quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

HOMILÉTICA



1.    Introdução
Homilética é a arte de preparação e comunicação de sermões. Jamais tal estudo anula a inspiração do Espírito Santo. A Homilética apenas coloca a inspiração dada por Ele em ordem tal que facilita a exposição do sermão.
Homilética é ciência quando considerada sob o ponto de vista de seus fundamentos teológicos, históricos, psicológicos e sociais. Como disciplina teológica, é aquele ramo da teologia prática e das habilidades ministeriais que trata das regras relativas à preparação e entrega dos sermões.
Ligados à Homilética há três outros termos muito relacionados entre si, mas distintos quanto ao significado, que são: oratória (a arte do bem dizer); eloquência (capacidade de falar e expressar-se com desenvoltura) e; retórica (a arte de bem argumentar).
Uma das funções da Homilética é propiciar ao pregador melhor habilidade na fala, isto é, na arte de expressar o que sente e sabe. É fato que nem todos possuem o dom natural da palavra, mas aquele que aspira e exerce o ministério da palavra deve buscar aprimorar a sua capacidade de expressão. O sucesso do pregador depende não só de oração e estudo frequente das Escrituras, mas também da sua persistência em, continuamente, melhorar sua capacidade de expressar a Palavra de Deus.
A arte de expressão envolve vários aspectos, dentre os quais: a voz, a técnica de oratória e o conhecimento da língua materna. O bom pregador presta atenção em sua forma de se portar, falar e gesticular.
O pregador não pode equivocar-se entre a razão e a emoção, mas deve dosá-las em seus sermões para produzir resultados positivos. O sucesso da pregação está na influência e unção do Espírito Santo, mas Ele não tira a consciência de ninguém.
O desenvolvimento do raciocínio baseia-se em conhecimentos e estes são assimilados através da leitura e meditação na Palavra de Deus. Paulo aconselhou Timóteo, dizendo “...aplica-te à leitura” (1Tm 4.13). A assimilação de conhecimentos gerais fornece ao pregador um raciocínio rico em ideias e pensamentos os quais conferem aos sermões maturidade espiritual.
A Bíblia incentiva a busca de conhecimentos gerais quando diz: “Feliz o homem que acha sabedoria e o homem que adquire conhecimento” (Pv 3.13). A Homilética apresenta as regras técnicas de como o pregador pode tirar proveito dos conhecimentos bíblicos e extrabíblicos, ordenando e dosando os pensamentos com a graça divina, incluindo a observação, a consulta e a discussão.
Por fim, é mister que, ao lado de todo o conhecimento da Homilética, haja uma vida espiritual autêntica, dotada de oração, jejum, humildade, comunhão e intimidade com Deus, pois do contrário, o ministério será fracassado.

2.    O Pregador
O ministério da Palavra ou da pregação tem o seu lugar de destaque no trabalho do cristão. Para exercer este ministério, torna-se necessário que tenhamos a compreensão exata do caráter sublime da vocação ministerial.
A chamada para o ministério da pregação é uma experiência real e específica e aos que aspiram este santo ministério, pelo menos dois requisitos são necessários: ter passado pelo novo nascimento e ter a chamada de Deus.
Para que uma mensagem obtenha resultados positivos, é preciso que o pregador conheça, basicamente, três princípios que regem tanto a pregação quanto o pregador, sendo a objetividade porque toda pregação tem um alvo a atingir; a transmissão porque o pregador não pode nem deve omitir-se de entrar a mensagem de Deus e; a experiência porque, antes de pregada, a mensagem deve ser entendida e experimentada na vida do pregador.

2.1.       O cultivo da personalidade do pregador
Personalidade é a marca individual de cada pessoa e, como crentes, nossa personalidade é desenvolvida segundo o modelo da vida cristã, que é Cristo.
Em relação ao pregador, sua personalidade tem muito a ver com a eficiência de seu ministério e de sua mensagem. J. W. Shepard diz: “a personalidade do pregador é como a forma motora que faz o sermão e o Espírito Santo é quem aciona essa força.”. Há um conhecido provérbio que diz: “O que és fala tão alto que não ouço o que dizes!”. O pregador deve cultivar e aquilatar sua personalidade na oração incessante, leitura e estudo piedoso das Escrituras e na adoração contínua a Deus.

2.2.       O cultivo físico e intelectual do pregador
Deve um pregador se preocupar com a conservação da sua integridade física e saúde ou dedicar um tempo para descansar? Sim! O pregador não pode se dar ao desleixo da sua saúde. Ele tem o direito de zelar por ela como todo homem na terra. O cultivo da saúde não é só necessário, mas indispensável na vida do servo de Deus.
Jesus sempre recomendava certo período de descanso para Seus discípulos após um determinado período de intenso trabalho (Mc 6.31). Paulo recomendou a Timóteo: “Tem cuidado de ti mesmo...” (ITm 4.16).
O pregador deve ser um homem de boa saúde, cuidando de si mesmo como cuida da obra de Deus. Ele deve exercitar-se, alimentando e descansando adequadamente para desempenhar seu ministério eficazmente.
O cultivo eficaz dos aspectos físicos acima citados contribui muito para o cultivo do intelecto. O pregador deve ter o cuidado de buscar conhecimentos através do estudo, da pesquisa e da leitura de bons livros, almejando condições de preparar seus sermões com sucesso. Aquele que ensina as verdades do Evangelho precisa conhecer, estudar e aprimorar-se no conhecimento daquilo que prega e ensina (2Pe 3.18).

2.3.       Requisitos espirituais na vida do pregador
Além dos cuidados que o pregador precisa ter como a sua vida como ministro da Palavra de Deus, há requisitos espirituais que, sem os tais, não haverá sucesso no ministério. Deve haver um corpo sadio e uma mente sã.
Piedade: Piedade é o mesmo que devoção a Deus. Ela anula o egocentrismo, porque visa sempre ao soerguimento espiritual e moral dos fracos e caídos. A eficácia da pregação cristã tem como primeiro requisito a piedade, pois ela incute o zelo ardente, aviva a chama do Espírito Santo no coração do crente e quebranta os corações endurecidos.
Devoção: A devoção é a prática da piedade, pois ela é a dedicação no serviço do Reino. Devoção e piedade são inseparáveis. Quem é devoto não brinca com o evangelho, mas cumpre seu chamado com alegria.
Sinceridade: Sincero provém do latim sinceru e significa sem mistura, puro e íntegro. A sinceridade deve ser invariável na vida e nas atitudes do ministro da Palavra de Deus. Hoje, amanhã e depois, na presença ou na ausência, ele é o mesmo. Em qualquer circunstancia, a sinceridade deve prevalecer.
Humildade: A tentação que assalta todo o pregador é a busca de fama e da vanglória, por isso é indispensável ao pregador o desenvolvimento da humildade em sua personalidade, principalmente, através da queda do “eu”.
Honestidade: A honestidade deve ser mais do que uma obrigação, deve ser uma qualidade de alma. Seu cumprimento deve ser espontâneo, natural e contínuo e deve refletir no trato, pontualidade, finanças, palavras e atitudes.
Seriedade: O conceito de seriedade para alguns é não poder sorrir ou possuir senso de humor. Entretanto, a seriedade é a prática da honestidade, significando uma atitude reverente para com o exercício do ministério.
Coragem: Deus não comissiona covardes e medrosos, mas pessoas valentes, cuja ousadia é divina. O pregador é um homem incomum porque está revestido de uma força e coragem muito especiais, emanadas do Espírito, cuja fonte está em Deus. Cheio dessa coragem pela graça de Deus, o pregador enfrenta o mundo e o inferno, agredindo o pecado e não o pecador.
Otimismo: Pregador otimista é aquele que vê seu ministério sempre com uma mente positiva, transmitindo ânimo aos abatidos, confortando os tristes, inspirando confiança aos fracos e fortalecendo a fé dos desanimados.
Prática de oração: A oração é o ponto de partida, a chave mestra. O que a igreja precisa hoje é de homens dispostos a buscar a orientação divina através da prática da oração constante, pois o caráter da nossa oração determina o caráter da nossa pregação.

3.    A base do sermão
O texto bíblico do sermão é o tecido que dá roupagem à pregação, isto é, a textura ou a base do sermão. O texto escolhido pode ser parte de um versículo, ou um versículo ou ainda um bloco de versículos. A. P. Gibbs, em seu livro “Pregai a Palavra”, apresenta cinco razões para a necessidade do uso de textos bíblicos nas pregações, quais sejam:
1.      Dá autoridade à mensagem;
2.      Exerce influência irrestrita para que o pregador se mantenha dentro do seu tema;
3.      Unifica o sermão;
4.      Prepara o povo para o sermão;
5.      Serve para promover variedade na pregação.

O uso das escrituras na pregação é imprescindível porque reforça o conceito de que a Palavra de Deus é a força motriz da pregação.
A escolha dos textos bíblicos deve ser feita com cuidado e espírito de constante oração, observando algumas regras, como: escolher textos que expressem pensamentos completos; claros na visão do pregador; objetivos e; dentro dos limites da capacidade de cada um em explaná-lo.
Quanto à interpretação de textos bíblicos, o pregador deve obedecer as regras que determinam o sentido do texto escolhido para a pregação, a fim de evitar desvios doutrinários ou o uso de interpretações supérfluas que podem acarretar danos espirituais aos seus ouvintes. Visando isso, há quatro regras básicas para uma boa interpretação bíblica:
1. Interpretar fiel e corretamente o texto;
2. Recorrer ao contexto;
3. Explicar as Escrituras pelas próprias Escrituras e;
4. Responder as perguntas: Por quem? Pra quem? Por quê? Quando? Onde? e Como? foi escrito o texto.

4.    O tema do sermão
Uma vez escolhido o texto, definir o tema é o passo seguinte. Em muitas oportunidades distintas, o Espírito Santo inspira-nos um tema, de acordo com a necessidade espiritual das pessoas a quem iremos pregar.
O tema é o assunto-chave do sermão. É a verdade ou ideia central do sermão. Uma pregação sem tema é como um navio sem leme, flutuando à deriva, ou como a onda do mar que desaparece na areia da praia.
Há uma diferença entre Tema e Título. Tema é o ASSUNTO do sermão, visto que ele envolve o todo. Já o título é o NOME que se dá ao sermão.
Há duas formas especiais de temas, sendo: a Forma Lógica e a Forma Retórica. A forma lógica é o tema feito sob a forma de uma afirmação. Já a forma retórica é o tema objetivo, que desperta mais interesse dos ouvintes e é o mais usado. Vejamos o exemplo abaixo:

REFERÊNCIA
FORMA LÓGICA
FORMA RETÓRICA
1 João 2.1
Jesus Cristo é o Advogado dos Pecadores
Cristo, nosso Advogado
Marcos 10.46-52
Jesus ouve o clamor do cego Bartimeu
O Clamor Respondido
João 15.1
Jesus é a Videira Verdadeira
A Videira Verdadeira

A elaboração de temas tem, como procedimento ideal, traçar um caminho a ser seguido. O que mantém a unidade do sermão é o rumo que lhe é estabelecido, por isso o tema e o sermão deve seguir a linha de pensamento do pregador, através da qual o ouvinte consiga acompanhar o seu raciocínio.
Complementando, há 5 tipos de temas mais conhecidos, sendo:
1. Enfático: É aquele que aparece sob a forma de uma palavra;
2. Interrogativo: Colocado em forma de pergunta para ser respondida;
3. Declarativo: Tirado de uma declaração bíblica para desenvolvimento;
4. Imperativo: Encontrado em forma de mandamento ou ordem divina;
5. Histórico-Biográfico: É um tema que exige do pregador um conhecimento da história a ser tratada, pontuando os aspectos mais distintos, que se identificam com as necessidades espirituais do presente.
Um tema escolhido deve visar às necessidades mais urgentes da congregação e deve ser objetivo, vital, pertinente e relacionado com a Bíblia. Ter sempre à mão um caderno para anotar pensamente ou ideias novas que brotem na mente auxilia na elaboração de um esboço futuro, além de uma boa leitura e pesquisa.

5.    A estrutura do sermão

5.1.       Introdução
Introdução é a parte do sermão que serve de ponto de contato entre o pregador e o auditório e, através dela, o pregador apresenta a ideia única do seu sermão. A introdução deve ser breve, apropriada, interessante e simples. As fontes para a introdução podem ser diversas, como o texto bíblico ou o contexto; uma ilustração ou evento da atualidade; uma frase ou um provérbio; uma experiência pessoal ou um momento presente; tudo isso feito com cuidado para que não seja extenso, desanimando os ouvintes.

5.2.       O plano do sermão
Após a introdução, há o plano do sermão que é o esqueleto ou esboço, sendo a parte que divide o sermão em pontos principais. É obrigatório que o sermão possua uma ordem apropriada nas divisões, pois do contrário será como um motim, sem lógica e sem compreensão pelo público. Além disso, é necessário um cuidado na transição de um pensamento para outro; uma preocupação em aplicar o texto para as necessidades presentes e evitar desviar de rumo ou assunto do que se está falando.

5.3.       A conclusão do sermão
O pregador precisa saber entrar e sair de uma pregação elegantemente. Grande parte do êxito de uma pregação depende de uma boa conclusão. Para preparar este trecho do sermão, o pregador pode: recapitular, narrar, persuadir e convidar o público para uma séria e cuidadosa decisão.

6.    Tipos de Sermão
Após aprendermos a formar as bases do sermão, é necessário compreender como construir o “edifício” do mesmo. Há, basicamente, três tipos de sermões: temáticos, textuais e expositivos. Vejamos as características de cada um.
Sermão temático é aquele que as divisões são tiradas do tema ou assunto, independente do texto. Ele é chamado de sermão tópico e desenvolve a verdade do que gira em torno do tema ou assunto.
As vantagens oferecidas por este tipo de sermão são várias, como: facilita a divisão do assunto; dá maior unidade ao sermão; oferece maior campo de ação para desenvolver o tema e; adestra a mente do pregador na análise lógica. Vejamos um exemplo de sermão temático apresentado abaixo:

Tema: O Evangelho da Salvação
Texto: Romanos 1.16
Divisão:   I. A Fonte do Evangelho (que é)
                  II. A Razão do Evangelho (por que)
                  III. A Recepção do Evangelho (como)
                  IV. As Bênçãos do Evangelho

Neste tipo de sermão, os pontos principais devem sempre ser colocados em ordem crescente, além disso, cada ponto deve corresponder ao outro, deixando o sermão com um só propósito.
O sermão textual é aquele que se baseia necessariamente no texto bíblico, cuja divisão é tirada do texto. É muito usado quando há um texto extraído para o tema de uma festividade. O sermão textual pode ser desenvolvido sob três formas de divisões, as quais chamamos: natural, analítica e sintética.
A divisão textual natural é feita conforme a ideia do sermão fornecida pelo texto. A distinção das ideias está no texto e apenas deve ser posta em destaque. Por exemplo, 1 Coríntios 13.13 apresenta três divisões naturais, cujo tema pode ficar a critério do pregador.
Primeira divisão: FÉ
Segunda divisão: ESPERANÇA
Terceira divisão: AMOR

A divisão textual analítica obriga o pregador a colher a ideia geral que o texto bíblico fornece e dividi-la analiticamente, isto é, considerando as partes principais do texto. Neste tipo de divisão, deve-se colocar em ordem as partes principais do texto, como no exemplo abaixo:

Tema: Jesus visita um Pecador
Texto: Lucas 19.1-10
Observe que a ordem do texto não foi alterada.
Divisão:   I. Foi uma visita inesperada (v.1-6).
                  II. Foi uma visita transformadora (v.8)
                  III. Foi uma visita salvadora (v.9-10).

A divisão textual sintética envolve um resumo. Para elaborar esta divisão, deve-se tomar o texto escolhido e resumir suas partes principais. Muitas vezes, a ordem dos versículos é alterada para prover uma ordem lógica ao assunto.

Tema: Cristo, o Despenseiro de Deus
Texto: Marcos 6.34-38
Divisão:   I. A Visão do Despenseiro (v.34,38)
                  II. A Compaixão do Despenseiro (v.35)
                  III. A Provisão do Despenseiro (v.37)

Há também o método de pregação expositiva, que tem sido pouco cultivado na atualidade, porque é o método que mais exige da parte do pregador. Ele tem por função tornar claro o texto bíblico, expondo o conteúdo exegético que o texto encerra. Ele se ocupa da interpretação literal ou figurada da passagem bíblica selecionada para ser explanada. Este método é usado em sermões infantis com visuais.
A preocupação primordial que o pregador deve ter na elaboração de um sermão é explanar o texto, isto é, dizer exatamente aquilo que o texto quer dizer. Há algumas recomendações úteis a seguir:

a.     Não fuja do texto. Fique nele e explique-o.
b.     Não seja teórico, mas pratico na aplicação da passagem escolhida.
c.     Estude bem o texto, cada palavra e cada frase.
d.     Evite a monotonia e ponha vida no sermão pregado.
e.     Cultive a leitura sistemática da Bíblia. Ore, pense e pesquise.
Não são os famosos pensamentos citados, nem a construção de pensamentos atraentes e bem elaborados que levam a pregação ao sucesso. É necessário que se leve em conta a unidade do sermão. Para isto, quatro requisitos de qualidade devem nortear a mente do pregador ao preparar um sermão, seja qual for o seu tipo. Estes requisitos são: a Uniformidade, a Harmonia, a Transição e a Pertinência.
Não há regra quanto à limitação de pontos principais e subpontos de um sermão. Normalmente, a quantidade de pontos e subpontos são determinadas pela natureza do tema ou pelo conteúdo do texto bíblico. Porem, não é o numero de pontos e subpontos que faz o sermão, mas sua organização.
Dentre os muitos métodos que ajudam no entendimento da pregação, os elementos funcionais do sermão são aqueles que têm a finalidade de ajudar os ouvintes a compreenderem as verdades bíblicas pregadas. Há cinco elementos que ajudam no entendimento por parte dos ouvintes: definição, narração, descrição, exemplificação e comparação.
A maioria das nossas pregações fala mais às emoções dos ouvintes, isto é, preocupa-se em mover os sentimentos. Entretanto, uma igreja não pode viver somente desse tipo de pregação. Ela precisa de mensagens que apelem ao raciocínio, isto é, que a leve a pensar nas verdades apresentadas. Quais são os métodos que apelam à razão? São aqueles que argumentam, defendem e analisam as verdades do Evangelho.
Os métodos de ilustração também são muito importantes na pregação. A ilustração na pregação é como a janela de uma casa. Já imaginou uma casa sem janelas? Este método é muito antigo e prático. Em toda a Bíblia, descobrimos que Deus usou a ilustração (parábolas) como meio de revelar Sua vontade aos homens. A ilustração prende a atenção do ouvinte e desperta o seu interesse, além de proporcionar um “descanso mental”.
Paulo foi muito hábil no uso de ilustrações para elucidar as grandes verdades doutrinárias que ensinou às igrejas gentílicas. E, se Jesus, o nosso Senhor, aproveitou tanto as ilustrações como recurso para ensinar, convém que nós também as utilizemos.
É bom ressaltar que o uso de ilustrações deve ser feito com cuidado. Algumas advertências ajudam para que sejam evitados erros comuns. Ei-las:

a.     Nunca tente organizar um sermão baseado em uma ilustração, pois ela é apenas um material de auxilio à pregação.
b.     Nunca se baseie em filmes sobre a Bíblia, crendo que aquela ilustração é verídica.
c.     Nunca use uma ilustração que precise ser explicada.
d.     Evite ilustrações cujos fatos sejam duvidosos.
e.     Não use ilustrações que roubem a atenção dos ouvintes do assunto principal do sermão.
f.        Não exagere historias. Exagerar é mentir.
g.     Evite o número excessivo de ilustrações dentro de um só sermão.
h.     Use ilustrações que deixem uma boa impressão.
i.         Cuidado com as ilustrações engraçadas. Nem todos tem o mesmo senso de humor.

7.    Qualidades de Estilo do Pregador
A palavra estilo tem sua origem no latim stilus e refere-se a um instrumento em forma de haste pontiaguda que servia para escrever em tábuas de cera. A palavra estilo tomou um significado figurado que tem a ver com a forma de escrever e de falar.
Todo pregador tem atributos próprios que deve preservar, para ser sempre original e autêntico. Ele também pode aperfeiçoar seu estilo e sua maneira de pregar através do estudo da Homilética e da experiência ministerial. Alguns iniciantes querem adotar o estilo dos pregadores que admiram, mas é um erro não desenvolverem seus próprios estilos.
O pregador deve cumprir pelo menos 4 princípios básicos para melhorar seu estilo de pregação e assim valorizar o importante trabalho de um ministro da Palavra de Deus. São eles: pureza, energia, autoridade e imaginação.
Há também três aspectos do corpo que ajudam na comunicação da mensagem: a expressão facial, a postura e a voz do pregador.
Ao falarmos de Voz do Pregador, há alguns defeitos que precisam ser corrigidos no decorrer da experiência, pois há aquele que é resmungador (fala com os lábios quase fechados); o gritador (não sabe usar o volume da voz); o cantarolador (sua voz sobe e desce todo o tempo, como numa canção); o monótono (é o tipo de voz que faz dormir) e; o pigarreador (limpa a garganta toda hora, como se tivesse com irritação ou pigarro).
Para que possa fazer bom uso da sua própria voz, o pregador deve procurar aperfeiçoá-la através de meios corretos, com boa fluidez, modulação e expressão, além das recomendações abaixo:

a.     Beber bastante água em temperatura natural durante o dia.
b.     Próximo do momento de atividades vocais dê preferência aos alimentos leves e de fácil digestão.
c.     Evitar roupas apertadas, principalmente nas regiões do abdômen, cintura, peito e pescoço, pois isso poderá dificultar a respiração.
d.     Evitar cochichar.

Na teoria da comunicação aprendemos seus três aspectos mais importantes: o emissor, o receptor e o canal da comunicação que funcionam da seguinte forma:
- O emissor é o que transmite a mensagem.
- O receptor é o que recebe a mensagem.
- O canal é a via pela qual se transmite a mensagem (a voz do emissor).

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