1. Introdução
Os quatro
Evangelhos são, provavelmente, os livros da Bíblia mais lidos e usados. Seu
conteúdo é muito importante, pois nos fornece a genealogia, a vida e o
ministério de Jesus Cristo. A palavra Evangelho significa Boas Novas.
Os
Evangelhos foram escritos durante o tempo do domínio do Império Romano. Seu
primeiro imperador chamava-se Augusto, mas o mais conhecido de todos foi o
Nero.
Jesus nasceu
durante o império romano de César Augusto (Lc 2.1). As condições sociais e
econômicas do primeiro século eram semelhantes às do século atual. A literatura
clássica foi desenvolvida durante esse tempo e as línguas que se destacavam no
mundo romano eram quatro: latim, grego, hebraico e aramaico. A moral, contudo,
era muito baixa! Corrupção no governo, imoralidade sexual, fraude no comércio e
supertição religiosa faziam parte desse império. Não obstante, a astrologia, o
zodíaco, o horóscopo, o animismo, religiões místicas e ocultismo eram populares
nessa época.
Nos livros
dos profetas do Antigo Testamento encontramos muitas profecias sobre o
nascimento de Cristo e os Evangelhos registram o cumprimento de tais.
Há, em
média, 40 profecias sobre Cristo no Antigo Testamento, a maioria chamada de
“messiânicas”. A primeira está em Gênesis 3.15 e a ultima em Malaquias 3.1. O
Messias é descrito sob o aspecto Rei
e Sofredor. O Cristo que viria como
Rei também teria que passar pelo sofrimento até a morte de cruz.
A religião
predominante era o Judaísmo, de onde se originou o Cristianismo. No princípio
era usado o Templo de Salomão e os sacrifícios de animais, depois passaram a
cultuar nas sinagogas e a estudar a Lei - a Torá. No judaísmo havia várias
seitas religiosas. As mais conhecidas eram os fariseus e os saduceus.
A palavra
fariseu provém do verbo parash que
significa separar-se. Este grupo
constituía a mais influente seita dos primeiros anos do Novo Testamento. Eram
tradicionalistas e a Lei tinha grande valor para eles. Muitos eram virtuosos
aos seus próprios olhos, mas hipócritas quanto ao comportamento espiritual.
Os
saduceus, por sua vez, eram em menor número, comparados aos fariseus e detinham
o poder político, além de governarem a vida civil judaica nos dias de Herodes.
Os fariseus acreditavam em ressurreição, os saduceus não.
Do Seu
nascimento até Sua morte, Jesus é o personagem mais conhecido e popular das
Escrituras, tudo gira em torno dEle. Ele é o centro; a figura mais
impressionante nas páginas do Novo Testamento e através de cada escrita, vemos
Ele sendo plenamente Deus e plenamente homem.
São quatro
evangelhos e cada um tinha um propósito na escrita. Mateus escreveu para os judeus, Marcos escreveu para os romanos, Lucas aos gregos e João escreveu
para a Igreja. Cada um desses lançou luz sobre um aspecto do ministério terreno
de Jesus: Mateus enfatiza os sermões de Jesus, Marcos dá ênfase aos
milagres, Lucas enfoca as parábolas e João enfatiza a divindade
de Cristo. Juntos, os evangelhos se completam.
O caráter
de Cristo é observado de forma diferente nos quatro Evangelhos: Mateus foca o
caráter profético, Marcos atém-se ao caráter prático, Lucas
destaca o caráter histórico e João enfatiza o caráter espiritual
de Jesus.
2. O Evangelho de Jesus segundo escreveu
Mateus
No Antigo
testamento temos a velha aliança, em Mateus, tem início à nova aliança. No
Antigo Testamento, encontramos as antigas promessas; em Mateus, o cumprimento
delas. A narrativa encontrada nesse Evangelho não é cronológica, pois seu foco
é mostrar Jesus como Rei de Israel, dando uma progressão ordenada quanto ao
caráter dispensacional da vida de Cristo.
Pouco sabe
acerca de Mateus, além de que foi convocado por Cristo para seguí-lO e que era
publicano e coletor de impostos (Mt 9.9). Também se chamava Levi. A maioria dos
discípulos eram pescadores de poucas letras, mas Mateus era um homem culto,
conhecedor tanto das leis como da história romana e judaica. Sabia grego e
aramaico.
Esse
Evangelho foi escrito em torno de 45-66 d.C., e seu tema encontra-se em Mateus
27.37: “ESTE É JESUS, O REI DOS JUDEUS”. A ideia predominante é a de Jesus como
Rei, pois era descendente de Davi e era isso que os magos do Oriente buscavam
(Mt 2.2).
Para os
judeus, a árvore genealógica era algo sumamente importante. Era a maneira mais
comum de começar a abordar a história da vida de um descendente de Abraão. Por
este motivo, Mateus inicia seu Evangelho descrevendo a genealogia de Jesus e,
há um fato fascinante nisto, pois, há nomes de mulheres, o que não era comum entre
os judeus. Isto mostra a grandiosidade da salvação que o Messias traria, além
da quebra de barreiras sócio-religiosas.
O
Evangelho segundo Mateus, assim como os outros Evangelhos, pouco fala dos
primeiros 30 anos de Jesus na terra, mas narra um fato importantíssimo que é o
nascimento virginal de Cristo. Neste primeiro capitulo, há três nomes que
distinguem o Filho de Deus: Cristo (v.17), Jesus (v.21) e Emanuel
(v.23).
Mateus
4.1-11 registra o primeiro acontecimento na vida de Jesus após o batismo: Ele é
tentado no deserto. Jesus recusou-Se terminantemente, a entrar em acordo com o
Diabo! Respondendo ao inimigo, citou o Livro de Deuteronômio, chamado por
alguns de “Livro da Obediência”.
Em Mateus
8 e 9, Jesus mostra ao povo o Seu poder: cura os enfermos, demonstra Sua
autoridade sobre a natureza, demônios e perdoa pecados. Infelizmente, muitos
começaram perseguí-lO deste então. Em Mt 11.20, Jesus passa a pronunciar
julgamento contra certas cidades. Eram cidades que tinham recebido bênçãos
especiais de Deus, tinham visto milagres e obras salvadoras do Messias, porém
foram indiferentes, decidindo rejeitar Jesus.
No
capítulo 16, Jesus fala contra o fermento dos fariseus e saduceus. Fermento
aqui representa uma doutrina falsa e penetrante. Ao lermos os versos 13-20,
Cristo começa a fazer algumas revelações e dar novas instruções aos Seus
discípulos, tratando sobre Sua deidade, edificação da Igreja, Sua morte e
ressurreição, Sua glória, a verdadeira fonte do Seu poder, a grandeza do Reino
de Deus, a disciplina na Igreja e sobre a necessidade de um espírito perdoador.
2.1. As Parábolas de Mateus
Mateus 13 registra
uma mudança no ministério de Jesus. Antes Ele pregava nas sinagogas, mas agora
é visto junto ao mar, falando muitas coisas por parábolas. É o inicio do novo
programa de Deus. Como Israel havia rejeitado o Messias, então Ele abriu os
portões do Reino a qualquer pessoa que quisesse aceitar Suas palavras e
promessas.
Parábola é
uma narração geralmente curta e descritiva. Uma comparação, um paralelo, para
ensinar uma verdade moral ou espiritual. É a explicação de algo desconhecido
através de figuras conhecidas. Nos Evangelhos, o propósito da parábola é o de
ensinar sobre o Reino de Deus.
As duas
primeiras parábolas falam acerca da implantação do Reino. A parábola do
semeador demonstra que a terra determina a produtividade da semente. O solo
espiritual de Israel estava estéril, árido, razão da qual rejeitou a semente
que é a Palavra de Deus. A segunda parábola, do trigo e do joio, mostra que
haverá uma separação entre os filhos do Reino (trigo) e os filhos do maligno
(joio).
A terceira
e a quarta parábola nos falam acerca do crescimento do Reino. A parábola do
Grão de Mostarda indica que, ainda que comece pequeno, o reino será seguido de
um grande e rápido desenvolvimento, terá uma grande influencia no mundo
inteiro. Já a parábola do Fermento mostra que, assim como ao ser introduzido na
massa, o fermento da o crescimento sem ser visto, assim o real crescimento do
Reino de Deus não deve ser avaliado por aparências exteriores.
Nas
parábolas do Tesouro Escondido e da Pérola, tanto um como o outro, simbolizam a
Igreja que o negociante (Cristo) comprou. Na sua penúltima parábola (da Rede)
Jesus indica que devemos colher toda espécie de peixe, ou seja, alcançar todos
os tipos de pessoas com o Evangelho e introduzi-las no Reino. A última é a
anunciação de coisas novas por Cristo.
2.2. Os Ensinamentos e Ministério
do Rei
O discurso
conhecido como “O Sermão da Montanha” trata do caráter dos filhos do Reino de
Deus, bem como os requisitos para entrar nele, e encerra conteúdo de
inestimável valor. Podemos destacar essas bem-aventuranças em dois grupos: atitudes pessoais (humildade,
penitência, mansidão e justiça) e atitudes
beneficentes (misericórdia, pureza de coração, paz e sofrimento). Jesus
está ensinando que devemos manter atitudes espirituais nobres e puras; devemos
ser benção para o próximo, socorrer os pobres e amar os que nos perseguem.
Devemos ser sal da terra e luz do mundo.
Em Mateus
6, Cristo denuncia a religião falsa e pretensiosa dos hipócritas, advertindo
para que, ao darmos esmolas, orarmos e jejuarmos, façamos de maneira cristã,
para que possamos ser abençoados. É a luta da religiosidade versus espiritualidade. No mesmo
capitulo, Jesus deixa uma oração modelo chamada Pai Nosso. Vamos analisá-la com
a seguinte divisão: Invocação (uma
nova relação de Pai para Filho é introduzida), prioridade nas petições (buscar primeiro os interesses de Deus) e as petições seguintes (pedindo a Deus
ajuda quanto às necessidades pessoais).
O Messias
conclui o Sermão da Montanha mostrando o caminho verdadeiro quanto ao nosso
viver, visto que não podemos servir a Deus e a Mamom (dinheiro) ao mesmo tempo.
Devemos procurar a direção divina através do pedir, buscar e bater. Devemos ser
bondosos e amorosos para com os outros, pois nosso Pai concede-nos toda bondade
e amor.
A missão
de Cristo se encontra em Mateus 9.13: “...porque
eu não vim a chamar os justos, mas os pecadores ao arrependimento.” Esta
era a missão primordial de Jesus. Ocupava Seu coração o ardente desejo de
arrependimento por parte do povo.
Há três
características na pregação de Cristo que devem existir em cada pregador nos
dias atuais: sua voz era a expressão da certeza e não deixava dúvida; sua voz era repleta de autoridade divina,
pois Ele era Rei e falava com um Rei e; sua mensagem era proveniente do Pai
Celestial.
O ministério
de Cristo é o mesmo hoje: Ele salva, cura, batiza com o Espírito Santo e supre
todas as nossas necessidades.
Mateus 21
registra a entrada de Jesus em Jerusalém. A multidão, que o recebeu como um rei
e não como O REI, queria que Ele estabelecesse Seu reino na terra, num palácio
profano. Seu divino objetivo, porém, era o de estabelecer o reino no coração
dos homens.
Cristo
estava em Seus últimos dias de vida terrena. Breve seria levado rumo ao
Calvário. Antes, porém, Ele purificou o templo, amaldiçoou a figueira e
defrontou com os líderes de Israel. Ao término de todas essas coisas, Jesus
lamenta sobre Jerusalém. Cristo odeia o pecado, mas ama o pecador.
Tendo
terminado os ensinamentos, o Senhor disse aos discípulos que, após dias da
celebração da Páscoa, Ele seria entregue para ser crucificado. Foram quatro
vezes que Ele anuncia Sua morte neste Evangelho: 16.21-23, 17. 22-23. 20.17-19
e 26.45.
Nos Seus
últimos atos, Jesus recebe uma unção com um precioso bálsamo sobre a cabeça,
feito por uma mulher na casa de Simão, o leproso. Era a preparação do Seu corpo
para o sepultamento. Nesta hora, Judas Iscariotes reprovou o ato, mas se
apressou em consumar o pacto da traição.
Ocorreu,
então, a primeira Ceia do Senhor que Jesus instituiu como um memorial da Sua
morte. A Santa Ceia não é uma transubstanciação e sim um simbolismo, onde o pão
e o vinho simbolizam o corpo e sangue do Senhor.
Após,
Cristo saiu para o Getsêmani, onde experimentou o “cálice da agonia e
sofrimento” e, ao vencer este intenso e tenebroso combate, estava pronto para
ser entregue nas mãos dos malfeitores. Neste momento, Jesus foi levando ao
Sinédrio onde foi difamado, zombado, esbofeteado e sentenciado à morte.
Corpo
ensanguentado e costas doloridas pelos acoites. Assim foi Jesus conduzido ao
Calvário. Triste e revoltante cena! Nenhum malfeitor precisava levar sua cruz,
mas fizeram nosso Senhor carregar. Suas forças já não lhe bastavam. Então,
encontraram um cireneu chamado Simão e o obrigaram a carregar a cruz. Esse
Simão era judeu africano, da cidade de Cirene que ia participar do ritual
judaico na Páscoa, onde, no ápice da cerimônia, poderia ser respingado com o
sangue de um cordeiro. Agora, Simão estava sendo banhado com o sangue do
Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. Isso foi tão lindo que, este homem
se converteu ao cristianismo (Rm 16.13).
2.3. A Morte e Ressurreição do Rei
A
crucificação de Jesus durou seis horas! Depois de sofrer nas mãos dos homens
por três horas, Cristo foi pendurado na cruz às 09 horas da manhã e ficou até
às 15 horas. Vários sinais acompanharam a morte de Jesus. O véu do santuário se
rasgou de alto a baixo, significando o fim da separação entre o homem e Deus.
Ocorreu um terremoto, sepulcros se abriram e muitos santos ressuscitaram.
Com a
morte de Jesus, o coração dos discípulos foi possuído de grande tristeza e dor.
Estavam abalados. Tinham esquecido a promessa de Jesus de que ressuscitaria
depois de três dias. É, pois, o capítulo 28 que narra com todo o esplendor a
ressurreição de Jesus.
As duas
Marias, no começo do primeiro dia da semana, foram ver o sepulcro. Um anjo do
Senhor desceu e removeu a pedra que estava bloqueando a entrada do sepulcro. Os
guardas, estarrecidos, desmaiaram de susto. O anjo explicou às duas mulheres
que Jesus havia ressuscitado. Ouvindo isso, elas saíram às pressas com grande
alegria para anunciar as boas-novas aos demais. Jesus foi ao encontro delas e
se revelou. Seu corpo estava diferente, glorificado!
Ao ouvirem
que Cristo tinha ressuscitado, as autoridades judaicas forjaram uma grande
mentira, dizendo que os discípulos tinham roubado o corpo de Jesus; elas haviam
dado grande soma de dinheiro aos guardas e mandaram-lhes espalhar tal história
pela cidade. Até hoje a mentira prevalece entre os judeus, mas a verdade sobre
Cristo jamais será vencida ou ofuscada.
2.4. A Comissão do Rei
Estamos
chegando ao fim da missão terrestre do Messias. Seu ultimo ato antes de
ascender aos céus foi conferir a Grande Comissão aos Seus discípulos.
Jesus
afirma Seu poder universal e designa Seu mandado através do Ide, que inclui o
Ensinar e o Batizar. O Senhor promete-lhes poder, autoridade e Sua presença
divina até o fim dos séculos. A Grande Comissão foi deixada para nós, os crentes.
Não nos façamos surdos ou indiferentes a esta ordenança.
3. O Evangelho de Jesus segundo
escreveu Marcos
O
Evangelho de Marcos é tido por alguns como o primeiro escrito sobre a vida de
Jesus. O autor não foi um dos doze dentre os primeiros seguidores de Cristo e
foi escrito para os romanos, apresentando Cristo como Servo, enfatizando Seus
milagres e obras.
O nome do
autor deste Evangelho é João Marcos. João é seu nome judaico e Marcos é seu
nome romano. Era sobrinho de Barnabé e viajou com ele e Paulo até Perge, na
Panfília, na primeira viagem missionária do apóstolo. Segundo a tradição,
Marcos foi o fundador da Igreja em Alexandria, no Egito.
Marcos
vivia em Jerusalém e, por isso, é provável que ele tenha sido testemunha
pessoal de muitos acontecimentos da vida de Cristo, especialmente os relacionados
aos Seus últimos dias. Além disso, Pedro e Marcos tinham fortes laços
fraternais.
O tema do
Evangelho segundo Marcos é: Jesus veio para servir e dar a Sua vida em resgate
por muitos (10.45). É um livro cronológico, cujos eventos nele registrados seguem
certa ordem.
3.1. A Vida e Ministério do Servo
Assim como
em Mateus, há também em Marcos uma correlação entre as profecias do Antigo
Testamento e os fatos pertinentes ao seu cumprimento no Novo Testamento. É a
predição divina seguida da sua realização.
Coube a
João Batista, o primeiro profeta após 400 anos de silêncio, a honra de batizar
o Filho de Deus nas águas do Rio Jordão. Podemos ver uma evidência da Trindade
em Seu batismo: Jesus saindo da água e o Espírito Santo, em forma de pomba,
descendo dos céus, de onde Deus Pai falou: “Tu
és meu filho amado, em ti me comprazo”. Logo após, Cristo foi conduzido
para o deserto para ser tentado por Satanás e, depois de ter vencido, começou a
pregar o Evangelho do Reino de Deus.
Através
das narrativas de Marcos, podemos ver muitas obras miraculosas, muita cura e
expulsão de demônios operada por Jesus. Ele sabia que tinha pouco tempo e
procurava usá-lo da melhor maneira possível.
A fama do
Servo começou a crescer. Multidões começaram a seguí-lO, mas também começaram
as conspirações e invejas dos fariseus e herodianos. Mesmo sob oposição, Jesus
continuou a revelar-Se poderoso e resoluto, a pregar o Evangelho, ajudar os
outros e a dar Sua vida em sacrifício vivo.
Os
ensinamentos de Jesus, no Evangelho de Marcos, encontram-se no capítulo 4. Ele
ensinou à multidão à beira do mar da Galiléia e propôs-lhes 4 parábolas: a do
Semeador, da Candeia, da Semente e do Grão de Mostarda.
Chegou o
momento em Seu ministério que Cristo inicia a preparação dos Seus discípulos,
revelando-lhes Sua identidade e finalidade da Sua vinda à terra. Assustados com
tudo o que ouviam, os discípulos faziam-lhe perguntas.
Após uma
semana de preparação dos Seus seguidores, Cristo levou Pedro, Tiago e João para
um alto monte e “foi transfigurado diante deles”. A palavra transfiguração significa mudança total
de aspecto, aparência ou transformação. Neste ato, apareceram Elias e Moisés,
que conversavam com Cristo. O propósito deste evento foi o de mostrar aos
discípulos mais próximos a gloria divina, prova e testemunho da deidade de
Jesus.
Outro
evento registrado por Marcos foi a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém. O
povo não estava O aclamando como o Messias das profecias, mas como um líder
político ou militar. Já sabemos que muitos que aclamaram ali, alguns dias
depois, zombaram e ridicularizam Cristo no momento do Seu sacrifício vivo a
Deus pela redenção de toda a humanidade.
Marcos
14.51-52 apresenta um jovem que seguia a cristo, quando da Sua prisão. Quase o
apanharam, mas ele fugiu desnudo. Supõe-se que este jovem fosse o próprio João
Marcos. Talvez, os soldados tivesse ido primeiro à sua casa onde havia sido
realizada a ultima Páscoa, para prender Jesus. Marcos teria acordado com o
barulho e, sem tempo para se vestir de modo completo, envolveu-se em um lençol
para vero que fariam com o Mestre.
Após a
morte do Senhor, os inimigos de Jesus ficariam livres dEle! Mas, só por três
dias, pois Ele ressuscitou. Em Marcos 16 vemos que, no terceiro dia da
crucificação, três mulheres, tendo em suas mãos aromas, foram ao sepulcro, a
fim de ungir Seu corpo, mas a pedra estava removida do túmulo. Jesus não estava
ali. Coube a Maria Madalena dar as boas-novas sobre a ressurreição de Jesus.
Uma honra de alegrar os discípulos que estavam tristes e choravam! Aleluia,
Cristo vive e não há sombra de dúvida deste evento glorioso.
4. O Evangelho de Jesus segundo
escreveu Lucas
O escritor
do terceiro Evangelho é Lucas, um médico, homem educado e culto, acatado pelas
igrejas dos primórdios. O livro foi escrito entre o período de 59-63 d.C.,
pois, ao notar o grande crescimento do Evangelho na Ásia Menor, viu Lucas a
necessidade de uma descrição correta e precisa da vida e morte de Cristo.
Lucas,
durante dois anos, entrevistou várias testemunhas pessoais de Cristo e de Suas
obras na Palestina, objetivando escrever um Evangelho com fatos e incidentes
sobre o Salvador. Se Marcos foi influenciado por Pedro, Lucas foi influenciado
por Paulo (seu paciente particular).
O tema
deste Evangelho é: “Porque o Filho do Homem veio buscar e salvar o perdido”
(10.19).
O autor,
em seu estilo poético e polido, registra importantes acontecimentos anteriores
ao nascimento de Cristo, como: as predições referentes a João Batista, a
alegria de Isabel e Zacarias e o cântico de Maria. Ao iniciar narrar sobre
Jesus, mostra em fatos que Jesus nasceu em Belém; foi circuncidado após oito
dias de nascido, cumprindo a Lei Mosaica; foi apresentado no templo após 33
dias da circuncisão, onde Simeão e Ana viram o cumprimento de uma promessa
particular; Sua infância foi em Nazaré e aprendeu o oficio da carpintaria com
seu pai José e assumiu o oficio após a morte de José, ainda na adolescência de
Jesus, dando sustento à família até seus 30 anos de idade.
Verdadeiramente,
Cristo se mostrou um exemplo de submissão, pois Ele cumpriu com lealdade as
responsabilidades domésticas para com Sua família, antes que assumisse a
incumbência universal da salvação do mundo; teve experiência com as coisas
sobre as quais Ele deveria ensinar e; conviveu com os homens, identificando-Se
com eles, para poder ajudá-los.
4.1. A Tentação e Ministério de
Jesus
O diabo é
um adversário persistente e sagaz e não há limites para sua malignidade. Lucas
4.2 registra que ele tentou Jesus durante 40 dias, ou seja, durante e após o
término do Seu jejum. O Senhor foi tentado na esfera do que é físico/material;
concupiscência dos olhos - ambição e na esfera espiritual. Após vencer o
Maligno, Cristo estava pronto para iniciar Seu ministério.
Jesus
volta para a Galileia e inicia Sua obra. Sua fama já corria por toda a
vizinhança. Aproveitou e entrou na sinagoga, num sábado, segundo o costume dos
judeus, e levantou-se para ler. As sinagogas tinham uma tríplice finalidade:
adoração, educação e governo da vida civil da comunidade. Só lia nela quem
tivesse grande estudo para encontrar o rolo e interpretar a Lei para o
aramaico. Jesus estava qualificado para isto, o que deixou muitos furiosos.
Saindo da
sinagoga, Lucas registra alguns feitos de Jesus: curou a sogra de Pedro,
escolheu os doze discípulos e ressuscitou o filho da viúva de Naim. Observemos
que o foco de Cristo nunca foi se aparecer para multidões. Muitos milagres
foram feitos no particular de uma casa ou no anonimato.
Lucas
dedica quase 10 capítulos do seu Evangelho para tratar sobre a viagem de Jesus
para Jerusalém, visando as festividades da Páscoa. No decorrer do caminho,
muitas coisas aconteceram: os samaritanos rejeitam o Senhor, Jesus envia os
doze discípulos e depois os setenta, trás ensinamentos e adverti sobre o
“fermento” dos fariseus. Há também, em meio a este trajeto, a conversão de
Zaqueu.
Lucas
também registra 32 parábolas de Jesus em seu Evangelho. Algumas já foram
citadas em Mateus e Marcos, outras parábolas são:
·
O Credor e os Devedores
(7.40-43): fala sobre o perdão;
·
O Amigo Importuno (11.5-13):
fala sobre a oração;
·
O Rico Insensato (12.13-21):
fala sobre o verdadeiro valor da vida;
·
O Servo Vigilante (12.35-48):
fala sobre a Segunda Vinda de Cristo;
·
A Figueira Estéril (13.6-9):
fala sobre a rejeição de Israel com Jesus;
·
Os Primeiros Milagres
(14.7-14): fala sobre a humildade;
·
A Grande Ceia (14.15-24):
fala sobre a oportunidade de Deus a nós;
·
A Providência (14.25-35):
fala sobre o comportamento da vida cristã;
·
As Coisas Perdidas (15): fala
sobre Aquele que veio salvar o perdido;
·
O Mordomo Infiel (16.1-18):
fala sobre a sabedoria nas decisões;
·
O Rico e o Mendigo
(16.19-31): fala sobre a importância das Escrituras;
·
O Juiz Iníquo (18.1-8): fala
sobre a persistência na oração;
·
O Fariseu e o Publicano
(18.9-14): fala sobre a justificação pela fé;
·
O Bom Samaritano (10.25-37):
fala sobre a correta operação do amor;
Ao
finalmente chegar a Jerusalém, Jesus entrou nela triunfante, sendo louvado em
alta voz, mesmo sabendo que era odiado por muitos. Em Sua humildade, montado
num jumentinho, o Cristo não repreendeu o regozijo dos discípulos que, agora
não eram apenas doze, mas uma multidão.
Seguindo,
Jesus chorou diante de Jerusalém ao pensar que ela seria destruída no futuro,
como adveio 40 anos mais tarde, pelo general romano Tito. As lagrimas de Cristo
demonstram Seu amor por um povo espiritualmente cego.
Lucas 22
narra o pacto da traição. Judas Iscariotes, filho de Simão, um dos doze
apóstolos, seria o traidor. Jesus conhecia o seu caráter desde o princípio, mas
os apóstolos de nada suspeitavam. E “...
satanás entrou em Judas”. Assim vendeu Jesus por um preço de escravo, 30
moedas de prata. O verso 47 relata que Judas beijou Jesus no Getsêmani, sendo o
beijo da traição.
Um dos que
estavam com Jesus, fazendo uso da espada, decepou a orelha do servo do sumo
sacerdote, no momento da Sua prisão. Apenas João dá o nome do agressor: Pedro
(Jo 18.10). Esse Pedro foi o discípulo que mais se destacou. Diríamos que ele
foi o líder dos apóstolos, pois diversas vezes ele foi o porta-voz e algumas
vezes Cristo direcionava a ele, numa fala em grupo. Todavia, tendo Jesus sido
conduzido à casa do sumo sacerdote, já preso, Pedro O seguia de longe e, em
três momentos diferentes, ao ser reconhecido como um dos doze, Pedro nega a Cristo.
Na última vez, o galo canta e ele se recorda das palavras do Mestre em Lc 22.34
e chora amargamente.
O Senhor
conhece o nosso coração e sabe quando abrigamos arrependimento sincero e Se
coloca pronto para nos perdoar, abençoar e usar em Sua obra. Esta aí uma
diferença crucial entre Pedro e Judas: ambos traíram Jesus, mas um se
arrependeu e o outro preferiu o suicídio.
4.2. Crucificação, Morte e
Ressurreição de Cristo
Jesus foi
conduzido ao Sinédrio para ser julgado pelos sacerdotes e escribas, devido às
falsas acusações: pervertia o povo com Seu ensino; proibia o tributo a César;
dizia-se o Rei dos Judeus; era malfeitor e; dizia-se Filho de Deus.
Na
verdade, nem Pilatos ou Herodes conseguiram culpar Jesus. Mesmo sendo inimigos,
concordaram que Jesus era inocente. Todavia, a multidão estava enfurecida e
obstinada e Pilatos entrega Jesus a eles. O julgamento de Cristo foi
contraditório à Lei, visando punir, desonestamente, um inocente.
O grande
amor demonstrado por Jesus na cruz bradou profundamente em muitos corações.
Ferido, humilhado e desprezado, mesmo assim, Jesus suplicava: “Pai,
perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem” (23.34).
A própria
natureza se mostrou revolta contra aquele povo cruel! O sol escureceu-se e o
véu do templo se rasgou de alto a baixo. Cristo, com grande brado, entregou Seu
espírito a Deus e expirou. Encerrou-se assim a crueldade no Calvário. No mesmo
instante, o centurião que guardava Jesus deu glória a Deus dizendo:
“Verdadeiramente, este homem era justo!” (23.47).
Coube a
José, da cidade de Arimateia, membro do Sinédrio, homem bom e justo, tomar
carinhosamente o corpo do Senhor e levá-lO à sepultura por ele preparada
“aberta em rocha”. Todo o vazio que ficou nos corações se tornou em gozo e
alegria três dias depois da morte do Mestre, por Sua ressurreição.
Jesus,
depois de ressurreto, apareceu a várias pessoas. Ao final do Evangelho de
Lucas, vemo-lO conversando com os discípulos e levando-os até Betânia. Ali os
abençoou e, por fim, subiu para o céu, ficando à destra do Pai.
Com a ascensão
de Jesus, terminava uma etapa dentro do plano de Deus para ser dado início à
outra etapa: “Eis que envio sobre vós a promessa de meu Pai; ficai em Jerusalém
até que do alto sejais revestidos de poder”. (24.49).
5. Os Sinóticos
Mateus,
Marcos e Lucas são chamados de “Os Evangelhos Sinóticos”. A palavra sinótico significa vistos em conjunto, com o mesmo propósito.
Um aspecto
importante que temos a destacar é a razão de quatro Evangelhos em vez de um.
Houve, nos tempos apostólicos, quatro classes representativas do povo: judeus,
romanos, gregos e o “corpo” tomado dessas três classes que é a Igreja. Cada
evangelista se dirigiu a uma dessas classes, visando seu caráter, necessidades
e ideais. Logicamente que a mensagem dos Evangelhos se dirige à humanidade em
geral, em qualquer tempo.
Os três
primeiros Evangelhos têm muito em comum no que se refere à vida de Cristo,
sendo alguns trechos quase iguais. Eles se apresentam de forma a complementar a
imagem que oferece o Evangelho segundo João.
Os três
primeiros Evangelhos falam em especial às pessoas descrentes. O quarto
Evangelho, aos crentes. Os três primeiros falam do ministério de Jesus na
Galileia; o quarto fala especialmente do Seu ministério na Judeia. Os três
primeiros Evangelhos mostram a vida pública de Jesus; o quarto mostra Sua vida
particular e de forma mais privada. Os três primeiros transmitem a vida humana
e perfeita do Senhor. João, o quarto Evangelho, relata Sua vida divina.
Agradecemos
a Deus pelas obras desses escritores que, sob a unção do Espírito Santo, nos
legaram importantes relatos sobre Jesus e Sua missão.
6. O Evangelho de Jesus segundo
escreveu João
Para
muitos, o Evangelho segundo João é o livro mais amado de toda a Bíblia. Ele
mostra-nos coisas que não estão contidas nos Evangelhos sinóticos. Ele fala, de
forma peculiar, sobre a divindade de Jesus.
João era
filho de Zebedeu e irmão de Tiago (Mc 1.19). Era pescador e cresceu na cidade
de Betsaida, perto da Galileia. Foi, a princípio, discípulo de João Batista e
depois se tornou um dos mais chegados discípulos de Jesus. Juntamente com seu
irmão, receberam o nome de Boanerges, que quer dizer “Filhos do Trovão”,
indicando seu zelo, muitas vezes movidos por temperamento impulsivo. João
escreveu cinco livros no Novo Testamento.
O
Evangelho segundo João foi escrito entre os anos de 80 a 95 d.C., em Éfeso.
Neste período, Pedro e Paulo já haviam morrido e a Igreja começou a sofrer
perseguição por parte dos romanos.
O
propósito deste Evangelho está revelado no capitulo 20, verso 31, que diz: “...para que creiais” _convicção
intelectual_ e “crendo, tenhais vida”
_regeneração espiritual. João é o Evangelho da salvação.
6.1. A Natureza e Manifestação do
Verbo
João 1.1
revela o Verbo que existiu antes da criação. Verbo é a tradução do grego logos
e revela o Ser cuja existência excede o tempo. Jesus Cristo é desde a
eternidade, porém, especialmente em Sua encarnação, estão expressas a pessoa e
o pensamento de Deus (Jo 1.3-5, 14.9-11; Cl 2.9).
Em João
1.14, o Verbo que no princípio estava com Deus, tornou-Se homem. Agora, Ele é
identificado como o Cristo manifesto na História. Vemos também que João Batista
foi preparado por Deus para anunciar aquEle que viria após ele; aquEle em que
estava a luz verdadeira, que alumia todo homem que vem ao mundo. O verso 29
registra a mensagem que ardia no coração de João Batista e que, com grande
ênfase, declarou ao povo: “Eis o Cordeiro
de Deus, que tira o pecado do mundo”.
João
1.35-51 menciona a primeira visita de Jesus à Judeia e os primeiros discípulos.
No verso 36, João Batista vê Jesus e, novamente, o aponta como “O Cordeiro de
Deus” para dois de seus discípulos que, de imediato, seguem o Mestre Jesus e
tornam-se Seus discípulos. O verdadeiro pregador não atrai admiradores e servos
para si, mas sim para Cristo.
No segundo
capítulo ocorre o primeiro milagre de Cristo. Através deste e de outros sinais,
Jesus manifesta a Sua glória e os discípulos creem nEle (2.11). Há 8 milagres
registrados neste Evangelho, a saber: a água transformada em vinho; a cura do
filho de um oficial do rei; a cura do paralítico de Betesda; a multiplicação
dos pães e peixes; Jesus andando sobre o mar; a cura de um cego de nascença; a
ressurreição de Lázaro e; o milagre da grande pesca.
Em João 3
temos o âmago do seu Evangelho. Jesus encontra com Nicodemos e o faz entender o
real sentido da vida, descrevendo o amor de Deus e o papel do homem para se
salvar mediante esse amor. É neste capítulo também que registra o testemunho
final de João Batista: “É necessário que Ele cresça e que eu diminua” (3.30).
João 4
narra a entrevista de Jesus com a mulher samaritana, deixando a lição do valor
da evangelização individual, além de tratar sobre a ceifa e os ceifeiros e do
segundo milagre de Cristo.
Em João 5
vemos o terceiro milagre do Mestre e os judeus, descontentes com Ele, procuram
oportunidades para matar Jesus.
João 6
registra mais dois sinais extraordinários: a multiplicação dos pães e peixes e
Jesus andando sobre o mar. Deve ser observado que os quatro Evangelhos
registram o milagre da multiplicação, mas apenas João conta do rapaz que tinha
os cinco pães e os dois peixes.
Em João 7
e 8 temos a quarta e ultima visita de Jesus à Judeia, onde o povo passou a se
mostrar incrédulos, confusos e indecisos, devido a intervenção dos judeus
contrários à Cristo. Aplicaram contra Jesus, trazendo-lhe uma mulher adúltera
para que Ele manifestasse acerca da punição. Aos olhos humanos, não havia como
acertar a correção ideal para aquele caso, mas Jesus demonstrou Sua divina
sabedoria, deixando todos espantados e alegres.
João 9 registra
a cura de um cego de nascença, enfocando um novo testemunho do Seu poder. Como
este ato aconteceu no sábado, novamente os fariseus injuriaram-nO e
perseguiram-nO.
A
ressurreição de Lázaro é o sétimo sinal ou milagre registrado em João,
demonstrando o amor e compaixão do Filho de Deus. Muitos que presenciaram os
milagres de Jesus, creram nEle, outros foram até o Sinédrio para denunciá-lO e
passaram a planejar Sua morte.
Em Seus últimos
feitos, Cristo lava os pés dos discípulos e os instrui sobre a cruz e a
glorificação; a singularidade do amor; as moradas no céu e a promessa do
Consolador.
6.2. Nosso Relacionamento com
Cristo, os irmãos e com o Espírito Santo.
No
capítulo 15, há um precioso sermão de Jesus que fala de um dos pontos para a
vida cristã normal. Podemos dividir este capítulo em 3 seções: dos versos 1 a
8, onde a palavra-chave é permanecer; dos versos 9 a 17, onde a
palavra-chave é amor e; dos versos 18 a 27, onde a palavra-chave é aborrecer.
A primeira
seção está ligada à alegoria da videira, onde Cristo é a Videira e nós somos as
varas. Precisamos permanecer em Cristo para darmos frutos.
A segunda
seção está relacionada com o amor. O amor de Cristo está revelado através da
entrega de Sua vida por nós. Para sermos objetos do amor de Cristo precisamos
guardar os mandamentos, amando uns aos outros.
A terceira
seção fala sobre a Igreja e o mundo. Como parte do corpo de Cristo, somo
designados a suportar o que restou dos Seus sofrimentos. O ódio do mundo por
nós é sem causa ou explicação e nunca passarão, porque o mundo desconhece Deus.
Mas quando o Consolador se revela a alguém do mundo, este abandona o erro e se
entrega ao Salvador.
6.3. A Oração Sacerdotal de Jesus
Temos, em
João 17, a oração sacerdotal de Jesus. Uma oração intercessora, sendo sete
petições expressando todo o amor de Cristo em favor dos Seus seguidores. Esta
oração teria profundo significado para os discípulos e podemos observar duas
divisões nessa oração:
a) As sete petições
1.
Seja Ele glorificado, como o
Pai foi nEle glorificado (v.1);
2.
Pela restauração da vida
eterna (v.5);
3.
Pela segurança dos crentes,
quanto ao mundo e o mal (v.11 e 15);
4.
Pela santificação dos crentes
(v.17);
5.
Pela unidade espiritual dos
crentes (v.21);
6.
Para que o mundo possa crer
(v.21);
7.
Para que os crentes possam
estar com Ele nos céus, contemplar Sua gloria e dela participar (v.24).
b)
As
razões da Oração
1.
Cristo ora por Si mesmo
(v.1-5);
2.
Cristo ora pelos discípulos
(v.6-19);
3.
Cristo ora pela Igreja em
todo o tempo (v.20-26).
6.4. Momentos finais de Jesus
conforme o Evangelho de João
Jesus
agora esta a caminho do horto, juntamente com Seus discípulos. Era um local bem
familiar para Jesus, pois muitas vezes já estivera ali para orar. Era um local
de paz e quietude, todavia, aquela noite seria diferente. Judas, que por muitas
vezes, estivera ali com o Mestre, desta vez aparece com a coorte de oficiais
dos principais sacerdotes e fariseus para prender Jesus.
Parece-nos
injustificado a utilização da coorte, pois o objetivo era prender apenas um
homem! Sem dúvida, era um respeitoso temor ao poder de Jesus. Eles precisavam
assegurar sua dignidade. Mesmo assim, demonstraram temor e experimentaram
derrota ao ouvirem de Jesus as palavras “SOU EU”. Estavam munidos com
lanternas, archotes e armas, temendo um revide. Mas, não foi assim. Jesus
estava pronto para que nEle se cumprisse o plano do Pai!
Pedro,
cheio de revolta, lançou sua espada sobre o servo do sumo sacerdote chamado
Malco, cortando-lhe sua orelha direita. Cristo, de imediato repreende o
discípulo e opera o milagre em Malco.
De posse
de Jesus, os guardas O levaram para ser julgado e condenado à morte. A primeira
pessoa a se defrontar com Jesus no templo de Jerusalém foi Anás, que comemorou
tal feito. Após, foi levado para Caifás, onde Jesus foi condenado no mesmo
instante. Depois de ter enfrentado a ‘justiça
dos judeus’, Cristo foi levado a Pilatos, governador romano de moral débil.
Este queria soltar Jesus, mas a multidão bramava por Sua crucificação. Como não
era forte o suficiente para tomar a decisão por si, entregou Jesus para ser
crucificado.
O capítulo
19 trata sobre a crucificação. João relata pormenores que os outros
evangelistas omitem. É importante ressaltar que João foi o único discípulo que
assistiu à morte de Cristo, mas não quis enfatizar acerca de Seu sofrimento,
pois a crucificação era bem conhecida entre o povo.
A causa da
crucificação era sempre declarada acima da cabeça do condenado. A mando de
Pilatos, colocaram uma inscrição trilingue - hebraico, grego e latim - na cruz
de Jesus, com as seguintes palavras: “JESUS NAZARENO, REI DOS JUDEUS”. Os
judeus ficaram contrariados, mas Pilados não modificou.
Os judeus
quiseram quebrar as pernas de Jesus, acelerando Sua morte. Mas, chegando perto,
perceberam que Ele já estava morto. Então, um soldado lancetou-Lhe o lado, de
onde saiu água e sangue.
Em João 19
aparecem dois discípulos ocultos de Jesus: José de Arimateia, que pediu
Seu corpo e O colocou no sepulcro e Nicodemos, que embalsamou o corpo de
Jesus. O capítulo 20 registra o evento seguinte: o túmulo vazio.
Cristo
ressuscitou e apareceu algumas vezes, a começar com Maria Madalena e aos
discípulos por 2 vezes. O último capítulo de João (21) versa sobre a terceira
aparição do Senhor Jesus aos discípulos. Agora, eles estavam pescando, porém
foi um fracasso. Quando o dia amanheceu, junto à ele aparece a Luz do mundo,
dizendo para lançar a rede do lado direito. Ninguém percebeu que era Jesus. Ao
puxarem a rede cheia de peixes, João disse a Pedro: “É o Senhor!”. Tal feito
revelou aos discípulos a realidade da ressurreição.
Após terem
sido alimentos por Jesus, Ele aproximou-se de Pedro e, por três vezes fez-lhe
uma pergunta similar. Pedro, que por três vezes O negara, teria agora ocasião
de afirmar três vezes o seu amor pelo Mestre.
Como o
amor implica responsabilidades, Pedro, o pescador, passaria agora a pastor de
ovelhas – as ovelhas de Jesus. O apóstolo não hesitou em atender o chamado
divino, antes entendeu que o amor traz muitas obrigações e sacrifícios, mas
também proporciona recompensas divinas e sempiternas.
João 21.25
não é um exagero retórico, mas a franca confissão das suas limitações no
registro de tudo o que Jesus fez. No mundo todo não caberia os volumes
necessários para a narração de tudo quanto envolve o Verbo encarnado e a
redenção por Ele proporcionada ao mais vil pecador, conforme o eterno propósito
de Deus.
6.5. Notas e Conclusão
Existem
três tipos de amor:
·
Ágape
que é a afinidade de ideais espirituais; o amor de Deus para com o homem e
vice-versa. Um amor incondicional;
·
Eros
é atração física e desejo sexual e;
·
Phileos
é afinidade mental e cultural; um amor fraternal.
Todos
Esses três tipos de amor devem ser desenvolvidos, pois são fundamentais na vida
de qualquer indivíduo. Um ser humano evoluído, iluminado pela consciência e
sabedoria tem os três os amores em equilíbrio e desfrutam de forma saudável os
prazeres das inter-relações. O exagero em algum desses amores pode causar sofrimento
e desequilíbrio.
Distancia
de Jerusalém para vários lugares:
·
Cafarnaum - 144 Km
·
Nazaré - 112 Km
·
Cesaréia - 66 Km
·
Samaria - 56 Km
·
Jope - 56 Km
·
Jericó - 24 Km
·
Betânia - 3 Km
·
Belém - 10 Km
·
Hebrom - 40 Km
·
Gaza - 80 Km
·
Maquerunte - 64 Km
·
Fronteira do Egito -160
Km
·
Para Damasco - 213 Km
·
Para Babilônia - 880 Km
·
Para Éfeso - 960 Km
·
Para Corinto - 1280 Km
·
Para Roma - 2240 Km
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