. Participar da Mesa = Jesus, o pão da vida
  5. Oferecer suas orações no Altar de Incenso
  6. Passar pelo véu que Jesus rasgou com a morte e
  7. Finalmente, chegar a Arca = Presença de Deus

4.    O livro de Levítico
Levítico é o livro de figuras de Deus para os filhos de Israel, com o fim de estimular-lhe a devoção e ajudá-lo no seu treinamento religioso. Todas as figuras constantes deste livro apontam para a obra de Jesus Cristo que viria a se consumar posteriormente.
O título Levítico sugere o tema do livro – os levitas, os sacerdotes e as suas funções no Tabernáculo. É chamado também de O Livro das Leis. É um livro oportuno porque insiste em que devemos manter o corpo santo, do mesmo modo que a alma.
Do capítulo 1 a 3, vemos sobre os sacrifícios e ofertas, sendo o primeiro citado o sacrifício do holocausto, no qual nunca era oferecido pelos pecados, mas pelo pecado (proveniente de Adão), indicando que o seu oferecimento visava principalmente à comunhão do ofertante com Deus.

O sacrifício do holocausto consistia em um ritual que envolvia os seguintes elementos e ações do ofertante:
a.     A oferenda de um animal sem defeito;
b.     O ofertante devia trazer o animal pessoalmente à tenda;
c.     O ofertante colocava as mãos sobre o animal e o matava;
d.     O sangue do animal era derramado à porta da tenda da congregação;
e.     O corpo do animal deveria ser queimado.

     A oferta de manjares (ou de cereais) era a única oferta sem sangue. Apresentada a Deus como um ato de adoração, a oferta de cereais simbolizava a dedicação a Deus pelo fruto do trabalho humano, compreendendo que todo trabalho devia ser feito como para o Senhor. Ninguém era pobre demais que não pudesse oferecer alguma coisa para Deus. A oferta era dada de acordo com as possibilidades do ofertante.
A oferta de paz pode ser interpretada como uma oferta inteira e completa em si mesma, incluindo tanto a oferta propriamente como o ofertante. Representa o bom relacionamento entre o Senhor Jeová e o homem. Devemos considerar que:
a.     Não era uma oferta expiatória;
b.     Era o sacrifício ou oferta do crente já perdoado e salvo;
c.     Era uma cerimônia festiva e memorial semelhante à Ceia do Senhor hoje.
O capítulo 4 trata sobre o sacrifício pelos pecados e, assim como o sacrifício do holocausto, também era oferta de expiação, com uma diferença apenas: este sacrifício é pelos pecados (os praticados no dia-a-dia).
Seguindo a orientação de Deus, no capítulo 5 e início do capítulo 6, Moisés estabeleceu as bases do sacrifício pelo pecado contra o Senhor, quer fosse praticado pelo sacerdote, príncipe, congregação ou indivíduo. Era o sacrifício por transgressão ou de reparação, diante dos pecados listados abaixo:
a.     Ocultamento de um crime visto ou sabido (5.1);
b.     Contato com coisa imunda (5.2,3);
c.     Falso juramento (5.4);
d.     Pecado relacionado a coisas sagradas (5.14-16);
e.     Pecado de omissão por ignorância (5.17);
f.        Pecado e usura (6.1,2);
g.     Pecado de não restituir o achado, penhorado e o roubado (6.3-5).

Os sacrifícios traziam perdão de Deus ao pecador e sustento à tribo de Levi. Após a morte do holocausto, as partes vivas (coração, rins, fígado) eram de Deus; a coxa direita e o peito davam-se aos sacerdotes e o restante era do ofertante.
Dos capítulos 8 a 10 de Levítico, Moisés descreve a consagração dos sacerdotes. Conforme a orientação divina, Arão e seus filhos haviam sido separados para o sacerdócio e nenhum outro ofício poderiam exercer. Sua consagração exigia separação das coisas do mundo, de tão elevada que era a posição que teriam diante de Deus.
Para a consagração dos sacerdotes, eram usados os vestidos sacerdotais (Êx 28 e 29), o óleo da santa unção, os pães da proposição, o novilho para oferta do pecado e dois carneiros (Êx 29.1-3).
A cerimônia da consagração se deu à porta do Tabernáculo e, uma vez iniciada, eles foram lavados com água, simbolizando a purificação externa e, depois, vestidos com seus trajes sacerdotais. Em seguida, Moisés tomou o óleo da unção, ungiu o Tabernáculo e tudo o que nele havia. Terminada esta primeira parte, os sacerdotes estavam cerimonialmente limpos e oficialmente consagrados. O pecado, entretanto, não havia sido expiado. Portanto, não podiam oferecer sacrifícios pelos outros enquanto eles mesmos não fossem purificados de seus próprios pecados.
Depois do sacrifício pelos sacerdotes, eles deveriam permanecer na tenda durante sete dias. Por este período, eles se entregavam à meditação e estariam resguardados de todo contato com o mundo, para que não se contaminassem.
Passados os sete dias de reclusão, os sacerdotes podiam começar o seu trabalho de oferecer sacrifícios por si mesmos (9.1-14) e pelo povo (9.15-21). Terminada esta parte, como conclusão da cerimônia, Arão e Moisés abençoaram o povo.
O capítulo 16 de Levítico é aqui abordado considerando, pela ordem, os assuntos tratados no capítulo 9. O grande dia nacional da expiação encerra o ritual máximo do Tabernáculo.
Quanto à sua natureza, o sacrifício oferecido no Dia Nacional da Expiação era um sacrifício anual, que ocorria no dia 10 de Tisri (equivalente ao mês de setembro), o mês dos grandes festivais religiosos de Israel. O sacerdote ficava separado da esposa dez dias antes da cerimônia e na noite anterior ao Grande Dia, não lhe era permitido dormir para que, por um descuido, viesse a se poluir. Por isso, era ele vigiado pelos outros sacerdotes, beliscado ininterruptamente e obrigado a andar descalço no pavimento frio do templo.
Algumas leis referentes à pureza geral são contempladas nos capítulos 11 a 27 de Levítico, como a questão dos animais para alimento e sacrifício (11.1-23), a lei referente à lepra em Israel (13-14), a matança de animais e o uso do sangue (17), os problemas sociais para todos os povos (18-20), o regulamento sacerdotal (21-22), os tempos, estações e festas (23), a lâmpada do Tabernáculo e os pães da proposição (24-25), as promessas divinas, o dever de obediência a Deus por parte do povo, os votos feitos a Deus e a importância de cumpri-los (26-27).

5.    O Livro de Números
O Livro de Números deve ser estudado em conjunto com o Livro de Êxodo por ser a sua continuação natural. Enquanto isso, o Livro de Levítico deve ser considerado um parêntese entre Números e Êxodo.
Concluída a construção do Tabernáculo e estando o povo preparado para a marcha, Deus ordenou a Moisés que contasse o número dos filhos de Israel, o que comprovou que os homens de vinte anos para cima, capazes de ir à guerra, somavam 603.550. Todavia, se somássemos tudo, os filhos de Israel, durante os primeiros anos de peregrinação, seriam de mais ou menos três milhões.
Após a contagem, Deus ordenou que as tribos fossem dispostas ao redor do Tabernáculo, tendo ao Norte as tribos de Dã, Aser e Naftali; ao Sul as tribos de Rúben, Simeão e Gade; ao Leste as tribos de Judá, Issacar e Zebulom e; ao Oeste as tribos de Efraim, Manassés e Benjamim.
O serviço do santuário, tanto o culto quanto a manutenção, seria executado pelos levitas que tivessem entre 30 e 50 anos. Aos gersonitas cabia a responsabilidade sobre todos os panos e véus; aos filhos de Coate, a guarda das alfaias, mesas, altares e vasos de uso sagrado; aos filhos de Merári, a guarda e transporte dos varais, tábuas, colunas, bases, estacas e pequenas peças do Tabernáculo.
No capítulo 6 de Números, lemos acerca da lei nazireal e a bênção sacerdotal. Nazireu quer dizer consagrado. Uma vez dedicada ao Senhor, a pessoa não poderia beber vinho, comer uvas, cortar o cabelo ou acompanhar cortejo fúnebre. Em Israel era comum os pais dedicarem a Jeová um filho desejado, como é o caso de Samuel e de Sansão, cujas mães haviam sido consideradas estéreis.

Os elementos que constituíam a tríplice bênção de Arão, chamada “Bênção Sacerdotal” são:
1.      O Senhor te abençoe e te guarde (proteção de Deus contra os perigos);
2.      O Senhor faça resplandecer o rosto sobre ti e tenha misericórdia de ti (o resplendor, a graça e a beleza divina na vida do crente);
3.      O Senhor sobre ti levante o rosto e te dê a paz (alegria e satisfação).

Na tríplice bênção apostólica (2Co 13.13), temos as mesmas graças, porém em outros termos:
a.     A graça do Senhor Jesus Cristo;
b.     O amor de Deus e;
c.     A comunhão do Espírito Santo.

A nuvem durante o dia e a coluna de fogo durante a noite, na condução de Israel, eram símbolo da presença de Deus a guiar o Seu povo em pleno deserto. De um lado, o povo era suavizado do calor causticante do sol e, de outro, eram alumiados e aquecidos à noite. Assim, o Deus gracioso sempre estava com eles.
A marcha triunfal para Cades-Barneia está registrada nos capítulos 10 a 14 de Números. Quando a nuvem se levantava sobre o Tabernáculo era indicativo da ordem divina para Israel prosseguir rumo à terra da promissão. Partindo do Sinai para Cades, houve um total de onze jornadas diárias. Ao todo o povo parou para descansar em 21 lugares, conforme relacionado no capítulo 33 de Números.
Em Quibrote-Ataavá, houve grande murmuração por falta de carne. O povo chorava desejando os peixes, pepinos, melões, cebolas e alho do Egito, esnobando o maná que Deus mandava.
Face à murmuração, Moisés volta-se para Deus indagando o que fazer em tamanho aperto. Deus declara que mandaria carne para o povo comer, não por um dia apenas, mas por um mês inteiro (Nm 11.19-20). Tanto era a carne que, segundo a Bíblia, quem menos apanhou, carregou cerca de 3.600 quilos. Foi tal a ambição de cada um em apanhar mais que o outro que Deus Se indignou com tal materialismo que lhe mandou uma praga, matando muita gente.
Após vários dias de viagem, o povo finalmente chegou a Cades-Barneia. De tão perto que estavam da terra prometida e de tão iminente que parecia a conquista de Canaã que Moisés enviou doze espias, sendo um representante de cada uma das doze tribos de Israel, para analisar o território avistado. Desses doze, apenas dois, Josué e Calebe, trouxeram boas novas. Entretanto, a argumentação dos outros dez triunfou, conduzindo o povo a uma grande revolta. Por esta razão, Deus os fez andar 40 anos no deserto (15-21).
O povo se rebela outra vez e, desta feita, a revolta assume proporção nunca antes vista no que tange a liderança. Tratava-se de despojar Moisés e Arão dos privilégios que tinham. Também alguns levitas queriam ser sacerdotes. Por isso, alguns rubenitas valentes e 250 chefes de tribos, maiorais da nação, começaram a acusar Moisés de os terem tirado do Egito para morrer no deserto. Deus teve que intervir, destruindo Coré, Datã e Abirã, líderes do movimento, juntamente com seus aliados e familiares.
No dia seguinte a esses terríveis acontecimentos (Nm 16), a congregação de Israel levantou bem cedo para censurar Moisés por estar destruindo a nação. Novamente o Senhor aparece em meio à nuvem e visita os rebeldes com Seu juízo através de uma praga que matou, num só dia, 14.000 dos filhos de Israel.
Para evitar novos conflitos no futuro quanto, a saber, quem era sacerdote sobre Israel, Moisés mandou que cada príncipe e chefe de tribo, trouxesse uma vara. Na vara correspondente à tribo de Levi foi escrito o nome de Arão. As varas foram postas na tenda da congregação. No dia seguinte a vara de Arão havia florescido. Brotaram folhas e nasceram amêndoas. Todos os príncipes viram as varas e que só a de Arão florescera. Era o sinal da aprovação divina (Nm 17).
Por possuir ocupação totalmente espiritual, os levitas não tiveram qualquer porção de terra entre os seus irmãos e deveriam ser sustentados pelas demais tribos com porções de sacrifícios e outras ofertas (Nm 18).
Dois outros fatos se destacam nesse período da história dos filhos de Israel: a morte de Miriã, irmã mais velha de Moisés, e o problema da falta de água de Meribá. Era deserto e para suprir a necessidade dos israelitas, Deus mandou Moisés falar à rocha, porém ele bateu nela por duas vezes. Foi o bastante para que o grande líder fosse impedido por Deus de entrar na “Terra Prometida”.
Quando um simples homem do povo erra, o erro não tem grande efeito e é de pouca repercussão, porém, quando um líder erra, isso assume proporções grave. Foi o que aconteceu com Moisés. Isto mostra que quanto maior for a nossa responsabilidade, mais Deus exigirá de nós.
A partir do capítulo 22 de Números, um novo personagem aparece. Seu nome era Balaão, um desses iluminados étnicos, como tantos que a História registra. No entanto, sabemos que este tinha o dom da profecia e conhecimentos diretos de Deus e, de fato, recebia mensagens de Sua parte. O que Balaão não sabia ou não queria era ficar fiel ao que Deus lhe comunicava, e acabava usando esta faculdade para misturar com as práticas pagãs, tornando-se assim, um estranho personagem à luz dos ensinos da Bíblia.
Balaque, rei moabita, contrata Balaão para amaldiçoar o povo de Israel, que estava nas regiões de Moabe. Todavia, as tentativas foram frustradas. Cada vez que Balaão tentava, ficava mais patente que era impossível amaldiçoar um povo a quem Deus decidira abençoar (24.17).
Balaão aconselhou, então, Balaque a fazer uma das costumeiras festas religiosas ao seu deus Baal, em Peor, à qual Israel seria convidado, sabendo que eles cairiam na imoralidade, prestariam cultos a outro deus e seriam destruídos. O plano deu certo e, logo que se consumou o pecado dos filhos de Israel, irrompeu uma peste entre o povo (25.9).
Desprezando a ordenança divina, Zinri, o israelita, teve coragem de envolver-se e de levar a midianita Cosbi para sua tenda, enquanto os seus irmãos choravam a morte de milhares e outros milhares morriam de peste. Nisto Finéias, filho de Eleazar e neto de Arão, tomou da sua lança e traspassou a ambos dentro da tenda. Então cessou a praga.
Se tivessem sido mais generosos para com Israel, os moabitas teriam evitado a calamidade da destruição deles e dos midianitas. Depois das tristes experiências em Baal-Peor, Deus ordenou o castigo aos midianitas. Mil homens foram escolhidos de cada tribo de Israel. Mataram os homens e cinco reis. Nessa matança caiu também Balaão. As mulheres foram poupadas, mas Deus ordenou que as que tivessem pecado com os filhos de Israel morresse, poupando as virgens. As cidades também foram destruídas. Após a guerra, os soldados tiveram que ficar uma semana fora do arraial, purificando-se (Nm 31-36).

Obsevação: Os moabitas eram descendentes do incesto de Ló com suas filhas

6.    O Livro de Deuteronômio
O Livro de Deuteronômio é uma coletânea de discursos e cânticos de Moisés, dirigidos ao povo de Israel por ocasião da sua despedida. Este livro mostra as bênçãos da obediência e a maldição da desobediência. Segundo seu ensino, a vida vitoriosa do cristão depende da obediência a Deus com sua própria vida, a posse da Terra Prometida, a vitória sobre os inimigos, a prosperidade e a felicidade. Este livro ensina a inflexibilidade da Lei. “Farás” e “não farás” aparecem com frequência.

a.   O primeiro discurso de Moisés (Dt 1-4.43)
Moisés estava com 120 anos e Israel se encontrava próximo à terra de Canaã, ponto que teriam atingido em apenas onze dias de marcha, 40 anos antes.
Ficamos surpreendidos com a lentidão de Israel quando, na verdade, deveríamos nos surpreender com a nossa própria lentidão na jornada cristã. Deveríamos nos envergonhar do tempo que levamos para aprender nossas lições.
De toda a numerosa geração que saiu do Egito restavam agora somente Josué e Calebe. Todos os demais haviam perecido. A nova geração experimentara privações nas caminhadas pelo deserto e estava pronta e ansiosa por tomar posse da “terra que mana leite e mel”. Assim, Moisés começa trazendo-lhes à memória a ordem divina de tomar posse da terra desejada.
Diversos assuntos do discurso de Moises podem ser resumidos nas seguintes palavras: Ouvir a Palavra de Deus. Se os israelitas atentassem ao que tinham aprendido ao longo da peregrinação pelo deserto, de modo a não se afastarem do Deus vivo, as vitórias prometidas estariam asseguradas.
Mesmo sabendo que estava proibido de entrar em Canaã, ainda assim Moisés orou ao Senhor pedindo clemência para a sua falta, a fim de entrar naquela terra. Deus lhe disse que não orasse mais sobre o assunto, pois não seria atendido.
Concluindo o seu discurso, Moisés exorta o povo à obediência incondicional a Deus e ratifica a importância das três cidades de refúgio estabelecidas dalém do Rio Jordão.

b.   O segundo discurso de Moisés (Dt 4.44-26)
A chave do segundo discurso de Moisés encontra-se em Deuteronômio 12.1: “São esses os estatutos e os juízos que cuidareis de cumprir na terra que vos deu o Senhor, Deus de vossos pais, para a possuirdes todos os dias da vossa vida”.
Israel estava para entrar em uma nova terra e tudo dependia da sua constante e inteligente obediência a Deus, que lhe estava concedendo a terra. Deus queria ensinar a Israel o amor, que é o real cumprimento da Lei (Rm 13.8-10).

Ao proferir este discurso, Moisés faz o seguinte:
1.      Repete os Dez Mandamentos, enfatizando sua atualidade à nova geração.
2.      Fala do seu papel como mediador entre Deus e o povo.
3.      Enfatiza a obediência como o cumprimento integral da Lei.
4.      Admoesta o povo contra a infidelidade a Deus e Seus sagrados princípios.
5.      Mostra que as bênçãos são uma consequência natural da obediência.
6.      Exorta aos israelitas a nunca esquecerem os benefícios dados por Deus.
7.      Lembra o povo sobre a capacidade provedora e protetora do Altíssimo.
8.      Traz à memória a infidelidade do passado, advertindo deste perigo.
9.      Diz como intercedeu pelo povo quando este pecou contra Deus.
10. Fala das segundas tábuas da Lei e de como a conseguiu.
11. Destaca a vocação sacerdotal da tribo de Levi.
12. Volta a exortar o povo quanto à obediência e suas bênçãos.
13. Fala sobre a bênção da obediência e a maldição da desobediência.
14. Indica o lugar do verdadeiro culto.
15. Ressalta os preceitos quanto ao comer carne e às ofertas do culto.
16. Demonstra a Israel como reconhecer os falsos profetas e julgar os idólatras.
17. Proíbe a mutilação do corpo.
18. Estabelece os critérios da seleção dos animais limpos e imundos.
19. Salienta a doutrina do dízimo e sua importância para sustento dos obreiros.
20. Discorre sobre o ano da remissão.
21. Enfoca leis em defesa dos pobres e dos escravos.
22. Lista a Páscoa, Pentecostes e Festa do Tabernáculo como festas oficiais.
23. Adverte sobre os deveres dos juízes e castigo pela prática da idolatria.
24. Apresenta o modo de agir no ato de julgar questões difíceis.
25. Antecipa o critério de eleição de um rei e os deveres da nação com ele.
26. Especifica a herança e os direitos dos sacerdotes e dos levitas.
27. Condena os adivinhos e feiticeiros.
28. Profetiza a chegada do grande profeta “semelhante a Moisés” (Jesus).
29. Volta a falar das seis cidades de refúgio e do seu significado.
30. Mostra ao povo como aplicar a pena capital contra o criminoso voluntário.
31. Narra o valor de serem mantidos os limites antigos e sobre as testemunhas.
32. Estabelece princípios referentes à guerra.
33. Define a expiação por morte cujo autor é desconhecido.
34.  Estabelece princípios para legislar em questões as mais diversas.
35. Estabelece diversas leis, principalmente quanto à castidade e casamento.
36. Fala os tipos de pessoas que devem ser excluídas das santas assembleias.
37. Trata sobre os fugitivos, prostitutas, usura, divórcio, pesos e medidas justas.
38. Determina a destruição total de Amaleque e seus exércitos.
39. Fala, finalmente, das primícias da terra, do dízimo (novamente) e conclui exortando o povo à obediência.

c.   O terceiro discurso de Moisés (Dt 27,28)
Os filhos de Israel estavam prestes a atravessarem o Rio Jordão e isto precisava ficar inesquecível, quer na História, quer nas mentes. Por isso, enquanto atravessavam, eles deveriam pegar 12 pedras, representando as tribos de Israel e, após passar pelo Jordão, edificariam um altar ao Senhor.
O Monte Ebal fica em frente ao Monte Gerizim e, mais tarde, ao cumprir a ordem de Moisés, Josué colocou sobre o Monte Ebal representantes das tribos de Rúben, Gade, Aser, Zebulom, Dã e Naftali. Estes deviam proferir as maldições que sobreviriam aos transgressores da Lei.
Enquanto isso, sobre o Monte Gerizim, Moisés fez assentar representantes das tribos de Simeão, Levi, Judá, Issacar, José e Benjamim, a quem cabia proferir as bênçãos que adviriam da obediência à Lei.

As Maldições e As Bênçãos

Maldito...
1.      ...o homem que fizer uma imagem de escultura, ou de fundição.
2.      ...aquele que desprezar a seu pai ou a sua mãe.
3.      ...aquele que mudar os marcos do seu próximo.
4.      ...aquele que fizer o cego errar o caminho.
5.      ...aquele que perverter o direito do estrangeiro, do órfão e da viúva.
6.      ...aquele que se deitar com a madrasta, pois profanaria o leito de seu pai.
7.      ...aquele que se ajuntar com um animal.
8.      ...aquele que se deitar com sua irmã.
9.      ...aquele que se deitar com a sogra.
10 ...aquele que ferir ao seu próximo em oculto.
11. ...aquele que aceitar suborno para matar pessoa inocente.
1 2...aquele que não confirmar as palavras desta lei, não as cumprindo.


Bendito...
1.      ...serás tu na cidade e no campo.
2.      ...o fruto do teu ventre e da tua terra e ainda o fruto dos teus animais.
3.      ...o teu cesto e a tua amassadeira.
4.      ...serás ao entrares e ao saíres.
5.      O Senhor fará que sejam derrotados os teus inimigos.
6.      O Senhor determinará que a bênção esteja no teu celeiro.
7.      O Senhor te constituirá para Si em povo santo.
8.      O Senhor te dará abundância de bens.
9.      O Senhor te abrirá o Seu bom tesouro, o céu.
10. O Senhor te porá por cabeça e não por cauda.

d.   O quarto discurso de Moisés
Segundo este discurso de Moisés, sempre que se afastasse de Deus, o povo seria levado em cativeiro; e os povos que tomassem conhecimento disso saberiam que se tratava de um povo que não tinha sabido cumprir os mandamentos do seu Deus; facilmente concluiriam que se tratava de um Deus que ama os obedientes, mas castiga os impenitentes. Testemunhariam a santidade de Jeová.
Vemos, pois, que neste grande discurso de Moisés, está lançada a semente da doutrina do amor e da compaixão de Deus, tão admiravelmente desenvolvida nos livros futuros.
Concluindo o seu discurso, Moisés enfatiza que obedecer ou desobedecer aos mandamentos divinos é uma questão de vida ou de morte, pelo o que toma os céus e a terra como testemunhas de que Israel foi necessariamente advertido quanto ao caminho a seguir.
Os últimos quatro capítulos de Deuteronômio registram as últimas disposições de Moises, quais sejam:
1.      A indicação de Josué como sucessor de Moisés.
2.      O dever de a Lei ser lida ao povo, publicamente, de sete em sete anos.
3.      Uma profecia quanto à futura rebeldia de Israel.
4.      A determinação em colocar o livro da Lei ao lado da Arca da Aliança.
5.      O cântico de Moisés.
6.      O último dia de vida de Moisés.
7.      A bênção de Moisés.
8.      A morte de Moisés.

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