quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

OS EVANGELHOS



1.    Introdução
Os quatro Evangelhos são, provavelmente, os livros da Bíblia mais lidos e usados. Seu conteúdo é muito importante, pois nos fornece a genealogia, a vida e o ministério de Jesus Cristo. A palavra Evangelho significa Boas Novas.
Os Evangelhos foram escritos durante o tempo do domínio do Império Romano. Seu primeiro imperador chamava-se Augusto, mas o mais conhecido de todos foi o Nero.
Jesus nasceu durante o império romano de César Augusto (Lc 2.1). As condições sociais e econômicas do primeiro século eram semelhantes às do século atual. A literatura clássica foi desenvolvida durante esse tempo e as línguas que se destacavam no mundo romano eram quatro: latim, grego, hebraico e aramaico. A moral, contudo, era muito baixa! Corrupção no governo, imoralidade sexual, fraude no comércio e supertição religiosa faziam parte desse império. Não obstante, a astrologia, o zodíaco, o horóscopo, o animismo, religiões místicas e ocultismo eram populares nessa época.
Nos livros dos profetas do Antigo Testamento encontramos muitas profecias sobre o nascimento de Cristo e os Evangelhos registram o cumprimento de tais.
Há, em média, 40 profecias sobre Cristo no Antigo Testamento, a maioria chamada de “messiânicas”. A primeira está em Gênesis 3.15 e a ultima em Malaquias 3.1. O Messias é descrito sob o aspecto Rei e Sofredor. O Cristo que viria como Rei também teria que passar pelo sofrimento até a morte de cruz.
A religião predominante era o Judaísmo, de onde se originou o Cristianismo. No princípio era usado o Templo de Salomão e os sacrifícios de animais, depois passaram a cultuar nas sinagogas e a estudar a Lei - a Torá. No judaísmo havia várias seitas religiosas. As mais conhecidas eram os fariseus e os saduceus.
A palavra fariseu provém do verbo parash que significa separar-se. Este grupo constituía a mais influente seita dos primeiros anos do Novo Testamento. Eram tradicionalistas e a Lei tinha grande valor para eles. Muitos eram virtuosos aos seus próprios olhos, mas hipócritas quanto ao comportamento espiritual.
Os saduceus, por sua vez, eram em menor número, comparados aos fariseus e detinham o poder político, além de governarem a vida civil judaica nos dias de Herodes. Os fariseus acreditavam em ressurreição, os saduceus não.
Do Seu nascimento até Sua morte, Jesus é o personagem mais conhecido e popular das Escrituras, tudo gira em torno dEle. Ele é o centro; a figura mais impressionante nas páginas do Novo Testamento e através de cada escrita, vemos Ele sendo plenamente Deus e plenamente homem.
São quatro evangelhos e cada um tinha um propósito na escrita. Mateus escreveu para os judeus, Marcos escreveu para os romanos, Lucas aos gregos e João escreveu para a Igreja. Cada um desses lançou luz sobre um aspecto do ministério terreno de Jesus: Mateus enfatiza os sermões de Jesus, Marcos dá ênfase aos milagres, Lucas enfoca as parábolas e João enfatiza a divindade de Cristo. Juntos, os evangelhos se completam.
O caráter de Cristo é observado de forma diferente nos quatro Evangelhos: Mateus foca o caráter profético, Marcos atém-se ao caráter prático, Lucas destaca o caráter histórico e João enfatiza o caráter espiritual de Jesus.



2.    O Evangelho de Jesus segundo escreveu Mateus
No Antigo testamento temos a velha aliança, em Mateus, tem início à nova aliança. No Antigo Testamento, encontramos as antigas promessas; em Mateus, o cumprimento delas. A narrativa encontrada nesse Evangelho não é cronológica, pois seu foco é mostrar Jesus como Rei de Israel, dando uma progressão ordenada quanto ao caráter dispensacional da vida de Cristo.
Pouco sabe acerca de Mateus, além de que foi convocado por Cristo para seguí-lO e que era publicano e coletor de impostos (Mt 9.9). Também se chamava Levi. A maioria dos discípulos eram pescadores de poucas letras, mas Mateus era um homem culto, conhecedor tanto das leis como da história romana e judaica. Sabia grego e aramaico.
Esse Evangelho foi escrito em torno de 45-66 d.C., e seu tema encontra-se em Mateus 27.37: “ESTE É JESUS, O REI DOS JUDEUS”. A ideia predominante é a de Jesus como Rei, pois era descendente de Davi e era isso que os magos do Oriente buscavam (Mt 2.2).
Para os judeus, a árvore genealógica era algo sumamente importante. Era a maneira mais comum de começar a abordar a história da vida de um descendente de Abraão. Por este motivo, Mateus inicia seu Evangelho descrevendo a genealogia de Jesus e, há um fato fascinante nisto, pois, há nomes de mulheres, o que não era comum entre os judeus. Isto mostra a grandiosidade da salvação que o Messias traria, além da quebra de barreiras sócio-religiosas.
O Evangelho segundo Mateus, assim como os outros Evangelhos, pouco fala dos primeiros 30 anos de Jesus na terra, mas narra um fato importantíssimo que é o nascimento virginal de Cristo. Neste primeiro capitulo, há três nomes que distinguem o Filho de Deus: Cristo (v.17), Jesus (v.21) e Emanuel (v.23).
Mateus 4.1-11 registra o primeiro acontecimento na vida de Jesus após o batismo: Ele é tentado no deserto. Jesus recusou-Se terminantemente, a entrar em acordo com o Diabo! Respondendo ao inimigo, citou o Livro de Deuteronômio, chamado por alguns de “Livro da Obediência”.
Em Mateus 8 e 9, Jesus mostra ao povo o Seu poder: cura os enfermos, demonstra Sua autoridade sobre a natureza, demônios e perdoa pecados. Infelizmente, muitos começaram perseguí-lO deste então. Em Mt 11.20, Jesus passa a pronunciar julgamento contra certas cidades. Eram cidades que tinham recebido bênçãos especiais de Deus, tinham visto milagres e obras salvadoras do Messias, porém foram indiferentes, decidindo rejeitar Jesus.
No capítulo 16, Jesus fala contra o fermento dos fariseus e saduceus. Fermento aqui representa uma doutrina falsa e penetrante. Ao lermos os versos 13-20, Cristo começa a fazer algumas revelações e dar novas instruções aos Seus discípulos, tratando sobre Sua deidade, edificação da Igreja, Sua morte e ressurreição, Sua glória, a verdadeira fonte do Seu poder, a grandeza do Reino de Deus, a disciplina na Igreja e sobre a necessidade de um espírito perdoador.

2.1.       As Parábolas de Mateus
Mateus 13 registra uma mudança no ministério de Jesus. Antes Ele pregava nas sinagogas, mas agora é visto junto ao mar, falando muitas coisas por parábolas. É o inicio do novo programa de Deus. Como Israel havia rejeitado o Messias, então Ele abriu os portões do Reino a qualquer pessoa que quisesse aceitar Suas palavras e promessas.
Parábola é uma narração geralmente curta e descritiva. Uma comparação, um paralelo, para ensinar uma verdade moral ou espiritual. É a explicação de algo desconhecido através de figuras conhecidas. Nos Evangelhos, o propósito da parábola é o de ensinar sobre o Reino de Deus.
As duas primeiras parábolas falam acerca da implantação do Reino. A parábola do semeador demonstra que a terra determina a produtividade da semente. O solo espiritual de Israel estava estéril, árido, razão da qual rejeitou a semente que é a Palavra de Deus. A segunda parábola, do trigo e do joio, mostra que haverá uma separação entre os filhos do Reino (trigo) e os filhos do maligno (joio).
A terceira e a quarta parábola nos falam acerca do crescimento do Reino. A parábola do Grão de Mostarda indica que, ainda que comece pequeno, o reino será seguido de um grande e rápido desenvolvimento, terá uma grande influencia no mundo inteiro. Já a parábola do Fermento mostra que, assim como ao ser introduzido na massa, o fermento da o crescimento sem ser visto, assim o real crescimento do Reino de Deus não deve ser avaliado por aparências exteriores.
Nas parábolas do Tesouro Escondido e da Pérola, tanto um como o outro, simbolizam a Igreja que o negociante (Cristo) comprou. Na sua penúltima parábola (da Rede) Jesus indica que devemos colher toda espécie de peixe, ou seja, alcançar todos os tipos de pessoas com o Evangelho e introduzi-las no Reino. A última é a anunciação de coisas novas por Cristo.

2.2.       Os Ensinamentos e Ministério do Rei
O discurso conhecido como “O Sermão da Montanha” trata do caráter dos filhos do Reino de Deus, bem como os requisitos para entrar nele, e encerra conteúdo de inestimável valor. Podemos destacar essas bem-aventuranças em dois grupos: atitudes pessoais (humildade, penitência, mansidão e justiça) e atitudes beneficentes (misericórdia, pureza de coração, paz e sofrimento). Jesus está ensinando que devemos manter atitudes espirituais nobres e puras; devemos ser benção para o próximo, socorrer os pobres e amar os que nos perseguem. Devemos ser sal da terra e luz do mundo.
Em Mateus 6, Cristo denuncia a religião falsa e pretensiosa dos hipócritas, advertindo para que, ao darmos esmolas, orarmos e jejuarmos, façamos de maneira cristã, para que possamos ser abençoados. É a luta da religiosidade versus espiritualidade. No mesmo capitulo, Jesus deixa uma oração modelo chamada Pai Nosso. Vamos analisá-la com a seguinte divisão: Invocação (uma nova relação de Pai para Filho é introduzida), prioridade nas petições (buscar primeiro os interesses de Deus) e as petições seguintes (pedindo a Deus ajuda quanto às necessidades pessoais).
O Messias conclui o Sermão da Montanha mostrando o caminho verdadeiro quanto ao nosso viver, visto que não podemos servir a Deus e a Mamom (dinheiro) ao mesmo tempo. Devemos procurar a direção divina através do pedir, buscar e bater. Devemos ser bondosos e amorosos para com os outros, pois nosso Pai concede-nos toda bondade e amor.
A missão de Cristo se encontra em Mateus 9.13: “...porque eu não vim a chamar os justos, mas os pecadores ao arrependimento.” Esta era a missão primordial de Jesus. Ocupava Seu coração o ardente desejo de arrependimento por parte do povo.
Há três características na pregação de Cristo que devem existir em cada pregador nos dias atuais: sua voz era a expressão da certeza e não deixava dúvida; sua voz era repleta de autoridade divina, pois Ele era Rei e falava com um Rei e; sua mensagem era proveniente do Pai Celestial.
O ministério de Cristo é o mesmo hoje: Ele salva, cura, batiza com o Espírito Santo e supre todas as nossas necessidades.
Mateus 21 registra a entrada de Jesus em Jerusalém. A multidão, que o recebeu como um rei e não como O REI, queria que Ele estabelecesse Seu reino na terra, num palácio profano. Seu divino objetivo, porém, era o de estabelecer o reino no coração dos homens.
Cristo estava em Seus últimos dias de vida terrena. Breve seria levado rumo ao Calvário. Antes, porém, Ele purificou o templo, amaldiçoou a figueira e defrontou com os líderes de Israel. Ao término de todas essas coisas, Jesus lamenta sobre Jerusalém. Cristo odeia o pecado, mas ama o pecador.
Tendo terminado os ensinamentos, o Senhor disse aos discípulos que, após dias da celebração da Páscoa, Ele seria entregue para ser crucificado. Foram quatro vezes que Ele anuncia Sua morte neste Evangelho: 16.21-23, 17. 22-23. 20.17-19 e 26.45.
Nos Seus últimos atos, Jesus recebe uma unção com um precioso bálsamo sobre a cabeça, feito por uma mulher na casa de Simão, o leproso. Era a preparação do Seu corpo para o sepultamento. Nesta hora, Judas Iscariotes reprovou o ato, mas se apressou em consumar o pacto da traição.
Ocorreu, então, a primeira Ceia do Senhor que Jesus instituiu como um memorial da Sua morte. A Santa Ceia não é uma transubstanciação e sim um simbolismo, onde o pão e o vinho simbolizam o corpo e sangue do Senhor.
Após, Cristo saiu para o Getsêmani, onde experimentou o “cálice da agonia e sofrimento” e, ao vencer este intenso e tenebroso combate, estava pronto para ser entregue nas mãos dos malfeitores. Neste momento, Jesus foi levando ao Sinédrio onde foi difamado, zombado, esbofeteado e sentenciado à morte.
Corpo ensanguentado e costas doloridas pelos acoites. Assim foi Jesus conduzido ao Calvário. Triste e revoltante cena! Nenhum malfeitor precisava levar sua cruz, mas fizeram nosso Senhor carregar. Suas forças já não lhe bastavam. Então, encontraram um cireneu chamado Simão e o obrigaram a carregar a cruz. Esse Simão era judeu africano, da cidade de Cirene que ia participar do ritual judaico na Páscoa, onde, no ápice da cerimônia, poderia ser respingado com o sangue de um cordeiro. Agora, Simão estava sendo banhado com o sangue do Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. Isso foi tão lindo que, este homem se converteu ao cristianismo (Rm 16.13).

2.3.       A Morte e Ressurreição do Rei
A crucificação de Jesus durou seis horas! Depois de sofrer nas mãos dos homens por três horas, Cristo foi pendurado na cruz às 09 horas da manhã e ficou até às 15 horas. Vários sinais acompanharam a morte de Jesus. O véu do santuário se rasgou de alto a baixo, significando o fim da separação entre o homem e Deus. Ocorreu um terremoto, sepulcros se abriram e muitos santos ressuscitaram.
Com a morte de Jesus, o coração dos discípulos foi possuído de grande tristeza e dor. Estavam abalados. Tinham esquecido a promessa de Jesus de que ressuscitaria depois de três dias. É, pois, o capítulo 28 que narra com todo o esplendor a ressurreição de Jesus.
As duas Marias, no começo do primeiro dia da semana, foram ver o sepulcro. Um anjo do Senhor desceu e removeu a pedra que estava bloqueando a entrada do sepulcro. Os guardas, estarrecidos, desmaiaram de susto. O anjo explicou às duas mulheres que Jesus havia ressuscitado. Ouvindo isso, elas saíram às pressas com grande alegria para anunciar as boas-novas aos demais. Jesus foi ao encontro delas e se revelou. Seu corpo estava diferente, glorificado!
Ao ouvirem que Cristo tinha ressuscitado, as autoridades judaicas forjaram uma grande mentira, dizendo que os discípulos tinham roubado o corpo de Jesus; elas haviam dado grande soma de dinheiro aos guardas e mandaram-lhes espalhar tal história pela cidade. Até hoje a mentira prevalece entre os judeus, mas a verdade sobre Cristo jamais será vencida ou ofuscada.

2.4.       A Comissão do Rei
Estamos chegando ao fim da missão terrestre do Messias. Seu ultimo ato antes de ascender aos céus foi conferir a Grande Comissão aos Seus discípulos.
Jesus afirma Seu poder universal e designa Seu mandado através do Ide, que inclui o Ensinar e o Batizar. O Senhor promete-lhes poder, autoridade e Sua presença divina até o fim dos séculos. A Grande Comissão foi deixada para nós, os crentes. Não nos façamos surdos ou indiferentes a esta ordenança.

3.    O Evangelho de Jesus segundo escreveu Marcos
O Evangelho de Marcos é tido por alguns como o primeiro escrito sobre a vida de Jesus. O autor não foi um dos doze dentre os primeiros seguidores de Cristo e foi escrito para os romanos, apresentando Cristo como Servo, enfatizando Seus milagres e obras.
O nome do autor deste Evangelho é João Marcos. João é seu nome judaico e Marcos é seu nome romano. Era sobrinho de Barnabé e viajou com ele e Paulo até Perge, na Panfília, na primeira viagem missionária do apóstolo. Segundo a tradição, Marcos foi o fundador da Igreja em Alexandria, no Egito.
Marcos vivia em Jerusalém e, por isso, é provável que ele tenha sido testemunha pessoal de muitos acontecimentos da vida de Cristo, especialmente os relacionados aos Seus últimos dias. Além disso, Pedro e Marcos tinham fortes laços fraternais.
O tema do Evangelho segundo Marcos é: Jesus veio para servir e dar a Sua vida em resgate por muitos (10.45). É um livro cronológico, cujos eventos nele registrados seguem certa ordem.

3.1.       A Vida e Ministério do Servo
Assim como em Mateus, há também em Marcos uma correlação entre as profecias do Antigo Testamento e os fatos pertinentes ao seu cumprimento no Novo Testamento. É a predição divina seguida da sua realização.
Coube a João Batista, o primeiro profeta após 400 anos de silêncio, a honra de batizar o Filho de Deus nas águas do Rio Jordão. Podemos ver uma evidência da Trindade em Seu batismo: Jesus saindo da água e o Espírito Santo, em forma de pomba, descendo dos céus, de onde Deus Pai falou: “Tu és meu filho amado, em ti me comprazo”. Logo após, Cristo foi conduzido para o deserto para ser tentado por Satanás e, depois de ter vencido, começou a pregar o Evangelho do Reino de Deus.
Através das narrativas de Marcos, podemos ver muitas obras miraculosas, muita cura e expulsão de demônios operada por Jesus. Ele sabia que tinha pouco tempo e procurava usá-lo da melhor maneira possível.
A fama do Servo começou a crescer. Multidões começaram a seguí-lO, mas também começaram as conspirações e invejas dos fariseus e herodianos. Mesmo sob oposição, Jesus continuou a revelar-Se poderoso e resoluto, a pregar o Evangelho, ajudar os outros e a dar Sua vida em sacrifício vivo.
Os ensinamentos de Jesus, no Evangelho de Marcos, encontram-se no capítulo 4. Ele ensinou à multidão à beira do mar da Galiléia e propôs-lhes 4 parábolas: a do Semeador, da Candeia, da Semente e do Grão de Mostarda.
Chegou o momento em Seu ministério que Cristo inicia a preparação dos Seus discípulos, revelando-lhes Sua identidade e finalidade da Sua vinda à terra. Assustados com tudo o que ouviam, os discípulos faziam-lhe perguntas.
Após uma semana de preparação dos Seus seguidores, Cristo levou Pedro, Tiago e João para um alto monte e “foi transfigurado diante deles”. A palavra transfiguração significa mudança total de aspecto, aparência ou transformação. Neste ato, apareceram Elias e Moisés, que conversavam com Cristo. O propósito deste evento foi o de mostrar aos discípulos mais próximos a gloria divina, prova e testemunho da deidade de Jesus.
Outro evento registrado por Marcos foi a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém. O povo não estava O aclamando como o Messias das profecias, mas como um líder político ou militar. Já sabemos que muitos que aclamaram ali, alguns dias depois, zombaram e ridicularizam Cristo no momento do Seu sacrifício vivo a Deus pela redenção de toda a humanidade.
Marcos 14.51-52 apresenta um jovem que seguia a cristo, quando da Sua prisão. Quase o apanharam, mas ele fugiu desnudo. Supõe-se que este jovem fosse o próprio João Marcos. Talvez, os soldados tivesse ido primeiro à sua casa onde havia sido realizada a ultima Páscoa, para prender Jesus. Marcos teria acordado com o barulho e, sem tempo para se vestir de modo completo, envolveu-se em um lençol para vero que fariam com o Mestre.
Após a morte do Senhor, os inimigos de Jesus ficariam livres dEle! Mas, só por três dias, pois Ele ressuscitou. Em Marcos 16 vemos que, no terceiro dia da crucificação, três mulheres, tendo em suas mãos aromas, foram ao sepulcro, a fim de ungir Seu corpo, mas a pedra estava removida do túmulo. Jesus não estava ali. Coube a Maria Madalena dar as boas-novas sobre a ressurreição de Jesus. Uma honra de alegrar os discípulos que estavam tristes e choravam! Aleluia, Cristo vive e não há sombra de dúvida deste evento glorioso.

4.    O Evangelho de Jesus segundo escreveu Lucas
O escritor do terceiro Evangelho é Lucas, um médico, homem educado e culto, acatado pelas igrejas dos primórdios. O livro foi escrito entre o período de 59-63 d.C., pois, ao notar o grande crescimento do Evangelho na Ásia Menor, viu Lucas a necessidade de uma descrição correta e precisa da vida e morte de Cristo.
Lucas, durante dois anos, entrevistou várias testemunhas pessoais de Cristo e de Suas obras na Palestina, objetivando escrever um Evangelho com fatos e incidentes sobre o Salvador. Se Marcos foi influenciado por Pedro, Lucas foi influenciado por Paulo (seu paciente particular).
O tema deste Evangelho é: “Porque o Filho do Homem veio buscar e salvar o perdido” (10.19).
O autor, em seu estilo poético e polido, registra importantes acontecimentos anteriores ao nascimento de Cristo, como: as predições referentes a João Batista, a alegria de Isabel e Zacarias e o cântico de Maria. Ao iniciar narrar sobre Jesus, mostra em fatos que Jesus nasceu em Belém; foi circuncidado após oito dias de nascido, cumprindo a Lei Mosaica; foi apresentado no templo após 33 dias da circuncisão, onde Simeão e Ana viram o cumprimento de uma promessa particular; Sua infância foi em Nazaré e aprendeu o oficio da carpintaria com seu pai José e assumiu o oficio após a morte de José, ainda na adolescência de Jesus, dando sustento à família até seus 30 anos de idade.
Verdadeiramente, Cristo se mostrou um exemplo de submissão, pois Ele cumpriu com lealdade as responsabilidades domésticas para com Sua família, antes que assumisse a incumbência universal da salvação do mundo; teve experiência com as coisas sobre as quais Ele deveria ensinar e; conviveu com os homens, identificando-Se com eles, para poder ajudá-los.

4.1.       A Tentação e Ministério de Jesus
O diabo é um adversário persistente e sagaz e não há limites para sua malignidade. Lucas 4.2 registra que ele tentou Jesus durante 40 dias, ou seja, durante e após o término do Seu jejum. O Senhor foi tentado na esfera do que é físico/material; concupiscência dos olhos - ambição e na esfera espiritual. Após vencer o Maligno, Cristo estava pronto para iniciar Seu ministério.
Jesus volta para a Galileia e inicia Sua obra. Sua fama já corria por toda a vizinhança. Aproveitou e entrou na sinagoga, num sábado, segundo o costume dos judeus, e levantou-se para ler. As sinagogas tinham uma tríplice finalidade: adoração, educação e governo da vida civil da comunidade. Só lia nela quem tivesse grande estudo para encontrar o rolo e interpretar a Lei para o aramaico. Jesus estava qualificado para isto, o que deixou muitos furiosos.
Saindo da sinagoga, Lucas registra alguns feitos de Jesus: curou a sogra de Pedro, escolheu os doze discípulos e ressuscitou o filho da viúva de Naim. Observemos que o foco de Cristo nunca foi se aparecer para multidões. Muitos milagres foram feitos no particular de uma casa ou no anonimato.
Lucas dedica quase 10 capítulos do seu Evangelho para tratar sobre a viagem de Jesus para Jerusalém, visando as festividades da Páscoa. No decorrer do caminho, muitas coisas aconteceram: os samaritanos rejeitam o Senhor, Jesus envia os doze discípulos e depois os setenta, trás ensinamentos e adverti sobre o “fermento” dos fariseus. Há também, em meio a este trajeto, a conversão de Zaqueu.
Lucas também registra 32 parábolas de Jesus em seu Evangelho. Algumas já foram citadas em Mateus e Marcos, outras parábolas são:
·         O Credor e os Devedores (7.40-43): fala sobre o perdão;
·         O Amigo Importuno (11.5-13): fala sobre a oração;
·         O Rico Insensato (12.13-21): fala sobre o verdadeiro valor da vida;
·         O Servo Vigilante (12.35-48): fala sobre a Segunda Vinda de Cristo;
·         A Figueira Estéril (13.6-9): fala sobre a rejeição de Israel com Jesus;
·         Os Primeiros Milagres (14.7-14): fala sobre a humildade;
·         A Grande Ceia (14.15-24): fala sobre a oportunidade de Deus a nós;
·         A Providência (14.25-35): fala sobre o comportamento da vida cristã;
·         As Coisas Perdidas (15): fala sobre Aquele que veio salvar o perdido;
·         O Mordomo Infiel (16.1-18): fala sobre a sabedoria nas decisões;
·         O Rico e o Mendigo (16.19-31): fala sobre a importância das Escrituras;
·         O Juiz Iníquo (18.1-8): fala sobre a persistência na oração;
·         O Fariseu e o Publicano (18.9-14): fala sobre a justificação pela fé;
·         O Bom Samaritano (10.25-37): fala sobre a correta operação do amor;

Ao finalmente chegar a Jerusalém, Jesus entrou nela triunfante, sendo louvado em alta voz, mesmo sabendo que era odiado por muitos. Em Sua humildade, montado num jumentinho, o Cristo não repreendeu o regozijo dos discípulos que, agora não eram apenas doze, mas uma multidão.
Seguindo, Jesus chorou diante de Jerusalém ao pensar que ela seria destruída no futuro, como adveio 40 anos mais tarde, pelo general romano Tito. As lagrimas de Cristo demonstram Seu amor por um povo espiritualmente cego.
Lucas 22 narra o pacto da traição. Judas Iscariotes, filho de Simão, um dos doze apóstolos, seria o traidor. Jesus conhecia o seu caráter desde o princípio, mas os apóstolos de nada suspeitavam. E “... satanás entrou em Judas”. Assim vendeu Jesus por um preço de escravo, 30 moedas de prata. O verso 47 relata que Judas beijou Jesus no Getsêmani, sendo o beijo da traição.
Um dos que estavam com Jesus, fazendo uso da espada, decepou a orelha do servo do sumo sacerdote, no momento da Sua prisão. Apenas João dá o nome do agressor: Pedro (Jo 18.10). Esse Pedro foi o discípulo que mais se destacou. Diríamos que ele foi o líder dos apóstolos, pois diversas vezes ele foi o porta-voz e algumas vezes Cristo direcionava a ele, numa fala em grupo. Todavia, tendo Jesus sido conduzido à casa do sumo sacerdote, já preso, Pedro O seguia de longe e, em três momentos diferentes, ao ser reconhecido como um dos doze, Pedro nega a Cristo. Na última vez, o galo canta e ele se recorda das palavras do Mestre em Lc 22.34 e chora amargamente.
O Senhor conhece o nosso coração e sabe quando abrigamos arrependimento sincero e Se coloca pronto para nos perdoar, abençoar e usar em Sua obra. Esta aí uma diferença crucial entre Pedro e Judas: ambos traíram Jesus, mas um se arrependeu e o outro preferiu o suicídio.

4.2.       Crucificação, Morte e Ressurreição de Cristo
Jesus foi conduzido ao Sinédrio para ser julgado pelos sacerdotes e escribas, devido às falsas acusações: pervertia o povo com Seu ensino; proibia o tributo a César; dizia-se o Rei dos Judeus; era malfeitor e; dizia-se Filho de Deus.
Na verdade, nem Pilatos ou Herodes conseguiram culpar Jesus. Mesmo sendo inimigos, concordaram que Jesus era inocente. Todavia, a multidão estava enfurecida e obstinada e Pilatos entrega Jesus a eles. O julgamento de Cristo foi contraditório à Lei, visando punir, desonestamente, um inocente.
O grande amor demonstrado por Jesus na cruz bradou profundamente em muitos corações. Ferido, humilhado e desprezado, mesmo assim, Jesus suplicava: “Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem” (23.34).
A própria natureza se mostrou revolta contra aquele povo cruel! O sol escureceu-se e o véu do templo se rasgou de alto a baixo. Cristo, com grande brado, entregou Seu espírito a Deus e expirou. Encerrou-se assim a crueldade no Calvário. No mesmo instante, o centurião que guardava Jesus deu glória a Deus dizendo: “Verdadeiramente, este homem era justo!” (23.47).
Coube a José, da cidade de Arimateia, membro do Sinédrio, homem bom e justo, tomar carinhosamente o corpo do Senhor e levá-lO à sepultura por ele preparada “aberta em rocha”. Todo o vazio que ficou nos corações se tornou em gozo e alegria três dias depois da morte do Mestre, por Sua ressurreição.
Jesus, depois de ressurreto, apareceu a várias pessoas. Ao final do Evangelho de Lucas, vemo-lO conversando com os discípulos e levando-os até Betânia. Ali os abençoou e, por fim, subiu para o céu, ficando à destra do Pai.
Com a ascensão de Jesus, terminava uma etapa dentro do plano de Deus para ser dado início à outra etapa: “Eis que envio sobre vós a promessa de meu Pai; ficai em Jerusalém até que do alto sejais revestidos de poder”. (24.49).

5.    Os Sinóticos
Mateus, Marcos e Lucas são chamados de “Os Evangelhos Sinóticos”. A palavra sinótico significa vistos em conjunto, com o mesmo propósito.
Um aspecto importante que temos a destacar é a razão de quatro Evangelhos em vez de um. Houve, nos tempos apostólicos, quatro classes representativas do povo: judeus, romanos, gregos e o “corpo” tomado dessas três classes que é a Igreja. Cada evangelista se dirigiu a uma dessas classes, visando seu caráter, necessidades e ideais. Logicamente que a mensagem dos Evangelhos se dirige à humanidade em geral, em qualquer tempo.
Os três primeiros Evangelhos têm muito em comum no que se refere à vida de Cristo, sendo alguns trechos quase iguais. Eles se apresentam de forma a complementar a imagem que oferece o Evangelho segundo João.
Os três primeiros Evangelhos falam em especial às pessoas descrentes. O quarto Evangelho, aos crentes. Os três primeiros falam do ministério de Jesus na Galileia; o quarto fala especialmente do Seu ministério na Judeia. Os três primeiros Evangelhos mostram a vida pública de Jesus; o quarto mostra Sua vida particular e de forma mais privada. Os três primeiros transmitem a vida humana e perfeita do Senhor. João, o quarto Evangelho, relata Sua vida divina.
Agradecemos a Deus pelas obras desses escritores que, sob a unção do Espírito Santo, nos legaram importantes relatos sobre Jesus e Sua missão.

6.    O Evangelho de Jesus segundo escreveu João
Para muitos, o Evangelho segundo João é o livro mais amado de toda a Bíblia. Ele mostra-nos coisas que não estão contidas nos Evangelhos sinóticos. Ele fala, de forma peculiar, sobre a divindade de Jesus.
João era filho de Zebedeu e irmão de Tiago (Mc 1.19). Era pescador e cresceu na cidade de Betsaida, perto da Galileia. Foi, a princípio, discípulo de João Batista e depois se tornou um dos mais chegados discípulos de Jesus. Juntamente com seu irmão, receberam o nome de Boanerges, que quer dizer “Filhos do Trovão”, indicando seu zelo, muitas vezes movidos por temperamento impulsivo. João escreveu cinco livros no Novo Testamento.
O Evangelho segundo João foi escrito entre os anos de 80 a 95 d.C., em Éfeso. Neste período, Pedro e Paulo já haviam morrido e a Igreja começou a sofrer perseguição por parte dos romanos.
O propósito deste Evangelho está revelado no capitulo 20, verso 31, que diz: “...para que creiais” _convicção intelectual­_ e “crendo, tenhais vida” _regeneração espiritual. João é o Evangelho da salvação.

6.1.       A Natureza e Manifestação do Verbo
João 1.1 revela o Verbo que existiu antes da criação. Verbo é a tradução do grego logos e revela o Ser cuja existência excede o tempo. Jesus Cristo é desde a eternidade, porém, especialmente em Sua encarnação, estão expressas a pessoa e o pensamento de Deus (Jo 1.3-5, 14.9-11; Cl 2.9).
Em João 1.14, o Verbo que no princípio estava com Deus, tornou-Se homem. Agora, Ele é identificado como o Cristo manifesto na História. Vemos também que João Batista foi preparado por Deus para anunciar aquEle que viria após ele; aquEle em que estava a luz verdadeira, que alumia todo homem que vem ao mundo. O verso 29 registra a mensagem que ardia no coração de João Batista e que, com grande ênfase, declarou ao povo: “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo”.
João 1.35-51 menciona a primeira visita de Jesus à Judeia e os primeiros discípulos. No verso 36, João Batista vê Jesus e, novamente, o aponta como “O Cordeiro de Deus” para dois de seus discípulos que, de imediato, seguem o Mestre Jesus e tornam-se Seus discípulos. O verdadeiro pregador não atrai admiradores e servos para si, mas sim para Cristo.
No segundo capítulo ocorre o primeiro milagre de Cristo. Através deste e de outros sinais, Jesus manifesta a Sua glória e os discípulos creem nEle (2.11). Há 8 milagres registrados neste Evangelho, a saber: a água transformada em vinho; a cura do filho de um oficial do rei; a cura do paralítico de Betesda; a multiplicação dos pães e peixes; Jesus andando sobre o mar; a cura de um cego de nascença; a ressurreição de Lázaro e; o milagre da grande pesca.
Em João 3 temos o âmago do seu Evangelho. Jesus encontra com Nicodemos e o faz entender o real sentido da vida, descrevendo o amor de Deus e o papel do homem para se salvar mediante esse amor. É neste capítulo também que registra o testemunho final de João Batista: “É necessário que Ele cresça e que eu diminua” (3.30).
João 4 narra a entrevista de Jesus com a mulher samaritana, deixando a lição do valor da evangelização individual, além de tratar sobre a ceifa e os ceifeiros e do segundo milagre de Cristo.
Em João 5 vemos o terceiro milagre do Mestre e os judeus, descontentes com Ele, procuram oportunidades para matar Jesus.
João 6 registra mais dois sinais extraordinários: a multiplicação dos pães e peixes e Jesus andando sobre o mar. Deve ser observado que os quatro Evangelhos registram o milagre da multiplicação, mas apenas João conta do rapaz que tinha os cinco pães e os dois peixes.
Em João 7 e 8 temos a quarta e ultima visita de Jesus à Judeia, onde o povo passou a se mostrar incrédulos, confusos e indecisos, devido a intervenção dos judeus contrários à Cristo. Aplicaram contra Jesus, trazendo-lhe uma mulher adúltera para que Ele manifestasse acerca da punição. Aos olhos humanos, não havia como acertar a correção ideal para aquele caso, mas Jesus demonstrou Sua divina sabedoria, deixando todos espantados e alegres.
João 9 registra a cura de um cego de nascença, enfocando um novo testemunho do Seu poder. Como este ato aconteceu no sábado, novamente os fariseus injuriaram-nO e perseguiram-nO.
A ressurreição de Lázaro é o sétimo sinal ou milagre registrado em João, demonstrando o amor e compaixão do Filho de Deus. Muitos que presenciaram os milagres de Jesus, creram nEle, outros foram até o Sinédrio para denunciá-lO e passaram a planejar Sua morte.
Em Seus últimos feitos, Cristo lava os pés dos discípulos e os instrui sobre a cruz e a glorificação; a singularidade do amor; as moradas no céu e a promessa do Consolador.

6.2.       Nosso Relacionamento com Cristo, os irmãos e com o Espírito Santo.
No capítulo 15, há um precioso sermão de Jesus que fala de um dos pontos para a vida cristã normal. Podemos dividir este capítulo em 3 seções: dos versos 1 a 8, onde a palavra-chave é permanecer; dos versos 9 a 17, onde a palavra-chave é amor e; dos versos 18 a 27, onde a palavra-chave é aborrecer.
A primeira seção está ligada à alegoria da videira, onde Cristo é a Videira e nós somos as varas. Precisamos permanecer em Cristo para darmos frutos.
A segunda seção está relacionada com o amor. O amor de Cristo está revelado através da entrega de Sua vida por nós. Para sermos objetos do amor de Cristo precisamos guardar os mandamentos, amando uns aos outros.
A terceira seção fala sobre a Igreja e o mundo. Como parte do corpo de Cristo, somo designados a suportar o que restou dos Seus sofrimentos. O ódio do mundo por nós é sem causa ou explicação e nunca passarão, porque o mundo desconhece Deus. Mas quando o Consolador se revela a alguém do mundo, este abandona o erro e se entrega ao Salvador.

6.3.       A Oração Sacerdotal de Jesus
Temos, em João 17, a oração sacerdotal de Jesus. Uma oração intercessora, sendo sete petições expressando todo o amor de Cristo em favor dos Seus seguidores. Esta oração teria profundo significado para os discípulos e podemos observar duas divisões nessa oração:

a)    As sete petições
1.      Seja Ele glorificado, como o Pai foi nEle glorificado (v.1);
2.      Pela restauração da vida eterna (v.5);
3.      Pela segurança dos crentes, quanto ao mundo e o mal (v.11 e 15);
4.      Pela santificação dos crentes (v.17);
5.      Pela unidade espiritual dos crentes (v.21);
6.      Para que o mundo possa crer (v.21);
7.      Para que os crentes possam estar com Ele nos céus, contemplar Sua gloria e dela participar (v.24).
b)    As razões da Oração
1.      Cristo ora por Si mesmo (v.1-5);
2.      Cristo ora pelos discípulos (v.6-19);
3.      Cristo ora pela Igreja em todo o tempo (v.20-26).

6.4.       Momentos finais de Jesus conforme o Evangelho de João
Jesus agora esta a caminho do horto, juntamente com Seus discípulos. Era um local bem familiar para Jesus, pois muitas vezes já estivera ali para orar. Era um local de paz e quietude, todavia, aquela noite seria diferente. Judas, que por muitas vezes, estivera ali com o Mestre, desta vez aparece com a coorte de oficiais dos principais sacerdotes e fariseus para prender Jesus.
Parece-nos injustificado a utilização da coorte, pois o objetivo era prender apenas um homem! Sem dúvida, era um respeitoso temor ao poder de Jesus. Eles precisavam assegurar sua dignidade. Mesmo assim, demonstraram temor e experimentaram derrota ao ouvirem de Jesus as palavras “SOU EU”. Estavam munidos com lanternas, archotes e armas, temendo um revide. Mas, não foi assim. Jesus estava pronto para que nEle se cumprisse o plano do Pai!
Pedro, cheio de revolta, lançou sua espada sobre o servo do sumo sacerdote chamado Malco, cortando-lhe sua orelha direita. Cristo, de imediato repreende o discípulo e opera o milagre em Malco.
De posse de Jesus, os guardas O levaram para ser julgado e condenado à morte. A primeira pessoa a se defrontar com Jesus no templo de Jerusalém foi Anás, que comemorou tal feito. Após, foi levado para Caifás, onde Jesus foi condenado no mesmo instante. Depois de ter enfrentado a ‘justiça dos judeus’, Cristo foi levado a Pilatos, governador romano de moral débil. Este queria soltar Jesus, mas a multidão bramava por Sua crucificação. Como não era forte o suficiente para tomar a decisão por si, entregou Jesus para ser crucificado.
O capítulo 19 trata sobre a crucificação. João relata pormenores que os outros evangelistas omitem. É importante ressaltar que João foi o único discípulo que assistiu à morte de Cristo, mas não quis enfatizar acerca de Seu sofrimento, pois a crucificação era bem conhecida entre o povo.
A causa da crucificação era sempre declarada acima da cabeça do condenado. A mando de Pilatos, colocaram uma inscrição trilingue - hebraico, grego e latim - na cruz de Jesus, com as seguintes palavras: “JESUS NAZARENO, REI DOS JUDEUS”. Os judeus ficaram contrariados, mas Pilados não modificou.
Os judeus quiseram quebrar as pernas de Jesus, acelerando Sua morte. Mas, chegando perto, perceberam que Ele já estava morto. Então, um soldado lancetou-Lhe o lado, de onde saiu água e sangue.
Em João 19 aparecem dois discípulos ocultos de Jesus: José de Arimateia, que pediu Seu corpo e O colocou no sepulcro e Nicodemos, que embalsamou o corpo de Jesus. O capítulo 20 registra o evento seguinte: o túmulo vazio.
Cristo ressuscitou e apareceu algumas vezes, a começar com Maria Madalena e aos discípulos por 2 vezes. O último capítulo de João (21) versa sobre a terceira aparição do Senhor Jesus aos discípulos. Agora, eles estavam pescando, porém foi um fracasso. Quando o dia amanheceu, junto à ele aparece a Luz do mundo, dizendo para lançar a rede do lado direito. Ninguém percebeu que era Jesus. Ao puxarem a rede cheia de peixes, João disse a Pedro: “É o Senhor!”. Tal feito revelou aos discípulos a realidade da ressurreição.
Após terem sido alimentos por Jesus, Ele aproximou-se de Pedro e, por três vezes fez-lhe uma pergunta similar. Pedro, que por três vezes O negara, teria agora ocasião de afirmar três vezes o seu amor pelo Mestre.
Como o amor implica responsabilidades, Pedro, o pescador, passaria agora a pastor de ovelhas – as ovelhas de Jesus. O apóstolo não hesitou em atender o chamado divino, antes entendeu que o amor traz muitas obrigações e sacrifícios, mas também proporciona recompensas divinas e sempiternas.
João 21.25 não é um exagero retórico, mas a franca confissão das suas limitações no registro de tudo o que Jesus fez. No mundo todo não caberia os volumes necessários para a narração de tudo quanto envolve o Verbo encarnado e a redenção por Ele proporcionada ao mais vil pecador, conforme o eterno propósito de Deus.

6.5.       Notas e Conclusão
Existem três tipos de amor:
·         Ágape que é a afinidade de ideais espirituais; o amor de Deus para com o homem e vice-versa. Um amor incondicional;
·         Eros é atração física e desejo sexual e;
·         Phileos é afinidade mental e cultural; um amor fraternal.
Todos Esses três tipos de amor devem ser desenvolvidos, pois são fundamentais na vida de qualquer indivíduo. Um ser humano evoluído, iluminado pela consciência e sabedoria tem os três os amores em equilíbrio e desfrutam de forma saudável os prazeres das inter-relações. O exagero em algum desses amores pode causar sofrimento e desequilíbrio.

Distancia de Jerusalém para vários lugares:
 

·         Cafarnaum - 144 Km                                   
·         Nazaré - 112 Km                                          
·         Cesaréia - 66 Km                                         
·         Samaria - 56 Km                                          
·         Jope  - 56  Km                                              
·         Jericó - 24 Km                                              
·         Betânia - 3 Km                                              
·         Belém  - 10 Km                                             
·         Hebrom - 40 Km                                           
·         Gaza - 80 Km                                                
·         Maquerunte  - 64 Km                                   
·         Fronteira do Egito -160 Km                       
·         Para Damasco - 213 Km                             
·         Para Babilônia - 880 Km                             
·         Para Éfeso - 960 Km                                    
·         Para Corinto - 1280 Km                               
·         Para Roma - 2240 Km  

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